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As notícias com Beatriz Félix. Boa noite, vamos às notícias na Rádio Observador. Pedro Passos Coelho não exclui a possibilidade de voltar à vida política, caso o PSD não seja bem-sucedido. O antigo primeiro-ministro esteve esta noite numa entrevista na SIC Notícias, a primeira desde que deixou o governo. Pedro Passos Coelho diz que reconhece que tem o dever e a responsabilidade de intervir no debate público e admite que ponderaria o regresso à política ativa se achasse que poderia acrescentar algo de positivo ao país.
Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, isso teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório face àquilo que o país precisa e de eu achar que eu o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei uma iniciativa, se for caso disso. Não é uma coisa confortável para alguém que já foi primeiro-ministro e que está muito fora da atividade partidária. Não é uma ideia muito confortável a ideia de regressar.
Declarações de Pedro Passos Coelho, que julga que saberia o que fazer se fosse hoje primeiro-ministro. Nesta entrevista à SIC Notícias, o antigo governante afirma também que o PSD tinha a obrigação de explorar a possibilidade de uma aliança com o Chega.
Eu acho que o PSD tinha a obrigação de explorar essa possibilidade. Não estou a dizer que seria uma possibilidade fácil, porque talvez não fosse fácil um entendimento parlamentar entre o PSD e o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal. Não vou dizer que fosse fácil, mas era importante tentá-lo.
Era uma coisa que faria, doutor Passos Coelho?
Era importante tentá-lo. Repare, a gente sabe que os governos, para poderem transformar alguma coisa de importante, precisam de apoio. Precisam de apoio no país, dos eleitores, e precisam de apoio-
No Parlamento.
No Parlamento, evidentemente. É muito difícil mudar as coisas sem ter estabilidade e sem ter força política.
Pedro Passos Coelho critica ainda a ideia de bloco central e elogia André Ventura, relativizando algumas propostas populistas do Chega. Questionado sobre as reformas políticas que faria, o antigo primeiro-ministro garante que o Estado não tem autoridade para alterar o Sistema Nacional de Saúde.
Eu acho que o Estado já não tem autoridade, se quiser, gestionária. São os próprios profissionais que já não acreditam nisso. É preciso fazer alguma coisa para inverter isto. Se nós queremos que as pessoas possam ter, de facto, acesso a cuidados de saúde de qualidade e que exista uma garantia pública de que isso possa acontecer, muita coisa vai ter de mudar na saúde. E eu não vejo nada a mudar. Não vi nada a mudar durante os nove anos do Partido Socialista no governo, pelo contrário, vi a degradação da política pública, e não vejo nada ao cabo de dois anos de essencial, de estruturante, de diferente, para mudar o que se está a passar na saúde.
É o que diz Pedro Passos Coelho nesta entrevista à SIC Notícias, que ao longo da entrevista não negou a ligação emocional ao PSD, mas admitiu que o governo se meteu numa armadilha política muito grave. E seguimos agora com uma notícia Observador. Olhamos para o caso BES. A defesa dos arguidos suíços queria ouvir 358 testemunhas que fariam com que o julgamento se arrastasse durante mais de um ano, mas o tribunal recusou. O Ministério Público prescindiu dessas 358 inquirições e apenas 15 testemunhas poderão vir a ser ouvidas. Ao que o Observador apurou, esta decisão gerou uma tensão entre a juíza presidente Helena Suzano e a defesa dos arguidos suíços, Étienne Alexandre Cadoche, Michel Chreton e a sociedade Eurofin. Em causa está também a decisão do tribunal de começar a ouvir as testemunhas da defesa antes de terminar a prova de acusação. Os advogados dos arguidos suíços consideram que esta decisão viola o princípio do contraditório e as garantias de defesa dos arguidos. Mas a juíza rejeitou esses argumentos e alertou que pode aplicar multas aos arguidos, se considerar que estão a usar manobras para atrasar o processo. O julgamento deverá terminar as sessões até julho do próximo ano. Este