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Olhe, desculpe. Notícias insólitas em que a realidade supera a ficção, verdadeiros fenômenos do entroncamento. É tudo aqui, não é?
Veio ao sítio certo, senhor Ferreira. Aqui temos tudo o que é notícia fora do normal, algumas mais fresquinhas do que outras, mas todas confeccionadas com a habitual qualidade. Então, o que é que vai ser hoje?
Estava assim a pensar em qualquer coisa sobre a Ucrânia.
Judite, temos aí alguma coisa sobre a Ucrânia aqui para o Ferreira? Espere só que a Judite vai ver.
Temos aqui a história da candidata ucraniana que desistiu da Eurovisão por ter ido à Crimeia em 2015, mas ainda era capaz assim de demorar, não sei, meia hora.
E sobre a família real, não há nada?
Sobre a família real, como sabe, é tudo muito requentado e a carne é um bocado dura, para ser sincero. Posso sugerir-te aqui uma coisa: mete mesas e tudo, portanto, até acaba por vir a calhar. Por acaso não tens acompanhado os encontros do senhor Putin com os líderes estrangeiros, não?
Para dizer a verdade, tenho estado um bocado a leste, ou melhor, neste caso é a oeste. Não tenho acompanhado.
Mas devias, que isto qualquer dia começa a guerra, anda tudo de G3 na mão e tu ainda estás aqui a apresentar a tarde em direto. Bem, o senhor Putin, que é um tipo que sabe receber muito bem, recebeu a visita do senhor Macron, o francês, o herdeiro da Macron, está a ver?
Acho que ele não é herdeiro nenhum, mas está bem.
Mas isso é bom. Achas que me saía bem agora uma história assim com essa gente?
Tu não sabias? Isto é o melhor que há para esta horinha, calha mesmo bem uma história destas. É que a grande estrela desta cimeira, deste encontro bilateral, foi quem? A mesa.
A mesa? Mas estava inclinada a favor da Rússia?
Acho que estava um bocadinho. E é preciso ter cuidado com as coisas que os russos põem nas mesas e nas chávenas. É preciso atenção. Mas a mesa, é preciso dizer, era uma bela mesa, uma mesa enorme, tão grande que Macron e Putin ficaram mais ou menos à mesma distância que separa Moscovo de Paris.
Não exageres também, não era assim tanto.
Foi quase. Segundo alguns analistas, os chamados presidentes de sofá, os politólogos, que agora se especializaram na análise do mobiliário, a mesa serviu para marcar distâncias, para que Macron não julgasse que agora era lá de casa. Mas isso não é o mais importante. É que por causa da mesa, podemos ter uma guerra.
Sim, já se sabe, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, não se fala de outra coisa, não é?
Não, Judite, essa é a guerra menos importante. A guerra que interessa aqui é entre fabricantes de móveis espanhóis e fabricantes de móveis italianos.
Mas que detetaram algum defeito técnico nessa mesa?
Não, Nelson, pelo contrário, eles gostaram tanto da mesa que os dois dizem que a mesa foi feita por eles. O senhor Vicente, de uma empresa de mobiliário de Valência, disse que assim que viu a mesa na televisão, reconheceu-a imediatamente.
Só faltou dizer que tinha andado com a mesa ao colo, que a tinha criado como se fosse uma filha.
Só faltou isso. Mas então entraram em cena os italianos. O senhor Renato Polónia, responsável de uma fábrica italiana, disse que não havia dúvidas que aquela era uma das mesas que o Kremlin lhes tinha encomendado nos anos 90, pedindo que a mesa recriasse a grandeza do palácio antes da revolução comunista de 1917.
Mas temos desempate do Kremlin, vem um desempate desta contenda. Já esclareceram quem é o verdadeiro autor da mesa.
Eu acho que eles não vão fazer isso, Nelson, porque na minha opinião, isto é mais um estratagema do senhor Putin para gerar o conflito entre países europeus.
Provável.
Ele sabe que italianos e espanhóis são muito sensíveis a estas questões de decoração.
E eu só estou a contar os minutos para que entre na disputa uma empresa de Paços de Ferreira. Eu já estou a imaginar o senhor Alcinda dizer: "Não, senhor, aquela mesa saiu aqui de Paços de Ferreira, disso tenho eu a certeza, que me caia um raio aqui em cima se isso é mentira".