O incêndio em Arganil, no distrito de Coimbra, foi controlado este domingo pela meia-noite e meia, disse à Lusa fonte da proteção civil. Na manhã deste domingo, estavam no terreno quase 600 operacionais e cinco meios aéreos a realizar trabalhos de consolidação num dia em que há 60 concelhos de Portugal continental em risco máximo de incêndio e um alerta amarelo para o calor.
Chegaram a estar no terreno 806 operacionais, apoiados por 260 viaturas e 15 meios aéreos. As povoações que estiveram em risco e na linha de fogo, nomeadamente Chapinheira e Vila Nova de Ceira, do concelho de Góis, já tinham sido consideradas fora de perigo por volta das 23h30 de sábado.
Contactado pela Lusa, o vice-presidente da Câmara de Góis, Nuno Bandeira, explicou que chegaram a ser retiradas seis pessoas de três localidades, por precaução, mas já retornaram a casa. O autarca também indicou que a situação estava mais calma.
Ao longo do dia, pelo menos seis bombeiros ficaram feridos no combate às chamas, incluindo o comandante dos Bombeiros e coordenador municipal da Proteção Civil de Arganil, que ficou ferido num braço, depois de ter sido atingido por uma viatura da GNR que se encontrava em manobras.
“O incêndio está muito violento ainda, a libertar muita energia, a fazer muitas projeções”, disse pelas 18h45 o comandante do Comando Sub-regional da Região de Coimbra da Proteção Civil, Carlos Tavares. Segundo o comandante, este cenário era “já previsto, tendo em conta a meteorologia anunciada, com o vento a intensificar e em várias rotações”, pelo que o incêndio “está a progredir livremente”.
Num balanço feito perto das 19h00 aos jornalistas no local, o comandante Nuno Seixas Pereira, da distrital de Coimbra da ANEPC, previa uma “noite trabalhosa”. Apesar da retirada dos meios aéreos a partir das 21h, as autoridades antecipavam um reforço dos operacionais em terra que permitisse continuar os trabalhos durante a noite e dominar o incêndio antes da manhã de domingo — tal como se verificou.
Durante a tarde, uma outra aldeia, Sabouga, no concelho de Vila Nova de Poiares, já tinha sido ameaçada pelas chamas, mas o trabalho dos bombeiros permitiu a proteção das populações e das casas. “Felizmente, conseguimos salvar as casas, que era o nosso propósito. Não há feridos nem danos e isso é que é de registar depois dos momentos de aflição vividos na aldeia de Sabouga”, disse o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, Nuno Neves, em declarações à agência Lusa cerca das 17h20.
“Muito estranho”. Bombeiros e autarcas questionam deflagrar de três incêndios em simultâneo
Num balanço dos trabalhos da tarde deste sábado, o comandante sub-regional de Coimbra, Carlos Tavares, detalhou que foram “duros” porque é uma zona “que não arde há muitos anos, tem muito combustível e está desordenada, sem ordenamento florestal”, pelo que “associado à orografia, aos ventos, ao calor e à temperatura de hoje [sábado], foi um trabalho árduo para os bombeiros” no terreno.
O comandante disse ainda ser “muito estranho” três incêndios ao mesmo tempo que, tendo em conta a distância a que estavam, “interagiram entre eles, juntaram-se num só, fizeram a convecção, o que acaba por provocar muito mais libertação de energia e tornar a situação mais grave”.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, disse que a área afetada pelo incêndio “é muito densa em eucalipto, pinheiro e mato” e questionou a existência de “três incêndios a uma proximidade muito grande, quase ao mesmo tempo, mas, do ponto de vista administrativo, em concelhos diferentes”.
Também Nuno Neves, da Câmara de Vila Nova de Poiares, salientou que “a carga de combustível existente é muita e em todo o lado, essencialmente eucaliptos e mato e muitas árvores caídas ainda da tempestade Kristin”, em fevereiro, que atingiu a região Centro do país.
O incêndio no distrito de Coimbra resultou da junção de três que deflagraram em concelhos diferentes, dois deles muito próximos no lugar de Sabouga, freguesia de Lavegadas, em Vila Nova de Poiares, que tiveram alerta pelas 13h40. O outro foi registado às 13h35 em Murganheira, na freguesia de Pombeiro da Beira, concelho de Arganil. No início, a ANEPC tinha os meios destes incêndios distribuídos, mas, pelas 17h30 de sábado, a página na Internet concentrou os números no de Arganil.