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4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Peço desculpa, mas são muitos números.
Começa agora mais uma edição da moeda de troca nas manhãs 360 e Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro, hoje falamos da venda do EuroBic.
Sim, e este anúncio podia ser assim: vende-se banco médio, negócio de ocasião, bom preço. Motivo à vista, a dona vai ausentar-se do país e precisa de quem cuide do negócio. Acontece às vezes com os automóveis. Só faltava dizer que tem pouco uso, porque a dona só ia com ele às compras. Basicamente esta é a participação, de facto, mais sensível de todas as que Isabel dos Santos tem em carteira. Primeiro, porque é um banco, e já todos percebemos e aprendemos, à nossa custa e à custa da nossa carteira, na última década, que os bancos são negócios especiais. Depois, porque o controle do banco é mesmo da Isabel dos Santos, com 42,5% e do seu amigo Fernando Telles, que tem 37,5%. Portanto, há aqui uma larga maioria de capital destas duas parcelas. Na NOS e na Galp é diferente. Por quê? Porque os acionistas que são líderes destes negócios são, respetivamente, a Sonae, no caso da NOS, e do Grupo Amorim, no caso da Galp, e portanto, isto são empresas que mantêm o seu rumo, têm claramente um problema de reputação agora para resolver, mas a eventual saída de Isabel dos Santos do capital não será um problema. Portanto, não abala a estratégia e a atividade diária das empresas. No EuroBic é diferente, porque aqui há claramente uma mudança de controle.
E falamos de um banco que é liderado neste momento por Fernando Teixeira dos Santos, é o antigo ministro das Finanças. Já anunciou que a principal acionista colocou a posição à venda depois de ter sido pressionada pelo Banco de Portugal. A questão será, por isso, encontrar um comprador que tenha interesse em ficar com o negócio, que tem, neste momento, um problema reputacional. Não se sabe que interessados possa haver, interessados é que podem existir. O EuroBic tem cerca de 2,5% de cota de mercado, pode ajudar a engrossar um pouco o negócio de outros bancos.
É isso. Por exemplo, se nós olharmos para o Santander, que tem sido claramente um consolidador de casos complicados, ficou com o Banif quando o Banif teve problemas e basicamente foi à falência, ficou com o Banco Popular também, o Banco Popular de Espanha, que também tinha um negócio deficitário em Portugal. Portanto, aqui o Santander podia eventualmente ficar com mais um banco, resolver o problema e obviamente fazer um bom negócio e para si também aumentando a sua dimensão. Há cerca de dois anos chegou a falar-se no mercado do interesse de um banco chinês que queria entrar no mercado português e que estaria basicamente a olhar para o EuroBic. O EuroBic podia ser essa porta de entrada, mas na altura Isabel dos Santos não quis vender. Se soubesse o que sabe hoje, provavelmente tinha-o feito. E portanto, agora terá certamente de fazê-lo, de vender a um preço mais baixo, porque já sabemos, quando há urgência da parte do vendedor, isso faz sempre baixar o preço da transação.
E falavas do tal anúncio, descrevias o tal anúncio no início. Vamos à conta. Estamos a falar de um banco com 1500 trabalhadores, tem ativos de 7500 milhões de euros. Os lucros em 2018 foram de 42 milhões de euros e tem quase 200 balcões. Os interessados podem, por isso, contactar a gestão do banco, os advogados da principal acionista ou até mesmo o Banco de Portugal.
Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro na moeda de troca da Rádio Observador e claro, está sempre disponível em podcast.
4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Peço desculpa, mas são muitos números.