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São 10:01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Um homem de 70 anos, doente crónico, esperou quase 24 horas para ser visto pela primeira vez por um médico nas urgências do Hospital Amadora-Sintra. A equipa esqueceu-se de lhe dar alta e ao todo o doente ficou no hospital um dia e meio.
36 horas foi o tempo que este homem ficou à espera. O caso é relatado esta manhã pelo Observador. Aconteceu no último fim de semana de agosto. O homem sentiu-se mal em casa, em Massamá, apresentava sintomas de AVC. A mulher ligou para a linha SNS 24. O jornalista do Observador, Tiago Caeiro, explica que depois de quase uma hora à espera, foi encaminhado para o hospital.
Este homem tinha um quadro de falta de força numa das pernas, tinha tonturas, não se conseguia suster em pé, tinha também vômitos e portanto sinais que poderiam indicar que podia estar a ter um AVC. A mulher, Maria do Céu, com quem falámos, ligou para a linha SNS 24. E como é que isso correu? Começou logo a correr mal neste momento, porque ficou 40 minutos à espera. Só para que atendessem o telefone. Só para que atendessem a chamada na linha SNS 24. Ela depois descreveu os sintomas, e a chamada foi transferida para o INEM, o que indicava logo que seria uma situação de maior gravidade. O INEM acionou depois os bombeiros de Queluz, que transportaram este homem para o Hospital Amadora-Sintra.
E já no hospital, a hipótese de AVC foi descartada. O homem passou quase 23 horas sentado numa cadeira de rodas a aguardar uma primeira observação, apesar de ter pulseira amarela. Esta pulseira indica que o utente deve ser atendido no prazo máximo de uma hora. O jornalista Tiago Caeiro explica que depois, a espera prolongou-se ainda mais e por uma razão aparentemente simples.
Esperaram várias horas, até à madrugada de segunda-feira. E foi já aí, por volta das 2h30 da manhã, que a mulher deste senhor decidiu ir ao gabinete onde estava o médico que o viu pela primeira vez, para perceber o que se passava. E o que se passava? O que se passou, neste caso, foi que o médico se tinha esquecido de chamar esse senhor para lhe dar alta e para lhe dar o diagnóstico. Nós sabemos o que aconteceu, mas qual foi o diagnóstico claro desse senhor? Ficou claro o que é que ele teve? Ele teve uma infeção que não foi determinada a origem dessa infeção. Portanto, o diagnóstico foi esse. Foi para casa sem medicação, ao fim de 36 horas no hospital.
O jornalista Tiago Caeiro a relatar este caso na história do dia. De recordar que o Hospital Amadora-Sintra está sem diretor de urgência desde abril. A Ministra da Saúde já avisou que esta pressão sobre as urgências pode aumentar ainda mais nas próximas semanas.
Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador e é também o tema da história do dia, já disponível em podcast. O líder parlamentar do CDS sai em defesa do ministro da Administração Interna. Na véspera da moção de censura, Paulo Núncio afirma que há sinais positivos no trabalho de Luís Neves no governo.
Na comissão de inquérito da Rádio Observador, Paulo Núncio recorda o trabalho que o ex-diretor da PJ tem feito em temas como o combate aos incêndios ou o controle de fronteiras nos aeroportos. O líder parlamentar do CDS atira a decisão da continuidade de Luís Neves para as mãos do primeiro-ministro, mas dá sinal positivo ao trabalho do ministro.
O primeiro-ministro tem, nos últimos dias, manifestado confiança política no ministro. E é o primeiro-ministro que tem essa competência. É o primeiro-ministro que tem que decidir, em primeiro lugar, a composição do seu governo e, em segundo lugar, se os ministros merecem ou não merecem confiança para continuar a exercer as suas funções. Eu acho que, olhando para o desempenho de Luís Neves como ministro da Administração Interna, eu acho que há sinais positivos.
