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Bem-vindos ao Nota 20. Estamos de regresso para a terceira temporada e, como é hábito, com o professor Nuno Crato. Viva, professor.

Viva, como está? Estou contente por estar aqui.

Já tinha saudades, professor Nuno?

Tinha. Acho que vai ser uma temporada interessante. Temos aqui muitos artigos interessantes pra discutir.

Muito bem. O Nota 20 resulta de uma parceria da Rádio Observador com a Iniciativa Educação. É um programa onde a ciência fala com a educação. E o tema desta semana nasce de um artigo publicado precisamente no site da Iniciativa Educação, de Paul Kirschner. O investigador defende, entre outras, a ideia de que os principiantes, ou seja, os jovens, são uma espécie de recipiente vazio e que aprendem de forma distinta dos especialistas. E o ensino deve ter isto em conta. Por quê? É o que vamos saber com a convidada desta semana, Iris Oliveira, professora no polo de Braga da Universidade Católica, doutorada em Psicologia Aplicada, especialista em Psicologia da Educação. Professora Iris Oliveira, obrigado por estar no Nota 20 desta semana.

Muito gosto, é um prazer.

Professora Iris, os principiantes, ou seja, os jovens, sendo um recipiente vazio, como diz o Paul Kirschner, podem aprender sozinhos através da descoberta, ou não?

Bom, a resposta direta é não.

Não.

E interessa-nos também perceber por quê. E de fato, por um lado, podemos-

E por quê?

Exatamente. Podemos pensar o que é um principiante.

Vamos lá.

Há pouco estávamos aqui a referir que se trata de um jovem, mas em boa verdade, qualquer um de nós, mesmo adultos, podemos ser principiantes em determinadas áreas. E, portanto, um principiante pode ser uma criança, um adolescente, um adulto. O porquê um principiante não pode aprender sozinho, é essa a grande questão. Tem que ver mesmo com a forma como pensamos. E a forma como pensamos sobre um determinado problema, implica uma série de conhecimentos que evoluem desde uma forma mais simples pra uma forma mais complexa. E pra isso também é necessário algum apoio, nomeadamente de um especialista, portanto, alguém já com mais conhecimento, já com mais experiência também nesse próprio problema, para o ajudar a resolver de uma forma mais integrada. Portanto, um principiante dificilmente conseguirá perceber um problema da mesma forma que um especialista o faz.

Então isso é matar comple-

Deixa eu introduzir aqui uma pequena questão.

Diga, professor.

Deixa eu introduzir uma questão muito rápida, depois passamos logo à frente, se não se importam, que é a metáfora do recipiente vazio. Eu não sei se será a melhor metáfora, porque nenhum de nós é exatamente um recipiente vazio. Quer dizer, isso faz sentido nesta discussão, mas é preciso um pouco cuidado com as metáforas às vezes, porque imagino eu que os jovens quando começam a aprender, e os adultos, mas mesmo os jovens, já trazem consigo uma série de experiências, nem que sejam experiências sensoriais e de linguagem e de contato com o mundo, que vão utilizar pra perceber aquilo que vão aprender. Será que estou a pensar bem? É que isto é uma longa discussão, não é assim, professora?

Exatamente. É uma longa discussão, mas realmente aquilo que a psicologia nos diz é que nós não somos um recipiente vazio. Não só pela questão mais de natureza, nature, há toda uma componente inata que já nasce conosco e, portanto, é uma componente que igualmente deveremos ter em consideração, mas, por outro lado, porque também temos já um conjunto de experiências. Mesmo muito pequeninos, já temos aqui uma série de experiências em termos de ouvir, por exemplo, a primeira linguagem, começar depois também a apropriar essa própria linguagem e ensaiá-la. E, portanto, há uma série de experiências que também nos permitem dar um certo significado àquilo que aprendemos. E, portanto, o recipiente vazio pode ser aqui um pouco perigoso, sem dúvida.

Ou seja, o que está a dizer é que o conhecimento prévio é determinante.

