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Jornal das 10. Jornal das 10, com edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, o Irão afirma que os Estados Unidos são diretamente responsáveis pelas recentes violações do acordo de cessar-fogo alcançado em abril. Continua, entretanto, a troca de ataques entre Teerão e Israel.

E promete continuar. Na última hora, foi ouvida uma grande explosão na capital iraniana. É o que conta a agência de notícias Tasnim, do Irão. E isto apesar de Donald Trump ter pedido a Netanyahu para que Israel não respondesse aos ataques. Do lado iraniano, chega também a confirmação de ataques a duas bases aéreas israelitas. Antes disso, a Guarda Revolucionária Islâmica atacou uma fábrica de produtos químicos na cidade israelita de Haifa. O Irão avisa que fará ataques contra alvos estratégicos da região e garante consequências para toda a economia global. Carlos Pedro.

Com responsabilidade direta dos Estados Unidos, o Irão diz que a administração Donald Trump é culpada pelas ações hostis de Israel, apesar de não ter estado diretamente envolvida, tanto nos ataques desta noite como nos ataques dirigidos contra a capital do Líbano, em Beirute. Ainda assim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão diz que os mais recentes desenvolvimentos do conflito aumentam a desconfiança de Teerão em relação a Washington. Apesar dos pedidos de Trump e também já durante esta manhã, do lado da União Europeia, Tel Aviv parece já ter dado indicações de que o conflito vai continuar. A Al Jazeera noticia que a rádio do exército israelita informou que o confronto armado com o Irão deve durar vários dias. Numa publicação no Telegram, o repórter desta rádio, Doron Kadosh, acrescenta que as Forças Armadas vão reforçar as tropas nas fronteiras, particularmente na fronteira ocupada entre a Cisjordânia e a Jordânia.

Importa olhar também desde já para os impactos desta nova escalada, sobretudo quando olhamos para o petróleo. E Carlos, aqui o dia arrancou com os preços a subirem.

Sim, e olhamos aqui para o preço do petróleo Brent, que é referência para as importações portuguesas e está a disparar quase 5% nesta manhã, reagindo a um novo aumento das tensões entre Israel e o Irão. Os contratos futuros, que estão a ser negociados entre os investidores nos mercados energéticos internacionais, estão a encarecer mais de 4,5% face ao preço de fecho de sexta-feira. Por esta altura, o preço do barril está na casa dos US$97 por barril.

Carlos Pedro, que está a olhar para as notícias que chegam do Médio Oriente depois de uma noite de ataques entre Israel e o Irão e com promessas da continuação dos ataques. O repórter do Observador, José Carlos Duarte, está em Israel neste momento. Agora, mais uma vez em direto, José Carlos, ainda esta manhã nos deste conta de que as sirenes voltaram a tocar em Tel Aviv. Qual é a situação neste momento na capital israelita?

Neste momento a situação permanece calma. Não há grande alarido nas ruas. A vida continua normalmente em Israel nesta manhã de segunda-feira, está tudo a correr normalmente. As sirenes voltaram a tocar por volta das 9h30, hora aqui em Tel Aviv, menos duas horas em Lisboa, e várias pessoas foram para abrigos. Houve aqui todo um procedimento, que é habitual neste tipo de acontecimentos. Nós também aqui em Tel Aviv conseguimos ouvir explosões de Haifa. Israel é um país relativamente pequeno, eu consegui ouvir as explosões que atingiram Haifa, e que também motivaram aqui as sirenes em Tel Aviv, mas de resto a vida permanece relativamente tranquila na maior cidade israelita. Não existe caos, a vida permanece com relativa normalidade, apesar das ameaças iranianas.

Há pouco contavas que havia pessoas na praia. É um cenário que ainda se vê nesta altura?

Sim, há pessoas na praia, há pessoas a jogar voleibol na praia, a tomar banho. A vida aqui continua com normalidade e já falei com os israelitas que dizem que este é o novo normal deles. Eles já estão há três anos nesta situação e não é mais uma vaga de ataques do Irão, dos Houthis, do Hezbollah, que vai alterar o seu quotidiano. Eles mantêm a rotina. Obviamente que quando ouvem as sirenes continuam a ir para abrigos, ainda que algumas pessoas eu reparei que já não cumprem isso. Aqui já soaram os alarmes e à segunda vez, eu estou em Tel Aviv num hotel que tem um abrigo, na segunda vez já não foram tantas pessoas como na primeira, porque já ignoraram, porque pensam que os sistemas de defesa aéreos vão intercetar sim ou sim os mísseis ou os rockets. Mas o que é facto é que a rotina continua, a vida continua aqui em Tel Aviv, não existe disrupções de maior, há carros nas ruas, pessoas na praia, autocarros a circular. É mais um dia, apesar de todo o contexto e de poder haver mais ataques no futuro.

