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O Meio-Dia. Jornal do Meio-Dia com a edição do Luís Soares. Luís, no regresso de José Sócrates à Operação Marquês, o antigo primeiro-ministro voltou a prestar declarações, prometeu abordar os circuitos de dinheiro, mas começou com acusações antigas.
Nomeadamente sobre as renúncias dos advogados. À entrada pro tribunal, o José Sócrates insistiu na ideia de que não tem advogado a representá-lo e já dentro do tribunal, João Lourenço, o José Sócrates criticou o coletivo de juízes pela forma como tem gerido esta situação.
Com uma nova recusa das responsabilidades pela renúncia dos advogados no julgamento. Já foram três que renunciaram, neste caso, a defender o antigo primeiro-ministro, muito por causa do tempo que o coletivo de juízes dá para a preparação dessa defesa. Normalmente rondam esses 10 dias. Ora, José Sócrates, dentro da sala de julgamento aqui do Campus de Justiça, diz e passo a citar: "É profundamente injusto que seja atribuído a mim a responsabilidade pela renúncia dos advogados". Compara também esta indicação dos defensores oficiosos por parte da Ordem dos Advogados e também por parte da coletividade de juízes, como, por exemplo, a escolha do juiz Carlos Alexandre na fase do inquérito. Isto naturalmente remonta até 2014. José Sócrates a referir que a prisão se deveu a essa manipulação da escolha do juiz do inquérito, ou seja, atribui essas culpas ao Estado português. Dentro já dos últimos minutos, José Sócrates já entrou no objeto do processo, não antes sem levar uma reprimenda por parte da juíza Susana Seca, juíza que enumerou uma longa lista de aspectos sobre os quais José Sócrates falou, sem deixar de lembrar que o ex-primeiro-ministro tinha de se limitar ao que vincou como objeto do processo. Nos últimos minutos, e até porque José Sócrates falou de várias temáticas ao longo desta manhã de quinta-feira, falou e voltou ao tema de Ricardo Salgado e à continuação do procedimento criminal contra o antigo presidente do BES. Falou e, neste caso, acusou o Estado português de julgar pessoas dementes e refere isto por dever de consciência. Este julgamento, que teve uma breve pausa de cerca de 15 a 20 minutos entre as 11:15 e as 11:30 ou 11:35, está novamente a decorrer esta décima audição de julgamento. Está-se a falar não só da casa de Paris, mas também de toda a circulação de dinheiro, ou seja, fatos que decorreram depois de 2011. Vamos continuar a acompanhar esta décima audição do julgamento da Operação Marquês.
João Lourenço, em direto do Campus da Justiça, onde hoje José Sócrates volta a prestar declarações no âmbito da Operação Marquês.
E o Instituto Nacional de Estatística confirma que a taxa de inflação em Portugal acelerou para 3,3% em agosto.
Fica assim confirmada a estimativa rápida do INE, avançada há cerca de duas semanas. Este ritmo de subida dos preços representa uma aceleração em relação aos 3% registrados em julho, também em comparação com o mesmo mês do ano passado, e é explicado pelo aumento dos preços dos combustíveis, já que no que diz respeito à inflação subjacente, o índice que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, registou uma variação de 2,6%, neste caso, uma taxa idêntica à que tinha sido registrada em julho.
E agora que foi confirmado este valor, Luís, está confirmado também o valor das subidas das rendas no próximo ano.
Os senhorios podem aumentar o valor das rendas até 2,56% no próximo ano, é um valor calculado com base nos números da inflação de agosto. De acordo com estes dados do INE, nos últimos 12 meses, até agosto, a variação média do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 2,56% e é este o valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das rendas para o próximo ano, ao abrigo do novo regime do arrendamento urbano.
E a deputada socialista Marina Gonçalves considera que o antigo ministro da Educação, João Costa, não assumiu qualquer responsabilidade pelos resultados de Portugal nos testes PISA.
E que mostram que Portugal está em queda nas capacidades de leitura e da matemática. Em declarações a vários meios de comunicação social, o antigo ministro socialista assume responsabilidades pelo fraco desempenho, mas considera que os dados têm de ser lidos tendo em conta os anos da pandemia, a falta de professores e também o pouco acompanhamento das famílias. Na comissão de inquérito aqui na rádio esta manhã, a deputada socialista Marina Gonçalves faz outra interpretação.
