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As notícias com Carla Jorge Carvalho. A Proteção Civil registou apenas 29 ocorrências relacionadas com a depressão Cláudia esta madrugada. A noite foi mais calma e a manhã é de limpeza e de fazer contas aos estragos nas zonas mais afetadas pelo mau tempo.

No total, a Proteção Civil regista mais de 2200 ocorrências desde a chegada da depressão, sendo que até agora o pior dia foi o de ontem. A última madrugada já foi mais calma, com menos chuva. A Proteção Civil registou apenas 29 ocorrências, nenhuma significativa. É o que dá conta à Rádio Observador, o comandante José Rodrigues.

Um total de 2212 ocorrências, em que teve um empenhamento de 7012 operacionais, apoiados por 2622 meios terrestres. Essencialmente, estamos a falar de inundações e quedas de árvores. Naquilo que concerne a esta madrugada, a última madrugada, entre as 0h do dia 14 até às 7h do dia 14, um total de 29 ocorrências.

É o ponto de situação mais recente feito pela Proteção Civil à Rádio Observador.

Entretanto, no Fundão, a GNR e os bombeiros estão à procura de um homem de 72 anos que está dentro de um carro que ficou atolado ontem à noite junto a uma linha de água.

A informação foi avançada pela SIC, foi já confirmada ao Observador pela GNR de Castelo Branco. De acordo com a Guarda Nacional Republicana, este homem não consegue dizer onde se encontra. Está desorientado, mas não corre perigo, porque se mantém dentro da viatura e está em contacto com as autoridades. As buscas prosseguem porque a área é extensa e os sinais do telemóvel não estão a identificar o local exato onde se encontra este homem.

Como dizíamos, a manhã está a ser de limpeza e de contabilização dos estragos, sendo que a chuva continua a cair, Carla.

E a Nadine Soares continua no Montijo. É uma das zonas mais afetadas pela depressão Cláudia. Nadine, o que é que têm dito os moradores e também os comerciantes?

É, um dia depois da depressão Cláudia, a manhã no Montijo começou a fazer-se as contas aos estragos. A Rua Tenente Valadim, bem aqui no centro do Montijo, foi uma das mais afetadas. Ficou um rio, é a expressão utilizada pelos moradores. No cruzamento desta rua fica um centro de estética, um dos estabelecimentos que registou estragos, e é o que mostra a própria proprietária, Maria Martins, à Rádio Observador.

É que chegámos aqui e tínhamos a loja completamente alagada. Aliás, pode vir? Pode ver. Até pelos seis, não é, que nós temos. Não podemos ir para os gabinetes, está tudo alagado.

São alguns dias sem atender clientes, mas avisa que já está habituada. O chão é baixo e a água entra todos os anos, mas admite-se que foi este ano um dos episódios muito mais críticos, foi um ano mais crítico, um episódio muito mais preocupante, com muita mais água e cenários mais rigorosos, com a proprietária Maria Martins a descrever estradas alagadas em volta do centro de estética e água até à janela. Já num dos cafés centrais, bem junto aqui ao Coreto da República, os funcionários relatavam dificuldades em chegar ao trabalho. André Gonçalves, por exemplo, falou numa situação que nunca mais devia acontecer.

Pronto, eu vim a pé, não moro muito longe daqui, mas ainda é uma certa distância. Eu estava a vir, estava com o chapéu, estava com o casaco e a água pelos joelhos e eu a pensar: como é que eu vou trabalhar assim? Quando chegar lá, eu não tenho mais muda de roupa aqui no trabalho, só trouxe essa. E tive que trabalhar meio dia, depois o meu chefe acabou por mandar-me mais cedo para casa, porque eu estava todo encharcado, não dava para continuar o trabalho. Mas é, são situações que não deveriam acontecer.

Hoje André Gonçalves volta ao trabalho mais tranquilo, mas com a tarefa de limpar o espaço e voltar a organizar tudo, apesar de não ter registado grandes estragos, isto por terem investido numa estrutura mais forte no teto e nos vidros que protegem a esplanada. Hoje, como dizia, é dia de limpeza dos espaços, das ruas, isto numa altura em que já voltou a chover intensamente aqui no Montijo, uma das zonas mais afetadas pelo mau tempo e onde a população se esforça esta manhã para voltar aos poucos à normalidade.

Nadine Soares, com o retrato do Montijo, uma das zonas mais afetadas pela depressão Cláudia nas últimas horas. Voltou a chover nesta altura, sendo que a tempestade se dirige para o sul. Os distritos de Setúbal e de Faro continuam sob aviso laranja até ao meio-dia. Todos os outros distritos do continente mantêm-se sob aviso amarelo.

O ex-diretor-geral da Saúde, Constantino Sakellaridis, alerta para as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde primários. É um dos 30 signatários de um manifesto que pede o regresso dos centros de saúde.

