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O Jornal do Meio-Dia tem edição do Miguel Cordeiro. Miguel, o Presidente da República garante que acompanhou desde o primeiro momento o incidente que levou à morte de um militar em Lamego.

Marcelo Rebelo de Sousa reage à morte do alferes de infantaria João Rafael Paulino dos Santos Cardoso. Numa nota de pesar no site da Presidência da República, o também comandante supremo das Forças Armadas garante que tem acompanhado os desenvolvimentos deste caso e garante que está em contacto direto com o General Chefe do Estado-Maior do Exército. O Presidente da República expressa a profunda solidariedade e apresenta as mais sentidas condolências aos familiares, amigos e camaradas do militar.

Militar que morreu durante a realização de exercícios no rio Balsemão, em Lamego. Este militar estava desaparecido desde ontem à noite e o corpo foi encontrado esta manhã.

Informação transmitida pelo exército em comunicado. A vítima mortal é um alferes de infantaria natural de Mafra. Estava desaparecido desde ontem à noite, na sequência de um incidente que aconteceu durante a frequência do curso de operações especiais no rio Balsemão, em Lamego, em Viseu. O exército informa que determinou a abertura de um processo para apurar o que aconteceu. A Polícia Judiciária Militar está a par deste caso. O exército adianta que ativou os mecanismos de apoio à família do militar. Lamenta o exército profundamente esta morte e apresenta sentidas condolências também à família, amigos e camaradas do alferes. Tudo isto pode ler-se no comunicado divulgado esta manhã.

É um assunto que vamos continuar a acompanhar aqui na Rádio Observador. E a depressão Joseph deu muito trabalho às autoridades durante a última noite. Registaram-se cerca de 500 ocorrências só esta madrugada. O Norte é a zona mais afetada.

É o que indica o mais recente balanço da Proteção Civil. A madrugada foi muito complicada e fazendo a conta entre domingo e esta manhã, as autoridades responderam a mais de 1500 ocorrências. A Proteção Civil faz um novo ponto de situação ao 12h30. A Energias de Portugal, entretanto, comunicou esta manhã que há 8 mil clientes sem energia elétrica em várias zonas de Portugal continental, por causa do mau tempo provocado pela passagem da depressão Joseph.

E no Porto, junto à Ribeira, os comerciantes foram alertados para a possibilidade de cheias.

Por causa da chuva intensa que se tem sentido nos últimos dias, há o risco de cheias em períodos de maré alta. A repórter do Observador, Maria Rego, falou com alguns proprietários de restaurantes nesta zona. E Maria, agora em direto, as consequências da tempestade Joseph podem ser mais visíveis nas próximas horas ou o pior já passou, neste caso?

Para já, há poucos danos a registar. Num dos restaurantes onde estivemos, deram-nos conta de um guarda-sol e um para-vento que ficaram danificados com as rajadas de vento, que na noite passada ultrapassaram os 100 km/h. Há pouco falámos com o Vagner Fernandes, um dos funcionários do restaurante instalado mesmo em frente à Ribeira. Este funcionário trabalha há quatro anos aqui e dá conta de que, apesar das previsões pouco animadoras, só em último caso fecharão as portas.

A gente teve alguns avisos de cheia esses dias, por exemplo, o rio hoje está muito alto, mas eu acredito que se continuar assim, provavelmente em um ou dois dias a gente tem que fechar. Mas como vem o Rangers e Porto, é um dia de muito trabalho, ou seja, mesmo que a gente consiga trabalhar um pouco, a gente tenta, mesmo assim.

Vagner Fernandes, que adiantou que ontem todos os restaurantes e comerciantes foram notificados pela Proteção Civil sobre que cuidados tomar.

Sempre atentos. Ontem esteve a Defesa Civil aqui, a Proteção Civil, falando com todos nós e disseram que a partir das 20h00, no caso de ontem, e se estendia por dois ou três dias essa cena de atenção. Ou seja, tudo que passar agora a gente tem que ter cuidado e responsabilidade nossa e dos nossos chefes, claro.

Mas que tipo de aviso é que vos deram?

Aviso de cheias, de ventos e de chuvas muito fortes, muito intensas. Que aqui pra baixo, onde a gente trabalha nos guarda-sóis, é mais complicado. Se fosse um local fechado, até não teria tanto esse problema. Mas como aqui é assim, a gente acaba por ter que ter atenção a esses avisos.

As palavras deste comerciante, que dá conta desse aviso deixado pela Proteção Civil, que continua também aqui junto à Ribeira. Num outro restaurante onde estivemos, Hélder Cardoso, um outro comerciante, explica que até agora não houve nenhum incidente.

Tivemos que nos prevenir um bocadinho com a questão da subida da água, mas felizmente, pelo menos até agora, mesmo com o alerta, não tivemos ainda grande incidente, por assim dizer.

Não há estragos a registar.

Não, ainda não temos nada a registar. Estamos prevenidos para isso, mas ainda não.

Este comerciante deu-nos ainda conta de que nem este tempo mais agressivo tem afastado a clientela.

Mesmo quando deviam ter um bocado mais de precaução, que tem a ver com a orla do rio, as pessoas não têm, as pessoas vêm na mesma. E se faz sol como agora, enche tudo outra vez.

