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Olá, bem-vindos a mais um episódio do "Isto Não Passa na Rádio". Hoje vamos viajar até França e começamos com os Junior nesta "À La Plage", porque isto não passa na rádio. Estes são os Junior e são a primeira escolha do "Isto Não Passa na Rádio" desta semana. Eu sou o Nelson Ferreira, está comigo o Diogo Lopes e o Gonçalo Correia.

Ora viva.

Ça va?

E esta foi uma escolha de Gonçalo Correia. Muito obrigado. Gonçalo, muito obrigado. Eu adoro Junior e esta é uma belíssima maneira de começar este programa, onde vamos viajar até França. O que é que nos podes dizer dos Junior, Gonçalo?

Posso dizer que os conheci muito recentemente, anos demais, mas é um quarteto de música francesa, um quarteto de talvez indie pop, embora eles misturem vários géneros de música, que se formaram recentemente, em 2013, e esse era um dos critérios, porque o programa desta semana vai ser dedicado à nova música francesa, portanto, novos artistas a emergir. Já distantes da chanson francesa, que durante muitos anos teve um grande impacto em países europeus, porque também a língua francesa tinha outro impacto que não terá hoje em dia em termos de fluência. Mas estes Junior são liderados por uma cantora e compositora chamada Ana Gin. Ela já tinha estado com um dos membros deste grupo, aliás, com o membro com quem formou o Junior, num duo de indie folk, que lançou um álbum em 2008, portanto há bastante tempo, mas este projeto começou, de facto, em 2013. De dois elementos passou a quarteto. Lançaram o primeiro álbum os quatro, há três anos, deste Junior. E temos aqui uma canção precisamente desse primeiro disco, dessa estreia do Junior, esta canção chamada "À La Plage". Não sei se notaram, mas tem aqui uma mistura de dream pop, de surf music, mas também de muita influência francesa e da canção francesa muito vincada.

Eu queria começar por vos dizer que este tema me é caro, a música francesa. Por quê? Porque eu acho mesmo que a música francesa é injustiçada, principalmente quando chegamos à conclusão de fazer um episódio do "Isto Não Passa na Rádio" dedicado à nouvelle vague da música francesa. Tu não vês muitos artistas franceses desta nova vaga em festivais, nem a tocar na rádio.

É verdade, pouquíssimos.

São dois critérios que eu acho que está a faltar. Se a língua inglesa faz muito bem a sua promoção, a língua francesa, como tu dizias há pouco, já teve outros momentos de mediatismo e destaque na cultura europeia e acho que tem matéria-prima para voltar a ter, mas, por alguma razão, ainda não penetram, pelo menos aqui nos grandes festivais de verão.

Acho que o último grande momento foi aquela fase do French Touch.

Exatamente.

Deixa-me dizer, porque este verão houve uma espécie de ilha na aposta da música francesa nos festivais, do Super Bock Super Rock, num dos dias.

Teve Christine and the Queens.

Teve Christine and the Queens, teve os Phoenix, teve FKJ, que nós não vamos passar aqui também porque já se está a tornar bastante-

French Kiwi Juice.

Exatamente. Está-se a tornar bastante conhecido, mas é francês. Teve a Charlotte Gainsbourg

Teve o Romeu Elvis, que é belga.

A francofonia no geral parece bem representada.

Sim.

Pode ser que seja um ponto de viragem, se calhar?

De facto, este dia não teve muita gente.

Foi o dia do maio.

Sim, foi o dia do maio, faltava um cabeça de cartaz, Phoenix.

Será que é por causa da barreira linguística? Antigamente havia mais gente a saber falar francês do que agora.

Eu acho que há muita gente que não gosta de francês. "Não gosto de ouvir falar francês."

É um dos meus sonhos saber falar francês.

Eu, por acaso, adoro ouvir falar francês.

Eu gosto muito de música francesa, de todos os tipos e mais alguns. Tenho imensa pena de não conseguir perceber mais do que as poucas coisas que percebo.

