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As notícias com António José Soares.
Boa noite. O primeiro-ministro pede uma mentalidade a Cristiano Ronaldo e aposta num ciclo político sem eleições. Na mensagem de Natal transmitida esta noite na RTP, Luís Montenegro não esconde as medalhas do reconhecimento internacional, como a da revista The Economist, e pede ambição ao país. Miguel Viterbo Dias.
Luís Montenegro aposta na estabilidade política e pede ao país que contribua para um ciclo mais alargado, sem eleições no horizonte.
Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante. O mais importante é o interesse do país, que se reflete, depois, no interesse de cada cidadão. Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português, um futuro mais próspero.
E, por isso, o primeiro-ministro coloca a fasquia elevada e, repetindo a mensagem de que Portugal tem que sonhar alto, encontra um exemplo.
A mentalidade de não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje. A mentalidade de não só fazermos diferente, mas de fazermos a diferença. A mentalidade de trabalharmos e desenvolvermos o nosso talento. A mentalidade Cristiano Ronaldo. Os portugueses têm talento.
Com um ano exigente pela frente, no que toca à economia, Luís Montenegro puxa dos galões das distinções internacionais.
Portugal é hoje uma referência a nível europeu e mundial. Os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia. O ano passado fomos mesmo o país da OCDE em que os trabalhadores mais viram crescer o seu rendimento. Isto mostra que a distinção que recebemos da revista The Economist, de sermos a economia do ano em 2025, não é um prémio teórico. A solidez económica que estamos a construir assenta num modelo de salários mais altos e impostos mais baixos.
E não deixa de frisar a importância de uma mudança no código laboral.
Precisamos de ser mais eficientes e mais produtivos para atingirmos novos patamares de crescimento que tragam também novos patamares de rendimento e novas ambições salariais, como resultado de uma agenda transformadora, que com a sua visão estratégica e estruturante, nos permitirá sermos mais produtivos e eficientes.
O chefe do Governo, na mensagem de Natal, a vincar a intenção de avançar com reformas no país.
O jornalista Miguel Viterbo Dias, com os destaques da mensagem de Natal do primeiro-ministro. E nas reações ao discurso do chefe do Governo, o vice-presidente do PSD, Carlos Coelho, diz que a mensagem de Luís Montenegro é focada no futuro.
Uma declaração com sensibilidade social e com otimismo e expressão no futuro. O primeiro-ministro não se esqueceu daqueles que estão em situação de maior fragilidade, designadamente os mais idosos, aqueles que vivem em situações de pobreza ou que têm problemas de saúde, e mesmo aqueles que sofrem a violência doméstica, que é um problema real que temos em Portugal. Também não se esqueceu daqueles que estão confrontados com cenários de guerra em África, no Médio Oriente e na Ucrânia. Mas, sobretudo, foi uma mensagem de confiança no futuro, uma confiança alicerçada nos dados que nós temos de 2025.
Já o coordenador do Bloco de Esquerda critica a mensagem de Natal do primeiro-ministro. José Manuel Pureza espera que o Governo desista do pacote laboral e diz que Montenegro fala de um país que não existe.
Não fez uma mensagem sobre o país que existe, ou seja, ele, na verdade, quis centrar a sua mensagem sobre o trabalho, mas esqueceu-se de uma pequena coisinha, que foi de falar daquilo que quer fazer às pessoas que trabalham através do pacote laboral. Aliás, uma mensagem centrada sobre o trabalho que não fala do pacote laboral mostra a fraqueza do pacote laboral. E por isso nós temos hoje uma boa notícia no ano 2025, foi a melhor notícia do ano de 2025, foi a mobilização de tanta gente contra esta tentativa de agressão ao mundo do trabalho e esperamos que a melhor notícia de 2026 ou do início de 2026 seja a desistência por parte do Governo desta proposta.
O PCP também reagiu. Margarida Botelho não concorda com a falta de mentalidade dos portugueses, descrita por Luís Montenegro.
Acho que o senhor primeiro-ministro pode achar que é um problema de mentalidade, mas é um problema de realidade. As pessoas não têm falta de mentalidade, têm falta de dinheiro, até para chegar ao fim do mês. Não têm falta de vontade de arranjar uma casa, têm é falta de salário que a possa pagar e de casas a preços justos. Não têm falta de mentalidade para ter médico de família. Precisam é ter médico de família. Portanto, eu diria que quem vive em Portugal, quem trabalha em Portugal, que os portugueses têm até uma mentalidade bastante resistente.
