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Está no ar o Não Se Fala de Outra Coisa. E Paulo, do que é que não se para de falar?

Dos 50 anos, da comemoração de 50 anos, não da Constituição.

Então.

Não da nossa Constituição, que é muito importante.

Estás antiquissionalíssima.

Antiga.

Parecia o senhor constitucional.

Há vida para além da nossa Constituição. E vamos falar, sobretudo, de uma religião chamada Apple.

Sim.

Agora bateu-me só uma, a Apple e a Constituição Portuguesa têm a mesma idade.

Têm a mesma idade, uma diferença de um dia, porque a Apple fez-

Fez ontem e a Constituição faz amanhã

Fez 50 anos.

Também a dar metáforas aqui, a maçã levou uma dentada, a Constituição terá levado dentadas?

No dia 1 de abril de 76, constituída a Apple, a empresa fundada então por Steve Jobs e por Steve Wozniak.

E não por Jorge Miranda.

E não por Jorge Miranda.

Esses são os pais da Apple.

Esses são os pais da Apple. E 50 anos, quando se fala de tecnologia, é uma eternidade, como sabemos. A distância entre aquela garagem poeirenta em Cupertino, na Califórnia, em que a empresa foi fundada, e a empresa que hoje vale mais do que o PIB de muitos países europeus, nomeadamente o português, vai uma grande diferença. O Observador pegou nisto de uma forma possível, que é perguntar aos fãs da Apple por que são fãs da Apple, por que se mantêm. E aquilo é quase uma religião. Por que comprar Apple? Por que muitas vezes pagar mais dinheiro por um equipamento em relação à concorrência?

É uma love brand, não é?

Completamente, é isso mesmo. Hoje, a empresa já não é rebelde. A empresa que refletia também uma certa rebeldia de Steve Jobs, que nos mandava pensar diferente no início, que lançava produtos que pareciam magia negra, como o primeiro iPhone em 2007. Hoje a marca é mais previsível, mas é precisamente nessa previsibilidade, se quisermos, que reside o seu maior triunfo. O que as pessoas, os fãs vão dizendo? Vão dizendo que basicamente é uma sensação quase terapêutica, simplesmente funciona. Não há grandes sobressaltos, não há configurações infinitas nos equipamentos. O telemóvel, o computador e o relógio, por exemplo, conversam entre si como velhos amigos, se quisermos, e este conforto de ter tudo ligado poupa muito tempo. O que leva, por exemplo, alguém a pagar 1500 € por um equipamento quando a concorrência oferece praticamente o mesmo em termos tecnológicos por cerca de metade? A resposta, dizem eles, é estar num ecossistema. É o chamado efeito do jardim murado, ou seja, dentro dos muros da Apple, o jardim está muito bem cuidado, a relva está aparada, as flores são bonitas. Depois, esse jardim tem muros muito altos que, no fundo, desincentiva as pessoas de saírem.

Se tens o computador, podes ter o relógio e podes ter os headphones.

E tudo ligado, e o telemóvel, e aquilo que colocas num lado aparece imediatamente no outro.

Como se fosse um vício. Experimentaste uma vez e depois não consegues largar.

Nunca mais sais dali. Há muitos modelos de negócio que de alguma forma funcionam assim. Depois de entrares, o custo da mudança já é muito superior. Já ficas. Se tu entras nos produtos da Microsoft e começas a pagar por eles, sobretudo para empresa, se queres mudar para outra marca, o custo da mudança já é elevado, o custo financeiro mesmo, e de aprendizagem e por aí fora. E portanto, a tentação é sempre ficar, ir ficando nas marcas ou nos sistemas que já conhecemos. Aqui nos computadores e na tecnologia não é diferente. Sair da Apple para um sistema Android ou Windows em 2026 é um processo burocrático e, nalguns casos, emocional também. É, por exemplo, perder fotografias partilhadas, mensagens azuis do iMessage, a integração, por exemplo, com as chaves de casa e com outras tecnologias que temos ligadas a isso tudo. E o que dizem os fãs é que a Apple, de facto, deixou de vender apenas hardware para passar a vender paz de espírito.

Segurança, previsibilidade.

