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Não se fala de outra coisa e foi uma notícia em grande destaque neste fim de semana no jornal britânico Guardian, e é uma notícia animadora para muitos doentes com cancro e também para as famílias. Médicos e investigadores anunciaram resultados muito promissores de um ensaio clínico internacional que testou um medicamento injetável, que tem o nome, eu vou tentar dizer, amivantamab.

Não é fácil.

Não é nada fácil. Testou este medicamento em doentes com cancro da cabeça e do pescoço já em fase avançada e cujo tratamento anterior já não estava a resultar. O estudo envolveu 102 doentes em 11 países e os resultados mostraram que os tumores diminuíram ou desapareceram em 43 dos participantes. Em 28 doentes, os tumores reduziram significativamente de tamanho e em 15 doentes desapareceram mesmo por completo após o tratamento. Os investigadores descreveram estes resultados como particularmente impressionantes, porque estes doentes que participaram neste ensaio clínico já tinham desenvolvido resistência tanto à quimioterapia como à imunoterapia, restando-lhes agora poucas opções terapêuticas. Este medicamento, que eu não vou repetir o nome, atua-

É melhor não.

É melhor não. Atua através de três mecanismos complementares, bloqueia proteínas que promovem o crescimento do tumor, inibe processos que ajudam as células cancerígenas a resistir ao tratamento e estimula o sistema imunitário a dar uma resposta, a atacar as células tumorais. Segundo os investigadores, os efeitos foram visíveis muito rapidamente, em alguns casos apenas algumas semanas após o início do tratamento, e os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que é considerada a maior conferência mundial na área da oncologia. O significado destes testes, destes ensaios, é um significado de encorajamento, claro, mas ainda se trata de um ensaio clínico, é preciso ter isso em conta. Serão necessários estudos adicionais para confirmar a eficácia e segurança do tratamento em grupos maiores, porque estamos a falar ainda assim de um grupo bastante reduzido. Portanto, terá de se testar a eficácia e segurança do medicamento em grupos maiores, antes de se poder tornar um tratamento padrão para todos os casos semelhantes. Mas estes primeiros resultados são, de facto, muito animadores. Claro, para quem vive uma situação destas e vê que outras formas de terapia já não estão a resultar, pode ser aqui uma solução e que se espera que, em breve, seja testada em grupos maiores e tenha, pelo menos, os mesmos resultados.

A evolução da ciência é fantástica. E por falar em sobrevivência e sobreviventes, também não se fala de outra coisa, dos cinco sobreviventes que passaram 11 dias presos numa gruta no Laos, exatamente.

Nem uma horinha.

É verdade.

Eu não me metia lá, portanto.

Claro. Na verdade, eram sete pessoas, duas ainda estão desaparecidas, mas estas cinco já foram resgatadas. Eles ficaram presos no dia 20 de maio. O primeiro sobrevivente foi resgatado na sexta-feira, no sábado foram resgatados os outros quatro. Eles foram resgatados de uma gruta inundada e um deles contou à CNN como é que foi viver aqueles dias e como é que eles tentaram escapar. E acho que isto fica tudo bem resumido nesta frase, que é: "Coragem nasceu do medo". Aquele momento acabou por fazer com que aquelas pessoas aumentassem os níveis de coragem. E este jovem de 23 anos, que se encontra internado no Hospital Long Tieng, contou que com fome e com frio, eles percorreram cerca de 260 metros de onde estavam presos até à entrada da gruta, o que equivale a uma altura de um prédio de 78 andares. E para isso, devido à altura da água, porque a gruta inundou e daí também terem ficado presos, por vezes tinham de mergulhar, outras vezes de rastejar e passar por locais-

Aquelas cenas que vemos nos filmes.

Exatamente, totalmente.

Isto aconteceu mesmo.

Totalmente. Para sobreviver, ele explica que eles dormiam o máximo que conseguiam, se calhar porque dormir é meio sustento, como se costuma dizer. Dormiam abraçados uns aos outros porque não tinham como se aquecer. Não tinham, naturalmente, cobertores e, portanto, isso ajudou também a manterem-se quentes e a conseguirem manter-se com coragem para continuar nessa esperança de serem encontrados. Eles dizem que nunca perderam a esperança de serem encontrados, pensavam na família para acreditar que conseguiriam sobreviver. Depois, ele relata também a emoção que sentiu quando saiu e viu as pessoas todas a aplaudir. Diz que é como se tivesse tido uma nova vida.

Podes nascer outra vez.

Nascer outra vez, exatamente. Explica que foi um momento muito emocionante. Ora bem, e por que estes homens entraram na gruta? Também é interessante esta história. Ele explica que estes homens vão para as montanhas no Laos para tentar ganhar a vida. Ouviram dizer que havia ouro naquela gruta e foram à procura. Só que a gruta inundou e eles não conseguiram sair dessa gruta. Depois da experiência, como dizia a Maria João, ele diz que não voltaria a entrar numa gruta, portanto não volta a entrar. Em relação aos desaparecidos, as operações de busca ainda continuam e, de facto, agora as informações dadas por estes cinco resgatados podem vir a ajudar-

Sobre os outros dois.

Exatamente, a encontrar as outras pessoas que faltam.

Eles nem sabem, provavelmente, como é que ficaram para trás.

Exatamente. E de resto, as chuvas fortes já obrigaram ao adiamento das buscas pelas duas pessoas desaparecidas, que ainda estão no interior da gruta, e os mergulhadores acreditam que eles podem estar numa sexta câmara subterrânea a mais de 200 metros da entrada, num local adjacente àquele onde foram encontrados os outros cinco desaparecidos. É uma gruta com muitos recantos, portanto é difícil de os encontrar. No entanto, as chuvas fortes voltaram a provocar inundações, forçaram o adiamento das buscas. Já passaram muitos dias, mas vamos ter esperança que também vai ser possível encontrar os outros dois sobreviventes.