Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bom dia, Filomena Martins.
Olá, bom dia, boa semana.
Boa semana. Para onde nos levas neste início de semana?
Vamos viajar para o outro lado do mundo, onde está toda a gente bem acordada, são mais nove horas. Vamos para o Japão.
Boa, vamos a isto.
Então vamos lá. Gostam de sushi?
Bastante.
Muito.
Eu tenho uma má notícia neste início de semana para quem gosta de sushi.
Começa mal isto.
Começa mal. Vem de Fótu, no Japão, o sushi pode desaparecer rapidamente dos restaurantes.
Como assim?
A alga nori, aquela que envolve o arroz do sushi, está a desaparecer no sítio onde é mais apanhada. É nesta pequena cidade japonesa, Fótu.
Mas está a desaparecer por quê? Alguma epidemia ou andamos a comer, de facto, alga a mais?
Não é bem só por isso, mas também andamos. Nesta cidade japonesa que fica perto da baía de Tóquio, cultivou-se nori durante centenas de anos, mas há cerca de cinco anos a alga realmente começou a desaparecer. Em vez de robustos, brilhantes e luciosos, os fios da planta passaram a ser finos, desgrenhados e descoloridos. Em 2015, a cooperativa de agricultores desta alga tinha mais de 100 membros que cultivavam a alga naquela baía. No fim do ano passado, já só havia 73 e há cada vez mais a desistir. Mas os problemas de Fótu são globais, há cada vez menos nori a ser cultivado. Em 2018, a produção atingiu os níveis mais baixos de sempre e claro, os preços aumentaram. E o principal problema é mesmo o aquecimento global, não é andar a comer sushi a mais.
Pronto, é o problema do costume. Já começamos a sentir tantas alterações por causa do aquecimento global. É mais uma.
É mais uma. O aumento da temperatura do mar e a contaminação ambiental, ou seja, uma coisa aliás contribui para a outra, afeta as nori. Mas curiosamente, há aqui um paradoxo. O Japão agravou a legislação para manter os rios limpos, fazendo com que diminuíssem os despejos agrícolas e os fertilizantes que chegavam ao mar. Mas assim também faltaram vitaminas que ajudavam a desenvolver as nori. Essas algas também só crescem no inverno, quando a água fica abaixo de 23 graus, o que agora acontece cada vez mais tarde. Acontece já com meses de atraso. Por isso as algas estão a ficar sem cor e sem sabor. E lá se vai o nosso sushi.
Meu Deus, ficamos só com o sashimi então, pronto, sem algas.
Só ficas sem algazinhas para comer. Acabou.
E do Japão vamos para onde, Filomena?
Vamos para Riga, na Letónia. São mais duas horas, mas lá está muito frio. Para saber como é que um homem conseguiu enganar a companhia aérea e voar com o seu gato muito gordo ao lado.
Então, um Garfield, portanto.
Um Garfield, é sério. As fotos tornaram-se virais na net, porque o dono fez questão de as publicar nas redes sociais. Nelas vê-se o Vítor, o gato, ao colo de Mikhael Galim, o dono, a espreitar pela janela do avião, todo contente. Não foi fácil conseguirem viajar juntos, daí o contentamento. Eles partiram de Riga e tiveram de fazer escala em Moscovo, e lá foram apanhados. Não deixaram que o gato fosse na cabine por ter peso a mais. E eles realmente trouxeram um Garfield bem gordinho. Queriam mandá-lo para o porão, mas o dono teve pena, teve medo que ele morresse de frio, arranjou um plano para atrasar o voo e levar o bicho com ele.
Encontrou uma dieta rigorosa, ginástica.
Não, nada disso. Ele pediu um gato emprestado a uns amigos para passar no controle. Depois conseguiu trocar os animais e enganou toda a gente. Só que quando publicou as fotos, a companhia multou-o.
Ainda não tem jeito para a coisa, ainda não sabe fazer bem.
