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Observador, são 10 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Foi em plena pré-campanha eleitoral. O bastonário da Ordem dos Médicos acusa a classe política de ter tomado más decisões nos últimos 20 anos no que toca ao SNS e acusa os partidos de pensarem mais em promessas do que em reformar o serviço público de saúde. São os destaques do Explicador desta manhã. O convidado foi Carlos Cortes. Hoje, Dia Mundial da Saúde, o bastonário da Ordem dos Médicos considera ainda que as últimas medidas apresentadas pelo governo para a saúde tiveram efeitos praticamente nulos. Diz também que, em termos eleitorais, prefere focar-se na concretização das medidas do que em discursos políticos.

Aquilo que é dito hoje é aquilo que tem sido dito sistematicamente todos os anos, é aquilo que é dito sempre que há campanhas eleitorais. Nós agora, tenho a certeza, vamos ver soluções milagrosas nos vários programas eleitorais, mas eu já tenho este hábito de não me fiar muito naquilo que é dito. Obviamente que aquilo que é dito é importante ou deveria ser importante, mas foco-me mais, neste momento, na concretização. Houve algumas alterações, temos que o reconhecer, a construção ou constituição das unidades locais de saúde no início do ano passado. Há agora um plano estratégico e de transformação da saúde, mas os seus efeitos sobre a saúde das pessoas é praticamente nulo.

O bastonário da Ordem dos Médicos dá ainda exemplos de políticas às quais o próximo governo deveria atender para transformar o SNS.

Há um conjunto de aspetos que são muito importantes, que nós falamos muito, mas executamos pouco. Tem a ver, por exemplo, com a promoção da saúde, com a prevenção da doença. Há muito a fazer para a prevenção da doença, com questões de literacia, e estas iniciativas só têm um impacto concreto a cinco ou 10 anos. Ora, um político não quer apostar a cinco ou 10 anos, quer apostar no dia seguinte ou na semana seguinte. E isso não se comparece, obviamente, com a transformação do SNS.

O bastonário da Ordem dos Médicos, convidado do Explicador desta manhã, numa altura em que estamos já em pré-campanha eleitoral. A saúde está no topo das prioridades dos portugueses, isto de acordo com os mais recentes estudos de opinião. Carlos Cortes deixa um aviso aos partidos: quem pensa que vai resolver os problemas do SNS num ano, ou está enganado, ou está a mentir. Ainda na saúde, Luís Montenegro afirma que o governo continua empenhado em recompensar justamente todos os profissionais, mas reconhece que ainda há muito a fazer. É uma mensagem deixada pelo primeiro-ministro no Dia Mundial da Saúde. Montenegro refere que Portugal perdeu muito tempo com ideologias que aumentaram tempos de espera e afastaram as pessoas dos cuidados que precisam. O primeiro-ministro afirma que o governo trabalhou para dar estabilidade aos profissionais de saúde e garantir o aproveitamento de toda a capacidade instalada. Luís Montenegro diz ainda que o Executivo está também consciente da necessidade de melhorar espaços de trabalho e renovar tecnologias, promovendo junto dos portugueses uma vida mais saudável. Um carro despistou-se esta manhã na Marginal de Caxias e caiu ao rio Tejo. Não se sabe se há vítimas. Foi acionada uma equipa de mergulhadores. O alerta foi dado às 7h30. Não se sabe quantas pessoas seguiam no carro. Até agora foi recuperada uma mochila com a identificação de um homem de 31 anos, presume-se que seja o condutor. O carro despistou-se na chamada Curva do Mónaco, na Marginal de Caxias. O carro está submerso. Uma equipa de mergulhadores está no local e é lá que está também a repórter do Observador, Maria João Brás. Agora em direto, Maria João, há várias equipas aí no local.

