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Este é o Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador. A edição é do José Rafael Lopes. A Comissão Nacional de Eleições enviou para o Ministério Público uma queixa do PS contra o ministro das Finanças.
Em causa está um alegado crime de violação dos devers de neutralidade e imparcialidade, de acordo com a deliberação da CNE, a que a Agência Lusa teve acesso, considera-se que Joaquim Miranda Sarmento recorreu a meios próprios do Estado para promover e enaltecer o plano de reforma da Administração Pública do governo já durante o período de dissolução. Em causa está uma comunicação enviada pelo Ministro das Finanças a 28 de março aos trabalhadores e dirigentes da Inspeção-Geral das Finanças. A Comissão Nacional de Eleições afirma, nessa deliberação, que esta comunicação foi, além de uma mensagem de apreço pelo trabalho da Inspeção-Geral. Nesse sentido, o caso foi reencaminhado para o Ministério Público por indícios da prática do crime de violação dos devers de neutralidade e imparcialidade.
No distrito de Viseu, um autarca do PS e candidato a deputado nas eleições legislativas contratou a empresa onde trabalha a filha.
Armando Mourisco, presidente da Câmara de Cinfães e candidato do PS a deputado nas legislativas de 18 de maio, adjudicou uma imobiliária onde trabalha a filha, a realização de um congresso no valor de €18 mil. Esta imobiliária foi a responsável pela organização de um congresso de segurança, integridade digital, o primeiro evento deste gênero. Ao Observador, Armando Mourisco e a imobiliária negam que a filha do autarca seja funcionária, mas nas redes sociais é apresentada várias vezes como jurista desta empresa. A adjudicação deste evento por parte da autarquia à imobiliária teve um custo de €18 mil, foi feito através de contratação excluída, um mecanismo menos exigente do que o ajuste direto.
O Livre lamenta que o primeiro-ministro não tenha participado no debate de ontem à noite.
Francisco Paupério acredita que Luís Montenegro desconsidera os partidos mais pequenos ao faltar aos debates e que o faz de forma deliberada. O candidato do Livre vai mais longe, diz que é mau sinal para a democracia que o primeiro-ministro escolha com quem quer debater.
O que parece que aconteceu foi que Luís Montenegro não queria estar no debate com todos os partidos. E se nós tentarmos encontrar uma explicação, não encontramos. O facto de dizerem que o CDS faz parte da coligação e que, portanto, tinha lugar à mesa, a verdade é que não só o ano passado não participou, mas também se olharmos para tudo o que foi a parte democrática de Portugal, normalmente são sempre os líderes da coligação e os candidatos, supostos candidatos a primeiro-ministro, coisa que Nuno Melo não é. Nós, muito antes do debate, avisamos que não era bom para a democracia Luís Montenegro não estar presente.
Ora, do lado da AD, a questão é vista de outra forma. Liliana Reis garante que a participação de Nuno Melo nos debates é uma escolha da própria coligação. A deputada social-democrata recusa que Luís Montenegro queira evitar os debates. Quer sim, diz Liliana Reis, dar espaço ao líder do CDS com quem partilha a coligação.
Nuno Melo sublinhou logo no início que não se tratava de uma desconsideração por alguns partidos, mas de uma estratégia levada a cabo pela Aliança Democrática. E Nuno Melo é efetivamente o presidente de um dos partidos políticos que está na Aliança Democrática e por isso faz todo sentido que também participe nesses mesmos debates. Por isso não me parece que haja aqui um menosprezo por alguns dos partidos políticos relativamente a esta opção por parte da AD.
Ora, declarações de Liliana Reis, deputada do PSD, esteve frente a frente com Francisco Paupério, do Livre, no Explicador desta manhã, na Rádio Observador, sobre o debate de ontem da AD frente ao Livre.
E que já está disponível, pode ouvir em podcast. Na análise ao frente a frente entre a CDU e a Iniciativa Liberal, João Oliveira diz que Rui Rocha perdeu a cabeça no debate.
Em causa está o final do confronto entre Paulo Raimundo e Rui Rocha, quando o líder dos liberais apresentou uma lista dos votos do PCP sobre a guerra na Ucrânia. O comunista diz que Rui Rocha ficou sem argumentos e acusa ainda os dirigentes dos liberais de terem um passado ligado a partidos como PSD e CDS.
O debate de ontem foi um debate demolidor do projeto político da Iniciativa Liberal. A forma como o Paulo Raimundo foi adiantando desenvolvimentos diretos e concretos relativamente às soluções que é preciso pôr em prática para ultrapassar esses problemas, conduziram àquele desnorte, àquela desorientação de Rui Rocha, que resolveu acabar o debate, eu diria, a bolsar o anticomunismo que é próprio da Iniciativa Liberal quando fica sem argumentos. Todos os dirigentes, o líder parlamentar da Iniciativa Liberal, aliás, o anterior líder parlamentar, hoje vice-presidente da Assembleia da República, o Rodrigo Saraiva, que também tinha sido há uns anos, todos eles têm um longo percurso pelo PSD, pelo CDS, por outros partidos, fazem de conta hoje que têm um currículo limpo, mas é verdadeiramente um cadastro político.