Como ouvimos neste testemunho, o cenário por aqui permanece com algum sol, mas Miguel, posso dizer-te que nas últimas horas que estivemos aqui, teve sol, chuva forte e trovoada. É um tempo muito inconstante causado pela tempestade Joseph.

Portagem da Maria Rego, junto à zona ribeirinha do Porto.

E o distrito de Viana do Castelo é um dos mais afetados pelo temporal.

Principalmente em Ponte Lima. O presidente da Câmara Municipal dá conta de inundações em habitações. Destaca que não foi preciso realojar ninguém. Diz que se registaram também queda de árvores no concelho, sem registro de feridos ou danos materiais. Noite complicada também em Arcos de Valdevez, estradas submersas e também uma derrocada registrada já esta manhã. Isso foi detalhado pelo autarca à Rádio Observador. Em Caminha houve também corte de estradas devido às chuvas intensas nas últimas horas. Já na região do Distrito de Lisboa, Torres Vedras, inundações a preocupar a Câmara Municipal. Algumas casas ficaram inundadas e vários troços de estradas estão cortadas ao trânsito no concelho de Torres Vedras, devido ao mau tempo e ao transbordo do rio Sizandro.

E o Ministro dos Negócios Estrangeiros português aplauda o acordo entre a União Europeia e a Índia.

Depois de 18 anos de negociações, a União Europeia e a Índia chegaram esta manhã a acordo sobre o novo tratado comercial. Trata-se de um novo mercado sem barreiras para 2000 milhões de consumidores entre a Europa e a Índia. Vai funcionar este mercado sem taxas alfandegárias, à semelhança de um mercado único. A presidente da Comissão Europeia espera que a Europa duplique as exportações nos próximos anos. Hoje, em Lisboa, Paulo Rangel elogiou este acordo. Na sessão de abertura de uma conferência da Fundação Calouste Gulbenkian, Paulo Rangel disse também que o acordo Mercosul não pode ser mais adiado, com o prejuízo de criar desconfiança perante outros aliados da União.

E Paulo Rangel falou também do conflito no Médio Oriente.

Quanto a essa questão, Paulo Rangel acredita que a entrega dos restos mortais do último refém do Hamas pode abrir caminho para a próxima fase de negociações no Médio Oriente.

É preciso agora fazer justamente esse caminho. Já foi indicado o governo tecnocrático, mais administrativo, composto apenas por palestinianos, e agora era muito importante estabelecermos o chamado Board of Peace. E por isso é que Portugal tem dito que esta proposta americana que foi feita, se deveria cingir à questão de Gaza, que é o que está previsto na resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

E Rangel refere que Portugal só vai aderir ao Conselho de Paz criado pelo presidente norte-americano, se o âmbito da organização se cingir ao conflito israelo-palestiniano.

João Cotrim Figueiredo sugere o voto em António José Seguro, ao defender que é melhor um candidato parado do que a colocar o país a andar para trás.

O antigo candidato presidencial, que conseguiu o terceiro lugar na primeira volta, garante que não vai votar em branco e considera que o leque de escolhas de candidatos para votar na segunda volta é péssimo. Ainda assim, Cotrim Figueiredo sugere que é melhor a estagnação do que posições reacionárias em Belém.

Um dos candidatos, de facto, quer Portugal andar para trás, mas o outro quer Portugal parado. Portanto, a escolha que saiu desta primeira volta é uma escolha péssima para os portugueses. As pessoas estavam a criar todas as condições para que a escolha fosse entre alguém que tem ideias completamente reacionárias e outro que tem ideias de deixar tudo na mesma, basicamente. Portanto, a escolha dos portugueses entre estar parado e andar para trás. Eu, apesar de tudo, entre as duas, prefiro estar parado, mas é uma coisa horrível. E percebo muito bem todos aqueles que vão votar em branco ou se querem abster.

Palavras de João Cotrim Figueiredo à CNN Portugal, a partir de Bruxelas. António José Seguro e André Ventura encontram-se esta noite no único debate desta segunda volta.

12h10, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?

Uma explosão no apartamento de seis andares em Coimbra provocou cinco feridos. Este caso ainda está a ser analisado. Isto foi detalhado ainda há pouco pelas autoridades da Proteção Civil aos jornalistas. É um tema que vamos continuar a detalhar nos próximos espaços informativos. A fechar: morreu o mestre da guitarra portuguesa. António Chainho morreu hoje, no dia em que fez 88 anos.

E ainda recentemente tinha editado um álbum, não era, Miguel?

Sim, setembro de 2024. António Chainho encerrou a carreira nessa altura de 60 anos, com o álbum "O Abraço da Guitarra", e nesse álbum homenageou aqueles que considera os mestres através da rádio: Armandinho, José Nunes, Raul Nery, Francisco Carvalhinho ou Domingues Camarinha.

António Chainho começou a tocar numa eufadista ainda na década de 1960, não é? 1960.

Sim, década de 60. Começou a tocar com mais frequência, mal terminou o serviço militar obrigatório, mudou-se para Lisboa a partir de São Francisco da Serra, no Conselho de Santiago do Cacém. E na altura começou a tocar no restaurante A Severa, no Bairro Alto. Já tinha atuado também no Café do Pai, na Praça do Chile, em Lisboa. Abandonou o palco 60 anos depois, terminou a carreira em 2024. Hoje morreu com 88 anos.

António Chainho, a fechar o jornal do meio-dia.