É importante mesmo pra o desenvolvimento das próprias estruturas cognitivas, mas essas estruturas cognitivas permitem, no fundo, adquirir cada vez mais conhecimento e de naturezas diferentes. Portanto, conhecimento que se calhar inicialmente é mais sensorial, mais focado no tato, na manipulação, no manuseamento, e depois avançamos pra outras experiências mais abstratas, que nos permitem, mesmo não vendo um problema, perceber que esse problema existe. Portanto, o nosso conhecimento também vai evoluindo à medida que as nossas estruturas cognitivas também evoluem.

Disse no início, refutou completamente a ideia de que os principiantes não podem aprender sozinhos através da descoberta. Já explicou o porquê, mas tenho que lhe fazer esta provocação. Então em autonomia da criança e dos jovens, é um debate tão intenso, dá décadas, não estamos a colocá-lo já em segundo plano? Não devemos promover essa autonomia?

Claro que devemos promover essa autonomia. Agora, autonomia não significa a criança estar sozinha. E portanto, é apenas esse risco que convém aqui acautelarmos. E, na verdade, já há vários autores, desde Bandura, o próprio Piaget, reconhecem que nós nos desenvolvemos em sociedade. E, portanto, também por causa disso, de fato, é importante nós considerarmos a interação com outras pessoas, por exemplo, os pais. E a partir dessa interação, nós também estamos a desenvolver conhecimentos importantes e competências importantes. É quase aquele exemplo de nós pra desenvolver autonomia, também temos que aprender. Imaginemos, se calhar todos nós temos que cozinhar pra conseguir ser autônomos e pelo menos sobreviver. Mas em boa verdade, também não nascemos a saber cozinhar. Portanto, precisa aqui de algum apoio por parte de outra pessoa para também promover precisamente essa autonomia.

Até porque há diferenças, e o autor diz isso nesse artigo, há diferenças grandes ou gigantes na forma como um principiante pensa e um especialista pensa, até na forma como ordena o próprio pensamento. Quer falarmos um pouco disso, professora Iris Oliveira? Que diferenças é que existem entre um principiante e um especialista? E até recorrendo a alguns exemplos.

Sim, um principiante, em boa verdade, tipicamente começa a pronunaliar um problema muito em termos de associação, ou seja, associar aquele problema com algo que já sabe. Um especialista já tem uma visão muito mais abrangente, ou seja, já consegue integrar uma série de fatores que estão dependentes desse problema. Por exemplo, se pensarmos numa planta e como garantir a sobrevivência dessa planta. Efetivamente, um principiante pode achar: "Bem, será só regar todos os dias e quanto mais regarmos, mais a planta sobrevive." Efetivamente, isso não é verdade para todas as plantas e há uma série de outras condições, como a própria exposição solar, as condições da terra, etc., que de fato também favorecem a sobrevivência dessa planta. Ora, um especialista é alguém que já consegue considerar todos esses fatores e muitas vezes perante uma resposta simples como bastará regar uma planta todos os dias, já consegue antecipar: "Não será propriamente assim." Portanto, nós temos que considerar que tipo de planta é, que condições tem de exposição solar, etc. Portanto, a maneira de ver o problema é muito mais completa por parte de um especialista do que por parte de um principiante. E um principiante precisa de uma série de passos até lá chegar. Não quer dizer que não possa ser especialista um dia mais tarde, poderá ser, mas precisa de um caminho, deste processo de aprendizagem que é essencial para.

Porque a partir deles são mais limitados, é isso? Sentindo que esse limitado, não estamos a falar limitação cognitiva. Ele é capacitado, tem capacidades, é limitado, porque não tem o tal conhecimento sobre essa experiência, é isso?

Exatamente. No fundo, em termos de experiência, ainda é alguém que está a principiar o seu caminho relativamente àquele problema, enquanto um especialista já lida com esses problemas ou com problemas parecidos há mais tempo e, por outro lado, já tem uma forma de pensar muito mais completa do que alguém que só está a começar e que numa primeira fase vai associar, por exemplo, regar uma planta, imaginemos um cacto, vai associar a regar uma outra planta qualquer e, portanto, não tem esta diferenciação em termos de conhecimento.

Terá o seu futuro como botânico comprometido.

