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Francisco. São 10 da manhã, estamos em emissão especial aqui na sua Rádio Observador. Morreu o Papa Francisco. Esta segunda-feira, aos 88 anos, na Casa de Santa Marta, coube ao Camerlengo da Santa Romana Igreja, o cardeal Kevin Joseph Farrell, fazer o anúncio da morte.

"Carissimi fratelli e sorelle, con profondo dolore devo annunciare la morte del nostro Santo Padre Francesco."

Em comunicado, o Vaticano afirma que Francisco dedicou toda a vida ao serviço do Senhor e da Igreja. Recordar que o Papa esteve recentemente internado durante cinco semanas num hospital em Roma, devido a um caso de pneumonia bilateral e outros problemas respiratórios. O jornalista do Observador, especialista em religião, João Francisco Gomes, explica a mudança que ter um papa vindo da América Latina trouxe para a Igreja Católica.

O simples fato de o Papa Francisco ter sido o primeiro papa não europeu em quase 1300 anos e, ao mesmo tempo, o primeiro papa de sempre oriundo do continente americano, parece-me já refletir uma transformação da própria Igreja, na medida em que rompeu com séculos de papas italianos e depois dos italianos, papas europeus. Ou seja, a eleição de um papa da América Latina parece-me traduzir uma transformação da própria identidade da Igreja Católica, que no mundo em que vivemos, está claramente em declínio na Europa, claramente em crescimento na América Latina, na Ásia e na África. A igreja do século XXI, de certa maneira, já é cada vez mais outra, já não é aquela igreja das catedrais europeias, etc. E, portanto, a eleição do Papa Francisco, de certa maneira, foi um reflexo disso mesmo.

Análise feita aqui na última hora pelo jornalista do Observador, João Francisco Gomes, e Rui Casa Nova, vão surgindo reações de toda a comunidade internacional.

Surgem a cada minuto que passa. Começamos com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que reagiu há pouco à morte do Papa Francisco, numa publicação na rede social X. A líder do Executivo comunitário afirma que o líder da Igreja Católica inspirou, ao longo da vida, milhões de pessoas, muito para lá da Igreja Católica. Ursula von der Leyen destaca a humildade e o amor tão puros pelos mais desfavorecidos. É o que escreve Ursula von der Leyen. Afirma que neste momento, os pensamentos de Ursula von der Leyen estão com todos os que sentem esta profunda perda. Destaque também para a reação de Emmanuel Macron. O presidente francês afirma que Francisco sempre esteve ao lado dos mais vulneráveis e sempre com muita humildade. Emmanuel Macron, em declarações aos jornalistas há instantes, destaca que sobretudo neste tempo de guerra e brutalidade, Francisco preocupou-se com o próximo. Destaque também para a reação de António Costa, presidente do Conselho Europeu. Reagiu há instantes à morte do Papa Francisco, também numa publicação na rede social X. "Profundamente compassivo, preocupava-se com os grandes desafios globais do nosso tempo", é o que escreve António Costa. Desafios como a imigração, as alterações climáticas, desigualdade e paz, mas também com as lutas diárias das pessoas comuns. António Costa destaca ainda a mensagem deixada pelo Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude de 2023, em Lisboa. António Costa lembra que o líder da Igreja Católica propôs, na altura, três ações concretas: o cancelamento da dívida externa, a abolição da pena de morte e a criação de um fundo global para a eliminação permanente da fome. Escreve António Costa que estas ideias devem continuar a guiar-nos em direção a um futuro de esperança. "Que ele descanse em paz", é assim que termina esta mensagem o antigo primeiro-ministro e atual presidente do Conselho Europeu. Destaque também para a reação do ministro português dos Negócios Estrangeiros. Paulo Rangel partilhou uma fotografia ao lado do Papa Francisco. Escreve Paulo Rangel que neste momento está a rezar pelo líder da Igreja Católica, como pessoa, como cristão, como católico. Afirma Paulo Rangel que deve muito ao Papa, todos devemos. Recorda este encontro com o Papa Francisco, que aconteceu em janeiro. Afirma que Francisco era um profeta de todos os tempos. Destaque também para a reação de Pedro Nuno Santos, o líder do PS. Escreve também na rede social X que foi com profunda consternação que recebeu a notícia da morte do líder da Igreja Católica, e afirma que a liderança espiritual do Papa transcendeu fronteiras ao longo dos últimos anos. A terminar, a reação de Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que partilha uma fotografia com o Papa Francisco, também por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Afirma que tornou-se o Papa que vai ficar para sempre no coração de Lisboa. São assim várias as reações que vão surgindo, um pouco por todo o mundo, à morte do líder da Igreja Católica. O Papa Francisco morreu esta manhã, aos 88 anos.

Ficam aqui registadas, Rui Casa Nova, algumas das muitas reações que estão a surgir por todo o mundo à notícia conhecida esta manhã da morte de Francisco. Os próximos nove dias vão ser dedicados às cerimônias fúnebres que vão decorrer no Vaticano. Vai seguir-se depois o processo de escolha do próximo Papa. Maria Miguel Duarte.

À porta fechada, em isolamento. É neste clima que acontece o conclave em que é escolhido o novo papa. O conclave só pode ter início 15 dias depois do papa morrer ou renunciar. No entanto, se nem todos os cardeais com direito a voto estiverem em Roma, pode-se esperar até ao 20º dia, mas justamente ao dia número 20, o conclave deve começar obrigatoriamente, quer estejam presentes ou não todos os cardeais eleitores. No primeiro dia, os cardeais reúnem-se na Capela Sistina, no Vaticano, à porta fechada. As chaves da sala são retiradas das portas e guardadas e o isolamento é verificado pelo Camerlengo É numa discussão secreta que os cardeais apontam os potenciais candidatos e Portugal tem quatro cardeais que podem votar na escolha do sucessor de Francisco: Manuel Clemente, António Marto, Tolentino Mendonça e Américo Aguiar. O conclave pode demorar vários dias e até semanas e durante todo o processo é vedado aos cardeais o contacto com o exterior. E por regra, há duas sessões diárias, uma de manhã e outra à tarde. O conclave mais longo da história durou cerca de 34 meses no século XIII. É num boletim de voto que cada cardeal vai escrever o nome do seu eleito. Os votos são depois recolhidos e lidos em voz alta. Os papéis, os votos, são cosidos uns aos outros e depois são queimados num forno. É daí que resulta o fumo que sai da chaminé da Capela Sistina e que diz ao mundo se a Igreja Católica tem ou não um novo papa. Se o fumo negro se tornar branco, quer dizer que foi encontrado um sucessor para Francisco. Se se mantiver negro, haverá nova votação. O processo continua até que um dos candidatos consiga dois terços dos votos. Se ao fim de três dias de votação nenhum dos candidatos conseguir, o processo eleitoral é suspenso por um dia para orações e discussões informais. Quando existe uma conclusão, é perguntado ao cardeal eleito se aceita a nova função e qual o nome pelo qual quer passar a ser designado. No caso de Jorge Mario Bergoglio, foi Francisco, foi o primeiro papa Francisco, numa referência a São Francisco de Assis, o fundador dos franciscanos, conhecidos pelo voto de pobreza. Depois, o nome do novo papa é anunciado pelo decano do Colégio dos Cardeais a partir da varanda da Basílica de São Pedro. E o novo papa oferece a primeira benção apostólica.

Habemus papam.

Um trabalho da jornalista do Observador, Maria Miguel Duarte, no dia em que morreu o Papa Francisco, aos 88 anos. E já a seguir continuamos na análise a este tema no Contracorrente especial.