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Jornal das 5, com edição do jornalista Miguel Viterbo Dias. A investigação sobre os casos que envolvem o ministro da Administração Interna vai ser apenas conduzida pelo Ministério Público.

A Polícia Judiciária não vai estar envolvida no inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República. Fonte oficial da PGR confirma ao Observador que o inquérito vai ser dirigido apenas pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. A Polícia Judiciária, que descobriu indícios de eventual prática de crimes de descaminho e abuso de poder nas primeiras averiguações sobre o atrelado com amoníaco usado para produção de droga e que foi encontrado nas instalações da Constrobarcelos, a empresa de João Carvalho, o empreiteiro amigo de Luís Neves. Uma outra fonte já tinha também assegurado ao Observador que apenas Luís Neves, na altura diretor nacional da PJ, poderia ter autorizado a movimentação deste atrelado. O redator principal do Observador, Luís Rosa, explica que esta decisão do DIAP de afastar a PJ da investigação não é muito comum.

Essa é uma decisão que não é comum. É raro o Ministério Público ficar com a investigação para si e não delegar a um órgão de polícia criminal. Ou seja, na prática, a Procuradoria-Geral da República está a dizer que o Ministério Público, o DIAP de Lisboa, vai investigar sozinho este caso.

Mas faz sentido?

Faz sentido, porque este caso não é comum. Não é comum, porque é a primeira vez que um ex-diretor nacional da Polícia Judiciária pode ser visado no inquérito. Portanto, isso é uma coisa histórica, faz sentido que não seja a PJ a investigar um ex-diretor nacional.

Análise de Luís Rosa, autor do artigo que está em destaque no site do Observador sobre as polêmicas que envolvem Luís Neves.

O ministro das Infraestruturas elogiou Luís Neves pelo trabalho feito no controle das fronteiras nos aeroportos.

Miguel Pinto Luz elogiou o trabalho feito pelo ministro da Administração Interna durante a apresentação dos planos para a construção do novo aeroporto de Lisboa. Pinto Luz elogiou o espírito de liderança do ministro com a tutela da Administração Interna.

Hoje, o aeroporto de Lisboa funciona melhor, o de Faro funciona melhor, o Saconero funciona melhor. E deve-se também a uma pessoa, um colega de governo, que quero referir aqui, não pelas circunstâncias que estamos a viver, mas por justiça, porque sem ele, hoje não tínhamos os tempos de espera que temos nos aeroportos nacionais. Ao meu colega de governo, Luís Neves, o nosso sincero obrigado, e digo nosso em nome dos portugueses, porque já era, de facto, motivo de embaraço, palavra que o senhor secretário de Estado das Infraestruturas encontrou a dada altura e que foi também por mim utilizada, porque era de facto um embaraço nacional. E deveu-se a ele, a muitos outros, mas a ele e à liderança, ao espírito de liderança, à capacidade de resolver, que hoje podemos dizer que já não estamos na cauda da Europa, lideramos e também com as obras todas que estamos a fazer, com a paciência daqueles que utilizam o aeroporto, nomeadamente Humberto Delgado, hoje servimos melhor os portugueses e as portuguesas.

Miguel Pinto Luz a sublinhar que o elogio nada tem a ver com o momento atual em que Luís Neves tem estado debaixo de polêmica sobre esta amizade com o empreiteiro João Carvalho.

No que toca aos exames nacionais, o primeiro-ministro diz que o pior já passou.

Depois do ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter prometido que todas as provas estariam classificadas até o final da semana e dos resultados terem saído já durante a noite de sexta-feira, Luís Montenegro diz que o período mais complicado já foi ultrapassado e garante que o governo e o presidente da República estão alinhados.

Dizer que as preocupações do senhor presidente da República foram também sempre as preocupações do governo e do senhor ministro da Educação e creio que estão reunidas as condições para podermos dizer que o pior já passou, que as garantias de rigor e de equidade no processo estão salvaguardadas e que esta segunda fase, em que já nos encontramos, possa ter muito menos perturbação do que teve a primeira e que no futuro o sistema possa responder.

Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, depois de uma reunião com o primeiro-ministro grego em Atenas. O chefe do governo acrescenta que a maioria das pessoas que trabalha no sistema educativo considera que esta mudança no processo de correção de provas foi vista de forma positiva.

E no que toca aos exames, a Fenprof lamenta que não existam garantias de que a segunda fase dos exames vá correr melhor.

Acusação feita após uma reunião no Ministério da Educação, que, ao contrário dos outros sindicatos, não contou com a presença do ministro. Foi o estado de Estado, Alexandre Homem Cristo, o representante do governo. No final do encontro, o secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, disse que não há garantias de que este processo de classificação tenha sido melhorado.

