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Não se fala de outra coisa, de um momento que prova que, às vezes, nem todo o dinheiro do mundo ou um cartão de crédito ilimitado substitui uma moedinha de 50 cêntimos.
O dinheiro não é tudo.
A história passou-se na Fontana di Trevi, em Roma. Não sei se tu estiveste por lá. Se calhar cruzaste com ela.
Sim, há três semanas. Com a moeda ou com a fontana?
Com a fontana e com a Katy Perry. Portanto, Fontana di Trevi. Não viste?
Não. Também no meio daquela confusão era difícil.
Se passam por lá, eu não tinha noção disso, 30 mil turistas por dia.
Aquilo é horrível. Agora tem um acesso pago junto à fonte.
A sério?
Tem o acesso pago agora. Fizeram uma gradezinha que separa o larguinho, que aquilo é um largo pequeno, daqueles dois metros, se quisermos mais próximos da fontana.
Também atiraste a moedinha, gostas, Paulo?
Não, não atirei. Já fiz isso muito tempo atrás.
Há uns dias, a cantora Katy Perry decidiu atualizar esta tradição. Não sei se lembram, namora com o Justin Trudeau, o primeiro-ministro do Canadá.
Não tinha isso na memória.
Sim, mas isso é outro assunto.
Cá estamos e queria lembrar-nos, é verdade. No vídeo, que já se tornou viral no Instagram e também no TikTok, ela foi apanhada a tentar passar, ou melhor, a esfregar o seu cartão de crédito na beira da fonte. Claro que é brincar. Como se estivesse à procura de um terminal contactless.
Sim, onde é que se atira.
Para dar sorte. Onde é que se passa. E depois ao perceber que o monumento do século XVIII ainda não aceitava pagamentos digitais, começou por gritar: "Alguém me deu uma moedinha?" Claro que tudo com uma grande ironia, mas não passou despercebida aos seguidores, uma das cantoras mais ricas do planeta a precisar de um empréstimo de um turista para cumprir a superstição. Nas redes sociais, claro que os comentários dividem-se entre aqueles que acham que ela é a rainha do marketing para o seu novo single, que está a fazer publicidade ao seu novo single. Outros dizem que hoje em dia até a sorte está inflacionada. Mas além da graça, claro que há um lado desta história que continua a gerar muito debate, que é sobre o impacto do turismo, Paulo. E agora também se pagar para se chegar perto da Fontana di Trevi. Estima-se que as moedas atiradas para a fonte rendam qualquer coisa como um milhão e meio de euros por ano.
Que são entregues a caritas.
Obviamente, são retiradas.
Isso é dinheiro.
Um milhão e meio por ano.
É dinheiro.
Vou doar a entregar a caritas.
Ou seja, aquela moedinha que atiramos por egoísmo, para satisfazer um pedido para nós, depois acabamos por realizar outros desejos e fazer, provavelmente, um dos maiores donativos involuntários do mundo. Posto isto, se passar por Roma e vir alguém tentar fazer um MB Way à estátua do Oceano, já sabe que é Katy Perry ou alguém que levou o conceito de economia digital um pouco longe demais. Estou a imaginá-la lá com o cartão.
Quantas vezes cada um de nós não é apanhado naquele momento em que não tem uma moeda.
Não tem uma moeda.
Mas para as coisas mais básicas, o carrinho do supermercado, infelizmente.
Claro. Aí o cartão não nos serve de nada.
Algumas casas de banho que exigem moedas.
Às vezes é preciso e não há.
Também aqui. Não se fala de outra coisa senão do jantar dos correspondentes, por aquilo que aconteceu agora no último sábado. E a verdade é que Donald Trump já tinha recusado por quatro vezes a presença neste jantar. Enquanto presidente dos Estados Unidos, nunca tinha estado lá presente. Aliás, a relação tumultuosa que tem com os jornalistas, com os correspondentes da Casa Branca, porque é disso que se trata, já adivinhava que isto ia ser difícil e daí também muita expectativa sobre este encontro. Agora, qual é a história do jantar dos correspondentes? Isto começa em 1921. O mundo era muito diferente. O Hitler estava a acabar de ascender ao poder. Começa na administração de Warren G. Harding, considerado por muitos o pior presidente dos Estados Unidos de que há memória. Aliás, só um em que esteve envolvido em vários casos, suspeitas de corrupção e também casos extraconjugais. Mas ele tinha sido jornalista antes e talvez por isso, por essa sensibilidade, uma das primeiras ações que teve desde que assumiu o cargo foi organizar um jantar em homenagem aos repórteres que o seguiram durante a campanha eleitoral. Isto melhorou um pouco as relações entre a imprensa e o gabinete do presidente dos Estados Unidos e deu ânimo a uma associação de correspondentes da Casa Branca, moribunda, que começou, a partir daí, a tradição do jantar. Na altura, esse primeiro jantar juntou 50 homens, um número muito diferente dos atuais 2600 convidados, e conta, um dos participantes desse primeiro jantar, que esse encontro foi tão divertido quanto a era da proibição permitia, porque lá estavam os Estados Unidos a viver a lei seca, que impedia o álcool e, portanto, os divertimentos seriam um pouco diferentes. Consta que os participantes nesse jantar cantaram músicas satíricas à volta do piano, com letras que brincavam com a Casa Branca e com o Congresso. Foi o pontapé de saída para uma tradição musical e artística deste jantar, que ao longo da história acabou por ser também um evento e um encontro de celebridades, onde vários artistas e estrelas de Hollywood estiveram presentes, desde Frank Sinatra, Nat King Cole ou Barbra Streisand. Mas há um outro assunto, ou melhor, há aqui algumas curiosidades interessantes sobre este jantar, que foi cancelado por três vezes ao longo da história. A primeira, por causa da morte do presidente William Howard Taft, em 1930. A segunda razão pela qual este jantar foi cancelado foi com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, em 1942, e depois quando Truman era presidente, pela incerteza da situação mundial motivada pela guerra na Coreia. Hoje são quase 3 mil participantes que pagam $350, qualquer coisa como €297 para o lugar.
É caro.
É caro, mas também, tal como na Fontana di Trevi, há um bom objetivo.
Pode pagar com o cartão.
E tem objetivos simpáticos, o financiamento de bolsas de estudo para aspirantes a jornalistas e outras atividades normais da associação. Algumas curiosidades: só na década de 50, do século passado, é que pessoas afro-americanas conseguiram entrar no evento. As mulheres ainda tiveram de esperar um pouco mais. Só em 1962 puderam entrar no jantar dos correspondentes com grande influência do presidente Kennedy, que fez força para que as mulheres pudessem participar nestes encontros.
1962, é impressionante.
Em 62, imagine-se. Nixon faltou duas vezes pela má relação com os jornalistas, fases em que estava particularmente zangado. Watergate confirmou que, de facto, a relação entre uns e outros não seria boa. E só aqui, a título de curiosidade também, Ronald Reagan, que parece que era um figurão nestas, ou não tivesse sido ele ator, acho que tinha participações mesmo muito divertidas nestes jantares de correspondente.
Com muito humor.
Com muito humor. Faltou em 1981. Por quê? Porque um mês antes tinha sido vítima de uma tentativa de atentado, precisamente à saída do hotel. Mesmo naquele hotel. Ainda assim, ao telefone, contou umas piadas a partir da cama do hospital.
Ele tinha sempre umas de bolso, piadas da Guerra Fria, que eram fantásticas.