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Não se fala de outra coisa. Hoje trago uma daqueles histórias que parece saída de um episódio da série "Black Mirror", mas está mesmo a acontecer e a dividir o mundo da medicina estética. Já sabemos que as chamadas canetas milagrosas, o Ozempic, têm provocado uma verdadeira revolução. O problema é que, ao perderem dezenas de quilos rapidamente, muitas pessoas perdem também o volume do peito, dos glúteos, do rosto. Ficam, em muitos casos, com a pele flácida e como já não têm gordura no próprio corpo para fazer enxertos tradicionais, nasceu aqui um mercado completamente diferente.
Então.
A nova opção chama-se Alloclay. E o que é isto? Trata-se de um produto injetável feito com gordura recolhida de corpos doados de pessoas falecidas.
De cadáveres?
Sim, gordura de cadáveres esterilizada e vendida em frascos.
Meu Deus!
Quando pensávamos que já tínhamos visto tudo. Nas redes sociais e no Reddit, onde o tema é o centro de acesas discussões, já lhe chamam zombie filler ou o aumento à hora de almoço. Isto porque, ao contrário das cirurgias normais, o procedimento demora menos de uma hora, não exige anestesia geral e permite que a pessoa saia da clínica e vá à sua vida. A empresa responsável, a Tiger Aesthetics, garante que mais de 2000 pessoas já receberam este tratamento desde maio do ano passado, mas o consenso científico e ético está muito longe de existir, claro. Aí está para perceber porquê.
Sim, exato.
Vários médicos e cirurgiões alertam que está a avançar demasiado depressa, sem estudos a longo prazo sobre os impactos no organismo. Sim. Há riscos de infecção, inflamação, formação de nódulos de gordura, que depois só se consegue tirar com cirurgia. Essa já com anestesia.
Mais a sério.
Mais a sério. E depois, para não falar da questão ética e psicológica de injetar restos mortais no corpo. Isto em nome dos padrões de beleza das redes sociais. Vocês os dois arriscavam injetar gordura de dadores falecidos para recuperar as ancas?
Eu quanto mais tirar é melhor, quanto mais injeto, não.
Recuperar as ancas, não. Para outra coisa qualquer, talvez.
Já está a passar completamente dos limites.
Está a perder o controle isto.
Mas vão ver que vai ser uma nova moda.
Porque não parar de injetar as canetas se calhar.
Também? Pois.
Se calhar.
Começava logo aí. Depois já não precisavam de injetar mais nada.
Exatamente.
Enfim, seguimos.
Seguimos.
Exato.
E bom, temas fraturantes também.
Fraturantes, claramente. Vocês imaginem que há a possibilidade da Coca-Cola, a fórmula da Coca-Cola, a tal secreta, continuar a render milhares de milhões todos os anos, que tenha nascido em Florença, na cidade italiana.
Está explicada a minha paixão por Itália.
E a relação entre a Coca-Cola e o PizzeFone.
E a minha relação com a Coca-Cola.
Exato. Foram agora descobertos, entre milhares de documentos antigos da ordem religiosa dos dominicanos em Florença, eles estavam em arrumações, basicamente.
É sempre assim que começa.
É sempre assim. Encontraram um panfleto publicitário da farmácia que a ordem possuía na época, estamos aqui a falar do século 19, onde se lê o seguinte: as forças físicas e intelectuais debilitadas pelas doenças, pela idade, por fadigas extraordinárias, etc., recuperam depressa e conservam-se usando o xarope reconstituinte à base de noz de cola e coca boliviana. Preparado pela farmácia de São Marcos, em Florença, a morada da farmácia, depois até dizia que é 20 gramas de noz de cola e 10 gramas de coca boliviana por 1000. Exatamente.
Tenta lá fazer em casa.
E, de facto, a coca, as folhas de coca fizeram parte da receita original. Hoje já não, como é evidente, até seria proibida talvez a utilização.
Mas que é viciante, é.
Que é viciante, é. E a fórmula continua a ser secreta e pode estar aqui, de facto, ou a origem, ou pelo menos de um produto que fosse semelhante. Não com o mesmo objetivo de ser uma bebida.
Falta aí o gás, se calhar.
Claro, falta aqui.
Também vou a Florença investigar isto a fundo.
Claro, isto era um medicamento.
Acho que merece.
Agora este folheto que foi descoberto vai ser limpo do pó, dos fungos acumulados, vai ser restaurado. Pode ser conservado, de facto, como peça de museu, mas não há dúvida de que se trata de folhas da planta de coca usadas como ingredientes numa bebida, isso é claro, porque a fórmula que era vendida pelos frades anunciava isso, precisamente, e porque a fachada do local onde funcionava a farmácia, há aqui uma fotografia, já agora com a história que está contada no Expresso, que tem também essa fotografia. Essa fachada onde funcionava a farmácia, ainda lá tem alguns baixos-relevos representados tipicamente por folhas de coca, da planta de coca e outras plantas que no fundo eram os produtos mais vendidos naquela época pelas farmácias em Florença. Portanto, pode estar aqui descoberta uma origem desta fórmula. Agora, se essa fórmula viajou o Atlântico para algures nos Estados Unidos vir dar origem à bebida mais famosa do mundo, não sabemos.
Olha, certo é que viaja todos os dias para a minha casa.
Pois, e agora de forma muito fácil também. Mas mais uma vez também aqui os membros da igreja onde tantas comidas e bebidas boas nasceram, talvez na origem da bebida mais famosa do mundo.