é também um artigo assinado pelo jornalista João Paulo Gudinho e pelo redator principal do Observador, Luís Rosa, e que pode ler com mais detalhe em observador.pt. E o Morpi exige explicações à Caixa Geral de Aposentações e à Provedoria de Justiça, devido ao erro no cálculo de quase 3 mil pensões atribuídas entre maio e agosto. A Confederação de Reformados defende que a CGA deve assumir a responsabilidade e consequências do engano sem penalizar os pensionistas. Em causa, estão cortes que variam entre os R$ 90 e os R$ 200 mensais, com a administração a conceder 10 dias para a resposta com audiência prévia. A CGA recusa ter feito uma reinterpretação da lei, fala num erro de parametrização. Diz também que vai dar este mês início às notificações com os valores a devolver. Os pensionistas afetados vão poder optar por três modalidades: o pagamento voluntário, o reembolso em prestações até dezembro de 2027, um desconto mensal na pensão que não ultrapasse os 30%. E passamos nesta edição à atualidade internacional. Falamos do Irã, que afirma que os Estados Unidos aceitaram algumas condições para acabar com o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta para interromper as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz. Donald Trump Rejeitou publicamente essa proposta por considerá-la inaceitável, mas hoje o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão garante que Washington aceitou alguns dos pontos, embora não todos. A agência de notícias espanhola EFE cita o secretário do Conselho, que diz que falta clarificar questões que continuam pouco claras. Este foi um anúncio que surgiu numa altura em que têm sido registados quase todos os dias ataques a petroleiros em Ormuz. E Volodymyr Zelensky diz que não conhece o cessar-fogo energético entre a Ucrânia e a Rússia, anunciado hoje por Donald Trump. Ainda assim, o presidente ucraniano afirma estar disponível para aceitar a trégua. Na rede social Truth Social, Donald Trump anunciou um cessar-fogo energético com caráter imediato. O presidente norte-americano disse também que a trégua resulta de um acordo entre as duas partes envolvidas no conflito. No entanto, o presidente ucraniano diz desconhecer estas notícias, mas ainda assim assegura que Kiev está sempre disponível para passos de desescalada do conflito, dizendo estar agora a aguardar por mais detalhes do lado norte-americano. Recorde-se que nos últimos dias Donald Trump tem criticado os ataques da Ucrânia às refinarias de petróleo russo, acusando Kiev de ser responsável pela subida do preço do gasóleo e também já ameaçou com o bloqueio ao fornecimento de armas à Ucrânia por causa destes ataques às refinarias russas. E na análise, António José Telos, antigo diretor do Instituto de Defesa Nacional, afirma que os mais recentes passos de Donald Trump no que toca aos combustíveis podem estar relacionados com as eleições intercalares de novembro. Quanto ao facto de Zelensky dizer desconhecer o cessar-fogo, António José Telos explica que o presidente norte-americano costuma antecipar anúncios de acordos antes de os explicar aos outros líderes para atingir objetivos políticos. Os historiadores admitem ainda que Donald Trump está a tomar decisões que permitam baixar o preço dos combustíveis antes das eleições marcadas para novembro.
Agora estamos na reta final para as eleições e para ele é importante mostrar que existe já um alívio em termos de preços. E nisso o diesel, o gasóleo, é importante, em particular para os Estados Unidos, que é onde tem mais dificuldades em termos de produção de refinarias próprias. Portanto, sim, este é um dos grandes objetivos de Trump, estas eleições intermédias que irá haver dentro de menos de um mês e que estas vantagens de última hora podem se traduzir em ganhos eleitorais significativos.
O antigo diretor do Instituto de Defesa Nacional considera ainda que a disponibilidade de Volodymyr Zelensky para convocar eleições funciona como um passo intermédio para tentar alcançar um entendimento. Isto num momento em que Kiev recusa as imposições russas na entrega do Donbass ou de desmilitarização.
