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Muito bom dia, são 11h. Estamos na hora da campanha da Rádio Observador. Já a seguir, na segunda edição do Explicador, nas manhãs 360 de fim de semana, vamos analisar o frente a frente entre Bloco de Esquerda e PCP. Vamos receber José Gusmão e João Oliveira. Mas pra já, são 11h e atualizamos as notícias. Eu sou o João Costa e Silva, a edição é do José Rafael Lopes. Nos debates televisivos, o PAN comparou o PS ao Bloco de Esquerda, o que para os socialistas é uma acusação que não faz sentido.

O coordenador do programa eleitoral do PS acusa o PAN de utilizar uma retórica que não faz sentido ao comparar os socialistas ao Bloco de Esquerda. A propósito do IRC, Miguel Costa Matos fala em argumentos contraditórios.

Desde há muitos anos que não conseguem recuperar o vigor eleitoral, a base de apoio, para voltarem a eleger mais do que uma deputada. E isso depois faz com que as pessoas recorram a instrumentos retóricos que não fazem sentido nenhum. Por um lado, diz que o IRC tem que ser condicionado, mas, por outro lado, acha que o PS está a se condicionar demasiado a descer o IRC. Bom, meus senhores, sigam um único princípio, balizem-se, porque senão, é que eles não são nem de esquerda nem de direita, dizem eles. Mas de facto são só confusos.

Miguel Costa Matos, no Explicador esta manhã aqui na Rádio Observador, onde também foi convidado Pedro Fidalgo Marques, do PAN, dirigente do partido, diz que a orientação política é irrelevante quando os partidos do centrão estão a perder credibilidade. Fidalgo Marques diz ainda que Pedro Nuno Santos tentou tirar os argumentos de Inês de Sousa Real sobre o IRC para debaixo do tapete.

Inês de Sousa Real foi bem clara na questão do IRC e realmente deixou Pedro Nuno Santos um bocado atrapalhado, sem saber como iria responder a essas questões. E aqui, mais uma vez, não tem a ver, e Miguel Costa Matos sentou no seu papel político, desviar desta questão dos esquerdoides ou de ser mais à esquerda ou mais à direita. Mas que seja bem claro no que eu disse. A questão aqui não é ser esquerda nem direita, e foi isso que eu disse. A questão aqui é as respostas que se dão aos portugueses. As pessoas esquecem, isso não é atacar o sistema político, isso não é ser populista, isso é precisamente poder dar aqui uma resposta clara às ânsias dos portugueses, que nos partidos tradicionais veem que essa resposta não está a ser dada.

Pedro Fidalgo Marques, do PAN, na análise ao debate de ontem entre Inês de Sousa Real, a dirigente do PAN, e Pedro Nuno Santos, secretário-geral do Partido Socialista.

Izé, já no debate entre Bloco e a CDU, a pressão ao PS marcou também este frente a frente.

Habitação e defesa, temas em maior evidência com Mariana Mortágua, Paulo Raimundo, a concordarem em vários aspectos. A coordenadora do Bloco, Mariana Mortágua, aproveitou para criticar Pedro Nuno Santos por ter desistido das pessoas no que toca à habitação. Ainda assim, mantém porta aberta para um acordo pós-eleições.

O entendimento depende das políticas. O Bloco de Esquerda apresenta prioridades às eleições e cá estaremos para conversar com o Partido Socialista e com todos os deputados que queiram mesmo um teto às rendas e que queiram mesmo ter uma política fiscal justa e que queiram mesmo respeitar quem trabalha por turnos. Os deputados do Bloco servem para isso e são condição para que isso aconteça. E é por isso que é tão importante votar no Bloco e eleger deputados.

Mariana Mortágua, ontem no frente a frente com Paulo Raimundo. Do lado da CDU, o secretário-geral do PCP diz que é preciso uma caixa de ferramentas muito maior, isto para resolver os problemas de Portugal na habitação.

Ela ganha uma dimensão tal que não é simples de resolver de um dia para o outro, é uma evidência. É quase que é preciso uma caixa de ferramentas para tratar das vertentes todas. E nós precisamos do quê? Precisamos de construir, precisamos de investir para construir, precisamos de remodelar, precisamos de adaptar o património público para a habitação, precisamos de atacar o problema das rendas.

Paulo Raimundo, em declarações no debate frente a Mariana Mortágua, transmitido pela RTP3 ontem à noite.

Na atualidade internacional, olhamos agora para a guerra na Ucrânia. Um ataque russo fez hoje dezenas de mortes em Sumy.

Pelo menos 21 pessoas morreram, 83 ficaram feridas, foram registadas hoje, depois de um ataque russo com um míssil balístico na cidade de Sumy, no nordeste da Ucrânia. De acordo com a imprensa local, o ataque atingiu uma zona central da cidade, junto à região de Kursk. Na rede social X, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, diz que foi um horrendo ataque russo. Refere ainda que há dezenas de civis mortos e dezenas de feridos.

