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Observador 10:03. Jornal das 10 com Carla Jorge Carvalho. O economista português Ricardo Reis foi afastado da corrida à liderança do FMI. Tudo por causa de críticas feitas às tarifas de Donald Trump.

A notícia avançada pelo Financial Times, Ricardo Reis estaria na calha para o cargo de chefe do Fundo Monetário Internacional, mas fontes próximas do processo dizem ao Financial Times que o português já não vai ficar com o cargo. O jornal norte-americano evoca duas razões. Primeiro, um comentário do economista nas redes sociais, em que escreveu que seriam os consumidores dos Estados Unidos a suportar grande parte do impacto das tarifas e, um mês mais tarde, num podcast da Fundação Francisco Manuel dos Santos, afirmou que os preços no país iriam subir devido às taxas alfandegárias e que estas tornariam a produção doméstica mais difícil, mais cara e mais ineficiente. A confirmar-se, esta não é a primeira vez que surgem consequências para quem critica Donald Trump. O presidente norte-americano chegou a pedir ao presidente da Goldman Sachs que despedisse o economista-chefe do banco, também por ter alertado para os efeitos negativos das tarifas impostas por Donald Trump a vários países. O Observador está a tentar contactar Ricardo Reis para uma reação a esta notícia, até agora sem sucesso.

O Banco Central Europeu deve decidir hoje uma nova subida das taxas diretoras. Vai ser o segundo este ano e pode não ser o último.

Christine Lagarde já tinha alertado em julho para a probabilidade das taxas de juro terem de voltar a subir mais do que uma vez. A decisão do Conselho de Governadores deve ser confirmada pelo contexto internacional, com a guerra no Médio Oriente e com o aumento dos preços globais provocado pela crescente instabilidade. A taxa de juro de referência deve subir dos atuais 2,25% para os 2,5. A decisão vai, naturalmente, aumentar a pressão sobre empresas e países.

Um ano depois, José Sócrates está hoje de regresso ao campus de justiça para mais uma sessão do julgamento da Operação Marquês e acusa a juíza Susana Seca de não dar tempo ao advogado para se preparar para a defesa.

O antigo primeiro-ministro está, sim, de volta ao tribunal depois de ter pedido uma pausa no julgamento. Vamos em direto até ao campus de justiça em Lisboa, onde está o repórter do Observador, João Lourenço. João, à entrada, José Sócrates voltou a queixar-se das decisões da juíza.

E acima de tudo, voltou-se a queixar-se do tempo, neste caso, da falta de tempo que Susana Seca não dá para que o novo advogado, quer seja ele quem for, não dá, neste caso, para preparar a defesa. Recordar que Pedro Delminho renunciou ao mandato de defesa de José Sócrates a 4 de novembro e até aí o tribunal chegou a nomear vários advogados oficiosos, incluindo colocar o Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados ao barulho, que apontou Marco António Amaro no passado dia 10 de março. Entretanto, houve até um episódio no dia 17 desse mesmo mês, em que houve dois advogados a representar José Sócrates. Na altura, era Luís Carlos Teves e, neste caso, um advogado de escala de seu nome Humberto Monteiro. Entretanto, Filipe Batista, advogado que tem representado a arguida Suvia Fava neste processo Marquês, anunciou ter uma procuração condicionada do ex-primeiro-ministro. O advogado colocou apenas uma questão de ter direito à paragem de 10 dias do julgamento para ter total conhecimento dos fatos. Ora, o tribunal negou esse pedido e, neste momento, José Sócrates acusa o tribunal de lhe atribuir as culpas para as sucessivas renúncias de mandatos dos advogados.

Como todos sabem, a partir do dia 14 de novembro, fiquei sem advogado. E a responsabilidade não é minha. O meu advogado decidiu renunciar. E quando o advogado renuncia, é em função da sua própria consciência. Eu não fui consultado para isso, eu respeitei apenas isso. E a senhora juíza devia perceber que eu não posso ser responsabilizado por isso, nem posso ser responsabilizado pelas atitudes dos outros advogados, que conscientemente, depois da senhora juíza lhes recusar o tempo de preparação de defesa, também recusaram, digamos, ser uma expressão de uma das advogadas, ser meros figurantes. Os advogados não são figurantes.

José Sócrates, que vem responder esta manhã aqui ao campus de justiça sobre as acusações que recaem no período a partir de 2011, em concreto a Casa de Paris ou também o circuito de dinheiro. O antigo primeiro-ministro refere que não cabe, neste caso, ao arguido provar a inocência, mas acima de tudo, o Ministério Público provar a condenação. E é por isso que vem aqui, neste caso, ao campus de justiça.

Que eu saiba, cumpre ao Ministério Público provar a culpa. Não é ao próprio provar a inocência, mas eu vou provar a inocência. E vai ver, vou provar a minha inocência, tal como já fiz em todas as acusações de corrupção. Eu estou a ser vítima há 12 anos de uma falsa acusação de corrupção. Os senhores terão a oportunidade de ver o que eu vou ali dizer.

José Sócrates, que acusa tanto o Ministério Público como a comunicação social de terem um acordo tácito de falta, neste caso, para elaborar uma condenação prévia. Entretanto, a sessão já está a decorrer e José Sócrates e a juíza deste processo marcam a coincidência de neste dia marcarem precisamente um ano desde as últimas declarações aqui do antigo primeiro-ministro.

E mais ou menos, João Lourenço, no tom, Sócrates reafirmar a inocência com críticas à forma como a Justiça tem lidado com a Operação Marquês.

A deputada do PS, Marina Gonçalves, rejeita que o partido esteja a ser benevolente com as polémicas que envolvem Luís Neves. A socialista diz que pedir a demissão do ministro é populista.

