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Observador. Jornal da Uma, com a edição do jornalista João Gama. Fim do impasse: Michel Barnier é o novo primeiro-ministro francês.

Antigo comissário europeu, acaba de ser nomeado por Emmanuel Macron. Um anúncio que foi feito pela presidência francesa através de um comunicado no qual o chefe de Estado pede a Michel Barnier que forme um governo de união ao serviço do país. Emmanuel Macron garante ainda que o conservador reúne as melhores condições de estabilidade pra governar. Michel Barnier tem 73 anos, pertence ao Partido Republicano, já foi ministro em quatro pastas diferentes, comissário europeu por duas vezes e desempenhou um papel fundamental como negociador do Brexit pela União Europeia. O anúncio da nomeação surge dois meses depois das eleições legislativas, nas quais nenhum partido assegurou uma maioria absoluta.

E as reações dos partidos políticos dividem-se, João.

A escolha está a ser criticada à esquerda. Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, um dos partidos da coligação da Nova Frente Popular que venceu as eleições, acredita que a eleição foi roubada com esta nomeação. Diz que o nome indicado por Emmanuel Macron é próximo da Frente Nacional de Marine Le Pen. Já o partido de Emmanuel Macron diz que o presidente francês cumpriu o seu papel constitucional e que não vai fazer uma censura automática, nem passar um cheque em branco ao novo primeiro-ministro. Junta-se a este jornal Paulo Sande, especialista em assuntos europeus. Foi também candidato ao Parlamento Europeu. Paulo Sande, boa tarde. Eu começo por perguntar quem é Michel Barnier e por que foi escolhido por Emmanuel Macron.

Bem, Michel Barnier foi escolhido porque aparentemente é aquele que tem mais condições de liderar um governo que possa durar. Isto por quê? Porque muitas das suas posições já enquanto comissário europeu e mais recentemente até acabam por não andar muito longe daquilo que é a agenda do partido de extrema-direita, enfim, do partido de Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional. E isso permite pensar que não haverá uma oposição desse partido para já e, portanto, não haverá a apresentação de uma moção de censura, o que permitirá ao governo enfim, pelo menos iniciar as suas funções, depois veremos. Mas é essa perspectiva que está aqui em causa.

E o que é este governo de união ao serviço do país que Emmanuel Macron pede a Michel Barnier? Sabemos que é preciso uma ginástica pra conseguir encontrarmos uma maioria estável no Parlamento francês. Que governo de união pode ser este liderado por Michel Barnier?

Maioria estável não haverá, certamente. Se olharmos para os números, nós temos a noção clara que sem o Reagrupamento Nacional à direita ou sem a Nova Frente Popular, que aliás ganhou as eleições, enfim, aquela coligação de vários partidos, mas que tem lá dentro a França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, foi desde o princípio rejeitado por todos, quer o primeiro-ministro em funções, Gabriel Attal, quer os republicanos avisaram logo que se houvesse um governo de esquerda com ministros da França Insubmissa, que imediatamente apresentaria uma moção de censura. E essa moção passaria, certamente. Portanto, não há na atual composição do Parlamento francês, da Assembleia Nacional, nenhuma solução estável. Isso não existe. Aquilo que é, na minha opinião, pelo menos, que de alguma forma também corresponda ao que foi pedido, quer por Macron, quer por Attal, é alguém que possa, de alguma forma, não suscitar, desde já, uma oposição, nomeadamente da extrema-direita, enfim, do partido Marine Le Pen, como quisermos chamar, que tenha o apoio dos republicanos, que já avisaram também a sua posição, e naturalmente, do Juntos pela República, e assim possa governar. Quanto tempo governará? Bom, isso é outra questão.

Quais são os primeiros desafios que vai encontrar como primeiro-ministro? Essa estabilidade governativa praticamente impossível de alcançar. Há algum assunto na pasta do próximo primeiro-ministro que vá ser fundamental nos próximos tempos?

