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Edição das 10 com Luís Soares. Começamos com a situação no Médio Oriente. Está novamente fechado e por tempo indeterminado o Estreito de Ormuz. Estados Unidos e Irão trocaram vários ataques na última noite.

Washington atingiu mesmo 140 alvos militares do Irão. Já o Irão reivindicou ataques a bases aéreas norte-americanas de seis países do Golfo. A Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana acrescenta que nenhuma embarcação poderá atravessar o Estreito de Ormuz enquanto persistir, Carlos Pedro, a presença e interferência dos Estados Unidos na região.

É um comunicado da Marinha Iraniana que termina com um aviso: qualquer nova violação do cessar-fogo, que já não existe, será alvo de uma resposta enérgica, incluindo ataques contra novas bases inimigas na região. E já começaram, inclusive, esses ataques a bases aéreas de seis países do Golfo, Bahrein, Qatar, Jordânia, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos, foram atingidas por ataques iranianos que aconteceram em retaliação a outros ataques norte-americanos. Aliás, Washington anunciou, já neste domingo, a conclusão de uma ronda de ataques contra alvos iranianos.

E qual é, Carlos, a justificação para esses ataques norte-americanos?

O Comando Central dos Estados Unidos justifica com o bombardeamento iraniano anterior contra um navio de bandeira cipriota que navegava por Ormuz. Washington atingiu 140 alvos militares do Irão, incluindo instalações de mísseis e drones do Irão, capacidades navais, depósitos de munições, entre outros. Durante a madrugada, os meios de comunicação iranianos noticiaram várias explosões na província de Bushehr, onde se encontra precisamente uma central nuclear. Também foram ouvidas explosões em diversas localidades próximas do Estreito de Ormuz. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas na cidade iraniana de Kerman, num ataque dirigido contra uma torre de comunicações.

Antes disso, o Irão tinha atacado por causa de uma alegada violação da rota, que deve ser seguida em Ormuz e, por isso, Carlos, decidiu fechar o estreito.

Até nova ordem e até que os Estados Unidos abandonem a região. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento Iraniano, Ebrahim Razai, diz que o Irão assumiu o controle de Ormuz com mão de ferro. Em causa estão várias embarcações que ignoraram avisos para corrigirem a rota e navegarem pelo corredor autorizado. Uma delas terá desligado os sistemas de identificação e foi interceptada depois de terem sido disparados tiros de advertência. A Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana acrescenta também que nenhuma embarcação poderá atravessar o Estreito de Ormuz, enquanto persistir a presença e interferência dos Estados Unidos na região.

Carlos Pedro, com os mais recentes desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, o Kuwait também já veio avisar para uma escalada perigosa neste conflito.

É um tema que analisamos a seguir no Gabinete de Guerra, com a análise de Liliana Reis, logo depois deste Jornal das 10. Termina hoje o Congresso do Livre, em Sintra. O partido pretende chegar ao poder, mas não mostra vontade de uma coligação pré-eleitoral com o PS nas próximas legislativas.

Ao longo do primeiro dia de congresso, houve várias vozes a manifestar vontade de integrar um governo, mas os membros do partido ouvidos pelo Observador entendem que, por princípio, os próximos passos do Livre devem ser dados sozinhos. Em entrevista ao Observador, Isabel Mendes Lopes, primeira candidata da lista A ao órgão executivo do Livre, confirma que a intenção do partido era ir a votos sozinho e explica que há sempre a possibilidade de entendimentos pós-eleitorais, consoante o peso de cada partido. Ainda assim, não querendo imaginar cenários de potenciais coligações pré-eleitorais com o PS, a co-porta-voz do Livre não fecha em definitivo a porta, justifica que cada eleição é uma eleição e será preciso uma análise mais próxima da altura das eleições. De resto, vários dirigentes do partido explicam ao Observador que, estrategicamente, uma coligação com o PS dificilmente fará sentido num futuro próximo. Por outro lado, a cúpula dirigente do partido acredita que nada tem a ganhar se afastar esse cenário em definitivo, porque ainda não sabe qual será o contexto político à data das próximas eleições, que serão apenas em 2029, se os calendários forem cumpridos. Os trabalhos do Congresso do Livre são retomados pelas 10h30. O resultado das votações para a direção do partido é conhecido depois das 11h.

Na polêmica em torno dos exames nacionais, FNE e Fenprof criticam a forma como o governo tem gerido este processo. A FNE lembra mesmo que o pagamento de horas extraordinárias é uma obrigação legal.

Pagamento que foi anunciado ontem pelo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, e depois confirmado em comunicado pelo Ministério da Educação. A Federação Nacional de Educação considera justo e necessário o pagamento de horas extraordinárias aos professores classificadores, mas sublinha que se trata de uma obrigação legal e não de um reconhecimento excepcional. Defende que o verdadeiro reconhecimento passa por melhores condições de trabalho, planeamento, organização e prevenção de situações de sobrecarga. Já a Fenprof anunciou ontem que vai avançar com uma denúncia formal junto da Procuradoria-Geral da República para que seja aberto um inquérito ao processo de correção dos exames nacionais. Em comunicado, a estrutura que representa os docentes refere que vai submeter o documento na próxima sexta-feira, dia 17, precisamente o dia previsto para a publicação das pautas.

Também o Bloco de Esquerda desvaloriza o pagamento de horas extraordinárias e quer a saída imediata do ministro da Educação.

O Bloco de Esquerda atribui a Fernando Alexandre a culpa pelo colapso na gestão e na correção das avaliações do país, dos exames, e afirma que o ministro perdeu a legitimidade para continuar no cargo. Insiste na ideia de uma comissão parlamentar de inquérito. O coordenador do Bloco, João Paulo Peres, diz ainda que pagar horas extraordinárias aos professores é apenas o normal cumprimento da lei.