Paga segurança, previsibilidade, dormir descansado. E no fundo, é isso que se vai passando. Depois, olhando para a frieza dos números, a Apple é criticada, de facto, pelos preços elevados. Há um argumento que os seguidores, os fiéis usam com razão, que é a durabilidade também dos equipamentos. Enquanto muitos smartphones, por exemplo, perdem o fôlego ao fim de dois ou três anos, vemos iPhones com cinco ou seis anos a receber as últimas atualizações de segurança, sem qualquer problema, a funcionar com fluidez, e depois até a terem um valor muito forte ainda no mercado de segunda mão, quando se troca de equipamentos. Portanto, aqui a celebrar os 50 anos, a Apple agora também enfrenta o desafio da maturidade. Já não nos surpreende como aqui há uns anos nos deixa de boca aberta a cada anúncio de novos produtos. Acontecia ali, sobretudo em setembro. Tornou-se utilitária, como a eletricidade ou a água canalizada, simplesmente está lá. E é isso que muita gente aprecia nesta marca icônica, uma love brand, que faz ou fez ontem 50 anos.

Cinquenta anos, a marca da maçã com uma dentada.

Com uma dentada.

Por falar em comida, vocês sabem o que é que os astronautas vão comer no espaço agora que eles Andam por aí a caminho da Lua.

Umas pastas.

Não.

Sabemos o que é que não vão comer.

O que é que não vão comer.

Exatamente.

Coisas desidratadas.

O menu é variado, é composto por 189 porções de bebidas, snacks, molhos e refeições mais completas, portanto vai tudo muito contadinho. 58 tortilhas, 43 copos de café, cinco opções de molho picante e ainda cinco produtos alimentares canadianos trazidos pelo representante não americano da tripulação da Artemis 2. Durante os 10 dias da missão, os astronautas terão um cardápio de alimentos desenvolvido por uma equipa de especialistas em alimentação espacial da NASA e nesse menu podemos encontrar, por exemplo, sumo de nanas, sidra de maçã, limonada ou, por exemplo, uma bebida de baunilha ou bebida de chocolate. Há tortilhas, há wraps, há também salsichas para o pequeno-almoço. Enfim, isto está tudo num artigo publicado no Observador.

O Paulo está com cara de que é capaz de ir alguma vez experimentar uma refeição.

Podia ser pior.

Podia ser bem pior. Foram considerados dois pormenores na constituição deste menu, ou dois pormenores, é que na viagem espacial é impossível fazer um reabastecimento, portanto tem que se levar tudo daqui.

Tens de levar a fornel para a viagem toda.

Exatamente. E a impossibilidade de refrigerar a comida.

Quem vai para o mar avia-se em terra.

É verdade. Os astronautas têm horários programados para tomar o pequeno-almoço, o almoço e o jantar, e têm apenas direito a duas bebidas por dia. Os alimentos são fáceis de preparar, segundo diz a NASA.

Claro, convinha.

Sim, não se pode perder muito tempo.

Com grandes tachos e panelas.

Exatamente.

Aqui uma almoçarada.

E a grande preocupação foi minimizar a formação de migalhas dentro da aeronave. Ou seja, não se pode andar a comer carcaças ressequidas ou torradas acabadas de fazer.

Quem tem crianças tem esse problema em casa. Não andem a espalhar migalhas pela casa.

Senão passam a vida a aspirar.

É muito problemático aspirar no espaço.

É um menu muito diferente daquele que foi feito ou construído em 1972, a última vez que um astronauta pisou a superfície lunar. Nessa altura, o menu consistia em um prato de frango com arroz. Portanto, muita coisa mudou.

Para pior, digo eu.

Para pior? Por quê? Franguinho com arroz anda tão bom.

Há um downgrade aí.

Não há nada.

Então não é.

E um arroz de cabidela no espaço?

Passaram a comida completamente plastificada. Eu percebo perfeitamente que é muito mais prático. E hoje, de facto, o desenvolvimento de alimentos desses é comparavelmente mais desenvolvido e diverso do que estava há 50 anos.

Ali é mesmo a importância nutritiva e não o prazer da refeição.

Se estão abacates.