Muito bem, mas isto não passa na rádio e apanhando aqui uma deixa também do Gonçalo, que falou em Charlotte Gainsbourg, eu trago daqui a irmã da Charlotte Gainsbourg, ou melhor, a meia-irmã da Charlotte Gainsbourg, chama-se Lou Doillon. Ela já tem alguma carreira, quer como atriz, quer como cantora, e este ano mesmo ela lançou um disco novo chamado "Soliliqui". Ela é filha da Jane Birkin, mas não do Serge Gainsbourg.

Ok.

Mas ela tem participações de renome. Ela trabalhou com a Agnès Varda.

Ok, sim. Já falámos.

Tem uma carreira também no cinema muito engraçada. E já tem alguns trabalhos mesmo para trás, para além deste de 2019, há um álbum de 2015 chamado "Lay Low", que foi assim a primeira vez que eu ouvi falar da Lou Doillon. No último álbum há um dueto com Cat Power chamado "It's You", mas eu queria que escutassem esta "Burn" de "Soliliqui", o álbum de 2019 de Lou Doillon, francesa, filha de Jane Birkin, meia-irmã de Charlotte Gainsbourg. Podíamos dizer que esta Lou Doillon está mais próxima de uma Angel Olsen ou de uma Sharon Van Etten do que, se calhar, da meia-irmã Charlotte Gainsbourg.

Até mesmo da própria Cat Power.

"E ainda bem", diz Gonçalo.

Eu não sou o maior fã da Charlotte Gainsbourg. Acho interessante.

E no cinema?

No cinema um bocadinho mais.

Um bocadinho mais do que na música?

Um bocadinho mais do que na música.

Ok. Eu acho que ela conseguiu bons momentos na música.

Sim.

Ainda assim. Lou Doillon, francesa, filha de Jane Birkin, que em 2019 lançou este "Soliliqui", em inglês, não há aqui músicas em francês, mas é ainda assim um nome da nova vaga da música francesa. Esta aqui a puxar um bocadinho mais ao rock. E agora vamos virar para a escolha do Diogo Lopes Que é, para mim, a par dos Junior, esta a nova faceta da música francesa.

É verdade, quando mais não seja porque é super recente. Nós estamos a falar de Agar Agar, que é um duo de música eletropop francesa, que se formou em 2015, é um casal, é a Clara Capagli e o Armand Boultel, acho que é algo assim do género. Eles são os dois parisienses e em 2016 lançaram o seu primeiro single, que é o que vamos ouvir agora, uma canção chamada "Prettiest Virgin". Eles têm uma vida muito ligada ao mundo das artes. A Clara era escultora e o Armando, estou aqui a tratá-los parece que andam em escolas.

Espetacular.

E o Armando andava-

Não Gama.

Exato. O Armando fazia videoarte e o primeiro concerto deles foi na sua escola, foi na Escola Superior de Artes de Paris e foi a propósito da despedida da bibliotecária da faculdade. Isto foi em 2015. Vale o que vale. No meio disto tudo, eu tenho de fazer um disclaimer que eu não conhecia muito da nova vanguarda da música francesa. Eu sou mais old school, gosto mais das coisas mais antigas.

És mais Johnny Hallyday.

Um bocadinho. Mas foi engraçado que estive à procura de uma série de coisas e posso estar enganado, mas a ideia com que fiquei foi que esta nova vaga de música está muito dividida ou neste eletropop, synthpop, meio etéreo, ou no hip-hop. Parece que há esta grande clivagem entre as duas coisas e é difícil encontrar algo que fuja um bocadinho do meio e salvam honrosas exceções como estes Agar Agar, que têm um som muito particular.

Eu gostei muito do EP deles, o "Carden", que tem esta que vamos ouvir agora, a "Prettiest Virgin", e entretanto eles lançaram no final do ano passado o "The Dog and the Future", que foi o primeiro LP, o primeiro longa.

Que foi um bocadinho desilusão.

Para mim foi. Eu gostei muito do single, o "Sorry About the Carpet", mas depois fiquei um bocadinho desiludido com o resto das músicas. Gostei muito da toada do "Carden", que tem esta "Prettiest Virgin" que vamos ouvir agora e "You're High".

Canção esta que vamos ouvir e muitas deste disco também são em inglês outra vez. Não sei se eles sentem que é um bocado obrigação de tentar agradar, pode ser que seja preciso em inglês.

