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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, agora com os destaques da imprensa russa. José, começamos com o encontro entre Vladimir Putin e o presidente iraniano.

Reunião que decorreu à margem da cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás, organizada em Moscovo. Segundo o jornal "Kommersant", os dois dirigentes abordaram a situação no Médio Oriente antes do encontro oficial, numa conversa privada a dois. Vladimir Putin afirmou que a Rússia está a cumprir as obrigações nos projetos conjuntos com o Irão e destacou também o crescimento das relações comerciais entre os dois países. De acordo com os números apresentados pelo presidente russo, que tiveram direito a eco em praticamente toda a imprensa do país, o volume de comércio bilateral aumentou mais de 10% nos oito primeiros meses de 2026, ou seja, deste ano. A construção da central nuclear de Bushehr, no Irão, também foi referida como um dos projetos em curso, sendo que a questão nuclear em torno do Irão tem sido um tema a marcar a geopolítica não só da Rússia e do Irão, mas geopolítica mundial ao longo dos últimos meses. Moscovo e Teerão assinaram em janeiro de 2025 um tratado de parceria estratégica abrangente, que prevê cooperação em áreas como a defesa, a economia, a energia e o ambiente. Sem surpresas, este é um assunto em destaque em toda a imprensa russa, como habitualmente acontece cada vez que envolve Vladimir Putin.

Ainda sobre Putin, o presidente russo quer fazer mudanças nos motores de busca na internet.

Sobre um assunto em particular, que é o aborto. É uma das notícias em destaque no "Kommersant". Diz respeito ao acesso à informação sobre o aborto na internet na Rússia. Segundo o jornal, Vladimir Putin deu instruções para mudar a forma como os motores de pesquisa apresentam informações a pesquisas relacionadas com a interrupção voluntária da gravidez, o aborto. O tema coloca em discussão a relação entre políticas públicas, saúde reprodutiva e acesso a conteúdos digitais. A notícia surge numa altura em que as autoridades russas têm dado atenção crescente à forma como determinados assuntos são tratados na Rússia e no espaço público. No entanto, o relato disponível neste jornal russo não especifica todos os detalhes técnicos, diz apenas que Vladimir Putin quer mudanças na forma como o tema é abordado e já deu instruções nesse sentido.

A Rússia e os Estados Unidos estão a discutir a possibilidade de desenvolver projetos conjuntos no Ártico.

Uma exploração de gás natural liquefeito. A informação foi avançada pelo vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, durante a cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás, em Moscovo. Segundo a imprensa russa, as conversações ainda estão numa fase preliminar. Não existe, para já, um acordo que possa ser anunciado, nem nenhum avanço em termos de projeto. Alexander Novak referiu que a exploração de jazidas é a principal participação conjunta para instalações deste gênero. Acrescenta também que os Estados Unidos têm também interesse em desenvolver infraestruturas relacionadas com a produção de gás natural. A notícia surge num contexto em que a Rússia procura desenvolver os recursos energéticos no Ártico e na sequência do acordo feito entre a Rússia e os Estados Unidos para a exportação de combustíveis.

E sobre esse tema, a imprensa russa diz que as exportações russas de petróleo aumentaram quase 7%.

Isto nos primeiros nove meses do ano. Os dados, divulgados hoje com base numa análise da Agência Argos, apontam para uma média de quase 5 milhões de barris por dia e um total de 180 milhões de toneladas exportados nesse período. Segundo a publicação, o aumento está relacionado em parte com a transferência de petróleo, o que seria destinado ao mercado interno para os mercados externos. Isto porque as operações de manutenção programadas não estão a ser feitas nas refinarias russas. Aqui, embora a imprensa russa não o diga, está também relacionado com os ataques ucranianos que têm atingido várias refinarias russas nas últimas semanas. O jornal cita ainda dados da Agência Internacional de Energia, que apontam para uma quebra de 30% na atividade das refinarias russas em junho, em termos homólogos. Os números mostram que o crescimento das exportações na Rússia não significa necessariamente um crescimento equivalente da capacidade de produção. As dificuldades de processamento interno também podem levar a que mais petróleo seja entregue para o estrangeiro, vindo da Rússia.

José, mais de 30 milhões de pessoas já receberam a vacina contra a gripe na Rússia.

O número é apresentado com base em informações das autoridades sanitárias da Rússia e surge numa altura em que o país se prepara para os meses mais frios do ano. A mesma publicação diz também que não foram detectados casos de Covid-19 numa nova estirpe. São duas informações distintas, mas ambas relacionadas com a vigilância russa e com a preparação dos serviços de saúde para a época de inverno e para o tempo mais frio. A dimensão desta campanha de vacinação dá também uma indicação da escala que está a ser feita, embora o número de doses administradas não impacte, para já, toda a população russa.

Entretanto, o Estado quer reforçar a formação em áreas de engenharia e medicina.

O Ministério Russo da Ciência e do Ensino Superior pretende aumentar o número de vagas financiadas pelo Estado em cursos ligados à engenharia, às ciências naturais e à formação de professores. A distribuição de vagas públicas é uma das ferramentas utilizadas pelo governo russo para orientar a formação de novos profissionais e esta decisão tem implicações tanto para os estudantes, que podem encontrar mais oportunidades de acesso ao ensino superior, e também para as instituições universitárias, que vão ter de ajustar a oferta de curso perante as prioridades que foram definidas pelo gabinete de Vladimir Putin. Este anúncio em si não significa que todas as universidades vão aumentar o número de vagas, mas a distribuição vai ser feita de acordo com outros critérios estabelecidos pelas autoridades. Este é um tema incomum na imprensa russa, daí também ser peculiar que esteja presente nas manchetes da imprensa da Rússia.

Fica por aqui esta edição de "Guerra Traduzida". Está de regresso amanhã na Rádio Observador.