Nós não temos essa garantia, os alunos não têm essa garantia, as famílias não têm essa garantia. A garantia que nós tivemos é que, de facto, o processo correu mal, foi avançado, aliás, com todos os alertas, apesar mesmo dos desmentidos, houve alertas no sentido de que o processo não devia ter arrancado desta forma. E, portanto, eu digo-lhe neste momento que eu acho que nenhum aluno neste momento, nenhuma família, pode ter garantias na nota que saiu e os resultados estão aí à vista todos os dias. Nós vemos na comunicação social, vocês também o fazem porque divulgam, nem a garantia que o processo vai decorrer normalmente. Mas nós queremos que decorra.

Dúvidas levantadas pelo secretário-geral da Fenprof, que aproveitou também para, neste encontro no Ministério da Educação, perguntar quem é que vai assumir responsabilidades políticas.

Queremos saber, perante este caos, deixamos, colocamos estas questões. Responsabilidades políticas, quem é que assume estas responsabilidades políticas? Porque isto ao longo destes tempos foi sempre assim. Essas responsabilidades não foram nunca, na prática, assumidas.

Os exames marcaram parte significativa deste encontro. Falou-se ainda da promessa de pagamento das horas extraordinárias aos professores. José Feliciano Costa acusa o ministro de ainda não saber como será feito esse pagamento. A esta hora decorre a última reunião com o STOP, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação.

O governo e a ANA Aeroportos apresentaram hoje um plano para a construção do novo aeroporto de Lisboa, que irá incluir uma ligação a Lisboa ferroviária

De apenas 20 minutos. Foi o que projetou esta manhã o Executivo, anúncio feito pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, que destacou esta ligação rápida a Lisboa através de ferrovia e também a diminuição dos tempos de ligação entre a capital e outros pontos do país.

Vamos ter também toda a ligação ao novo aeroporto. Está fechado, aliás, numa colaboração muito próxima entre a IP e a ANA, fechamos exatamente aquilo que é a solução mais rápida para conseguir chegar à estação do novo aeroporto. Temos também a expansão do metro do Sul do Tejo e o Túnel Algestra-Faria, que fará parte e que poderá eventualmente ter uma solução metroviária. E, portanto, estamos a falar de 20 minutos de passageiros por ano, estamos a falar de 20 minutos desde Lisboa até ao novo aeroporto por comboio.

O novo aeroporto vai ficar nos conselhos do Montijo e de Navente, vai custar entre € 7 e 9 mil milhões, de acordo com o plano da ANA. A empresa prevê que a construção comece em 2029 e fique concluída em 2033 para entrar em funcionamento em 2035. Marcelo Rebelo de Sousa vai ser condecorado pelo rei Felipe VI de Espanha. O antigo presidente da República vai receber a mais alta condecoração da Casa Real e do Estado espanhol. O anúncio foi feito através de decreto do rei de Espanha, assinado também pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. No texto, Felipe VI destaca o real apreço por Marcelo Rebelo de Sousa e exalta a demonstração da tradicional amizade entre Portugal e Espanha. O ex-presidente da República é a sexta pessoa condecorada pelo monarca espanhol. É, no entanto, a primeira personalidade estrangeira a receber esta distinção pelas mãos de Felipe VI. E no Palácio de Belém, em Lisboa, é dia de homenagem a Luís Represas. O músico, que morreu hoje aos 69 anos, está a ser homenageado no Palácio de Belém, onde estão a tocar, através de um sistema de som, algumas das músicas mais conhecidas do cantor português. A iniciativa foi anunciada pela Presidência da República esta tarde. É junto ao Palácio de Belém que está a jornalista Beatriz Félix. Beatriz, qual é que tem sido a reação das pessoas a esta homenagem que está a decorrer junto ao palácio?

Têm sido várias as reações, Miguel. Aqui por Belém, ecoa, como disseste, a voz de Luís Represas, através de várias colunas instaladas no palácio. A maioria das pessoas que por aqui têm passado são turistas, a presença habitual nesta zona, que vão parando, mas ainda assim sem dar grande importância, vão apenas fazendo pequenos vídeos a tentar perceber se é algo normal, se é algo pontual. Já os mais jovens, com quem temos tentado falar, só através dos pais é que conhecem o nome de Luís Represas, já que é um artista que acabou por marcar gerações mais velhas. Cidália é uma dessas pessoas que por aqui estava a passear e na música, a proximidade é estabelecida de outra forma. Cidália, apesar de não reconhecer, recorda este artista com carinho.

Pessoalmente, não conhecia, mas gostava muito dele.

E estas músicas que se ouvem, o que é que significam para si? Lembram-na de alguma memória que tenha tido?