Paulo Núncio reforça que o CDS vai votar contra a moção de censura, que vai a debate amanhã, e afirma que a iniciativa do Chega não tem qualquer sentido.
E falamos agora do aumento do preço dos combustíveis. O especialista em mercados financeiros, Filipe Garcia, acredita que não vai haver uma estabilização dos preços tão depressa.
O especialista afirma no Explicador que há menos produto no mercado e, por isso, sublinha que mesmo que o conflito nos Estados Unidos e Irão terminasse amanhã, não era possível uma queda para os valores pré-conflito.
Quando estamos a falar de produtos refinados, o mercado tende a oscilar muito mais com base em oferta e procura real, ou seja, do momento. E se houver uma resolução dos conflitos, parece-me ser difícil haver uma estabilização, aliás, um recuo para os preços antes da guerra, porque houve mesmo capacidade destruída. E portanto, há neste momento menos produto no mercado e significa que mesmo que os conflitos acabassem amanhã, não iríamos ter quedas nos preços com a mesma velocidade com que subiram.
O Diretor-Geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier, foi também convidado no Explicador. Considera que o novo aumento não vai ser sentido de imediato, mas fala numa pressão generalizada nas empresas devido ao aumento galopante do preço dos combustíveis.
Não é imediato que isto se vai sentir, mas se falar com empresas de transporte, empresas de logística, com agricultores, todos eles hoje vivem este drama dos custos galopantes de energia e que não são sentidos em todos os estados-membros da mesma forma, mas que em Portugal está a ter, de facto, um peso muito grande.
Declarações do Diretor-Geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier. Considera também que os descontos do ISP, anunciados pelo governo, têm sido os adequados. A gasolina subiu hoje 12 cêntimos por litro e o gasóleo 15 cêntimos. São 10h07. Já a seguir o Contra Corrente para marcar tempo pras outras notícias que estão a marcar esta manhã.
Na Alemanha, a presidente da AfD volta a falar numa vitória histórica e num resultado de sonho. O partido nacionalista de extrema-direita conseguiu quase 44% dos votos nas eleições regionais no estado da Saxônia-Anhalt. Falha ainda assim a maioria absoluta e, por isso, está aberto a coligações. O chanceler alemão deve reagir nas próximas horas aos resultados desta noite eleitoral. A Rússia lançou 92 drones contra a Ucrânia na última noite. São números da Força Aérea Ucraniana divulgados nas redes sociais. Estes ataques surgem depois da visita dos enviados especiais dos Estados Unidos a Kiev. Donald Trump deve falar hoje ao telefone com Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky. E a propósito da audição de Luís Neves amanhã, temos estado a recuperar alguns dos episódios mais marcantes no Parlamento dos últimos anos. Algumas das maratonas parlamentares mais recentes decorreram na comissão de inquérito sobre a TAP. João Galamba protagonizou uma das audições mais tensas depois da polêmica com os episódios de agressão no Ministério das Infraestruturas entre adjuntos do então ministro.
E a audição de João Galamba arrancou pelas 17h30, terminou já depois de 1h da manhã, portanto, durou pouco mais de oito horas.
Oito horas, o que pelo caminho obrigou também a algumas pausas. Preciso fumar só um cigarro. É muito rápido. É só um, é rápido, não preciso de 10 minutos.
Cinco minutos, amigo. Cinco minutos pela sua saúde.
Cinco minutos. O médico e deputado António Lacerda Sales a recomendar um cigarro a João Galamba na pausa desta longa audição. Galamba, que surgiu nesta altura ainda como ministro, mas já depois do braço de ferro entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa. João Galamba acabaria por deixar o governo em novembro desse ano.
Amanhã também se espera uma maratona na Assembleia da República com a audição de Luís Neves, a partir das 10h, e o debate da moção da censura a partir das 15h30. Pode acompanhar tudo numa emissão especial que arranca logo às 9h.