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As notícias. Jornal das 10 com Miguel Vidara. Miguel, teve início há instantes o desembarque dos passageiros do navio afetado pelo surto de hantavírus. O primeiro grupo a ser retirado diz respeito a cidadãos espanhóis.
Este grupo de passageiros foi levado para o porto em duas embarcações. O navio está fundeado, não está exatamente junto ao porto. Foram depois transferidos no autocarro da Unidade Militar de Emergência para o aeroporto de Tenerife Sul. De seguida, seguem de avião para Madri, onde vão receber assistência hospitalar. São informações avançadas pela televisão espanhola.
Pouco antes do início do desembarque, a ministra da Saúde espanhola deixou aos jornalistas a garantia de que os passageiros do navio onde os mantém-se sem sintomas.
Sim, uma informação avançada com base na verificação realizada por médicos do Serviço Estrangeiro de Saúde, que já estiveram no navio.
O que nos dizem é que todos os passageiros estão assintomáticos. Os primeiros a desembarcar vão ser os cidadãos espanhóis e já está preparado o avião onde vão ser transportados. O país seguinte que vai ser retirado vai ser os Países Baixos, um grupo que tem cidadãos da Alemanha, Bélgica, Grécia e parte da tripulação. E depois vão saindo à medida que estiverem previstos os voos para hoje. Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos, que vão desembarcando à medida que os voos estejam previstos para sair.
O último grupo de passageiros a abandonar o navio vai ser o grupo composto por cidadãos australianos. O voo de repatriamento está previsto para amanhã.
Esta é uma operação que vai ser coordenada pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde.
Sim, Tedros Ghebreyesus está no local. Aos jornalistas reiterou uma ideia em que tem insistido nos últimos dias: não há comparação entre o hantavírus e a Covid-19.
Isto não é o Covid e já o dissemos muitas vezes. E quando dizemos, é sério. O outro ponto que gostava de esclarecer e que indiquei na mensagem que escrevi à população de Tenerife, é que o risco para a população local é baixo. Eu quero que a população nos oiça e que acredite no que dizemos.
É uma mensagem que tem procurado ser transmitida com insistência ao longo dos últimos dias. É nosso convidado nesta edição das 10h da Rádio Observador, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Bem-vindo. Obrigado pela disponibilidade, doutor Bernardo Gomes. Já aqui dei conta, o navio está fundeado, não está atracado mesmo junto ao porto. São pequenas embarcações que vão buscar passageiros e tripulantes para os encaminhar de imediato para o aeroporto, onde vão embarcar nos aviões que os hão de levar aos países de origem. Esta operação, pelo menos de forma aparente, contrasta com esta afirmação que aqui ouvimos do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, que não há comparação possível entre o hantavírus e a Covid-19. Esta operação é desenhada desta forma mais pelos receios manifestados, por exemplo, pelas autoridades regionais das Canárias, do que propriamente pela perigosidade de transmissão que o hantavírus representa?
