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Começa agora mais uma edição do "Linha da Baralta" na Rádio Observador Viseu, um espaço onde damos voz às figuras, às personalidades e também aos projetos que vão marcando o distrito de Viseu. Eu sou o Hugo Silva. Neste espaço também lhe damos voz a si e convidamo-lo a participar. Pode enviar a sua opinião, consultões, temas, protagonistas e também projetos que façam a diferença no dia a dia da região. O número é o 91 002 41 85. Também pode participar através de e-mail para viseu@observador.pt. A nossa convidada de hoje é a Sandra Santos, faz parte da Associação Cultural e Recreativa de Tondela. É esta associação que organiza anualmente o FINTA, que já vai na 30ª edição. Sandra, bem-vinda aqui ao "Linha da Baralta". Vamos começar pelo início e vamos descobrir, afinal de contas, o que é este FINTA.
Antes de mais, muito obrigada pelo convite, por estar aqui. O FINTA é o Festival Internacional de Teatro da ACERT e este ano celebra a sua 30ª edição.
Portanto, já são 30 anos a trabalhar com teatro e a trazer o teatro para Tondela.
Sim. O objetivo do festival sempre foi dar a conhecer uma oferta cultural diversificada ao nosso público e trazer criadores portugueses e internacionais, uns já conhecidos, e também dar a conhecer novos criadores e projetos artísticos.
Sim, diga, Sandra.
Portanto, é um festival que de alguma forma procura chegar não só a artistas que as pessoas já ouviram falar ou que até já viram espetáculos de companhias que já têm mais anos, mas também dar a conhecer novos criadores, porque felizmente em Portugal, e não só, temos muitos novos criadores com projetos artísticos muito interessantes.
E portanto, importa também conhecer essas novas vidas que o teatro vai tendo. Queria perceber, ao longo destes 30 anos, quais é que foram os pontos altos, se há algum momento marcante que queira destacar e que nos queira aqui recordar.
Se calhar, um dos pontos altos do festival foi que durante muito tempo as estreias do Trigo Limpo Teatro ACERT eram feitas no festival e isso foi uma marca durante muitos anos. Entretanto, optámos por deixar esse lugar também para outros criadores e, portanto, nas últimas edições, o festival tem tido estreias, mas não do Trigo Limpo Teatro ACERT, mas sim de outras companhias, porque também achamos que é importante que algumas estreias aconteçam na ACERT sem serem da companhia residente.
Claro. Pelo que vejo, pelo que eu já percebi na programação, para além do teatro puro e duro, se assim podemos dizer, também tem espetáculos que passam pelo ilusionismo, pelo clowning, circo, dança, música e também, para além disso, oficinas formativas. É também através desta diversidade que pretendem captar ainda mais públicos e fazer com que as pessoas se envolvam ainda mais com a atividade dramática?
Sim, sem dúvida, mas essa sempre foi uma das linhas orientadoras do festival, que é trazer espetáculos com estéticas e linguagens teatrais diferentes e que se cruzam também com outras disciplinas artísticas, ou seja, nas quais o teatro se cruza, por exemplo, com o ilusionismo, com a música, com a dança e o circo. E cada vez também notamos mais que os novos projetos artísticos já têm isso na sua essência, ou seja, já não se vê só teatro de texto. O teatro sempre teve essa capacidade de envolver outras disciplinas artísticas, mas acho que agora estamos numa nova vertente do teatro, creio eu, que começa a despertar mais isso e em que os atores não têm só formação de teatro, também já têm formação de dança. Portanto, já começa a haver aqui um despertar dessas outras linguagens nas criações artísticas. Isso é uma das marcas do festival, é trazermos essa diversidade. E também não ser só um festival em que há só espetáculos. E por isso é que temos as outras atividades paralelas, como a formação, os lançamentos dos cadernos de teatro da ACERT, de também levarmos o teatro fora de portas a pessoas que não se podem deslocar à ACERT, neste caso serão centros de acolhimento à terceira idade ou de lazer.