Já a vice-presidente da Iniciativa Liberal, Angelique da Teresa, acusa o PCP de desorientação ao atribuir à Iniciativa Liberal a culpa pelas anteriores governações e responde com o apoio ao governo do PS em 2015. Para esta noite estão marcados dois debates, um entre o PS e o PAN, às 21h, uma hora depois é vez de haver debate entre PCP e Bloco de Esquerda.
O ministro das Finanças não se compromete com prazos para o aumento do investimento em defesa.
À chegada para o encontro dos ministros da União Europeia, Joaquim Miranda Sarmento não se compromete com prazo ou com valor. Esta reunião, promovida pela presidência polaca, vai distribuir a eventual criação de um novo mecanismo europeu destinado a assegurar verbas para projetos de grande escala no setor da defesa. Depois da garantia de Luís Montenegro de que Portugal quer antecipar a percentagem de 2% do PIB de investimento no setor, Joaquim Miranda Sarmento não aponta nem prazos, nem valores.
Temos que o fazer de forma a criar aqui um equilíbrio entre manter E se possível, reforçar o Estado social, reforçar a capacidade de defesa e manter o equilíbrio orçamental. Este equilíbrio dessas três partes significa que temos que avançar nas três, sempre com cuidado e sempre numa lógica de não desequilibrar nenhuma delas. Haverá uma reunião em junho ou julho da NATO, onde isso será revisto. Nós estamos a trabalhar nesses cenários. Não posso, naturalmente, neste momento, comprometer-me nem com valor, nem com ano, mas teremos que acelerar.
Joaquim Mira Sarmento, em declarações recolhidas pela Agência Lusa, à chegada a este encontro de ministros das Finanças da União Europeia, que o governante português diz ser um bom ponto de partida para o debate.
No dia em que entra em vigor a retaliação da China às tarifas norte-americanas, a Europa tem uma nova oportunidade para se aproximar da Ásia.
É o que considera o especialista em assuntos asiáticos, Luís Ma. Todos os produtos importados dos Estados Unidos para a China passam a ter uma tarifa de 125%. A medida de Pequim foi anunciada ontem com uma resposta direta às últimas tarifas aprovadas por Washington, que sobem o total das taxas aplicadas às exportações chinesas para 145%. Com esta nova relação entre os dois países, Luís Ma diz que pode estar em cima da mesa uma aliança entre a China e a Europa contra as decisões norte-americanas.
Porque para a China, no fundo, interessa que a Europa seja autónoma e que tenha uma visão própria e não esteja dependente dos Estados Unidos. Quer a Europa, quer a China, são defensoras do modelo econômico atual, ou seja, da globalização comercial. Nesse sentido, julgo que há uma aproximação, que a Europa está também disposta a começar a lutar contra Washington, nesta guerra comercial iniciada por Washington.
Luís Ma, especialista em assuntos asiáticos, ouvido na Rádio Observador, salienta que há demasiada incerteza sobre a forma como a economia norte-americana pode reagir, até porque esta decisão pode pôr em risco todos os negócios entre os dois países.
12:08. Já a seguir temos "Cinco Continentes" na Rádio Observador, mas antes, Zé, olhamos ainda para outras notícias que estão em destaque.
Este fim de semana estão fechados seis serviços de urgências, as de obstetrícia e ginecologia dos hospitais Garcia de Orta, em Almada, Dom João de Sintra, do Hospital de Leiria e do Barreiro, estão todos encerrados, todos estes serviços de urgências. Já nas urgências de pediatria, são dois os encerramentos hoje: no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e no Hospital de Vila Franca de Xira. Todo o país está sob aviso amarelo devido à chuva. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê que Portugal continental vá ser afetado por aguaceiros acompanhados de trovoada e granizo, bem como vento forte. O alerta amarelo em Portugal continental mantém-se até às 18h. E a fechar, Donald Trump quer dar 10 milhões de dólares a cada habitante da Gronelândia para anexar o território. É uma informação, João, avançada pelo jornal The New York Times, dá conta de que o governo americano está a pensar num plano de suborno para os habitantes da ilha dinamarquesa.
E ele está disposto a investir este dinheiro sem ter nada em troca? É que parece um bocado estranho. Não estou a acreditar muito nisto.
Pois, a questão é que aqui uma parte terá que ser devolvida. Estes valores que correspondem, feitas as contas pelo New York Times, a 600 milhões de dólares, terá depois de ser reembolsado aos Estados Unidos com recursos naturais da própria ilha.
Pois, logo vi que isto trazia água no bico. É o ponto final no Jornal do Meio-Dia. A edição é do José Rafael Lopes.