Bom dia, há várias equipas, equipas dos bombeiros, da PSP e também da Polícia Marítima. O aparato aqui na Marginal de Caxias é alguma, uma vez que foi fechada uma via. Esta estrada tem duas vias, uma destas foi fechada precisamente para acautelar o perímetro de segurança. Estão carros dos bombeiros, carro da polícia e ainda, como dizias, um bote da Polícia Marítima, que já está a fazer as buscas aqui no perímetro de onde ocorreu este despiste aqui no rio Tejo. Ainda não há confirmação de nenhuma vítima, mas o mais certo é que haja registo, pelo menos, uma vítima. Isto porque ainda não foi resgatado o condutor que esta manhã se despistou aqui na Marginal de Caxias, na chamada Curva do Mónaco. Trata-se de um homem de 31 anos que, como dizias, foi recuperada uma mochila com a identificação deste homem e ainda algum material multimídia, algumas câmeras. Não se sabe exatamente qual é que seria a ocupação deste homem. O alerta foi dado perto das 7h30. Aqui no local estão, como eu dizia, os bombeiros, a PSP e a Polícia Marítima, e estão já a proceder-se às buscas. O carro está submerso e, portanto, não há qualquer vestígio deste despiste. Pelo menos não se consegue perceber a olho nu que terá aqui acontecido um acidente. Mas o que é facto é que a Polícia Marítima está à procura desta potencial vítima. Estamos a falar de uma vítima, não sabemos se este homem estava acompanhado de mais pessoas.

Há muitas dúvidas ainda, Maria João Brás, que está na Marginal de Caxias. Estamos a falar do Conselho de Oeiras, onde um carro se despistou esta manhã, caiu ao rio Tejo. Há várias equipas no local. Esta notícia foi inicialmente avançada pelo Correio da Manhã, confirmada também pelo Observador, junto de fonte oficial da Proteção Civil. Está marcado para esta hora um protesto de um grupo de imigrantes na AIMA, em Lisboa. Estes cidadãos, a maioria asiáticos, queixam-se de discriminação e falta de respostas por parte da agência. A iniciativa conta com o apoio da maior associação de imigrantes do país, chamada Solidariedade Imigrante. Junto à AIMA está o repórter João Lourenço. João, bom dia. Que mensagem é que estas pessoas, estes imigrantes, querem deixar ao Estado português?

Bom dia, Carla. São mensagens de respeito, pedem também respostas à AIMA e, acima de tudo, também têm direitos e são cidadãos. Tenho comigo o dirigente da associação que organizou esta manifestação, da Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo. Muito bom dia, Timóteo. Para além das mensagens de respeito e de respostas que estas pessoas pedem à AIMA, também reclamam perseguições por parte de grupos de extrema-direita.

Sim, nós queremos que haja políticas públicas decentes da imigração. Queremos que este governo ponha esta AIMA, que está aqui ao nosso lado, aqui à frente, ponha a AIMA a funcionar de uma forma clara e eficaz. Queremos que esta AIMA tenha trabalhadores não precários. Isto não deve ser uma contratação de serviços. Deve ter trabalhadores efetivos, motivados para resolver o problema dos imigrantes. Esta AIMA deve ter todas as condições para funcionar bem, nomeadamente equipamentos modernos, capazes, e não conforme está. Portanto, este governo tem que ter outro olhar para as questões da imigração. Não deve olhar para os imigrantes como pessoas descartáveis. É aquilo que eles estão a prometer: a expulsão e a exportação dos imigrantes, criação de prisões. Nós condenamos há muito tempo e vamos continuar a condenar isto. Isto é um processo de luta que nós estamos a fazer com os imigrantes, com eles, e não para eles. Isto é a cidadania ativa. As pessoas estão exigindo direitos, estão exigindo respeito por quem trabalha, por quem ajuda a construir este país. E Portugal vai precisar de milhares de imigrantes para resolver os seus problemas, nomeadamente o PRR e outras situações, outras necessidades que existem em Portugal. Portugal não pode fechar os olhos a isto. Os portugueses, todos os portugueses, têm familiares que já foram imigrantes, que estiveram lá fora, não gostariam que aconteça a eles o que estão a prometer fazer com estes, a exportá-los, a expulsá-los, tratá-los como descartáveis. Não pode ser.

Timóteo tem sido muito crítico deste acordo do Estado português com os patrões, a chamada Via Verde. O que lhe perguntava é por que acha que não vai funcionar?

Não vai funcionar porque isto já existiu no passado. Eu acho que a mentalidade neocolonial está a regressar.

Uma manifestação que continua a decorrer aqui junto à agência de imigração e asilo. São mais de 200 pessoas que marcam agora presença aqui nas ruas de Lisboa a pedirem esse respeito ao governo português.