Muito bem. Queria também perceber, se calhar avançamos aqui um pouco na conversa, centrando-nos mais nesta 30ª edição do FINTA, que vai acontecer de 14 a 16 e depois de 21 a 23 de novembro. São dois fins de semana com 15 espetáculos. Para além desses que nos estava a falar agora, em que espaços podemos assistir ou participar nas atividades do FINTA?
Maioritariamente as atividades do Finta acontecem mesmo na ACERT. Mas na ACERT há espetáculos dentro dos auditórios e há também espetáculos que decorrerão no bar e que são de acesso gratuito, que são os chamados cafés-teatro, que acontecem depois dos espetáculos de sala.
Sendo de acesso gratuito, é preciso fazer alguma reserva ou alguma inscrição?
Não.
Basta aparecer e desfrutar.
Exatamente.
Quanto às tais oficinas, para essas já será necessário fazer algum tipo de inscrição, certo?
Sim. Nós vamos ter duas oficinas no Finta, uma será de escrita, que é o Não Dito por Escrito, que será orientada por Gabriel Gomes, e será necessário as pessoas inscreverem-se. E depois teremos também uma outra que será dada pelo Zé Mágico e que é uma oficina de ilusionismo, a interseção entre psicologia, filosofia e teatro.
Tínhamos que falar também aqui acerca da vertente internacional deste festival. Para além de Portugal, também vão estar presentes países como Espanha, Chéquia, Itália e também a Bélgica. Cada um destes países terá um só espetáculo ou existem aqui experiências e atividades multiculturais e em que os diversos países também se integram?
No caso da República Checa e de Espanha, serão espetáculos de várias companhias oriundas desses países. No caso da Bélgica e Itália, é uma companhia que se chama Per Giorgio Milana. Peço desculpa, Per Giorgio Milano, que está sediada na Bélgica, mas que tem artistas que são italianos também no seu elenco. Portanto, eles consideram-se uma companhia italiano-belga.
Ok. Queria também tentar perceber, olhando para o programa deste ano, quais é que são os pontos-chave que gostaria de destacar.
Gostaria de destacar a estreia que teremos na abertura do festival, que é um espetáculo chamado "Hora Vazia", do projeto Metamágico. E destacar também a estreia, nesse mesmo dia, de um projeto que se chama Santos da Casa Teatro, em que a ACERT convida jovens profissionais de teatro para estrearem no festival, criarem de propósito um espetáculo para o festival. E são jovens que têm uma ligação à ACERT, porque no fundo foi aqui que iniciaram a sua formação teatral.
É quase um regressar a casa.
Exatamente, sim. Porque muitas vezes nós vamos estudar para fora e depois começamos a trabalhar já fora da localidade de onde somos e às vezes é difícil regressar a casa e mostrar o nosso trabalho em casa. Então, de alguma forma, aqui o Santos da Casa Teatro também procura isso, que é devolver, de alguma forma, o palco às pessoas que se iniciaram ali. E dos seus familiares e amigos poderem ver também a evolução que aquela pessoa entretanto teve, do caminho que foi tendo e de poder apresentar aqui os seus espetáculos.
Para além das sessões para o público em geral, também vão ter sessões específicas para escolas.
Sim. Vamos ter um espetáculo de uma companhia espanhola, que é o Periféria Teatro, que vai apresentar o espetáculo "Nube Nube" para escolas.
E aqui o objetivo é começar já a formar novos públicos também?
Sim, sem dúvida. Esse é o trabalho que a ACERT tenta fazer ao longo de todo o ano. É de fazer com que o teatro chegue a todas as gerações e, naturalmente, as escolas aqui têm um papel fundamental no futuro público adulto que a ACERT poderá vir a ter. A ACERT ou outros teatros. Porque é importante nós irmos deixando esta semente, esta vontade que as pessoas venham ao teatro e que precisem do teatro, tal como ouvir a música na rádio é importante, não é?
Exatamente.
Acho que ninguém consegue viver sem ouvir uma música.
Ninguém consegue viver sem música e sem teatro também será uma vida não tão completa, um pouco mais vazia, se assim podemos dizer. Dando uma volta pelo vosso programa. Vi também que terão um momento de documentário. Em que é que se centra este documentário?