Eu sigo os Agar Agar no Instagram e é espetacular. Muito por culpa dessa ligação às Belas Artes que também falaste aí no início. "Prettiest Virgin", a escolha de Diogo Lopes para o Isto Não Passa na Rádio. Esta semana estamos em França e à procura dos novos valores da música francesa. São os Agar Agar neste Isto Não Passa na Rádio. Banda francesa, porque hoje estamos à descoberta dos novos valores da música francesa. Escolha belíssima do Diogo Lopes. Obrigado.

Ora essa.

Gostei muito disto, não conhecia.

Sempre que ouvirmos um Daiquiri.

É verdade.

Ouvir esta canção.

Num descapotável qualquer.

Sim.

A navegar na Marginal.

Num terraço em Nice.

Ou em Nante.

Isso! Muito bem, vamos fechar a primeira parte com uma escolha do Gonçalo Correia, da qual eu gosto muito também, os L'Impératrice. Posso contar uma história rápida a propósito deles?

Pode.

Uma das vocalistas, já estou confuso como é a formação dos L'Impératrice, mas há uma voz feminina que participa no disco de estreia dos Parcels.

Será Agnie Gwun?

Acho que é isso. Quem me disse foram os Parcels.

Ok. Portanto, muito sucintamente, é um grupo de música pop, de música disco, electrónica francesa.

Tem um disco deste ano também.

Tem um disco deste ano. Lançaram um primeiro EP em 2012. Na verdade, o disco não é deste ano.

As canções foram surgindo.

O que aconteceu foi que o disco é do ano passado, mas ele só foi lançado, por exemplo, no Reino Unido e na maior parte dos mercados europeus este ano. Eu penso que a história é assim.

Mata Hari.

Mata Hari. Portanto, vamos ouvir o tema "La Route". Penso que é assim que se diz.

Sim, acho que está muito bem.

E terminamos aqui a primeira parte do Isto Não Passa na Rádio com este tema dos L'Impératrice.

E voltamos já para continuar a descobrir a nova música francesa. Bem-vindos à segunda parte do programa desta semana, Isto Não Passa na Rádio. Estamos às voltas com a música francesa, à nova música francesa, que temos adorado descobrir e é isso que estamos a partilhar nesta semana. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Diogo Lopes e também o Gonçalo Correia.

Ora viva.

Bem-vindos a esta segunda parte.

Bem-vindos novamente.

Estou a adorar este programa dedicado à música francesa, mas já achava que iria gostar. E quero mostrar-vos no início desta segunda parte os La Femme, "Où Va Le Monde", porque isto não passa na rádio.

Peu importe si l'homme reste si cruel avec ceux qu'il aime, il faut sans doute pardonner, mettre son ego de côté. Pourquoi tout le monde se ment et se trompe jusqu'à se traîner dans la misère la plus totale? Donner ma confiance et mon cœur, pourquoi ça me fait si peur? Est-ce bien normal? Non, ce n'est pas normal.

Je ne veux plus être la bonne quoi. Je ne veux plus gâcher ma vie avec des histoires qui finissent toujours en larmes ou en cauchemar. Je ne veux plus broyer mon pain.

Je n'ai plus d'estime pour moi, je n'ai plus d'estime pour toi. Tant pis pour ça, tant pis pour ça. Je continue mon chemin. Tu es déjà très loin. Très loin derrière moi, très loin derrière moi. Oui, c'était une belle histoire pour finalement taire mon regard poudroyé. Sans me retourner, je pars comme je suis venue, encore plus déçue. Et le pire dans tout ça, c'est que je reste un inconnu pour toi. Par pitié, arrêtez de me planter des couteaux dans le dos ou mon corps va finir par devenir un filet de cicatrices qui ne retient en moi que les mauvais côtés de toi. Désormais, je n'en peux plus. Je veux partir très loin. Je pleure et je renie, c'est la larme de trop qui fait déborder mes yeux et m'a rendu malheureuse. Mais où va le monde? Où va le monde? Mais où va le monde? Pourquoi chaque fois que je veux bien faire les choses, ir toujours de travers? Pourquoi les gens se mentent? Pourquoi les gens se trompent? Est-ce que toi aussi, des fois, tu te demandes pourquoi la vie est si compliquée? Surtout quand deux personnes s'aiment et qu'ils semblent être bien ensemble, ça paraît si facile.