E esse protesto é bem audível, a reportagem direto do João Lourenço. De recordar que na semana passada o governo assinou um protocolo com novas regras para as empresas contratarem trabalhadores imigrantes. Também adotou medidas que pretendem facilitar a deportação de estrangeiros em situação irregular no país. Os mercados europeus começam a semana com uma queda por causa das tarifas de Donald Trump. A Bolsa de Lisboa abriu a cair mais de 5%. Os mercados internacionais voltam assim a registrar fortes quedas esta segunda-feira. É o terceiro dia consecutivo de descidas acentuadas. As bolsas europeias abriram no vermelho, depois das asiáticas terem também caído a pique na abertura desta manhã. Tudo isto depois do colapso de sexta-feira em Wall Street, na sequência das tarifas de Donald Trump. Destaque para a Bolsa de Lisboa, abriu em forte queda, com o índice a descer 5,26%. As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt também registaram quedas entre os 4% e os 9%. Valores semelhantes foram registrados esta manhã nas bolsas de Madrid e Milão. O economista e especialista em mercados financeiros, Filipe Garcia, explica que os mercados estão assustados e desiludidos. As expressões são utilizadas pelo economista ouvido aqui na Rádio Observador. Filipe Garcia explica que as bolsas estão a ter uma reação natural às tarifas de Trump.

Neste momento, os mercados estão, de facto, assustados e, sobretudo, estão desiludidos, na minha opinião, com a ausência de discurso ou medidas conciliatórias durante o fim de semana. Ou seja, o encerramento na sexta-feira já tinha sido bastante mau, mas havia a perspectiva de que durante o fim de semana, se fosse através de discursos políticos ou através mesmo de mensagens por parte dos bancos centrais, houvesse algo a que os mercados pudessem se agarrar para se acalmarem um pouco. Não foi nada isso que aconteceu.

A análise de Filipe Garcia, economista, especialista em mercados financeiros. Donald Trump não parece preocupado, compara mesmo as tarifas a um medicamento para curar a economia norte-americana. O presidente norte-americano afirma que as tarifas estão a ter o efeito esperado, avisa que vão continuar. Os mercados apresentam também nervosismo depois do anúncio de retaliação por parte da China, sendo que Pequim acusa, entretanto, a administração Trump de estar a aplicar medidas de bullying protecionista e avisa os Estados Unidos de que as ameaças e as pressões não são a melhor maneira de lidar com a China. São 10h12, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora. A GNR começa hoje uma operação de fiscalização rodoviária. Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana explica que este tipo de operações tem como objetivo criar um ambiente rodoviário mais seguro e fazer com que os condutores adotem comportamentos mais prudentes. A GNR lembra que o excesso de velocidade continua a ser uma das principais causas de morte nas estradas europeias. No Médio Oriente, pelo menos 17 pessoas morreram nas últimas horas, em novos ataques do exército de Israel na faixa de Gaza. Há um jornalista entre as vítimas mortais, outras nove pessoas ficaram feridas, e isto no dia em que Benjamin Netanyahu está de visita aos Estados Unidos. O primeiro-ministro israelita vai ser recebido na Casa Branca por Donald Trump. O Benfica goleou o Futebol Clube do Porto, no Estádio do Dragão, por 4x1. Com este resultado, os reencarnados são líderes à condição, sendo que o Sporting joga logo à noite em Alvalade com o Braga. Depois desta goleada, André Villas-Boas decidiu castigar a equipa. Os jogadores não foram pra casa, ao contrário do que é habitual, mas sim para um novo estágio. Em Inglaterra, foi finalmente capturado um falcão que estava a aterrorizar os habitantes de uma pequena vila. Mas aterrorizar como assim, Carla? Porque era agressivo, confundia as pessoas com presas, fez mais de 50 ataques. Esqueçam o Hitchcock. Alguns moradores ficaram feridos, não se sabe de onde veio este falcão, mas encontrou lar nesta pequena vila inglesa. E como é que foi apanhado? Foi capturado por um morador, não foram as autoridades, com uma rede, e agora está aos cuidados de um especialista destas aves. Ele explica que o falcão era um jovem macho e que estava na idade. Era o João Pedro.