Bom dia, obrigado pelo convite. Para já, gostava de dizer que a situação, neste momento, se figura como bastante mais tranquila, dadas as circunstâncias de não se ter confirmado transmissão fora do cruzeiro. Houve esses receios, nomeadamente uma questão de uma hospedeira irlandesa do voo de 25 de abril, onde um dos casos viajou, e foi um dos momentos de alguma tensão para tentar perceber se tinha havido transmissão fora do cruzeiro. E neste contexto, não havendo mais ninguém com sintomas, são boas notícias. Cada dia que passa, acho que chegamos mais próximos do final desta novela infeliz, nomeadamente até para aqueles ocupantes do navio. Dito isto, o ECDC, o Centro Europeu de Controle de Doenças, mandou um perito a bordo também para tentar verificar o estado dos passageiros, que estavam todos assintomáticos, felizmente. O que é que acontece? Foram libertadas também recomendações no sentido de que, para salvaguarda de todos os profissionais e mesmo até para acautelar fatores imprevistos, nomeadamente alguma coisa que possa ocorrer de transmissão, jogou-se por cima. E mesmo para as pessoas ficarem tranquilas, porque aconteceu e como é sabido, houve algum receio adicional e até alguns protestos e algumas novelas do ponto de vista político que puderam acrescentar aqui alguns obstáculos adicionais. Foram tomadas medidas adicionais, mas o próprio ECDC, no sentido de não facilitar, emitiu recomendações para que houvesse uso de equipamento de proteção individual e houvesse todos os cuidados no sentido, até mesmo os próprios voos que vão levar estas pessoas não são voos comerciais, são voos direcionados para esse transporte, porque basicamente a verdade é esta, as pessoas ficam mais tranquilas. Agora, tudo aponta para que estejamos perante um daqueles surtos que ocorrem de vez em quando do hantavírus, que infelizmente, em contextos de contacto muito próximo, possa ter existido transmissão pessoa a pessoa. Mas já está descrito na literatura. Efetivamente, os senhores têm razão, não é uma situação de Covid-19, felizmente. Agora, é uma situação complexa, nomeadamente até por um aspecto mais do que estas precauções que fazem parte de um conjunto de medidas para haver tranquilidade máxima, é ainda o tempo que vamos ter que esperar, porque com um tempo de incubação que pode ir até às oito semanas, mas recentemente estão a apontar para as seis de período de espera, ainda vai ser aqui um período deCompromisso, compasso de espera para que se verifique se há mais alguém a desenvolver sintomas. Esperemos que não. No entanto, mesmo a própria Organização Mundial de Saúde, bem em tempos de comunicação, chamou a atenção que é possível que apareçam mais casos, porque nestas coisas e nestes tempos em que vivemos tudo à velocidade da luz e com atualizações minuto a minuto, é também ainda mais importante dar esta orientação de comunicação, dizer que é expectável que dentro dos contactos do cruzeiro possa haver mais alguém. Felizmente, a cada dia que passa e as pessoas não desenvolvendo sintomas, digamos que as probabilidades não são más e, portanto, vamos aguardando.
Estes passageiros e tripulantes vão agora cumprir um período de quarentena. Podem fazê-lo em casa? É aconselhável que o façam numa unidade de saúde?
As orientações vão diferir também de acordo com aquilo que são os países. Os países têm liberdade para definir as condições em que as pessoas vão estar. A própria Espanha montou uma unidade especial em Tenerife para lidar com a situação, até mesmo na expectativa que houvesse alguém que pudesse desenvolver sintomas entretanto. Não é o caso. Mas essa é uma questão muito interessante, porque de país para país também há quadros jurídicos dispares relativamente à obrigatoriedade de cumprir de isolamento quando determinado. E isso é uma preocupação, até mesmo que em Portugal existe, porque pós fase aguda da pandemia Covid-19, percebeu-se que há alguma lacuna, nomeadamente naquilo que é o quadro jurídico que permite determinar isolamentos de pessoas que são contactos de eventuais indivíduos contagiosos com uma doença de perigosidade assinalável. O que é que acontece nestas circunstâncias? E vale a pena dizer: há recomendações internacionais, recomendações nacionais, mas depois depende um bocado do contexto jurídico e até mesmo das opções pragmáticas de cada país. Julgo, daquilo que também estive a ver, que haverá alguma variabilidade nisto, mas com a verificação do isolamento e em condições, seja em casa ou noutro tipo de unidades, digamos que há uma certa tranquilidade nesta altura que as coisas sejam cumpridas. Mas gostava de destacar isto, que olhando para as reacções públicas e mesmo, às vezes, para as caixas de comentários relativamente a isto, há sempre uma expectativa ou de ir muito por cima, ora dizer que isto tudo é um exagero. E de facto, é preciso haver aqui alguma racionalidade e pensar qual é a melhor forma de gerir isto com racionalidade, evidência e, de facto, com aquilo que conhecemos do hantavírus. Temos confiança de que as coisas irão ser feitas da melhor forma e permita-me destacar uma coisa que é: mesmo a comunicação, seja internacional, seja mesmo nacional, da Direção-Geral de Saúde, foi bastante adequada. Basicamente dizer que isto não é a Covid-19, nós já conhecemos isto. E depois, um pormenor bastante importante, é uma situação dinâmica, ou seja, mesmo o comunicado da Direção-Geral de Saúde assinalou isso. Nós não podemos assumir que sabemos tudo o que se passou ali. Aliás, ninguém sabe. Nesta altura, ainda estão a decorrer investigações epidemiológicas para saber como é que ocorreu o primeiro contágio. Existem fortes suspeitas do local, agora estão a determinar se conseguem perceber se é sim ou se é não. E mesmo dentro do cruzeiro, sabendo o que é que originou isto. Sendo que nós temos um histórico, mesmo na Argentina. A Argentina tem um problema com isto, vale a pena esconder, porque basicamente o que aconteceu em 2018 é que houve também já um surto importante, mediante um crescimento do número de casos de hantavírus na Argentina, provavelmente associado ao número de roedores que estão a ter um maior contacto com as populações humanas, vai ter que ser feito algum esforço adicional, porque isto, correndo tudo bem, não deixou de ser um susto importante, do qual os países vão ter que tirar ilações para se prepararem para circunstâncias que possam ser piores. Para já, aparentemente, as coisas estão bem encaminhadas.
