Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A esta altura do campeonato, as pessoas já deviam saber que o barato sai caro, mas não, qualquer, insistem. E de onde é que vem tudo o que é barato?
Da China?
É claro que vem da China. Imaginem, são quase 2 bilhões de chineses a produzir dia e noite coisas baratas. Brinquedos com tintas tóxicas, bandeiras portuguesas com pagodes, vírus. Não, isso não, isso foram os morcegos.
Depois eu digo-te que gosto muito de comida chinesa, de restaurantes chineses e de negócios da China, claro.
Portanto, gostas de chinesices.
Chinesices, gosto mesmo.
Chinesice é um termo interessante que foi importado do francês chinoiserie, que é um pouco mais respeitável e que se referia às imitações dos estilos artísticos chineses feitas no Ocidente.
Isto não sabia. Então antigamente os imitadores, os criadores de material de contrafação, eram afinal os europeus.
Precisamente, era para dar estilo. Vamos fazer aqui uma cena exótica, cheia de estilo oriental. Uma chinoiserie, uma chinesice, que com o passar do tempo, em português, passou a designar uma bugiganga, uma coisa de pouco valor. Hoje, quem faz as chinesices, legitimamente, são os chineses. Aliás, eles fazem tudo.
Mas afinal de que chinesices é que nos vais falar?
Esta até podia estar no termômetro, porque tem que ver com o jubileu da Rainha Isabel II. Como todos sabem, estas datas especiais são ótimas para vender recordações, objetos comemorativos, porta-chaves, globos de neve, enfim, bugigangas.
E onde é que entram os chineses nesta história?
É que houve uma fábrica chinesa que produziu 10.800 chávenas, canecas e pires para assinalar os 70 anos do reinado de Isabel II. Em primeiro lugar, tenho que vos dizer que o retrato da rainha que está nessas louças é um bocadinho sinistro. Vão ver depois. Mas o pior foi que não conseguiram acertar com a grafia correta da palavra jubileu. Puseram Jubilee.
Adoro. Este negócio deve ter sido feito por telefone. O senhor da fábrica escreveu o que ouviu.
Pois, e já terem acertado na rainha, não é mau. Podiam ter posto a cara da Queen Latifah ou do Freddie Mercury.
Mas Jubilee não é palavrão.
Não, infelizmente não.
Isso é que era.
Porque se fosse um palavrão, eram capazes de vender aquilo a um preço até mais alto. É uma palavra que quer dizer fantástico ou excelente.
E agora, o que é que vão fazer com essas recordações? O jubileu já passou, ninguém há de querer comprar canecas do Jubilee.
Do Jubilee, pois não. O que eles vão fazer? Como o resto do lixo todo, já está à venda na internet, num site de liquidações. E com tanta publicidade da comunicação social, como a que estamos a fazer agora, não me admirava nada que estas chinesices esgotassem num abrir e fechar de olhos.
Rádio Observador, Odivelas 93.7.