Eu acho que se interpretou muito mal as palavras do João Costa, porque o João Costa o que disse foi que a responsabilidade não é uma responsabilidade deste governo, como não é só do governo do António Costa, do governo do Partido Socialista. Vamos aqui ver. Este período de avaliação tem uma pandemia no meio, que tem um impacto direto nos resultados do PISA. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Aliás, o retrocesso não é um retrocesso que se verifica só em Portugal, verifica-se em toda a Europa e tem muito a ver com isto. E há de ter muito a ver também com outras dimensões. Pelo menos do meu entendimento, aquilo que o João Costa disse é porque o Partido Socialista, aliás, tem uma postura bastante diferente do PSD. A culpa não é sempre dos outros. Nós justamente temos a nossa responsabilidade e a nossa cota parte de responsabilidade também a devemos assumir. Agora, João Costa não disse que o problema foi o Partido Socialista e que o PSD até está a fazer tudo bem.
Marina Gonçalves, deputada do PS na comissão de inquérito desta manhã. Já ontem, o deputado Porfírio Silva relativizou também as responsabilidades sobre os resultados dos testes PISA e acusou o atual governo de não saber ler os dados. São críticas que obtiveram resposta há instantes por parte do ministro da Educação, em Braga, Miguel Pinheiro Correia.
Aqui em Braga, Luís, o ministro da Educação reagiu com naturalidade a essas queixas ou a esse assumir de responsabilidades.
Estamos criando algumas dificuldades em ouvir o Miguel Pinheiro Correia em Braga com a reação do ministro da Educação. Parece-me que melhorou agora, Miguel. Retomo, então, o teu raciocínio. Agora penso que estamos a ouvir-te com melhores condições
Como dizia, foi com naturalidade que Fernando Alexandre olhou para esse assumir de responsabilidades de João Costa, o anterior ministro da Educação, ao contrário do que indicavam esses deputados socialistas que tivemos a oportunidade de ouvir agora.
O ex-ministro João Costa foi bastante sério, rigoroso, é um acadêmico, também esperaria isso dele. E obviamente, os resultados de um exame que é feito em 2025, quando houve um governo que esteve oito anos e meio no poder, em que teve um secretário de Estado, que era o professor João Costa, que tinha a responsabilidade que tinha e depois foi ministro nos últimos dois anos, obviamente, as aprendizagens em 2025 não são responsabilidade de um governo que entrou a meio de 2024.
Aqui Fernando Alexandre, como dizíamos, assumir que é natural que essa responsabilidade seja assumida por João Costa, o ex-ministro, sendo que no início desta visita à maior residência universitária do país, agora inaugurada e pronta a receber mais de 700 alunos para o próximo ano de ensino superior, Fernando Alexandre até elogiou o governo de António Costa pelo orçamento que permitiu avançar com esta obra, mas aqui no final, aos jornalistas, reconheceu as falhas. Fernando Alexandre, noutra nota, também a terminar as declarações, olhou já pro próximo ano letivo e assumiu que começará a ser já testada neste ano letivo a fusão de primeiro e segundo ciclos. Fernando Alexandre, nesta visita, como dizia há pouco, à maior residência universitária do país, agora inaugurada.
Miguel Pinheiro Correia, aqui em direto, a acompanhar esta visita, esta inauguração de uma residência universitária em Braga, com o ministro da Educação, em que elogia a seriedade de João Costa na reação aos resultados dos testes PISA. Meio-dia e nove, Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora? O economista Ricardo Reis foi afastado da corrida ao cargo de economista-chefe do FMI por críticas às tarifas de Donald Trump. De acordo com a Financial Times, ele estaria na calha para se tornar líder do departamento de investigação econômica do FMI, mas está sendo afastado da corrida por ter criticado as tarifas de Donald Trump. Ricardo Reis iria liderar o departamento de investigação e assumir o cargo de principal conselheiro econômico do FMI. Os rebeldes xiitas houthis do Iêmen tomaram hoje o controle da cidade de Mocha, no mar Vermelho. De acordo com uma fonte iemenita, estavam a avançar em direção também ao estreito chave de Bab El-Mandeb. Os avanços dos rebeldes apoiados pelo Irã seguem-se aos bombardeamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen. O Banco Central Europeu deve decidir hoje uma nova subida das taxas de juro. Vai ser a segunda subida este ano e pode não ser a última. Christine Lagarde já tinha alertado em julho para essa possibilidade. Para já, a taxa de juro de referência deve subir dos atuais 2,25% para 2,5%. Isto no dia também em que o preço do petróleo Brent para entrega em novembro ultrapassou a barreira dos $102, os máximos desde maio. Luís Soares e o Jornal do Meio-Dia.