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Vamos ao Ideias Feitas Ideias Feitas é o espaço de opinião do Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde, boa segunda-feira. Queres falar do artigo de José Luís Carneiro no jornal "Público"?

Olá, boa tarde, Miguel. Boa segunda-feira também. Quero sim. José Luís Carneiro assinou um artigo no "Público" para, entre outras coisas, acusar o governo de deixar cair as linhas vermelhas que o separavam do CHEGA. E o secretário-geral do PS é capaz de escrever estas coisas enquanto o seu partido faz uma aliança formal e explícita com a extrema-esquerda em Lisboa, o que só mostra que é um homem corajoso, pelo menos no sentido em que não tem medo nenhum do ridículo. Outra característica do doutor Carneiro, pelo menos ao que parece, e que é revelada pelo artigo em causa, é a sua completa e radical indiferença à memória, aos factos e aos cargos que ocupou e àquilo que fez no desempenho desses cargos. Isto sobretudo vem ao de cima quando ele, no artigo, a certa altura, culpa o doutor Montenegro, ou mais exatamente chama-o de corresponsável pelo, passo a citar: "Ambiente inamistoso que os imigrantes começam a encontrar por toda a parte e pelos incidentes de ódio que possam vir a acontecer." Ora bem, eu não sei se existe o tal ambiente inamistoso que os imigrantes começam a encontrar por toda a parte e tal como também não sei se virá a acontecer, se virá a haver os tais incidentes de ódio que o doutor Carneiro prevê. O que eu sei é que há de haver cúmplices desses desagradáveis fenômenos. O doutor Carneiro é um deles. O doutor Carneiro desempenha funções relevantes no PS desde tempos imemoriais, incluindo principalmente os tempos em que o PS governou o país e desmantelou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o SEF, e em poucos anos permitiu a entrada em Portugal de uma quantidade de estrangeiros mais ou menos equivalente a cerca de 15% da população que já cá estava, da população nacional. Os argumentos para esta decisão de extraordinária responsabilidade ou irresponsabilidade variam. Vão da intrínseca generosidade à esquerda à necessidade de termos abundância, como dizia um colunista aqui há dias, de infelizes mal pagos, ele não dizia isto, mas para assentar tijolo. Ele defendia a necessidade de entrada de imigrantes para assentar tijolo. Os argumentos variam. O que não varia são as consequências de uma vaga avassaladora e concentrada num período curto de gente proveniente de culturas distintas. Esta história toda das barracas em Loures, as barracas que estão a ser demolidas e as que já foram demolidas, toda esta história é apenas um pormenor e nem sequer é dos pormenores mais graves do que acontece quando acontece isto que tem acontecido em Portugal. Já no Ideias Feitas, acho que já disse aqui uma ou duas vezes, e outras pessoas se calhar já o disseram três ou quatro vezes: há barracas, há miséria, há tráfico humano, há exploração, há crime, há insegurança e instalado este clima, depois pode realmente haver outras coisas. E essas coisas muito provavelmente, ou de certeza absoluta, não serão boas. E o doutor Carneiro nunca abriu a boca para alertar para semelhantes aborrecimentos. Muito pelo contrário. Eu há pouco referi que o doutor Carneiro seria cúmplice de tudo isto. Não, chamar o doutor Carneiro de cúmplice pelo ambiente e pelo ódio que ele agora se queixa é pouco, é muitíssimo pouco. Assim de repente, lembrei-me, não sei se ele próprio se lembra, que o doutor Carneiro foi Ministro da Administração Interna de Portugal entre 2022 e 2024. Foi justamente o período de maior fluxo de imigrantes, ou uma parte significativa desse período. E não por acaso, foi também o período em que o atual chefe do PS foi o responsável pela execução de políticas de segurança pública, de imigração e asilo, incluindo a gestão do SEF e a gestão da extinção do SEF há cerca de dois anos. Ou seja, o doutor Carneiro liderou todo este desnorteado, vamos ser simpáticos, processo que nos deixa na situação atual. E o que quer que venha a suceder por obra e graça das políticas fronteiriças socialistas é culpa direta do doutor Carneiro. O doutor Carneiro é o grande responsável, pelo menos foi ele que deu o rosto. Se estava a cumprir ordens, como dizia o outro, é outra história, mas foi ele que deu o rosto por estas políticas fronteiriças, por esta abertura desastrada, para ser outra vez simpático, das fronteiras. Se posso usar uma analogia, o doutor Carneiro andou anos a regar a floresta com gasolina e hoje acusa o primeiro-ministro de tentar evitar incêndios. A única coisa que o doutor Montenegro pode ser acusado nesta matéria é ter acordado tarde para tudo isto. Agora, o doutor Carneiro, que diretamente e eu suponho que conscientemente, acho que ele estava na posse das suas faculdades, com certeza, conscientemente causou ao país um enorme problema que me parece irresolúvel. E ele é que parece que continua a dormir. Ou então, pior ainda, pensa que os eleitores é que andam a dormir. Eu espero que ele esteja enganado, eu espero que os eleitores estejam acordados, estejam atentos, porque o descaramento, já não vou dizer o crime, não é que fosse um excessivo exagero. O descaramento não devia ficar sem castigo.

Ideias Feitas, Alberto Gonçalves. Até amanhã.

Até amanhã.

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