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As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.
Começamos com uma notícia de última hora, um incidente com uma fuga de amoníaco durante uma festa nas docas de Leixões, em Matosinhos, uma festa com cerca de mil pessoas. A Sic Notícias dá conta de pelo menos um ferido e ainda de relatos de várias pessoas com falta de ar. Ao Observador, fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto confirma que no local estão vários meios de socorro entre bombeiros, PSP e viaturas médicas de emergência e reanimação do INEM. Não há, para já, indicação de vítimas, uma vez que as equipes de socorro estão ainda numa fase precoce de atuação. E falamos agora sobre o assunto do dia, os exames. O ministro da Educação responsabiliza as escolas que não fixaram esta sexta-feira as notas dos exames nacionais e admite pedir justificações aos diretores. Fernando Alexandre sublinha que este não foi um dia normal e que por isso se exigia mais das escolas.
Hoje é um dia que as escolas sabem que as notas iam chegar. Os diretores têm essa responsabilidade, têm a responsabilidade também de preparar as equipes. Aliás, eu durante o dia falei com imensos diretores e todos me transmitiram precisamente essa mensagem de que estavam ao serviço da escola pública, ao serviço dos alunos. Eu teria muita dificuldade em perceber, as famílias também, os alunos também, que pelo fato das notas chegarem às 19h30 não seriam lançadas. Pode acontecer, mas eu vou precisar da justificação do diretor e será pedida individualmente a cada um, se isso acontecer.
A garantia do ministro da Educação, em entrevista à Sic Notícias, Fernando Alexandre admite ainda que centenas de provas ficaram sem classificação. Nesses casos, na pauta de avaliação surge a indicação de suspenso. O ministro explica que as situações resultam de falhas diversas no processo e refere que em parte dos casos houve atraso no envio dos exames por parte das escolas.
Há umas centenas de provas em que há falhas. As falhas são diversas. Eu vou lhe dizer, por exemplo, exemplos de provas que chegaram ao Educa nas últimas semanas, incluindo na última semana, ou seja, que não foram entregues na altura pela escola. Isso é uma situação que tem que ser avaliada com muito cuidado. Eu penso que essas provas não têm condições, porque está em questão a própria integridade da prova, para ter uma nota agora. Ou seja, o Educa, o Júri Nacional de Exames, vão ter que olhar para essas situações.
O Educa, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, que garante que nesses casos vão ser resolvidos, mas ainda não se sabe como. Ainda nesta mesma entrevista, o ministro confirmou que o governo vai pagar horas extraordinárias aos professores que estiveram a corrigir exames. Questionado sobre a permanência no Executivo, Fernando Alexandre disse estar de consciência tranquila e remete qualquer decisão sobre a continuidade no governo ao primeiro-ministro Luís Montenegro. O secretário-geral do Partido Socialista considera que o governo foi imprudente e sublinha que os alertas vindos do PS tinham fundamento. José Luís Carneiro não pede diretamente a demissão de Fernando Alexandre, diz antes que é o primeiro-ministro que tem de assumir essa responsabilidade.
Nós chamamos o ministro à Assembleia da República no dia 1 de julho e ele desvalorizou o que estava a passar. Disse que não havia quaisquer falhas de significado, que tratavam de questões de software e que, portanto, não seria necessário adiar o processo de classificação. O que é certo é que 48 horas depois decidiu adiar, mas adiou sempre com uma certa sobranceria que caracteriza este governo. Ora, aquilo que nós verificamos é que todos os alertas que formulamos tinham fundamento, tinham razão de ser.
A posição de José Luís Carneiro, em entrevista à Sic Notícias, o líder socialista denuncia ainda que o número de alunos sem provas classificadas apresentado pelo ministro não corresponde à realidade.
O ministro aqui afirmou que são algumas centenas de jovens que estão suspensas a publicitação das suas classificações. Eu posso dizer que tenho reporte do país que me dá conta de que não serão algumas centenas, que serão alguns milhares.
José Luís Carneiro, que diz ainda que os diretores das escolas se sentem ameaçados e desrespeitados pelas recentes declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre. O líder socialista não fecha, por isso, a porta a uma eventual comissão de inquérito. O Partido Comunista critica a falta de respostas do ministro da Educação sobre os alunos com as notas suspensas. A líder do grupo parlamentar do PCP, Paula Santos, considera a situação extremamente preocupante e aponta o dedo tanto a Fernando Alexandre como ao restante Executivo.