Mas as rotinas continuam. O relato aqui do repórter do Observador, José Carlos Duarte. Ele está em Israel, concretamente em Tel Aviv, onde ouviu já as sirenes a tocar, embora os israelitas mantenham uma vida praticamente normal.

E nas Filipinas vai subindo o número de vítimas por causa do sismo que atingiu o país na última noite. Há registro de pelo menos 19 mortos e mais de uma centena de feridos.

Números que estão a ser atualizados quase hora a hora pelas autoridades, à medida que se realizam as operações de resgate no terreno. Até ao momento há essa confirmação, 15 vítimas mortais, consequência do sismo de 7.8 na escala de Richter, que atingiu o sul do país. Há registro de muitos estragos que ainda estão a ser contabilizados. O presidente filipino afirma que os centros estão prontos para receber todos os deslocados. O sismo teve epicentro no mar, a 13 km da terra. Esta manhã já se registou um tsunami, para o qual tinham sido emitidas ordens de evacuação de várias zonas costeiras, um tsunami que não causou estragos. O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico informou, de resto, logo após o sismo, que haveria a possibilidade de ondas de até três metros atingirem algumas zonas costeiras das Filipinas.

O PS acusa PSD, Chega e o presidente da Assembleia da República de não respeitarem a Constituição com a apresentação do requerimento para adiar a entrega dos projetos de revisão apresentados pela direita.

Foi o tema do explicador desta manhã. A deputada socialista Isabel Moreira fala de uma situação sem precedentes e de uma afronta com a conivência do presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco.

É uma gravíssima afronta ao texto constitucional, não tem precedente em nenhuma, repito, em nenhuma revisão constitucional anterior. Todas as revisões seguiram os trâmites normais. Entregou-se um projeto e todos os outros cumpriram o prazo de 30 dias e não se discutiu questões de secretaria. Não tem precedente. Fazer um acordo para afastar um prazo constitucional é uma afronta absolutamente inaceitável à Constituição e o facto de o presidente da Assembleia da República ser conivente com o golpe dessa natureza é de uma gravidade enorme.

A acusação da deputada do PS, Isabel Moreira, já a deputada do Chega, Vanessa Barata, diz que isto se trata de uma não questão.

Penso que é uma não questão. O Chega apresentou o requerimento, houve um acordo dos partidos, foi o próprio presidente da Assembleia que pediu um parecer ao auditor, como já aqui foi dito, e quer aguardar por esse parecer, e temos então de aguardar tanto pelo parecer como pela decisão do presidente da Assembleia da República relativamente a este assunto. Qualquer decisão do senhor presidente da Assembleia é recorrível, como se sabe. E, portanto, pensamos que isso é um não assunto.

A resposta de Vanessa Barata, do Chega, às acusações do Partido Socialista. Já do lado do CDS, que ficou à margem do acordo entre PSD e Chega, Paulo Núncio diz não entender a necessidade do pedido dos dois partidos.

Não percebo muito bem o objetivo jurídico do requerimento apresentado pelo PSD e pelo Chega na conferência de líderes, porque na minha opinião, do ponto de vista jurídico, não há qualquer tipo de adiamento. O presidente da Assembleia da República ainda não admitiu formalmente o projeto de revisão constitucional do Chega, porque entendeu que o deveria enviar ao auditor jurídico da Assembleia para averiguar da sua conformidade constitucional. Pelo que não tendo sido admitido formalmente o projeto do Chega, o prazo para que os outros partidos apresentem o seu próprio projeto ainda não se começou a contar.

As dúvidas de Paulo Núncio, do CDS, em relação ao objetivo legal do requerimento do PSD e do Chega. O líder do grupo parlamentar centrista rejeita ainda que o processo de revisão constitucional esteja inquinado.

Dez horas e dez minutos, Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Começou há instantes o Papa Leão XIV, discursa a esta hora no Parlamento Espanhol. O líder da Igreja Católica foi muito aplaudido à chegada pelos deputados. Daremos conta do conteúdo desta intervenção de Leão XIV nos próximos espaços informativos. Subiu para 515 o número de casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo. De acordo com as autoridades, há mais de 280 pessoas hospitalizadas ou em isolamento. Até o momento, morreram 91 pessoas por causa deste surto de Ébola declarado no país. Cinco distritos de Portugal continental estão hoje sob o perigo máximo de incêndio: Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Bragança. Ao todo, são 25 os conselhos com risco máximo de incêndio rural. É o mais alto atribuído pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera. O risco de incêndio rural vai manter-se em algumas regiões do país, pelo menos até ao final da semana.

Carla Jorge Carvalho e o Jornal das 10.