Não gosto realmente do cantor, mas normalmente vem à memória o tempo mais antigo.

E principalmente agora que Luís Represas faleceu, acha que este é um grande legado que ele deixa?

Sim, claro que sim.

Cidália, uma das pessoas que por aqui passava a falar de uma homenagem merecida a um artista que proporcionou também muitas memórias a várias pessoas, nomeadamente a Hélder Ferreira, que também falou com a Rádio Observador.

Tenho muitas memórias, de há muitos anos. Ele tinha uma voz espetacular e tinha umas canções também muito interessantes. Mas é assim a vida.

E essas canções, as mesmas que estamos a ouvir aqui agora, trazem-lhe recordações de momentos bons da sua vida?

Sim.

Hélder recorda então a voz de Luís Represas nestas que vão sendo conversas curtas com muitas das pessoas que aqui também vão esperando pelos transportes. Era o caso de Hélder, mas que mesmo assim falou conosco. A vida das pessoas continua a decorrer, mas todos os que ouviam recordam Luís Represas como um grande artista e que merece esta homenagem que tem estado a decorrer durante a tarde aqui no Palácio de Belém. Luís Represas morreu esta quarta-feira, mas não só nestas colunas do Palácio de Belém, mas em muitos outros sítios, a voz do artista vai continuar a ecoar.

A jornalista Beatriz Félix, nas imediações do Palácio de Belém, como ouvíamos aqui em fundo, a entoar músicas de Luís Represas. António José Seguro, que está numa visita oficial a Cabo Verde, mas mesmo assim interrompeu a intervenção que estava a realizar na Assembleia Nacional para lembrar o músico português.

Um músico de exceção, com timbre de voz inabalável e que muito contribuiu para a afirmação e para a defesa da língua portuguesa. Invocá-lo hoje é um duplo sentimento de quem perde um amigo e de um certo Estado que se curva perante a sua memória e agradecido pelo contributo que deu ao nosso país, à cultura, à afirmação da língua portuguesa, que ultrapassou verdadeiramente vários continentes, que tocou gerações e que no fundo, hoje nos faz sentir que perdemos alguém mesmo dentro de nossa casa.

Depois de uma mensagem sentida, António José Seguro, que emocionou-se a falar de Luís Represas.

Muito obrigado, Luís. Como tantas vezes cantaste, talvez um dia te encontre.

António José Seguro em Cabo Verde. O primeiro-ministro Luís Montenegro, que também se referiu à morte de Luís Represas numa mensagem divulgada na rede social X, lamenta o desaparecimento de uma das maiores referências musicais do país.

E há outras reações à morte de Luís Represas, Miguel.

A Rádio Observador ouviu várias pessoas, muitas do mundo da música, que privaram com o cantor português e que apontam uma característica em comum. Marta Caramelo Nobre.

Ninguém esquece a voz incontornável do rosto dos Trovante, mas há quem lembre outras histórias. Desde logo, Júlio Isidro, que recua até aos tempos de locutor.

Entravam os Trovante todos, ou o Trovante, como quiser, para o estúdio para apresentarem um disco chamado "Chão Nosso" e disseram claramente: "Olhe, nós trazemos isto aqui, pode ser que o Júlio passe porque se calhar ele não vai passar". A razão era muito simples, porque tratava-se de um disco cujos textos eu vou dizer que seria música de intervenção.

Já Simona Oliveira prefere lembrar o cantor como um amigo.

Vou ter a maior saudade dele. É uma pessoa, é um ator, é um cantor, é um amigo.

E mesmo aos amigos, Luís Represas escolheu desvalorizar a doença e focar-se no dia a dia, como explica José Cid.

Ele não me disse nada, aquele malandreco. Nunca me disse que estava assim, que tinha um problema numa perna e não sei o quê, mas afinal de contas era mais grave.

Sónia Tavares fala na importância do artista para Portugal.

Sua obra confunde-se com a própria história recente do país.

Uma influência sentida na carreira de vários artistas, como é o caso de Anabela.

E fui logo muito inspirada pela sua voz e pelas músicas dos Trovante.

Já Cati Guerreiro vai ao particular.

E era, de facto, um homem que procurava a beleza do mundo, procurava a beleza das pessoas.

São os testemunhos dos colegas e amigos de Luís Represas ouvidos pela Rádio Observador.

Um trabalho da jornalista Marta Caramelo Nobre. O velório de Luís Represas está marcado para amanhã, na Basílica da Estrela, em Lisboa, entre as 16h e as 22h30. O funeral realiza-se na sexta-feira, é reservado apenas à família.

E daqui a instantes vamos conversar com José Ramos-Horta, o presidente da República de Timor-Leste, sobre Luís Represas.