Exato. Portanto, não é só uma questão de conhecer menos do assunto, é que a própria maneira como encara o problema é diferente, se eu percebi bem.

Exatamente, é isso. A maneira como encara o problema é mais simples.

É mais simples num principiante, portanto, numa pessoa que está a começar a olhar para uma determinada matéria. Depois, quando transportamos isso para o ensino, o que é que devemos acautelar aqui nesta divisão entre principiante e especialista, professora?

Bom, por um lado, considerarmos que no ensino nós vamos ter estas duas figuras em interação. Teremos um principiante e teremos um especialista. Por outro lado, perceber que realmente aqui o especialista tem um papel central no apoio que pode dar ao principiante para adquirir estes conhecimentos e para compreender um problema de uma forma cada vez mais complexa. Claro que isso não sucede do dia pra noite, portanto, precisa de um processo sistemático, que no fundo, tem que ver aqui com os processos de ensino e aprendizagem, e que no caso de um especialista, convém, por exemplo, assumir algumas práticas que podem facilitar esse processo de aprendizagem. Por exemplo, a demonstração, o demonstrar como é que eu resolvo um problema. À medida que eu mostro como resolvo o problema, eu estou igualmente a explicar, a conversar e, portanto, explicar que passo é que eu estou a dar para resolver este problema e perceber que, se calhar, mesmo um principiante pode não perceber todos esses passos de uma só vez. Podemos ter mesmo que ir passo a passo e, se calhar, numa primeira abordagem, vamos concentrar-nos no primeiro passo, depois de dominar o primeiro passo, vamos para o seguinte. E, portanto, a demonstração e a explicação enquanto eu estou a demonstrar acaba por ser essencial para favorecer a aprendizagem. Por outro lado, também aquilo que, por exemplo, autores no âmbito do processamento de informação dizem ser importante, é potenciar aqui, no fundo, o recuperador de memória. O que isto quer dizer? Por exemplo, no início de uma aula, ajudar o principiante ou, neste caso, o aluno a recordar o que é que foi abordado na aula anterior, em que passo é que nós ficamos e qual será então agora o passo seguinte que vamos abordar. E isso acaba por ser importante para permitir ao principiante, neste caso, ao aluno, compreender a sequência de passos inerentes à resolução do problema. E, por outro lado, depois, à medida que vai avançando na resolução do problema, também estar mais capaz de considerar a diversidade de fatores que acabam por estar influentes nessa resolução do problema. Portanto, há, de fato, aqui algumas práticas que podem facilitar esta aprendizagem.

Isso é quase transformar a figura do especialista naquilo que se designa pela ciência de andaime cognitivo, é isso?

É, de um ponto de vista sim.

Ou seja, aquela figura que está lá para ajudar o outro, neste caso, o principiante, a acrescentar níveis de progressão.

Sim, níveis de progressão em termos de desafio, mas sempre considerando aqui a intencionalidade, ou seja, no fundo, o especialista será aqui alguém que o faz com uma intenção, tem objetivos bem estabelecidos, consegue perceber ou dissecar, se quisermos, as diferentes fases de resolução de um problema, o que é essencial para o principiante também conseguir compreender e adquirir esse conhecimento. Algo que também aqui acaba por ser importante, tem a ver mesmo com a questão dos exemplos e contra-exemplos. Ou seja, pode também ser útil, muitas vezes, nesta aprendizagem da resolução de problemas, não só apresentar um exemplo corretamente resolvido, mas muitas vezes também dar um contra-exemplo, ou seja, até uma resolução errada do mesmo problema para se perceber onde é que está o erro e como é que podemos superar esse erro. Portanto, esta ideia de exemplo e contra-exemplo é igualmente importante em termos da compreensão dos passos que são necessários para resolver corretamente um problema.

Porque muitas vezes, e o professor Nuno Crato dirá se eu estou enganado ou não, muitas vezes nós, aprendizes, somos vítimas, às vezes, dos nossos próprios erros. E na matemática, nas ciências exatas, isso acontece muitas vezes, ou não, professor? Daí o contra-exemplo, ou estou completamente enganado?