Este documentário que vai haver é um documentário chamado "Improváveis de Costas Voltadas" e faz parte do projeto de criação que a Formiga Atómica teve para a criação do espetáculo que também vão apresentar na ACERT. Portanto, o espetáculo que eles vão apresentar, o "Terminal, o Estado do Mundo", e que é uma coprodução da qual o Trigo Limpo Teatro ACERT também faz parte. Foi um projeto em que eles trabalharam durante um ano inteiro e que fizeram muitas ações diferentes Das quais faz parte este documentário. Este documentário resulta de um conjunto de entrevistas que eles fizeram a mais de 100 pessoas com idades, ocupações e posições políticas e ideológicas distintas. Eram duas pessoas que estavam a conversar, mas que estavam de costas voltadas. Ou seja, durante a entrevista elas não se viam e não conheciam quem era a pessoa.
Portanto, aqui um desafio também. Um desafio extra, não é?
Sim, e só no final da entrevista que era revelado quem era a pessoa que estava do outro lado. Este documentário é o resultado final dessas entrevistas que eles foram fazendo ao longo dos diferentes locais onde fizeram residências artísticas para a criação do projeto.
Sandra, queria também olhar para como é que as pessoas podem assistir aos espetáculos deste FINTA, onde é que podem comprar ou reservar os bilhetes, contactando diretamente a ACERT ou qual é que é a forma mais simples de o fazer?
Podem contactar diretamente a ACERT e podem também comprar os bilhetes na BOL.
Ok, na bilheteira online, exatamente. Muito bem.
Também dizer que este ano, à semelhança do ano passado, haverá também um autocarro que sairá do Rossio, em Viseu, para Tondela, para chegar à hora dos espetáculos e que no final dos espetáculos fará o caminho inverso, de Tondela para Viseu. De maneira a facilitar que também jovens estudantes da universidade, enfim, pessoas que não tenham a possibilidade de se deslocar de carro, também possam vir de Viseu usufruir dos espetáculos que existem no festival.
Sandra, queria-
A cerca dos bilhetes, queria só dizer mais uma coisa.
Sim, claro que sim.
Que também temos algumas cadernetas que são a um preço mais acessível para quem quiser viver todos os espetáculos.
E assim fazendo uma compra de um pacote de bilhetes, por assim dizer, ficará mais acessível. Finalmente, olhando aqui também para o trabalho da Associação Cultural e Recreativa de Tondela, quem também tenha esta paixão por teatro, quem se queira envolver mais diretamente convosco na ação diária da Associação Cultural e Recreativa de Tondela, como é que se pode fazer associado? Como é que pode também entrar mais diretamente e pôr as mãos na massa neste mundo?
Ser sócio é muito simples, é só preencher um formulário e fica logo a ser sócio. Depois nós ao longo de todo o ano vamos tendo sempre algumas atividades, como formações, mas também um dos melhores eventos para entrar neste universo teatral é sem dúvida a Queima do Judas, que nós realizamos anualmente. O espetáculo é feito no sábado da Aleluia, ou seja, no sábado anterior ao domingo de Páscoa, e durante essa semana anterior são feitas diferentes oficinas de interpretação, de música, todas elas para a criação do espetáculo, da cenografia, em que construímos o boneco que irá arder nesse ano. É uma forma de entrar neste mundo e de participar nas diferentes vertentes que tem um espetáculo de teatro.
Fica então feito esse convite para se juntar às atividades que a ACERT, a Associação Cultural e Recreativa de Tondela, vai desenvolvendo ao longo de todo o ano. Reforço também o convite para este 30º FINTA, Festival Internacional de Teatro da ACERT, que está de regresso nos dias 14, 15 e 16, e depois 21, 22 e 23 de novembro. São mais de 15 espetáculos entre estreias, atuações inéditas, espetáculos para famílias, sessões para escolas e muito mais para descobrir neste 30º FINTA. Estivemos à conversa com Sandra Santos, da Associação Cultural e Recreativa de Tondela. Sandra, muito obrigado por ter vindo até ao "Linha da Beira Alta" para conversar um pouco acerca deste FINTA. Muito sucesso e tudo a correr bem. Até breve.
Muito obrigada.