Há um assunto essencial para a França neste momento. Enfim, eu diria talvez dois até, se quisermos. A primeira é a questão da imigração. Aliás, Marine Le Pen já disse muito recentemente que um dos aspectos que levaria o seu partido a apoiar ou não apoiar um governo seria uma posição muito dura relativamente à imigração e à insegurança. E aí, esta solução e Michel Barnier, de fato, vai ao encontro desse objetivo. Portanto, a imigração é naturalmente uma das suas primeiras prioridades. E depois é a questão econômica, é a questão da dívida francesa, que é uma bomba-relógio que ameaça a França e no fundo, ameaça a Europa toda.

Uma última pergunta, Paulo Sande. Antes de Michel Barnier, sabemos que Emmanuel Macron apostou em Gabriel Attal. Era muito novo, talvez o primeiro-ministro francês mais novo de sempre, não tenho isso como seguro, mas agora parece trazer um veterano da política francesa, da política europeia até. Há aqui uma mudança de perspectiva por parte do presidente francês, de estratégia pelo menos?

Não, é uma estratégia de sobrevivência, se quisermos usar esta palavra. É uma estratégia de sobrevivência. Michel Barnier não será obviamente um candidato em 2027. Aliás, já há um candidato declarado, Édouard Philippe, um aliado tradicional do Macron, que veio declarar essa intenção. Barnier tem 73 anos, tentou ser candidato em 2021 e não conseguiu. E Gabriel Attal, vamos ver também qual é o futuro dele. Enfim, a certa altura dizia-se que Macron apostava nele justamente para ser o seu sucessor em 2027.

Exatamente.

E isso passou, enfim, talvez até essas recentes eleições Por causa das quais tão criticado foi Macron, tivessem um bocadinho a ver com isso e com essa estratégia para 2027. Mas claramente Michel Barnier é uma solução para tentar manter um governo o máximo de tempo possível, sendo que há uma coisa que é certa, se olharmos mais uma vez para os números, é que quem apresentar uma moção de censura dificilmente deixará de ter maioria na Assembleia, os tais 289 votos, os tais 289 deputados que levarão à demissão do governo. Portanto, o que Macron, no fundo, pretende, aparentemente, é para já dar uma solução. A situação estava a se tornar insustentável. Depois, encontrar alguém que de alguma forma, aproximando-se da extrema-direita no seu ideário, no seu programa, possa pelo menos garantir que para já não haverá uma moção de censura. Bom, isso não quer dizer que não venha a haver. É bom lembrar que, por exemplo, o governo de Elisabeth Borne, o governo de Frances, sobreviveu, eu acho que a mais de 20 moções de censura. Neste caso, dificilmente sobreviverá este governo a uma moção de censura que seja apresentada e que naturalmente considerará apoios à esquerda. A esquerda, obviamente, está muito zangada e, aliás, já ouvimos Mélenchon a dizê-lo. E depois bastará uma proposta desse gênero, por exemplo, do partido de Marine Le Pen, para que esse governo não prossiga. E dificilmente se evitarão novas eleições, diria eu.

É o próximo capítulo desta vida política difícil francesa. Agradeço a Paulo Santos, especialista em assuntos europeus, ter estado conosco no Jornal da Uma analisar esta escolha de Michel Barnier como novo primeiro-ministro francês.

Olhamos agora para a atualidade nacional. O orçamento de Estado volta a ser discutido entre governo e oposição para a semana, na terça-feira.

A notícia foi primeiro avançada pelo Expresso, confirmada agora pela Agência Lusa, por fonte do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares. As reuniões vão acontecer na Sala do Governo, na Assembleia da República. Devem começar por volta das 10h e acontecer por ordem crescente de representação parlamentar. A primeira ronda aconteceu já no dia 19 de julho, antes das férias políticas. Luís Montenegro não esteve presente por razões de saúde. O governo foi então representado pelos ministros das Finanças e da Presidência.

E numa altura em que o governo e Partido Socialista acentuam linhas vermelhas, o antigo secretário de Estado, Miguel Prata Roque, insiste que os socialistas não devem viabilizar o orçamento.