Não, eu acho que tem toda a razão, porque é muito importante que o jovem situe aquilo e que se foque naquilo que se está a procurar transmitir, que se está a procurar que seja aprendido. Vou só dar um exemplo muito rápido que me aconteceu há bocado. Eu estava a ler um artigo sobre o estoicismo, filosofia grega, e estava escrito no quadro: "Estoicismo diferente de estoicismo". O primeiro com letra maiúscula e o segundo com letra pequena. E eu pensei: "Aqui passa-se qualquer coisa, ele está aqui a dizer qualquer coisa, mas diferente por quê?" Depois, mais à frente, aparece um segundo quadro em que o primeiro está com a letra minúscula e o segundo está com a letra maiúscula. Ou seja, o que o autor está a tentar transmitir é que uma coisa é o estoicismo, o princípio normal, ou seja, a pessoa ter resiliência, ser resistente às coisas, mas que existe uma coisa que tem pouco a ver com isso, que é a filosofia grega, e essa aparece com maiúscula. Ora, o que me acontece? Eu leio aquilo com maiúscula no princípio, como habitualmente as frases começam por maiúscula, eu não percebo que o autor está a tentar separar uma coisa com maiúscula e uma coisa com minúscula. Só o percebo na segunda vez, quando na segunda figura aparece o segundo com maiúscula e o primeiro com minúscula. Isto é uma coisa mínima, um exemplo quase caricato, mas é o género de coisa que o professor tem que estar sempre a dar atenção para que aquilo que não leve o jovem a perceber de maneira diferente. Ou seja, nós temos que estar quase que a prever quais são os problemas que os jovens possam levantar, de forma que o exemplo, quando seja dado, seja perfeitamente claro. Não sei se este exemplo é bom ou se é mau. Para mim foi muito interessante estar a ler o artigo, que eu comecei pela primeira figura, fiquei confuso e pensei: "Não, não é isto que eles querem dizer". E quando cheguei à segunda figura, eu disse: "Cá está. Era isto que eles queriam dizer". E agora de uma maneira logicamente correta. Portanto, o professor tem aqui um papel muito importante, claro.

Professora Iris.

Se não se importam, vamos dar um passinho atrás. Não sei se a Iris quer comentar alguma coisa sobre isto.

Não, nós podemos avançar, claro.

Diga, professora.

Vamos só falar de uma outra coisa, se não se importam, que é o problema do ensino pela descoberta. Isto pode ser interpretado de muitas maneiras diferentes, o ensino pela descoberta. O puro ensino pela descoberta, obviamente, não faz sentido nenhum. Isso está óbvio para mim, julgo que é óbvio para toda a gente, porque a humanidade demorou 20 séculos, 30 séculos a chegar a certas conclusões, e agora um jovem chega ali, senta-se, começa a fazer umas experiências e chega à mesma conclusão. Eu acho que isto é até insultuoso para a humanidade, é insultuoso para os cientistas que nos precederam e com grandes esforços chegaram a coisas que hoje são mais ou menos evidentes. Portanto, a pura descoberta não faz sentido, mas há uma outra coisa que eu julgo que faz sentido, e às vezes entra-se neste tipo de dilemas sem ter o bom senso de olhar para a aprendizagem como uma coisa que precisa muito de bom senso. E que é: uma coisa é que haja uma espécie de redescoberta pelos alunos, ou seja, que o professor leve o aluno, quase que ele próprio, a achar, a convencer-se que foi ele que redescobriu aquilo, que descobriu aquilo. Mas isto é uma coisa que é uma reaprendizagem guiada, que é totalmente diferente de pensar que o ensino é todo feito pela descoberta do aluno. Que acho que é uma coisa que não faz sentido nenhum, embora às vezes haja quem defenda coisas muito parecidas, infelizmente.

Hum. Professora-

Não sei se a Iris tem algum comentário a fazer sobre isto. Se não, se eu agora já comecei a desviar demasiado.

Professora Iris, pode discordar do professor Nuno Crato. Pode e deve.