Havendo trabalho suplementar, ele tem que ser evidentemente remunerado. Sobre isso, não há a menor das dúvidas. Há aqui um princípio básico do direito do trabalho, da decência, que é a remuneração do trabalho pela intensidade desse mesmo trabalho. E, portanto, é estranho que um dirigente político venha Anunciar a remuneração do trabalho como se isso fosse uma coisa extraordinária. Não há nada de extraordinário, é apenas dizer aquilo que é uma verdade do senhor de La Palisse: há trabalho, deve ser remunerado.

Coordenador do Bloco de Esquerda, João Nepomuceno, ontem à saída de uma reunião interna do partido, a desvalorizar o pagamento de horas extraordinárias aos professores classificadores e também a insistir na ideia de uma comissão parlamentar de inquérito a esta polêmica da correção eletrônica dos exames nacionais. Uma comissão parlamentar de inquérito que o líder do PS também não exclui.

Luís, em Espanha, as autoridades continuam o combate ao incêndio em Almeria, que já provocou 12 mortes. Grande parte do perímetro está estabilizado.

É um incêndio em Los Galgados, que já consumiu 6600 ha de área. Os esforços de combate ao incêndio continuaram durante a madrugada, marcando o terceiro dia de luta contra as chamas. Ontem à noite, com a evolução mais favorável ao combate, mais de 600 moradores foram autorizados a regressar à casa em várias localidades. Quase 1400 pessoas tinham sido retiradas de casa por precaução, devido ao avançar das chamas. Para já, o perímetro está estabilizado e as perspectivas são favoráveis. Ontem chegaram a estar 32 meios aéreos no combate às chamas. No terreno, operacionais e também voluntários andam pelos locais onde as chamas já foram extintas para tentar encontrar possíveis vítimas.

No Mundial de Futebol já estão definidas as meias-finais. A França joga contra a Espanha, Inglaterra defronta a Argentina. São estes os jogos da próxima fase.

Inglaterra que venceu ontem a Noruega no prolongamento por 2 x 1. A formação dos Três Leões esteve a perder, graças a um gol de Schjelderup. Bellingham empatou na segunda parte e o mesmo Bellingham deu a volta ao resultado já no prolongamento. Os ingleses vão agora enfrentar a seleção da Argentina, que venceu já de madrugada a Suíça por 3 x 1. Um jogo que também teve de ir a prolongamento e que ficou marcado pela arbitragem do português João Pinheiro. Aos 32 minutos expulsou Breel Embolo, da formação helvética. A Argentina segue então em frente até às meias-finais do Mundial de Futebol. O Inglaterra x Argentina está marcado para quarta-feira, dia 15, às 20h. A outra meia-final, França x Espanha, que já estava marcada, joga-se um dia antes, na terça-feira, dia 14, também às 20h.

São agora 10h08, já a seguir há Gabinete Guerra aqui na Rádio Observador, mas antes, Luís, vamos a outras notícias que também estão a marcar esta manhã de domingo.

Morreu o senador e aliado de Donald Trump, Lindsey Graham. Tinha 71 anos. Morreu após doença repentina. Anúncio feito pelo gabinete do senador republicano da Carolina do Sul e acontece a meio da campanha para um quinto mandato no Senado, depois ter vencido as eleições primárias republicanas em junho. Lindsey Graham faleceu após retornar a Washington de uma visita a Kiev, onde se tinha reunido com as autoridades ucranianas. Donald Trump já reagiu recordando Lindsey Graham como um verdadeiro patriota. A nona etapa da Volta à França em bicicleta de hoje foi encurtada em 30 km, em causa um alerta vermelho de onda de calor no departamento de Corrèze, no centro de França. A decisão acontece depois de alguns ciclistas terem pedido que as etapas fossem antecipadas para evitar o calor da tarde. Hoje os ciclistas da Volta à França cumprem a última etapa antes do primeiro dia de descanso, com a chegada a Uso. Morreu também o ex-futebolista Manu, que passou pelo Benfica na época 2006/2007. Tinha 43 anos. Morreu ontem na sequência de um acidente de viação, uma informação confirmada pela SAD do Alverca, em comunicado. Além de Benfica e Alverca, Manu passou por clubes como Estrela da Amadora, Marítimo, Vitória de Setúbal e lá por fora também representou clubes como o Modena, de Itália, ou AEK, de Atenas. Ainda, João, notícias de outra morte, expresso o obituário, mas é uma morte também importante. O Sheik Ahmad, líder do Qatar entre 95 e 2013, morreu. É um nome que aparentemente pode não dizer nada, mas aos 74 anos de vida, o Sheik Ahmad deixou um legado de inovação em várias áreas, nomeadamente nos media.

Então vamos falar disso, Luís. Que legado nos deixa Sheik Ahmad?

Um dos maiores marcos foi mesmo o lançamento do canal de televisão de notícias Al Jazeera, que foi fundada durante o mandato do líder, em 1996. Este investimento do Sheik Ahmad tornou-se, de resto, o primeiro canal de notícias independente do mundo árabe. Neste momento, o Al Jazeera tem canais em árabe e inglês que cobrem a atualidade regional e internacional, bem como uma plataforma digital, um site digital que normalmente também consultamos. A Al Jazeera está disponível em mais de 150 países, tem uma audiência global de 430 milhões de pessoas.

É um grande legado e muito ouvimos falar deste canal de televisão. Agora, nós, muito por causa daqui da rádio e do conflito no Médio Oriente. É uma marca por isso mesmo. Fechamos assim o Jornal das 10, com edição do Luís Soares.