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Não se fala de outra coisa. Nestas férias, não sei se estão a pensar ir para os lados dos Estados Unidos, Nova Jersey.

Ficou um pouco fora de mão isso.

Se forem, não estranhem se de repente se cruzarem com um arbusto com pernas.

A política portuguesa também tem alguns arbustos.

Não é nenhum fenômeno da natureza, nem da intervenção da inteligência artificial. São só polícias disfarçados de arbustos. Uma forma original e invulgar.

E avançada.

É muito avançada. Detetar condutores que usam o telemóvel enquanto conduzem. Viu o nosso arbusto hoje? Se estava com a cabeça enterrada no seu telefone, provavelmente não. Foi desta forma que o departamento de polícia brincou nas redes sociais depois desta operação pouco habitual para combater o uso do telemóvel ao volante. A operação decorreu numa avenida bastante movimentada do centro da cidade de Den Helder, com grande circulação de veículos e pessoas a andar a pé. Se resultou? Diria que sim. Em apenas seis horas passaram 74 multas a quem estava de telemóvel na mão enquanto conduzia.

A quem não os tinha visto.

A quem não tinha visto o arbusto. No fim do post, a polícia deixou o recado: "Que sirva de lembrete, esse texto ou essa notificação podem esperar. Mantenha os olhos na estrada, não no ecrã." Reações a tudo isto: "Onde é que se inscreve para ser um arbusto? É para um amigo meu." "Vocês já são famosos, li a notícia no jornal holandês", "Parabéns e obrigado, acabaram de tornar Den Helder famosa". E depois, claro, outros comentários num tom mais sério: "Deviam fazer isso nas passadeiras para apanhar todos aqueles que não param para deixar passar as crianças, os idosos. Nenhum telefone, mas sinta-se à vontade para tocar legalmente no mega ecrã do carro para controle da temperatura, do rádio, do mapa." E é verdade.

Cada vez mais ativos.

São quase plasmas.

Exatamente.

É impressionante. Deixando de lado todas as piadas, houve quem tenha dito: "Um motorista distraído matou a nossa neta, por isso muito obrigada por esta ação". Portanto, há reações positivas, alguma coisa, mas de facto-

E esse problema não é norte-americano.

Não é norte-americano, é geral.

É curioso.

Também não se fala de outra coisa senão na pausa na carreira que a Ariana Grande anunciou agora há dois dias.

Há poucos dias.

Há poucos dias. Tinha acabado de lançar um vídeo em que tentava, de alguma forma, já criticar todos aqueles que comentavam a sua magreza, porque conta a história de uma aspirante a estrela que fazia várias audições e que era sempre rejeitada por causa da imagem, porque não era suficientemente boa. Era uma crítica que acabou por ter exatamente o efeito contrário. Os comentários à magreza de Ariana Grande foram enormes. Nas redes sociais multiplicaram-se as críticas ao corpo da cantora, sobretudo numa cena em que ela usa uma roupa em que se vê completamente os ossos.

Notamos os ossos.

E de facto, ela é magra.

Ela já tem recebido muitas críticas por causa do corpo. Mas este vídeo acho que sobressai ainda mais aqueles ossos.

Mas é como dizes, não é de agora. É muito fácil ir ao Google e procurar, aliás, porque os fãs ou as pessoas que acompanham mais a carreira dela encontram o antes e o depois do filme "Wicked". Então procurar no Google: Ariana Grande antes e depois de Wicked, e de facto a diferença é enorme. Esta terá sido a gota d'água. Ela assumiu que quer agora fazer uma pausa na carreira. Vai terminar a digressão que está a fazer, termina no dia 1 de setembro, em Londres, no último concerto em Londres, e disse que depois vai parar. Não sabemos até quando. Sabemos que a participação no musical que ela tinha prevista para o próximo ano já foi cancelada. Agora, o assunto é muito mais do que isto, porque a discussão a que estamos a assistir nos jornais, mesmo nos jornais muito sérios, é: será que estamos só a fazer body shaming? Será que devemos ignorar sinais de doença? E é recordado um outro caso que marcou muito a década de 70, que foi a morte de Karen Carpenter, que morreu de anorexia. E portanto, devemos ou não chamar a atenção se vemos aqui alguns sinais que não têm a ver com padrões de beleza, mas que pode ter a ver com doença. Se bem que o impacto nas novas gerações e nas miúdas que seguem a Ariana Grande, será que impacto terá isto para a cabeça das jovens, das adolescentes que estão a acompanhar?

Que a veem como ídolo, como exemplo.

Que podem querer ser como ela. A discussão é muito grande. Curiosamente, isto acontece no dia em que Georgina Rodríguez, mulher-

É o contrário.

É o contrário. Está a ser criticada por estar com o peso acima.

Exato, peso acima.

Depois de umas fotografias em biquíni durante as férias e num ato muito original naquilo que tem sido a postura de Georgina Rodríguez, ela escreveu ontem nas redes sociais um texto longo em que diz: "Sim, o meu corpo vai mudar, como o de todas as mulheres. Espero que continue a mudar muitos anos, porque significa que estou viva" e depois dá aquela indireta: "Sou mãe de seis filhos maravilhosos, três deles são meninas que um dia hão de ser mulheres, e eu quero ensinar-lhes que o valor de uma pessoa nunca pode depender da aparência física ou da opinião de estranhos."

Muito bem.

E ela nunca teve uma estrutura, ela nunca foi extremamente magra.

Ela é de curvas.

Ela é de curvas.

E de facto.

Sai para as curvas.

Exatamente.

E respondeu muito bem.

E respondeu muito bem, mas o assunto incomoda.

Há pessoas com muita falta de assunto.

É.

Falta de desgraça.