Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Ideias Feitas na Rádio Observador com o Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo, boa tarde.

E hoje queres vir ao caso Mari Carmen.

Finalmente, andei não sei quantos dias a ouvir falar nisso, a ouvir muito por alto notícias sobre uma senhora idosa que tinha sido despejada da casa de Madrid, que era inquilina por forças, imagino eu, fascistas, e que agora a desgraçada da senhora estaria obrigada a viver na rua debaixo de um viaduto. E depois fui ler sobre o assunto com mais atenção e descobri que afinal há poucas semelhanças entre a história que nos contam e a história verdadeira. Para quem não sabe, imagino que a maioria das pessoas saiba, mas algumas talvez não saibam. A senhora chama-se Mari Carmen Abascal, tem 87 anos e pelo menos numa primeira fase, num primeiro momento, foi de fato despejada do seu apartamento num bairro nobre de Madrid. Ela vivia lá há cerca de 70 anos, sob o regime de renda antiga, com contrato que lhe fora transmitido pelos pais e sob um sistema que, pelos vistos, fora criado no tempo do franquismo, ou seja, por fascistas autênticos. Há uns tempos, um fundo imobiliário qualquer comprou o prédio em que o apartamento está e propôs à senhora a compra do apartamento, se ela queria comprar o apartamento por cerca de metade do preço de mercado. A senhora recusou. Depois o contrato caducou, a ordem de despejo foi emitida pelo tribunal. Houve várias tentativas de a despejar, travadas por ativistas. A polícia lá acabou por conseguir executar o despejo e retirou a senhora numa cadeira de rodas ou numa maca, ou qualquer coisa assim. E depois houve manifestações de gente preocupadíssima com a senhora, isto agora nos últimos dias, gente que nunca se preocupou com as dezenas de espanhóis de todas as idades que são despejados diariamente ao abrigo de leis aprovadas sob governos socialistas, ao que pude constatar. E depois disto tudo, e depois da pressão popular e destas comoções todas, o tal fundo imobiliário recuou e assinou um novo contrato de arrendamento de oito anos ajustado à pensão da senhora. Claro que o despejo não tinha sido uma decisão arbitrária, foi cumprimento de leis aprovadas em democracia. E claro que a senhora, além de receber uma pensão razoável, 1500, 1600 €, não está exatamente na miséria, pagou durante décadas uma renda indiscutivelmente baixa. E claro que os partidos de esquerda no governo e no Parlamento usaram a indignação popular ou instigaram-na para protestar nas ruas e atacar governos regionais da oposição, sobretudo o PP, fingindo desconhecer que a legislação que permitiu o despejo fora, repito, criada por governos socialistas e que o poder de alterar a lei nem sequer passa pelos poderes regionais, passa pelo Parlamento nacional. Pior que tudo, foi a facilidade com que se explorou sentimentalmente o caso ou irracionalmente o caso, sem atender aos fatos, mas atendendo às emoções que tornam quase irresistível que uma pessoa fique do lado da pobre velhinha e contra aquele medonho fundo imobiliário sem rosto. Em simultâneo, a coisa tornou-se também uma luta do humanismo da esquerda, o qual, repito, produziu as leis que legitimaram o despejo da senhora contra a crueldade da direita, cuja versão realmente extremista, aqui sim era a extrema-direita a sério, a do regime de Franco, aprovou as tais leis, insisto, que permitiram que ao longo de 70 anos a senhora tivesse vivido ali sossegada e sem pagar muito. Convém ainda acrescentar que no ano passado a Câmara de Madrid até tinha proposto à senhora uma solução alternativa, que a senhora recusou. A Câmara de Madrid é governada pelo PP e, portanto, nada disto faz sentido e nada disto é para fazer sentido. O que importa aqui é retirar duas principais consequências do caso. A primeira é que a cedência do fundo imobiliário à pressão pública abre um precedente curioso, em que a lei deixa de ser igual para todos e passa a depender da capacidade de gerar comoção social. Isto para os proprietários não é exatamente um motivo de confiança. É mau para quem gostaria de confiar na justiça e é mau para quem gostaria de alugar casa, porque a partir de agora os proprietários começam a ficar mais reticentes. A segunda consequência é que o governo do senhor Sánchez, que conduziu com notável demagogia e com típica falta de vergonha toda esta história, deixou de ser importunado com notícias acerca de Ceuta. Um só despejo, que nem sequer foi concretizado, serviu para apagar a ocupação de que milhares de pessoas continuam a ser vítimas lá em Ceuta e algumas dessas pessoas, imagino eu, também são idosas. E nenhuma delas suscita a comoção dos humanistas. Mesmo para terminar, Ricardo, uma terceira e possível e eventual consequência, isto é uma notícia de hoje à tarde, é a queda do governo do senhor Sánchez, que hoje viu reprovados no Parlamento dois decretos que previam a imposição de um teto às rendas e a suspensão dos despejos. Isto também seria ótimo para os alugueres e, no fundo, uma espécie de regresso ao franquismo, pelo menos nesta matéria em particular. Agora, imaginar que isto vai levar a que esta dissensão dentro das alianças que o senhor Sánchez tem ali coladas muito precariamente, que isto vai levar à queda do governo, exige um otimismo que eu se calhar não tenho, mas vamos ver. O senhor Sánchez diz que durante o fim de semana que vai decidir e imagino qual será a decisão dele. E acho que a maioria das pessoas também imagina. E bom fim de semana, Ricardo.

Vamos ver onde vai desaguar a reflexão. Um abraço, Alberto.

Bom fim de semana, Ricardo. E até segunda. Um abraço.

Bem-vindos às 96 Horas Santogal, a maior corrida às melhores oportunidades do mundo automóvel vai arrancar. Na frente seguem mais de 40 marcas, logo a seguir mais de 3 mil carros e a ganhar terreno, grandes descontos. De oito a 11 de outubro em todos os concessionários Santogal. 96 Horas Santogal. Entre já nesta corrida. Saiba mais em santogal.pt. A dor tem muitas formas, afeta muitas pessoas e todas merecem ser ouvidas. Na segunda temporada do projeto Dor continuamos a dar voz a quem vive, estuda e procura aliviar a dor crônica. Saiba mais em observador.pt. Uma iniciativa do Observador com o apoio da Ferraz Lins. E se houvesse sempre mais um caminho, mais um lugar para descobrir? O novo Kia Celtos está preparado para explorar todos os caminhos na cidade ou fora dela. Novo Kia Celtos. Liberdade para explorar. Desde €33.340. Kia, movement that inspires. Mais de 40 marcas, mais de 3 mil carros e grandes descontos disputam a pole position. De oito a 11 de outubro, entre na corrida das 96 Horas Santogal. À segunda-feira, à terça-feira, à quarta, quinta e sexta-feira e ao sábado e domingo, feira. A vida passa a comer e assim, com uma feira de vinhos, enchidos e queijos, toda a gente come melhor. Vai resistir à tradição? Aproveite 15% em presuntos fatiados Casa de Monte. Continente, é de toda a gente. Menos 15% no produto mencionado sobre o preço de venda recomendado pelo fornecedor. Rádio Observador, são 06:59 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora nos Açores