O manifesto é lançado pela Fundação para a Saúde, e assinado também por outros nomes, como o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, Maria de Belém Roseira, antiga ministra da Saúde, ou o investigador Manuel Sorindo Simões. Todos consideram que o conceito de centro de saúde, criado há 50 anos, deixou de existir e exigem que regresse face à atual crise no SNS. Constantino Sakellaridis, professor catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública e ex-diretor-geral da Saúde, é um dos signatários. Diz que os centros de saúde não se podem limitar a mandar e-mails aos utentes a direcioná-los para o SNS24.

Saúde 24 é um bom instrumento. Não deve ser minimizado, nem tem deficiências graves, por vezes. Quer dizer, há tempo de espera insuportáveis, com muita frequência, não só no inverno, também no verão. Portanto, há muito a fazer para melhorar o SNS24, isso não há dúvida, mas não é essa a questão neste momento. A questão é que o meu centro de saúde não pode mandar um e-mail e dizer assim: "Olhe, quando se sentir bem, mal, não venha cá". Não é? Não pode ser.

"Não pode ser", diz Constantino Sakellaridis, à Rádio Observador. Diz também que sente uma perda na proximidade entre os utentes e os centros de saúde, que considera necessária. É também um dos alertas deixados neste manifesto, divulgado hoje pelo Jornal Público e Diário de Notícias. Os 30 signatários ligados ao setor da saúde criticam a centralização do acesso através da linha SNS24

O diretor executivo da CNN Portugal foi alvo de denúncias internas por alegadamente favorecer funcionários com base na orientação sexual. Frederico Roque te Pinto diz que desconhece qualquer processo e garante que se mantém em funções.

As queixas foram apresentadas por vários funcionários da CNN Portugal e deram origem a uma investigação interna. O Observador apurou que quem fez as queixas alega que o diretor executivo escolhe frequentemente homens homossexuais para cargos e tarefas de maior destaque dentro da CNN. Na sequência das denúncias, Frederico Roque te Pinto esteve ontem reunido com a administração da Media Capital. Foram também ouvidos vários funcionários. Ao Observador, o próprio Frederico Roque te Pinto diz que desconhece qualquer processo e garante que se mantém em funções, apesar de admitir que prolongou as férias.

Carla, as queixas foram feitas por funcionários através do canal de denúncias internas da CNN. Importa perceber e explicar como é que funciona este instrumento.

Os canais de denúncia começaram a multiplicar-se ao longo de 2022, tornaram-se depois obrigatórios por lei a partir desse mesmo ano. É uma plataforma para fazer denúncias anônimas relacionadas com vários temas, que vão desde o assédio sexual ao laboral, a questões de ética e saúde. Este ano mesmo foi conhecido o caso do presidente da Galp Energia, que apresentou a demissão depois de ser tornada pública uma denúncia por alegadamente Filipe Silva manter uma relação com uma diretora da empresa que dependia hierarquicamente do CEO da empresa. Ora, neste jornal, junta-se a nós agora em direto a advogada Elsa Veloso, é CEO da DPO Consulting. Bom dia, Elsa Veloso, e obrigada por estar aqui.

Bom dia! Obrigada, eu.

Estamos a falar de uma lei que tem três anos. Como é que tem corrido a aplicação prática? Já é possível fazer um balanço?

É possível fazer um balanço. As empresas estão a valorizar os canais de denúncia, estão a utilizar os canais de denúncia, porque os canais de denúncia, além de correrem de uma lei e serem obrigatórios, são obrigatórios para todas as empresas que têm 50 ou mais trabalhadores, todos têm que ter um canal onde os denunciantes se sintam seguros. Um denunciante que depende hierarquicamente de alguém não se vai sentir seguro se se souber que a sua denúncia é pública, que se sabe quem é que fez essa denúncia. Portanto, neste momento, temos muitas denúncias, quer em entidades públicas, quer entidades privadas. É um meio frequente de as pessoas indicarem temas que estão a acontecer, nomeadamente quando são alvo de situações menos simpáticas por seus empregadores, mas também para denunciarem situações que fazem mal às empresas, como corrupção, desvio de dinheiros e mesmo compras reiteradas aos mesmos fornecedores.

Elsa Veloso, percebemos a importância deste tipo de denúncias e da segurança dos denunciantes, mas como é que ao mesmo tempo se garante o princípio da boa fé dessas denúncias?

Sim, só aceito como denúncia, por isso é que eu faço parte de muitos comitês de éticos e nós, DPO Consulting, fazemos a instalação do canal de denúncia, que é um software à toda a prova, que tem o CIAA, Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade. Além de o canal ter que ser seguro e ter que ter especificações técnicas e organizativas, tem que se fazer o acompanhamento da denúncia. E a denúncia, para ser aceita, tem que estar de boa fé e o denunciante tem que acreditar que no momento em que está a fazer aquela denúncia, aquela denúncia é verdadeira ou tem grandes hipóteses de ser verdadeira e que está ligada à instituição onde ele trabalha.