A posição definida há instantes aqui na comissão de inquérito da Rádio Observador, Marina Gonçalves diz que o PS atuou com responsabilidade, apesar da falta de esclarecimentos do governo

Já mostramos frontalmente a nossa oposição e a nossa censura ao comportamento, à falta de explicações por parte do ministro, ao comportamento também de muita arrogância nas últimas semanas, que a mim surpreende, tendo em conta a imagem que tinha do ministro da Administração Interna. Já censuramos o próprio Governo, o próprio primeiro-ministro, por não tirar daqui consequências, sejam elas quais forem, por achar que isto é banalizar esta situação. Falta bater na mesa e dizer aquilo que nós não vamos fazer, porque não somos iguais aos outros. Nem vamos exigir, nem vamos fazer o que eu acho que é um ato mais populista do que verdadeiramente construtivo naquilo que é o nosso papel da oposição.

Marina Gonçalves falou ainda sobre a discussão que está para chegar sobre o orçamento do Estado do próximo ano. Recusa, para já, linhas vermelhas, mas sublinha a importância de incluir os vários partidos numa eventual discussão sobre a revisão constitucional.

Nós no passado falamos sobre a necessidade de olhar para a Constituição e, no fundo, atualizá-la. Só que aquilo que está em cima da mesa, nomeadamente para o parceiro preferencial, para o Chega, é uma alteração daquele que é o status quo da Constituição. Isso para nós é importante, mas mais do que isso, é preocupante. E se é certo que democraticamente a segunda força política à partida estará envolvida, é certo também que democraticamente a terceira força política no Parlamento e segunda no voto do povo deve também estar incluída, até porque as visões são bastante antagônicas e a bem da democracia devem estar as duas nesta negociação.

A deputada socialista Marina Gonçalves foi a convidada desta manhã da comissão de inquérito da Rádio Observador.

Um programa que pode ouvir dentro de momentos no site do Observador e nas habituais plataformas de podcast. É uma notícia Observador: a Polícia Judiciária informou mal a ministra da Justiça. Afinal, o orçamento apresentado à PJ era mesmo para a destruição exclusiva de produtos químicos na Operação Pacoba, entre os quais centenas de bidões.

O Observador sabe que o gabinete da ministra Rita Alarcão Dias recebeu informações erradas da Judiciária, tal como a própria admitiu ontem no Parlamento. Os mais de 60 bidões que continham químicos usados para a produção de droga representam apenas uma parte muito pequena de todo o material apreendido no inquérito da Operação Pacoba e, por isso, o valor de €144 mil pedido à Judiciária era referente à destruição de centenas de bidões e todos faziam parte do mesmo processo. Só esta semana a Judiciária deu conta do erro. A informação já foi retirada junto do gabinete da ministra.

A presidente da Federação Nacional dos Médicos acusa a ministra da Saúde de não ter um plano para contratar e fixar médicos no SNS. Em causa, o quadro global de referência aprovado na semana passada pelo Governo.

É pelas pastas das Finanças e também da Saúde. O documento mostra os objetivos com que podem contar as ULS até 2028, na área assistencial e de investimento. A presidente da Federação Nacional de Médicos, Joana Bordalo e Sá, diz que a ministra escolheu poupar no investimento nos profissionais de saúde.

Este documento é uma confissão escrita de que Ana Paula Martins, a ministra da Saúde, não tem um plano para contratar e fixar médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes operacionais de que o Serviço Nacional de Saúde precisa. O que nós estamos a ver é exatamente o contrário. A ministra da Saúde escolheu continuar a poupar nas pessoas e estrangular o SNS. Não há médicos suficientes, não há enfermeiros suficientes, as equipas continuam a trabalhar no limite. Os hospitais vão continuar a tapar buracos com horas extraordinárias, com médicos à tarefa, com profissionais exaustos.

Declarações à Rádio Observador da presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá sublinha que a margem de reforço de pessoal nas ULS é completamente reduzida.

São 10h12, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?

O ministro da Educação admite que vários alunos da Grande Lisboa podem começar as aulas sem todos os professores. Fernando Alexandre garante, no entanto, que o problema não se estende ao resto do país. À entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, explica que nesta altura está a haver ciclos semanais de colocação de docentes, mas que a partir do dia 18 o processo passa a ser diário. Nesta entrevista, o ministro anuncia também que no próximo ano letivo deve ser testada a fusão do primeiro com o segundo ciclos do ensino básico. Os concelhos de Loulé, São Brás de Alportel e Tavira, no distrito de Faro, estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. O IPMA coloca ainda mais de uma centena de concelhos de Portugal continental em perigo elevado ou muito elevado de incêndio. Esta situação vai manter-se, pelo menos, até segunda-feira. A Câmara de Lisboa foi condenada a pagar mais de €460 mil pelo caso Russia Gate, é o que avança o Diário de Notícias. O processo está relacionado com o envio de e-mails que incluíam dados pessoais de ativistas anti-Putin para a Embaixada Russa e outras entidades entre 2013 e 2021, durante os mandatos de António Costa e de Fernando Medina. Hoje não vamos sair do cinema, porque estreia hoje o documentário que acompanha o regresso dos Oasis aos palcos.

O regresso foi o ano passado, não foi? 15 anos depois de estarem afastados, voltou.

Afastados, os irmãos.

Os irmãos.

Os irmãos desavindos.

Um do outro e dos palcos.

E dos palcos.

E é tudo isso que o filme há de mostrar. Vai mostrar concertos, ensaios e os bastidores desta digressão, que também acompanha precisamente essa reaproximação.

Queria te apanhar!

O Bruno estava aqui a cantar.

Estava aqui a fazer um karaoke.