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É aquela altura das manhãs 360 em que destacamos histórias que têm suscitado muita curiosidade nas redes sociais. Bruno, o que é que o teu algoritmo te anda a servir?

O meu algoritmo serve-me roupa e indumentária da primeira-dama. É sempre uma questão, eu não diria fraturante, mas é de Estado e que gera sempre muito interesse. Aliás, temos um artigo da Sâmia Fiates no Observador sobre o vestido usado por Margarida Maldonado Freitas, agora na visita ao Luxemburgo, e trata-se de uma peça de uma designer portuguesa, das Caldas da Rainha, sempre importante. Depois, na cerimónia de posse, Margarida Maldonado Freitas ter levado um Valentino personalizado, customizado com botões de corações de Viana. Agora usou, nesta visita oficial ao Luxemburgo, uma peça que se confirma ser de uma designer portuguesa. Trata-se de Susana Agostinho, uma criadora das Caldas da Rainha, já com 40 anos de experiência profissional, muitos vestidos para noivas. E aqui foi a própria designer confirmar a autoria da peça neste vestido azul-claro, parecido nos tons com-

A dar com a gravata do marido

Isto não é nada é por acaso nestas coisas. Mas que também condiz, ou pelo menos lembra o outro vestido que usou na cerimónia de tomada de posse. Este é um tecido mais estruturado e que tem um acabamento acetinado. A peça também tem botões nas mangas e um alfinete a rematar o decote. Não sei se repararam.

Muito bem, tu estás muito bem.

Estou o polícia da moda. Eu sou o autêntico polícia da moda.

Ainda não emitiste opinião.

Não emiti opinião. Estou a limitar-me a informar. Muito objetivo. Um vestido que repete também os tons pastéis já usados no encontro com a rainha Letícia de Espanha e que, isto dizem os especialistas, assinala um estilo pessoal, sóbrio e clássico, mas com um toque de cor e portugalidade. Não sei, a portugalidade.

Estás bem, Bruno?

Mas eu não sei, a portugalidade nos corações de Viana?

Tu estás a provar que não há só futebolês, também se fala da moda desta forma.

Também há um modês, que é da moda. Susana Agostinho tem, como dizia há pouco, um percurso de quase 40 anos na moda e é conhecida pelas criações para noivas e já foi jurada do programa da RTP "Cosido à Mão". Cosido com S, é um cosido à portuguesa. De recordar também, e isto está no artigo da Sâmia-

Também é cosido à portuguesa, das Caldas.

Já, pronto, ok, Carla. Está bem. Lembremos que esta visita ao Luxemburgo, que contou com este almoço com os grão-duques do Luxemburgo no último sábado, partiu esta iniciativa de António José Seguro. Partiu a iniciativa de convidar também Guillaume e Stéphanie, os grão-duques do Luxemburgo, a visitar Portugal. E já estamos aqui na expectativa de saber qual será o novo vestido de Margarida Maldonado.

Estamos na expectativa?

Tu não estás. Eu estou, eu agora estou, depois de ler isto.

Ficaste.

Fiquei. E já na próxima vez, prometo que trarei a minha própria opinião fundamentada, a minha análise devidamente fundamentada, porque uma pessoa aprende muito com estes artigos.

Tu não?

Não. É que vocês não imaginam-

Eu jamais pensaria que poderia haver um vestido estruturado.

Não. Acetinado, sim. Estruturado, não.

Pois, acetinado sim.

Se calhar mais estruturado do que algumas pessoas.

Da próxima vez vou comprar umas calças de ganga, digo: "Olhe, boa tarde, queria umas calças de ganga azuis estruturadas."

Vocês desprezam a importância da moda.

Não.

Vão à Gulbenkian ver a exposição para perceber.

Há toda uma semiótica.

Para perceber a importância da moda na arte e na diplomacia.

E na diplomacia e na representação ao mais alto nível do Estado, não só do Estado português, mas de qualquer Estado mais ou menos estruturado.

É o que desbloqueia conversas diplomáticas, a roupa.

A roupa, eu não sei. Eles há que fazem comentários.

Achas? Duvido. Duvido que faça comentário a este.

Imaginas o grão-duque do Luxemburgo a comentar o vestido estruturado e acetinado da primeira-dama. Não é primeira-dama, não é?

Sei lá. Já não sei nada. Olha, eu só sei é que-

Há um urso à solta.

Há um urso à solta no Japão. Portanto, cuidado.

Se forem ao Japão.

Se forem ao Japão, não sei se têm bilhete para Fukushima, mas andem por lá.

Não há o prémio para os ouvintes do Observador, os leitores do Observador.

Sim.

Ide, mas com cuidado.

Ide com cuidado.

São 12 mil quilómetros e ao fim de 12 mil quilómetros podem deparar-se com um urso.

Isso, com um urso. Não é o Misha, mas é um urso negro asiático com cerca de um metro de comprimento que anda a assustar a cidade japonesa de Fukushima. O urso foi visto pela primeira vez no sábado, junto a uma zona residencial, e no Japão há alguma histeria, porque nos últimos tempos têm sucedido os ataques de ursos a humanos. Têm sido muito frequentes.

Há imagens.

E há imagens. Há imagens. Alerta Observador.

Temos imagens e já temos um enviado especial no Japão.

Isso.

Não temos.

Temos! Então eu fui ao Japão e trago esta história para contar. Eu fui lá durante a noite. O último avistamento aconteceu na segunda-feira, perto de uma escola básica, o que levou as autoridades japonesas a fecharem muitas escolas na cidade de Fukushima. Há um pânico generalizado, foi lançada uma operação de busca com recurso a drones e caçadores para localizar o urso. Ele foi encontrado no interior de uma fábrica, só que a fábrica continha explosivos e então os caçadores recolheram as armas e decidiram não disparar os dardos. Só que este urso revelou ser muito inteligente, porque um urso normal, digo eu, que andei a estudar ursos durante décadas a fio, ficaria fechadinho dentro da fábrica. Este não. Agarrou na pata, abriu a janela e saiu.

Isso parece um filme dos anos 80. Os filmes dos anos 80 acabavam sempre em fábricas abandonadas. Se calhar o urso.

Agora já não há fábricas.

Agora estão todas abandonadas. É o ótimo sítio para acabar esta história.

E em Fukushima.

Olha, e logo.

Logo em Fukushima.

Será que sofreu uma mutação genética?

Não sei. Se forem a Fukushima e virem por lá um urso, tenham cuidado. Este urso é muito inteligente. Se tiver três olhos, é o tal urso mutante.