Estes acordos continuam e esta questão das eleições é uma maneira de tentar encontrar um entendimento entre as partes, pelo menos por um passo intermédio. Sobretudo, se isto vier acompanhado por um cessar-fogo energético. O cessar-fogo energético é particularmente importante para a Ucrânia, agora que se aproxima o inverno, se, obviamente, o cessar-fogo energético, se aplicar o conceito da Ucrânia sobre o que isso é.
É a análise de António José Telos, feita na antena da Rádio Observador. E fechamos este jornal, edição da meia-noite. No desporto, o Benfica recuperou da derrota no clássico do Dragão e venceu o Vitória por 2 x 0 no Estádio da Luz. Os encarnados regressaram ao campeonato e a ganhar em casa, num jogo a contar para a oitava jornada da Liga Portugal, depois da pausa para as seleções. Aos 24 minutos, Samuel Dalot inaugurou o marcador pelo Benfica. O Vitória recolheu aos balneários sem gols marcados e assim continuou até o final do jogo, porque na segunda parte marcou novamente o Benfica, foi Sudakov aos 75 minutos. No final da partida, Marco Silva, o treinador das Águias, destaca a boa prestação da equipa, dá especial destaque ao gol de Sudakov, um dos internacionais que esteve afastado durante várias semanas.
Parabéns pra ele, parabéns pra equipa, porque três pontos importantes. Voltar a jogar em casa após não muitos jogos, mas após muitas semanas sem estar aqui com os nossos adeptos, agradecer aos nossos adeptos, mais de 60 mil novamente na Luz com a equipa. Em muitos momentos, principalmente na segunda parte, não conseguimos controlar tão bem com bola como normalmente gostamos de o fazer, mas a realidade é que praticamente não demos uma oportunidade de gol adversário. Há um cruzamento, sim, na segunda parte, já na fase terminal, em que há um cruzamento e a bola acaba por bater no poste. De resto, o Vitória não tem uma única oportunidade de gol. Mesmo nós não conseguindo controlar tão bem o jogo com bola como normalmente o fazemos e queremos, mas não demos praticamente uma oportunidade de gol ao Vitória. Importante ganharmos, muito importante ganharmos sem sofrer gols e mais três pontos pra nós.
Marco Silva, aqui em registros captados pela BTV. Já Tiago Margarido, ao comando técnico do Vitória, fala num jogo que já se esperava ser difícil perante um forte ataque da equipa da casa.
O Benfica teve uma entrada fortíssima, algo que nós já estávamos à espera. Vieram de um resultado menos bom, então esperávamos uma entrada muito forte. A verdade é que surpreenderam-nos na questão do jogo interior que exploraram, muitas dinâmicas de sair o homem e fundamentalmente a bola no pré-estio é deixada frente pro Palhinha, a bola pro Pavlidis também conseguia deixar de frente. Isso foi nos criando algumas dificuldades e penso que nós demoramos a encontrar-nos no jogo. Penso que os primeiros 20 minutos, os primeiros 25 minutos até o gol do Benfica, o domínio foi óbvio. Depois disso, fomos crescendo, fomos conseguindo ter mais bola num ou noutro momento. A equipa foi ganhando confiança.
O treinador do Vitória, Tiago Margarido, em declarações à BTV. Com esta vitória, o Benfica soma 19 pontos, ocupa o segundo lugar da tabela e continua na perseguição ao Futebol Clube do Porto, que é líder atual do campeonato com 24 pontos. E é com esta notícia que fechamos este jornal, edição da meia-noite, neste domingo, na Rádio Observador. A informação está de volta à antena à meia-noite e meia, já com edição da jornalista Maria Miguel Marques, ela que vai ficar a cargo desta madrugada informativa na Rádio Observador. Da minha parte é tudo. Desejo-lhe uma ótima semana. Até lá, já sabe, fique sempre na companhia da Rádio Observador.