Amigos, où va le monde?

Sei lá.

Où va le monde?

Não te sei responder a isso, Nelson, desculpa. Só sei dizer que este programa está com uma grande boa onda.

É verdade.

Diria.

Os La Femme são um grupo que se autointitula de psych rock francês. Não parece muito, pelo menos nesta Où va le monde.

Tem assim uns levezinhos, aquelas guitarrinhas.

Tem um bocado do stock também ali por trás. Psych pop, talvez, uma coisa assim. Eu gosto muito dos La Femme e eles têm andado por Lisboa, fiquem a saber. Há um bar...

Defina andado por Lisboa. Estão a viver em Lisboa?

Le Baron.

Ok.

É fácil encontrar os La Femme no Le Baron. Não sei se eles estão com alguma relação com Portugal mais estreita, mas sei que nos últimos meses, sei pelo menos de duas atuações. Uma delas até pediram no Facebook logo uma guitarra porque não tinham, se calhar. E foi uma atuação assim um bocado acústica no Le Baron. Depois vi alguns vídeos, mas pareceu-me que correu bem. São uma banda francesa de psych rock formados em Biarritz. Não é muito costume. As pessoas normalmente estão em Paris ou no sul de França. Eles estão em Biarritz, que é uma espécie de sudoeste francês. Já não editam assim álbuns há algum tempo. Eles tiveram algum sucesso com o primeiro disco de 2013, Psychotropical Berlin.

Ok.

E em 2016 saiu o Mystère. E eles têm um EP do ano passado chamado Runaway, mas dá-me a impressão que eles não estão propriamente dedicados aos La Femme hoje em dia, como os La Femme já foram uma banda até com vários elementos, para além dos dois fundadores, o Marlon Magnès e o guitarrista Sacha Got, que são ambos de Biarritz e formaram os La Femme há já algum tempo, mas é uma banda que convém descobrir. Eles juntam um synth hipnotic pop que pode ir de Kraftwerk a Velvet Underground, descrições dos próprios.

Parece-me.

Mas eu gosto muito dos La Femme e fica mais uma sugestão para Isto Não Passa na Rádio dedicado às novas da música francesa. E agora, Diogo Lopes, Melody's Echo Chamber.

É verdade, voltamos a uma voz feminina. Agora, neste caso, o grupo, que é quase à la sol, mas de Melody Prochet, uma moça de Aix-en-Provence. Quis dizer isto, que eu gosto muito deste nome. Quis dizer isto.

Soube-me a vinho agora, Aix-en-Provence.

Dizes o nome bastante bem. Muito obrigado. E este Melody's Echo Chamber é um grupo muito associado aos Tame Impala e acho que já se vai perceber assim que começarem a ouvir esta Bisous Magiques, que é a canção que nós vamos ouvir agora e que traduzido para o português será qualquer coisa como beijinhos mágicos. É uma sonoridade muito etérea, isto anda ali muito à volta do psi rock, de um neo-psicadelismo, se é que o podemos chamar, muito eletrónico também, mais eletrónico até do que acústico. E esta canção faz parte do primeiro álbum homónimo, neste caso, deste Melody's Echo Chamber, que é de 2012 e foi totalmente gravado com a ajuda do Kevin Parker. Aliás, parte do disco foi gravado em Perth, na Austrália, no estúdio do Parker, e depois a outra metade foi na casa da avó desta Melody Prochet, que fica no sul de França, junto ao mar. Eu acho que essa imagética, se imaginarmos uma casa com as janelas todas abertas, muito solarenga e com o mar de fundo, acho que facilmente conseguimos entrar no mood certo para esta canção.

E com mosquiteiro assim esvoaçado.

Exatamente.

Vou ter isso em conta quando a ouvir, prometo.

Exatamente. E desde então, esta Melody tem estado um bocadinho mais quieta, apesar de ter lançado um disco em 2018, um disco que não teve muito impacto, este Bon Voyage, mas diz-se que ela já está a preparar outros trabalhos, por isso vamos ver o que é que sai daí. Por enquanto, acho que este Bisous Magiques é um bom exemplo de que lá está de uma coisa que diverge um bocadinho também entre hip-hop, eletro-pop francês. Acho que é uma onda mais diferente que se enquadra nesta temática de hoje.

