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A hora. Boa noite, eu sou o Martim Madeira, é 1h. Vamos atualizar toda a informação. Começamos com os desenvolvimentos mais recentes da situação no Irão. Uma notícia de última hora: a capital iraniana Teerão está a ser novamente bombardeada, de acordo com os mídia iranianos. Foram ouvidas algumas explosões na cidade. As forças militares israelitas confirmaram à Reuters que Israel lançou uma nova vaga de ataques aos sistemas de mísseis e defesa iranianos. Até agora, pelo menos 130 civis foram mortos pelos ataques israelitas e americanos no Irão. Já em Israel, confirma-se um morto e mais de 120 feridos na sequência da retaliação iraniana. Os ataques continuam fora do Irão. O Aeroporto Internacional do Dubai foi atingido por ataques iranianos. As imagens mostram muito fumo no interior de um dos terminais e partes de peças partidas no chão. Falam-se em danos elevados. Segundo a agência Reuters, pelo menos uma pessoa morreu e sete ficaram feridas no ataque ao Aeroporto Internacional do Dubai. Também o hotel Burj Al Arab, no Dubai, foi atingido. O estabelecimento de luxo mais conhecido do Emirado tem 321 metros e fica à entrada da ilha artificial da Palmeira. Donald Trump diz que Ali Khamenei morreu. Foi na rede social Truth Social que o presidente norte-americano escreve que Ali Khamenei, uma das pessoas mais cruéis da história, está morto. O anúncio foi feito no momento em que se sucedem relatórios contraditórios sobre o líder supremo do Irão. Na mesma publicação, Donald Trump assegura que vai continuar a bombardear o país continuamente durante a semana e por tanto tempo quanto necessário, e acrescenta que esta é a melhor oportunidade para os iranianos recuperarem o seu país. Já os mídis estatais iranianos estão a citar fontes anônimas que classificam os relatos da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, como falsos. Apenas confirmam a morte da filha e neta do Aiatolha. Reza Pahlavi, o filho do último xá do Irão, já reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei. Nas redes sociais, escreveu que o assassino de dezenas de milhares dos filhos e filhas mais corajosos do Irão foi apagado das páginas da história. Segundo o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente vai fazer parte do caixote do livro da história. Reza Pahlavi apelou ao exército e às forças de segurança para que se juntem à população iraniana nesta fase política que considera ser decisiva para o futuro do país. Relembrar que durante manifestações que estavam a acontecer no Irão, muitos pediam o retorno da monarquia no Irão. Ora, Reza Pahlavi seria o indicado para liderar o Irão caso a monarquia voltasse. No entanto, ainda não há confirmação oficial do Irão de que Ali Khamenei está morto. A eventual queda do regime iraniano, com a morte do líder supremo Ali Khamenei, pode ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e Israel, até porque o seu sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida do regime iraniano. Quem o diz é o professor catedrático Luís Tomé, coordenador do Observatório de Relações Exteriores. Ora, foi entrevistado pela Rádio Observador, Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado pra morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu pretendem.

O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da Guarda Revolucionária serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.

O diretor do Observatório de Relações Exteriores, Luís Tomé, não considera que possa existir no imediato algum tipo de revolução civil no Irão, mesmo que se confirme a morte do líder supremo Ali Khamenei.

As fações dentro do Irão são múltiplas, não estão unidas, e portanto, essas sublevações ou manifestações contra o regime têm agendas e origens diversas, e é muito pouco provável, diria eu, mas enfim, estamos a viver estes tempos sobre brasas, que, de repente, o povo alimentado por estes ataques americanos e israelitas venha pras ruas e consiga derrubar o regime.

As declarações de Luís Tomé à Rádio Observador, o diretor do Observatório de Relações Exteriores e também professor catedrático, a comentar sobre a possível morte de Ali Khamenei, confirmada, dita por Donald Trump e também por Benjamin Netanyahu. No entanto, ainda não há reação oficial do Irão e confirmação oficial do Irão. O secretário-geral das Nações Unidas considera que o mundo está a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. António Guterres condena severamente os Estados Unidos e Israel pelos ataques contra o Irão, mas também condena as retaliações iranianas contra vários territórios vizinhos. Numa reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral deixou vários reparos à situação atual no Médio Oriente.

International law A lei internacional e a lei humanitária internacional devem ser sempre respeitadas. E é por isso que desde manhã eu condeno os ataques massivos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão e também condeno as subsequentes retaliações do Irão ao violar os territórios do Bahrein, Iraque, Jordânia, Koweit, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estamos a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. As ações militares têm o risco de desencadear eventos que ninguém consegue controlar nesta que é a região mais instável do mundo.

António Guterres aconselha também todas as partes a regressarem à mesa de negociações.

Eu apelo à desaceleração e ao fim imediato das hostilidades. A alternativa é um potencial conflito ainda maior, com consequências mais gravosas para os civis e para a estabilidade das regiões. Eu aconselho fortemente a todas as partes para regressarem à mesa das negociações, sobretudo acerca do programa nuclear do Irão.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas leu durante este discurso na reunião de urgência do Conselho de Segurança, vários princípios da Carta da ONU. Saímos do conflito internacional e passamos agora o foco para a política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário o seu regresso à política, é sinal de que o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou ainda críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho recorda que nunca disse que se tinha retirado da vida política ativa para sempre, após a saída da liderança do PSD, reforça que os sociais-democratas estão no poder e, por isso, acredita que apenas vai ser necessário ao país caso a governação corra mal.

Não há de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo por quê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.

Pedro Passos Coelho terminou a palestra a dizer que gostaria de ouvir as ideias que apresentou a serem debatidas, ao invés de ouvir a conversa sobre um possível regresso.

Esta semana, o que me pareceu ter ouvido, era saber se eu me ia candidatar, regressar. Não me lembro de ter ouvido uma discussão séria sobre as questões que eu levantei. Aqui há alguma coisa de errado nisto? Discordam disto? Têm outros pontos de vista a defender? Esse é o debate que nós temos de fazer.

Passos Coelho deixa ainda alertas sobre a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Declarações de Pedro Passos Coelho numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa à 13h30. Até já.