Mas o hantavírus tem potencial para provocar uma pandemia, à semelhança do que aconteceu com a Covid-19, tendo em conta as características do vírus?
Felizmente, não. Mantendo as suas características, evidentemente, o vírus tem um pormenor que é interessante, mas também desafiante, que é: em determinados momentos, em determinadas circunstâncias de contacto muito próximo, consegue provavelmente haver transmissão pessoa a pessoa, ainda que mesmo em termos de literatura exista alguma controvérsia a isto. Mas simplificando, pode ocorrer, mas depois parece não haver capacidade de haver transmissão sustentada, ou seja, o indivíduo A consegue, mas infetando o indivíduo B ou C ou D, estes depois não conseguem passar o testemunho para a frente. E, portanto, em termos de capacidade de transmissão exponencial, ficamos ali limitados. Até mesmo a literatura diz que não há. Simplificando, o número básico de produção, aquela capacidade de multiplicação, sendo abaixo de um, ou seja, não há a capacidade de transportar de geração em geração de infecção um número crescente. Dito isto, é um cruzeiro e os cruzeiros, efetivamente, o que acontece é que ainda agora foi noticiado um surto de norovírus, um vírus com características gastrointestinais bastante chato. Não estou a falar só disso, acontecem muitos surtos desses. Pelas características que o cruzeiro tem, havendo uma situação destas, obviamente que isto é uma chatice monumental. Apenas eu estou a mandar, infelizmente morreram três pessoas e vale a pena destacar, porque nós vamos ainda ter aqui algum período de espera para fechar essa história, porque como o período de incubação é longo, dá-nos já uma vantagem de determinar isolamentos e de ajudar os contactos, mas também força-nos a esperar mais tempo para a conclusão da história. Basicamente é isto.
Doutor Bernardo Gomes, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, obrigado pela sua presença neste Jornal das 10 da Rádio Observador, a pretexto do início do desembarque de passageiros e tripulantes do navio Onyx.
Miguel, vamos a outras notícias também em destaque nesta manhã.
É o alerta da ONG Justiça, Encontro e Perdão. A Venezuela está a violar os tratados internacionais ao manter 28 presos políticos estrangeiros. A ONG acusa o país de manter detidas pessoas sem apoio consular. Cinco são portuguesas. A organização considera que está a ser violada a Convenção de Viena e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Termina hoje o Rally de Portugal. Os pilotos saíram para a estrada às 06:30 da manhã. Sébastien Ogier está mais perto da oitava vitória. É assim, Nelson?
Está com um pé e com uma mão na taça para essa oitava vitória. Nesta altura tem 14 segundos de vantagem sobre Thierry Neuville. Sami Pajari mantém-se em terceiro lugar, mas ainda agora terminou a classificativa de Fafe com o famoso salto e a vantagem de Ogier parece ter aumentado. Daqui a pouco vamos saber como estão as contas, mas está muito perto Ogier de vencer pela oitava vez o Rally de Portugal.
Referimos de fazer nova atualização às 11h00.