Não, porque ele depois publicou mais fotos e não só gerou uma onda de indignação na internet, como agora já houve um acerto de várias empresas para o dono viajar à borla com o Vítor.
Aí está, tornou-se um influencer.
É exatamente isso. É o que está a dar.
E o nosso último destino, qual é, Filomena?
É no Harlem, em Nova Iorque, são menos de quatro horas, portanto ainda estariam a acordar agora com os despertadores.
Precisamente.
E podiam ver este espetáculo, se calhar. Um homem conseguiu cumprir o sonho de cantar no famoso Teatro Apolo, depois de estar 36 anos preso por um crime que não cometeu, portanto, ele tinha direito a cantar lá. Ele tinha 22 anos quando foi detido em Baton Rouge, Louisiana, por violação e tentativa de homicídio de uma mulher de 31 anos. Ele sempre se disse inocente. As suas impressões digitais não coincidiam com as do local do crime, nem a descrição física dele coincidia, porque falava de uma cicatriz que ele não tinha. Mesmo assim, ele foi detido numa prisão de alta segurança conhecida por Angola. Tinha existido no local uma plantação de algodão com muitos escravos angolanos, daí o nome da prisão. É considerada uma das mais sanguinárias dos Estados Unidos. Quase todos os presos são negros e os funcionários autointitulam-se free men e são todos brancos, portanto, não deve ser simpática.
Mas ele não conseguiu provar que era inocente, mesmo quando essas provas não coincidiam?
Demorou os tais 36 anos. Mas como cantava desde criança, ele juntou-se à banda gospel da prisão, que o ajudou um bocadinho a passar o tempo. Não deve ter sido fácil, mesmo assim durante 36 anos. Só em 1995 é que mandou a primeira carta aos fundadores do Innocence Project, a pedir ajuda legal. Com os avanços tecnológicos, o FBI descobriu que as impressões digitais do local do crime eram de um violador em série. Já depois do Williams ter sido condenado, esse violador cometeu mais cinco crimes iguais, acabou realmente por ser apanhado e morrer na prisão. Mas mesmo assim foi difícil aceitar que o processo do Williams fosse revisto. O primeiro pedido entrou em 99 e ele só foi libertado no ano passado.
Bem, uma vida. E ele agora tornou-se cantor?
Mais ou menos. Deixaram de cumprir o sonho de cantar no mítico Apollo, onde actuaram desde James Brown, Billie Holiday, Jackson 5 e os Jimi Hendrix, por exemplo. Ele entrou numa espécie de concurso. Na primeira prova, foi terceiro. Esta última quarta-feira interpretou "As" de Stevie Wonder, canção sobre amor incondicional e devoção. Ficou outra vez em terceiro e vai continuar no concurso. Ele apareceu muito bem vestidinho, no tom verde, com o fatinho cinzento, sapatinhos brancos e pretos, colete.
Mesmo aprumado.
Mesmo aprumado. No fim do espetáculo, quis agradecer ao Innocence Project por ajudar as pessoas presas por engano e recebeu um enorme "Welcome home, brother. Welcome home."
Nada compensa os 36 anos.
36 anos de vida dentro, mas deu para cantar no Apollo. Já não é mau.
Já não é mau. E um terceiro lugar.
E um terceiro lugar e vai continuar em prova. O concurso continua, não é um daqueles concursos de estrelas, tipo o "Gospel America" e esses, mas é parecido.
E estamos a ouvir aqui o tema que ele cantou.
Exatamente, mas este pelo original de Stevie Wonder.
Exatamente.
E ele depois cantou uma versão melhorada, seguramente.
Não, acho que é ótima a versão dele e o jeitinho como ele canta tem piada.
E vai sair em disco. Agora já não há discos. Jet lag com Filomena Martins. Amanhã conhecemos mais histórias surpreendentes sempre às 7h45 aqui nas manhãs 360. Até já, Filomena.
Até já.
Rádio Observador. Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.