O Departamento de Justiça dos EUA abriu uma terceira investigação contra o ex-diretor do FBI (departamento federal de investigação do país, na sigla em inglês), James Comey, acusado de revelar documentos em outubro de 2016 e de, assim, comprometer a segurança nacional do país.

A documentação judicial indica que as acusações foram feitas pela primeira vez num tribunal do Distrito de Columbia em 5 de outubro, dez anos depois dos alegados factos. No entanto, o Departamento de Justiça argumenta que quer um julgamento com júri e alegou que a apresentação das acusações pretende prolongar o processo até que acabe a vigência do estatuto de limitações. “O Departamento apresentou informação criminal”, indica-se no documento judicial entregue à justiça.

Os advogados de Comey já responderam que uma acusação é diferente de uma “informação”. “Seria bom se não houvesse tantos abusos”, apontou o gabinete de Comey.

O ex-responsável do FBI já está acusado de ameaças a Donald Trump, através das redes sociais, segundo a documentação do tribunal da Carolina do Norte que está a gerir este caso. Este processo segue-se a outro entretanto arquivado que acusava Comey de ter mentido ao Congresso em 2020. Em causa está o facto do juíz responsável por esse caso ter concluido que o procurador responsável pela acusação tinha sido nomeado de forma ilegal.

James Comey, no entanto, não é o único membro da sua família que tem sido visado pela justiça dos EUA. A sua filha, Maurene Comey, que trabalhou durante uma década como procuradora federal adjunta dos Estados Unidos em Nova Iorque, foi demitida em julho de 2025, apesar de ter participado em alguns dos casos mais mediáticos do país e de ter recebido de forma consistente “os mais elevados elogios de supervisores e colegas”.

No entanto, um juiz federal norte-americano considerou esta segunda-feira que essa demissão foi ilegal, considerando que violou o princípio da separação de poderes, a Lei dos Procedimentos Administrativos, bem como os direitos de Maurene Comey ao devido processo legal previstos na Constituição do país e na legislação aplicável.

O Governo da Administração Trump tinha defendido que Comey podia ser despedida porque os procuradores federais exercem poderes do Presidente de natureza “conclusiva e exclusiva”. No entanto, o Jesse M. Furman rejeitou esse argumento, afirmando que a alegação de que o Congresso está impedido de regular a exoneração de procuradores federais “contraria quase dois séculos de jurisprudência do Supremo Tribunal”. “Na verdade, aceitar o argumento dos réus significaria perturbar o próprio equilíbrio estabelecido pelo sistema constitucional desta nação”, apontou a decisão.

Após a demissão, Comey processou o Departamento de Justiça e outras entidades, alegando que o seu afastamento violava o princípio constitucional da separação de poderes, a Primeira Emenda da Constituição e a cláusula do devido processo legal da Quinta Emenda.

Segundo o magistrado, Comey argumentou que foi despedida por ser filha de James Comey, que o Presidente Donald Trump considera há muito um adversário, ou devido às suas alegadas filiações e convicções políticas.

O juiz determinou agora a reintegração retroativa de Comey e o pagamento dos salários em atraso desde a data da demissão até 20 de dezembro, para “reparar integralmente o prejuízo sofrido” e garantir que não enfrenta consequências profissionais negativas devido à “demissão ilegal”.

“Esta vitória, arduamente conquistada, pertence à senhora Comey, a todos os funcionários públicos e a todos os que lutam pelo Estado de direito”, afirmaram os advogados de defesa de Comey em comunicado.

Durante a Administração Trump, o Departamento de Justiça afastou dezenas de funcionários de carreira, incluindo procuradores e agentes do FBI, que participaram em investigações envolvendo Donald Trump ou que eram vistos como contrários à agenda da administração. Algumas dessas demissões deram igualmente origem a ações judiciais federais.

O afastamento de Maurene Comey foi considerado particularmente pessoal devido à longa relação de antagonismo entre o seu pai e Trump.

O Presidente demitiu James Comey do cargo de diretor do FBI em maio de 2017, quando a agência investigava possíveis ligações entre a Rússia e a campanha presidencial vitoriosa do republicano em 2016.

Desde então, Trump tem repetidamente defendido que Comey devia ser detido, e o Departamento de Justiça tem vindo a tentar cumprir esse objetivo.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]