Bom, é importante esta questão da aprendizagem guiada. Portanto, quando nós pensamos em termos de descoberta, não pode ser uma descoberta do aluno sozinho, porque efetivamente corremos aqui o risco até de nem dar sentido àquilo que efetivamente se está a fazer. Portanto, quando pensamos nestes processos de aprendizagem, tem que ser uma aprendizagem guiada, que requer muito trabalho por parte, por exemplo, de um professor, em termos de background quanto ao planeamento, à intencionalidade, quais vão ser os objetivos para realizar esta tarefa, etc. E, portanto, mesmo as questões muitas vezes relacionadas com metodologia do projeto, o grande erro em que muitas vezes se incorre é deixar os alunos completamente sozinhos. E esse é que é o perigo, porque efetivamente é um trabalho que necessita deste guia, do tal especialista, que possa ajudar um principiante a perceber quais são as diferentes etapas e que erros é que podem acontecer durante a resolução de problema.

Um desses erros é chamado a maldição do conhecimento. O que é a maldição do conhecimento? Parece que é uma coisa que vai afetando muita gente por aí.

Certo.

É o quê?

E se calhar até mais nos tempos que correm, que também facilmente nós temos acesso à informação e cada vez mais é difícil também filtrarmos a importância dessa informação.

Em 30 segundos, professora Iris Oliveira, o que é a maldição do conhecimento?

Bom, tem a ver aqui com o overload, ou seja, uma grande dose de conhecimento que se calhar tentamos transpor muito rapidamente e que para um aluno será difícil de conseguir compreender. Portanto, de facto, há uma sequência de passos e este conhecimento tem que ser desde o mais simples até ao mais complexo, para ir acompanhando também estas estruturas de conhecimento e estas estruturas de desenvolvimento cognitivo do próprio aluno. Portanto, o transpor aqui grande quantidade de informação logo, por exemplo, numa única aula, poderá ser contraproducente na medida em que dificilmente o aluno conseguirá processar toda essa informação.

Ou seja, ele não sabe como é que se chega a um determinado conhecimento. Ele sabe o conhecimento, mas não sabe como é que se chega lá, não é?

Exatamente.

É isso, a maldição do conhecimento. Muito engraçado. Professora Iris Oliveira, obrigado por ter vindo ao "Nota 20" esta semana. Foi um gosto.

Muito obrigada, foi um gosto também.

Professor Nuno Crato, habitualmente peço-lhe as três notas rápidas sobre o programa de hoje. Tem um minuto.

Muito bem. Este artigo do psicólogo cognitivo Paul Kirschner, a mim pareceu-me extremamente interessante, porque ele não só discute as coisas do ponto de vista da necessidade de ir guiando o conhecimento, como também ele mostra que uma coisa é um principiante, outra coisa é um especialista, e que pensam ambos de forma diferente. Encara os assuntos de forma diferente. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto que ele acentua também, e que nós aqui discutimos, é que as crianças não são pequenos adultos. Portanto, as crianças também aprendem de forma diferente, têm uma experiência diferente da de um adulto. Temos duas coisas: uma coisa é a distinção entre principiante e especialista, outra coisa é a distinção entre criança e adulta. E o resultado disto tudo é que uma abordagem que pode funcionar para um adulto e pode funcionar para um especialista, muito possivelmente não funcionará para um principiante e para um jovem, e não será a melhor maneira de desenvolver a sua aprendizagem. Enfim, assim em muito breves notas, esta discussão muito rica, julgo que é isto, mas eu aconselharia toda a gente a ler este artigo do Paul Kirschner, porque é um artigo, de facto, muito interessante.

Tem o título: "Um principiante não é um especialista em miniatura". Professor, na próxima semana vamos tratar do tema da adolescência e procrastinação, ou seja, o deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Como se contraria isto no contexto escolar e familiar? É a nossa convidada, a neuropsicóloga Joana Rato. A pergunta que deixamos no Twitter habitualmente está obviamente relacionada com este tema. Pode espreitar a rede social da Iniciativa Educação e também do Observador daqui a minutos. E a pergunta é: a tendência dos adolescentes para adiar as tarefas acadêmicas está relacionada com o desenvolvimento do cérebro? Sim. Ou não, é uma simples atitude de preguiça. Professor, agora sim, até para a semana.

Até para a semana.