Melody's Echo Chamber, "Bisou Magique", a escolha de Diogo Lopes para o Isto Não Passa na Rádio. Esta semana às voltas com a nova música francesa. A Melody's Echo Chamber é um pouco uma à Lou Douillon naquela perspetiva de que sempre me pareceu que trabalha mais para um mercado ou rodeia-se mais das suas influências e amigos colaboradores, muito mais fora de França do que propriamente em França.

Sem dúvida. A crítica principal que eu poderia apontar a estas músicas é que muitas vezes elas são demasiado compridas em relação àquilo que deviam ser. Por exemplo, esta canção que estamos a ouvir, acho que já podia ter acabado.

Se calhar tem a ver mesmo com o próprio nome, Echo Chamber.

Se calhar é isso.

É um conceito.

Isto é conceptual.

É um projeto conceptual.

Um projeto conceptual, exatamente.

Mas ainda assim uma bela escolha para quem gosta destas sonoridades mais psicodélicas, como nós gostamos de dizer por cá.

Como é que os franceses dirão?

"Psychodélique"?

"Psychadélique"? Não faço ideia.

Provavelmente.

Gonçalo, temos uma escolha que também faz aqui uma viragem para outras sonoridades.

O Diogo referiu há bocadinho que esta nova vaga da música francesa está muito centrada em músicas mais eletrónicas e synthpop e, por outro lado, o hip-hop. Nós já fomos um bocadinho à parte da electrónica e da synthpop. Ainda não fomos ao hip-hop, vamos agora. Antes disso, só queria dizer uma coisa, que é: nós falámos um bocadinho da música francesa não estar tão popular. Há um hit, na verdade, que passa na rádio e por isso também não passará aqui no programa, mas que foi um grande êxito mundial, a "Jaja", da Aya Nakamura, que é uma artista francesa que tem passado por todas as rádios nacionais europeias.

Tem?

Tem.

Eu sou péssimo com isso. Ele está a falar, eu posso? Depois é isso.

Eu depois mostro-vos, mas é um êxito mundial, internacional.

Eu confio.

Se calhar quando ouvir vou saber o que é.

Eu acho que acontece-me sempre isso.

Mesmo em discotecas.

Não iria saber.

Mas pelo que sei, consta, tenho um amigo que já ouviu.

Há uns anos, há pouco falavas, por exemplo, da Christine and the Queens, é um bocado isso. Estávamos a falar das Melody Echo Chamber. A Christine trabalha muito um público norte-americano.

E ela explodiu um bocado agora neste último ano a fazer músicas com a Charli XCX e coisas assim. Tanto que ela já canta mais em inglês quase do que em francês.

Aliás, o "Chrís", o novo da Christine and the Queens, tem as canções em francês e as canções em inglês. É claramente uma aposta para fora. Lomepal.

Lomepal. Estávamos muito com vozes femininas, vamos agora a um artista masculino, um rapper que se chama Antoine Valentinelli.

Bom nome.

Mas o nome artístico é Lomepal. Ele é um rapper e cantor parisiense. Já lançou Cinco EPs, dois álbuns de estúdio, dois LPs. O Flip em 2017 e o Janine em 2018, foi o segundo disco. O primeiro álbum tornou-o logo bastante famoso na cena musical francesa, portanto foi bastante ouvido, o álbum teve bastante impacto e ele próprio admitiu que sentiu alguma pressão para fazer este segundo álbum. Este Janine é um disco dedicado à avó dele, não é um disco conceptual, mas a avó chamava-se Janine e ele decidiu nomear assim o disco.

Disco do ano passado.

Disco do ano passado, exatamente. E se na cena musical francesa grande parte do rap que se vai ouvindo hoje em dia está muito influenciado pelas sonoridades do trap, por um tom muito enérgico, muito até agressivo, na sonoridade e na lírica, o Lomepal é bastante diferente, é um rapper mais melancólico, mais melódico.

Mais próximo do Warren G, dirias?

Talvez com alguns toques, sim, mas apesar de tudo um hip-hop mais íntimo, talvez mais confessional.