Foi o convidado desta manhã do programa Comissão de Inquérito, da Rádio Observador. Miguel Prata Roque entende que o PS não deve ceder às políticas fiscais dos sociais-democratas e considera que é Luís Montenegro quem tem de arranjar forma de pôr em prática o programa que levou a eleições.

Foi evidente nas últimas eleições legislativas que as pessoas quiseram uma mudança e quiseram experimentar políticas de centro-direita. E o Partido Socialista não pode querer reconciliar-se com os eleitores. Não pode querer ser levado a sério se não interpretar bem esses resultados eleitorais. As pessoas quiseram há muito pouco tempo que o país fosse governado à direita. Tem que haver clareza. Os portugueses têm que saber o seguinte: se tivermos um governo de direita, as políticas são estas. Se tivermos um governo de esquerda, as políticas são aqueloutras. O que o PS tem é que obrigar o PSD a cumprir as suas promessas e a aplicar o programa político que apresenta aos portugueses.

Miguel Prata Roque, esta manhã na Rádio Observador, no programa Comissão de Inquérito. Esta é uma posição que tem mantido, que o PS não deve viabilizar o orçamento de Estado. Neste programa, Miguel Prata Roque deixou ainda duras críticas a Marcelo Rebelo de Sousa e lança Mário Centeno na corrida por Belém.

Na saúde, o Conselho de Administração da ULS de Almada e Seixal foi destituída. Os diretores de serviço do Garcia de Orta e os coordenadores dos centros de saúde estão contra.

Num abaixo-assinado, os profissionais de saúde dizem discordar da demissão do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal. O documento foi assinado por mais de 80 profissionais de saúde e pelos diretores de serviço do Hospital Garcia de Orta reiteram toda a confiança na atual equipe de gestão e dos projetos que estão em curso.

O governo não ouviu os autarcas e isso merece as críticas do presidente da Câmara do Seixal.

Paulo Silva admite à Rádio Observador que a decisão foi uma surpresa.

Não, a Câmara Municipal do Seixal ficou bastante surpreendida com esta decisão de afastamento da administração da Unidade Local de Saúde, porquanto, para nós, os problemas existentes não eram responsabilidade da administração, que, pelo contrário, estava a fazer todas as medidas que estavam ao seu alcance para minorar o problema, mas sim problemas existentes, dos conflitos que existem entre o Ministério e os profissionais de saúde, que urge resolver.

Declarações do presidente da Câmara do Seixal à Rádio Observador garante ainda que a adaptação da nova administração vai demorar tempo, que os utentes não têm, devido às difíceis situações que estão a enfrentar no Serviço Nacional de Saúde. Deixa ainda elogios a Maria Teresa Luciano, agora ex-presidente da administração da ULS Almada-Seixal, diz que era a melhor profissional para o cargo.

Uma hora, 11 minutos, João Gama, é a esta hora que outras notícias estão a marcar a atualidade.

O Parlamento ucraniano acaba de aprovar um novo nome para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, é o sucessor de Dmytro Kuleba, acaba de ser votado, de acordo com a imprensa ucraniana, é o que está a ser avançado pelo jornal Kyiv Independent. O Ministério Público abriu inquérito à queda do helicóptero no Douro, causou cinco mortes, um anúncio feito pela Procuradoria-Geral da República. A queda aconteceu na passada sexta-feira. Na Alemanha, morreu o suspeito de um tiroteio perto do consulado israelita em Munique. O homem terá disparado vários tiros perto do consulado e foi alvejado pela polícia. Ainda não há informação, mas este incidente acontece no aniversário dos ataques terroristas dos Jogos Olímpicos de Munique de 72, que mataram 12 atletas israelitas.

O jornalista João Gama com as notícias que estão a marcar a atualidade. Voltamos a olhar para o mundo na síntese de notícias da Uma e Meia. Até já, João.

Combinados, até já.