É extremamente preocupante que haja estudantes cujos resultados vão aparecer na pauta como suspensos e o ministro, até o momento, ainda não explicou como é que vai resolver esses problemas. Para lá de toda esta confusão e do caos dos exames, a verdade é que o rigor e a confiabilidade relativamente a este procedimento está claramente colocado em causa. O governo insiste em sacudir as suas responsabilidades. Mais uma vez, foi esse o procedimento por parte do ministro. Responsabiliza as escolas, responsabiliza os professores, responsabiliza o júri e não assume as suas responsabilidades perante aquilo que está a acontecer.
As críticas de Paula Santos, a líder da bancada comunista, à forma como o governo geriu os problemas com os exames nacionais, numa mensagem em vídeo enviada às redações. Este foi, naturalmente, um dia de muitas dúvidas e ansiedade, tanto para alunos como para encarregados de educação. Foi isso que testemunhou o jornalista do Observador, Ricardo Lopes, que esteve durante a tarde e a noite desta sexta-feira na escola Dona Leonor, em Lisboa, a acompanhar o processo de afixação das pautas. Ângela Loureiro, encarregada de educação, realça o esforço feito pela escola para conseguir afixar, ainda durante esta sexta-feira, as notas.
Às 19h disseram-nos que não ia ser possível, às 19h30 disseram que talvez fosse possível e que iam fazer todo esse esforço. Foi feito o esforço. É de louvar aquilo que a escola fez, aquilo que os professores fizeram, os funcionários. Espero que lhes deem mais dias de férias, porque os merecem e muito bem. Temos uma senhora, que é a senhora que está à porta, que a esta hora está aqui ainda, deveria ter saído às 18h. E, portanto, espero sinceramente que alguém olhe para tudo isso e que se veja o esforço que foi para os miúdos, para nós, pais, sobretudo para os miúdos e para os professores, porque todos eles estão na mesma carruagem. Isto é um comboio em andamento, quer dizer, não há possibilidades das coisas poderem ser feitas desta forma.
O testemunho de Ângela Loureiro, a encarregada de educação de uma aluna da Escola Rainha Dona Leonor, em Lisboa. O Presidente da República espera que os responsáveis pelo processo dos exames resolvam os problemas, mas não adianta consequências políticas. António José Seguro exige uma resolução rápida das questões em torno dos exames nacionais e insiste que nenhum aluno pode sair prejudicado deste processo.
A minha preocupação é que todos os que têm responsabilidade no processo possam contribuir para que rapidamente os problemas desapareçam e, sobretudo, os alunos e as famílias tenham acesso à classificação dos exames e das provas que prestaram. É muito importante que isso aconteça e que nenhum aluno fique prejudicado pelos erros que ocorreram.
Declarações do Presidente da República à margem da inauguração do requalificado Museu da Gulbenkian, em Lisboa, confrontado com o impacto das polémicas relacionadas com os exames nacionais, mas também com o Ministro da Administração Interna no governo, António José Seguro preferiu não comentar e remete para outras instâncias.
O Presidente da República está sempre muito atento e acompanha tudo o que se passa em Portugal e na vida nacional, mas fala no momento certo e no local adequado.
O alerta de António José Seguro, o chefe de Estado, em resposta aos jornalistas sobre os problemas com o governo de Luís Montenegro. O Presidente da República, que promulgou esta sexta-feira quatro decretos do Parlamento, entre eles a Prestação Social Única. Além da PSU, António José Seguro deu ainda luz verde a dois outros diplomas da área da Justiça e aproveitou para vincar que é urgente uma reforma deste setor. Numa nota publicada no site da Presidência da República, Seguro considera que o combate à corrupção, à criminalidade organizada e à celeridade da Justiça devem ser prioridades. O presidente alerta ainda que uma justiça lenta compromete a confiança dos cidadãos nas instituições e defende que as reformas devem ir mais além. António José Seguro pede ainda estabilidade legislativa para evitar alterações sucessivas e avulsas e defende que todos os agentes da Justiça devem ser envolvidos, ouvidos e respeitados nos processos de reforma. Notícia de fecho deste jornal da 01:00 a.m. A informação está de regresso à 13:30.