Certo.

Eu não posso ser André ou outra pessoa qualquer, não importa nomes. Eu não posso ser o récca que entra numa instituição de sério. Eu tenho que ter alguma ligação com aquela instituição e tenho que provar que estou de boa fé.

É claro, sem irmos em concreto para este caso que hoje foi conhecido na CNN Portugal, mas qual pode ser a conclusão, todo o processo. Temos o processo da denúncia, depois da verificação por parte da empresa, como percebemos.

Temos o acompanhamento da denúncia e depois elas terão várias fases. Uma delas será a CNN, que é do grupo TVI, Media Capital, tem na sua página principal uma coisa que é bem, está muito bem feita, tem um código de ética e conduta e diz taxativamente no seu código de ética e conduta, que está publicado na página, que é a favor da não discriminação em função do sexo ou orientação sexual. Portanto, se existirem, na verdade, recrutamentos em função da orientação sexual, já está previsto no código de ética e conduta da Mídia Capital que isso não é admissível.

E o seguimento pode determinar o afastamento da pessoa em causa.

Determina a abertura de um processo disciplinar.

Sim.

Portanto, o Código do Trabalho prevê também que não exista discriminação em função da orientação sexual, quer no seu artigo 24, quer no seu artigo 25 do Código de Trabalho. Portanto, aquilo que estamos a dizer é: existe, quer do ponto de vista legal, a não discriminação, como existe no Código de Ética e Conduta, a não discriminação. A pessoa A faz uma denúncia no canal de denúncia. Primeira coisa, são importantíssimos os canais de denúncia e têm que existir. Segundo, garantem o anonimato do denunciante. Terceiro, as denúncias são recebidas por três pessoas, normalmente. Nós não queremos só uma, porque podia ter Complicado. Temos três pessoas que recebem as denúncias e temos um comitê para analisar as denúncias e depois essas denúncias serão encaminhadas para instâncias, porque se for corrupção ou roubo, podemos ter que envolver a Polícia Judiciária. Se for uma violação daquilo que é o código de conduta interno da Media Capital, abrir-se-á, naturalmente, um processo disciplinar e durante a tramitação do processo disciplinar, o Rodrigo Roque de Pinho vai poder defender-se e deve defender-se e tem prazos legais para o fazer. E a administração ou quem estiver a conduzir o processo disciplinar vai poder também analisar aquilo que está em causa e proteger ao máximo o denunciante, que é aquilo que se visa. Portanto, os denunciantes têm que ser protegidos, porque trouxeram à colação temas sensíveis e normalmente estão numa posição hierárquica diferente.

Elsa Veloso, muito obrigada por nos ajudar aqui a perceber o processo que se segue depois desta notícia. Elsa Veloso é advogada e CEO da DPO Consulting. O Observador, concretamente sobre o caso da CNN Portugal, tentou obter uma reação da parte de Mário Ferreira, acionista maioritário da CNN Portugal e presidente da Media Capital, Pedro Morais Leitão, CEO da Media Capital, e também José Eduardo Moniz, o diretor-geral da TVI, mas nenhum respondeu.

São agora 10h16, já a seguir o Contracorrente sobre a depressão Cláudia e prima Carla, que outras notícias marcam esta véspera de fim de semana.

Não há volta a dar. Jorge Pinto falta garantir que não vai recuar na candidatura a Belém e afasta culpas de uma não convergência à esquerda. O candidato apoiado pelo Livre avisa ainda António José Seguro, que acusa de guardar os piores hábitos da política. Algumas ideias do primeiro convidado sob escuta especial da Rádio Observador sobre as eleições presidenciais. Destaque também para a crise no SNS. Este fim de semana há quatro urgências encerradas. São três à manhã e uma no domingo, todas elas de obstetrícia e ginecologia, sobretudo na área da Grande Lisboa, é o que indica o portal do SNS. E os podcasts do Observador voltaram a bater recordes. Em outubro, atingiram o número de ouvintes semanais mais alto desde que há registros.

São mais de 322 mil ouvintes semanais. Obrigada a si por fazer parte destes 322 mil ouvintes. Mas isto é o que indicam os dados da Podscope, o ranking da Marktest, que mede este mercado de podcasts.

Mede o mercado com o Observador à frente da SIC Notícias.

É Portugal.

À frente da SIC Notícias e da Rádio Renascença, que fecha este top três. E olhando para o número total de downloads, o Observador ficou em segundo depois de três meses na liderança. Em outubro, somámos quase quatro milhões de downloads.

Agora, só a título de curiosidade, entre os podcasts mais ouvidos, a Guerra Traduzida, Ideias Feitas, Contracorrente, é só um exemplo daqueles que estão no top 15 dos mais ouvidos.