Portugal ainda não decidiu se vai pedir a Bruxelas o alívio das regras do déficit para a defesa.

A Comissão Europeia pediu aos estados-membros para até o final do mês ativarem a cláusula de salvaguarda nacional para canalizarem mais investimento para a defesa. Ou seja, com esta cláusula, os países podem investir em defesa sem que essa despesa seja contabilizada para o déficit. Portugal ainda está a analisar se vai pedir ao Executivo comunitário a ativação deste mecanismo.

Nós olhamos para essa possibilidade, se ela eventualmente estiver em cima da mesa, com muita cautela, porque, mais uma vez, é importante que haja equilíbrio nas políticas públicas. É importante reforçar a defesa, mas, por outro lado, há outros pilares da União Europeia que não podem sair enfraquecidos por este reforço da despesa com defesa.

Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista à Agência Lusa, na Polônia, onde esteve numa reunião de ministros das Finanças da União Europeia para discutir o investimento em defesa. O objetivo do governo é que este investimento tenha o menor impacto possível no saldo orçamental, uma vez que o país tem tido excedente e crescimento econômico. O governo português tem vindo a dizer que não é preciso o alívio nas apertadas regras da União Europeia sobre o déficit.

Miranda Sarmento, que garante que o plano de 10 mil milhões de euros de apoios às empresas não tem impacto orçamental.

Em causa está o apoio apresentado pelo governo na quinta-feira para responder às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Segundo Joaquim Miranda Sarmento, este plano tem uma linha de financiamento do Banco Português de Fomento, uma entidade fora das contas públicas, uma segunda parte de seguros de exportações detida por empresas privadas e ainda uma reprogramação De fundos europeus. Ainda que o impacto orçamental seja zero, o ministro das Finanças admite que, a médio e longo prazo, este apoio poderá ter uma margem convertida em subsídios.

Praticamente não há impacto orçamental. A haver impacto orçamental, tal como aconteceu nas linhas Covid, ele acontecerá no final dos empréstimos, daqui a cinco, seis anos, numa pequeníssima margem desses empréstimos, em que se as empresas cumprirem um conjunto de critérios, exportarem mais, criarem mais emprego, investirem mais no final destas linhas de empréstimo, estamos a falar daqui a cinco, seis, sete anos, há uma pequeníssima parte desse empréstimo que pode ser convertida em subsídio e, portanto, não ser pago. Mas estamos a falar de um valor muito pequeno em termos de subvenções, face aos 10 bilhões do programa.

Qual é que é a dimensão?

Estamos a falar de cerca de 200 milhões de euros.

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, em entrevista à Agência Lusa.

Olhamos agora para o futebol. O Benfica procura hoje regressar à liderança isolada da Primeira Liga na receção ao Arouca.

Os encarnados vão entrar em campo no segundo lugar do campeonato, a um ponto do campeão Sporting. Ainda assim, o treinador do Benfica, Bruno Lage, diz que o foco está apenas na receção à equipa do Arouca.

O foco total, e acho que amanhã é um bom exemplo disso, que todos, quer nós, quer os jogadores, quer adeptos, estamos no foco certo para atingir os nossos objetivos. E nós, olhando para aquilo que é o nosso percurso, temos que estar é focados naquilo que são os nossos objetivos e para estarmos focados nos nossos objetivos, temos amanhã que estar apenas focados no jogo e ser favoritos é vencer o jogo de amanhã.

Bruno Lage, na antevisão deste duelo. Até ao início da partida, o Sporting está de forma provisória no primeiro lugar, isto depois de ontem ter vencido o Santa Clara por 1 x 0. Já o Futebol Clube do Porto também entrou ontem em campo, venceu o Casa Pia pelo mesmo resultado, 1 x 0. O jogo de hoje, o Benfica-Arouca, marcado para as 18h, tem relato e emissão especial aqui na Rádio Observador.

E a esta hora, Zé, que outras notícias marcam a atualidade?

A Expo Osaka 2025 abriu hoje portas ao público. Vai contar com a participação de mais de 150 países, incluindo Portugal. Prevê atrair cerca de 28 milhões de pessoas nos próximos meses. Esta expo decorre até ao dia 13 de outubro. Tem como tema "Desenhar as sociedades do futuro para as nossas vidas". Estima-se que o impacto económico da exposição mundial esteja situado entre os 12 e os 17 mil milhões de euros a entrar nos cofres japoneses. A presença portuguesa no evento conta com o envolvimento de mais de 150 empresas, associações, autarquias e artistas nacionais.

Onze horas, nove minutos. A seguir, o segundo explicador da hora da campanha, em que analisamos o debate entre Bloco de Esquerda e PCP, com José Gusmão e João Oliveira, explicador que começa daqui a pouco mais de um minuto.