Já a líder da Iniciativa Liberal concorda com a visão de mentalidade de Montenegro. Diz que Portugal precisa de parar de ser um país de mínimos para passar a ser um país de máximos. No entanto, Mariana Leitão diz que o primeiro-ministro não conhece a realidade do país.
Este país das maravilhas que Luís Montenegro nos tenta vender é um país, ou são palavras que estão muito distantes de uma realidade à qual os portugueses, infelizmente, têm de viver dia após dia, ano após ano. Precisamos de deixar de ser um país de mínimos para passarmos a ser um país de máximos.
A reação do Partido Socialista chegou pela voz de Inês Medeiros. Diz que o primeiro-ministro não foi eleito para fazer discursos motivacionais.
O senhor primeiro-ministro agora decidiu ser uma espécie de mentor de autoajuda com discursos motivacionais. Ora, não foi para isso que ele foi eleito. Não basta proclamar grandes chavões de motivação, importa saber criar riqueza, importa saber decidir e, sobretudo, importa ser claro naquilo que se pretende para esta família portuguesa, que é o nosso país.
Já do lado do CDS, a vice-presidente do partido, Catarina Araújo, diz que a mensagem de Natal do primeiro-ministro é um compromisso do Governo em melhorar a vida das pessoas.
Esta é uma mensagem que, acima de tudo, nos fala e olha para o futuro. Uma mensagem de esperança, de confiança e determinação. Uma mensagem de um governo que quer continuar a trabalhar para continuar a transformar o país, a melhorar de forma concreta a vida das pessoas.
Quanto à líder do PAN, Inês de Sousa Real, acusa o primeiro-ministro de estar desfasado da realidade e diz que o treinador tem de estar dentro do campo e não fora dele.
Falar em reformas e não colocar em cima da mesa aquilo que é não só a sua perspectiva ou responsabilidade por parte do Estado, é de facto estar a colocar apenas o ônus nas pessoas e não ter a consciência de que o treinador tem que estar presente em campo e não fora de jogo. E por isso mesmo, Luís Montenegro pinta-nos aqui um retrato, em termos de discurso, que é um retrato completamente, mais uma vez, desfasado da realidade do país.
Por fim, a reação do LIVRE, que aproveita para voltar a criticar o pacote laboral do governo. Paulo Muacho diz ainda que o primeiro-ministro não vive no país real.
O senhor primeiro-ministro parece que vive num país diferente daquele que os portugueses vivem todos os dias. O senhor primeiro-ministro também quer recusar a mentalidade do deixar andar, o que é uma boa ideia, mas também temos que recusar a mentalidade do andar para trás, porque aquilo que o governo quer fazer com o pacote laboral que apresentou, e que desta mensagem também transparece que quer insistir nesse pacote laboral, é voltar atrás, é nós termos uma política laboral e de direitos dos trabalhadores que está presa no século XX.
As reações partidárias à mensagem de Natal do primeiro-ministro são registros captados pela RTP. A Polícia Judiciária deteve esta quinta-feira em Lisboa um jovem alemão suspeito de um triplo homicídio na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, na passada terça-feira. A PJ explica que a detenção foi feita ao abrigo de um mandado europeu. O jovem terá viajado para Lisboa após um crime que vitimou o pai, a mulher e a enteada. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia recomendou esta quinta-feira aos cidadãos russos que evitem viajar para a Alemanha. A porta-voz disse que a recomendação se deve àquilo que Moscovo considera ser a violação constante dos direitos dos russos em território alemão. A tensão entre os dois países aumentou depois de Berlim ter convocado o embaixador russo por causa de um ciberataque e de uma campanha de desinformação atribuídos a Moscovo. No desporto, Rúben Amorim admite que Bruno Fernandes é insubstituível no Manchester United e lamenta a ausência do capitão durante o próximo mês. Bruno Fernandes saiu lesionado do jogo com o Aston Villa, sofreu uma lesão na coxa direita e pode ficar fora dos relvados cerca de quatro semanas. O treinador dos Red Devils lembra que o médio não é apenas fundamental na criação de oportunidades, mas também decisivo nas bolas paradas. Fica por aqui este bloco de notícias da Rádio Observador. A informação está de regresso com a de síntese, quando for meia-noite e meia, já com edição do jornalista João Costa Campos. Eu despeço-me por aqui. Tenha a continuação de uma excelente noite na companhia da Rádio Observador. Boa noite.