Eu conheci-o por causa daquele dueto com o Orelsan, que é um outro rapper. Esse é estranho, porque o Orelsan não parece um rapper, parece um estudante de gestão da Católica. É um tipo com risca ao lado, normal.

Um dueto que faz parte também deste disco.

E nesse disco há um dueto com o Roméo Elvis.

Exatamente, que é um artista, penso que belga, rapper também bastante emergente, nós falámos já um bocadinho dele. Mas bom, sugeria ouvirmos a Trop Beau, que é um dos temas deste-

Trop Beau. Acho que não se diz o P, pois não? Precisávamos de um consultor de língua francesa neste programa.

Peço já desculpa a todas as pessoas que dominam o francês. Nós claramente não.

Peço desculpa às minhas professoras de língua francesa.

Trop Beau, Lomepal, a escolha do Gonçalo Correia para Isto Não Passa na Rádio, à descoberta da nova música francesa.

Gonçalo Correia está claramente a entrar na onda. Não, foi o Diogo.

Ah, foi o Diogo. Lomepal, Trop Beau, uma das últimas escolhas do Isto Não Passa na Rádio esta semana dedicada à nova música francesa. Muitos ficaram de fora. Uma das sugestões que o Diogo Lopes tinha para nos trazer é uma das minhas favoritas, Polo & Pan.

Isto, meus amigos, é uma cançãozaça.

Gosto muito dos Polo & Pan. Descubram a nova música francesa através dos vossos Spotifys. Se começarem a adicionar uma destas bandas, vão ser bombardeados com sugestões.

O algoritmo faz a sua magia.

Exato. E foi um prazer fazer este programa com vocês dedicado à nova música francesa. Queria só vos deixar aqui dois nomes antes de terminar. Vendredi Sur Mer, que tem produções com um tipo chamado Louis Off Man, que é uma espécie de novo produtor da nova vaga francesa.

Eles têm uma música incrível que se chama La Femme a la peau bleue, que era para ter passado aqui também. Grande canção.

É desse disco deste ano, Premier Et Moi, Vendredi Sur Mer, com a produção de Louis Off Man. Louis Off Man, como direi? Quem é o maior produtor português? Branco, Moullinex? É uma espécie de Branco Moullinex, que produziu este novo disco da Vendredi Sur Mer, que também é uma das minhas vozes favoritas da nova vaga da música francesa. Deixo-vos com esta, Écoute, Chérie. E voltamos para a semana com mais um Isto Não Passa na Rádio. Despedidas minhas, Nelson Ferreira, Diogo Lopes.

Posso só deixar uma última sugestão rápida?

Claro que sim.

Midsizer, nós não falámos aqui, mas é um produtor, beatmaker, já trabalhou com nomes como Kaytranada, Vic Mensa, é um produtor de música eletrónica e rap bastante interessante.

Há uma moça também que se chama Claire Laffut, que tem uma grande canção que se chama Nudes.

Há uma chamada Clara Luciani, que fez uma versão da La Bai, da Bai, dos Metronomy.

A Clara Luciani, a Juliette Armanet, também do mesmo género. E depois na parte do rap, naquele rap mais enérgico, mais trap, que não falámos, o Ichon é o nome também a reter. É um nome interessante.

Vamos voltar a este tema da música francesa daqui por um ano. Estamos marcados. Até lá, bom fim de semana.

Bom fim de semana.

Je te dirai tout cela. Pour l'instant, tais-toi. Tais-toi. Écoute chéri, j'ai pas le temps. Écoute chéri, je t'ai dit non. Écoute chéri, j'ai pas le temps. Écoute chéri, je t'ai dit non. Courir, partir, venir, mourir. Courir, partir, venir, mourir. Courir, partir, venir, mourir. Courir, partir, venir, mourir. Écoute chéri, j'ai tout mon temps. Écoute chéri, c'est maintenant. Écoute chéri, j'ai tout mon temps. Écoute chéri, c'est maintenant. Écoute chéri, j'ai tout mon temps. Écoute chéri, c'est maintenant. Écoute chéri, j'ai tout mon temps. Écoute chéri, c'est maintenant. Tais-toi.

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