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É uma hora Está no ar o Jornal da Uma, com edição do José Rafael Lopes. José, começamos com o debate das rádios. O PS afirma que tudo fará para alcançar uma solução de governabilidade.

Os cenários de governabilidade foram um dos temas fortes durante as duas horas de debate e com Pedro Nuno Santos a apelar ao voto útil. No entanto, o secretário-geral do PS admite estar convicto de que vai conseguir alcançar uma maioria, apesar de admitir a possibilidade de entendimentos pós-eleitorais.

Estamos convictos de que ao longo destas próximas duas semanas conseguiremos mobilizar uma maioria para que nos permita ganhar as eleições e depois tudo faremos, no quadro da configuração parlamentar que sair dessas eleições, para garantirmos uma solução com estabilidade política que Luís Montenegro não conseguiu garantir ao longo do último ano e meio.

A AD diz não admitir um cenário em que não vença as eleições. No entanto, Luís Montenegro diz que a estabilidade depende de todos os partidos e atira críticas ao PS, que responsabiliza pelo novo período eleitoral.

O Partido Socialista convive mal com a derrota. E foi por isso que nós estamos a viver esta crise política agora. O Partido Socialista não aceitou perder as eleições, o Partido Socialista não aceita estar longe do poder. A estabilidade política depende de quem ganha, depende de quem não ganha, depende da maturidade política de todos. E naturalmente nós, humildemente, aceitamos o juízo que é soberano.

Da parte do Chega, André Ventura está confiante de que vai vencer as eleições, mas se não for esse o caso, mais ou menos deputados não é a questão para o Chega. Diz André Ventura que o importante é que exista uma maioria de direita.

Temos um primeiro-ministro que tinha uma maioria, que a desperdiçou. Não foi o André Ventura que desperdiçou a maioria. Foi o Luís Montenegro que desperdiçou a maioria. Primeiro ponto. Segundo ponto: se já desperdiçou a maioria uma vez, quem é que nos garante que não a vai desperdiçar outra vez? O Chega quer vencer à direita estas eleições e qualquer resultado, mesmo que aumente o número de deputados, não será uma vitória para nós.

Da parte do Chega, Ventura está, portanto, confiante de que vai vencer as eleições. A iniciativa liberal não rejeita o entendimento com a AD, mas para isso o programa eleitoral da coligação PSD/CDS tem de ser mais ambicioso. É o que defende Rui Rocha.

Uma falta de agressividade, assertividade na baixa de impostos e temos também que baixar a tributação para as empresas. Há um conjunto de questões que são as áreas em que a AD não conseguiu executar, nem sequer o seu programa, muito menos um programa da ambição que era necessário para Portugal, e em que é preciso, de facto, dar um horizonte de esperança e uma visão de país diferente.

Já à esquerda, não se afasta um cenário de reedição da geringonça, mas Mariana Mortágua, pelo Bloco de Esquerda, coloca PS e AD na mesma balança.

A estabilidade não se decreta. E a ideia de que nós conseguimos estabilidade fazendo ameaças ao povo, dizendo: "Votem em mim, porque senão vem o papão", o PSD fez isso ao Partido Socialista, disse que vinha o papão das contas e da derrapagem financeira, agora é o Partido Socialista que faz isso ao PSD. Portanto, andamos em um jogo de argumentos repetidos e quando não há esperança e não há futuro, o doutor André Ventura fica entusiasmado.

A CDU também não fecha a porta a um entendimento, mas afirma que o PS está disposto a ceder à AD. Como tal, Paulo Raimundo fala num virar de costas às ideias de esquerda.

Há factos indesmentíveis. O Pedro Nuno Santos pode encontrar as justificações que entender, e terá que encontrar, naturalmente, mas isso não retira nada da questão objetiva. A questão objetiva é: o Partido Socialista viabilizou o orçamento do PSD e do CDS. Porque então conta a estabilidade governativa, independentemente da instabilidade da vida das pessoas.

Já Rui Tavares alerta o eleitorado para o perigo de uma maioria de direita com capacidade de mudar a Constituição. Nesse sentido, o porta-voz do LIVRE, Rui Tavares, apela ao voto à esquerda e é claro sobre quais são as condições do LIVRE para entendimentos.

A primeira já disse, tem a ver com o chefe do Executivo, ministros e ministras que tenham audições parlamentares previamente ao seu início de funções e criar as condições legislativas regimentais na Assembleia da República para fazer isso o mais depressa possível, para apanhar os conflitos de interesse no início, nenhuma privatização no SNS, investimento robusto, público, vigoroso na educação e na habitação, não abandonar a Ucrânia, reconhecer a independência da Palestina logo nos primeiros dias de governo.

Também o PAN está aberto a negociar no cenário após as eleições, embora exclua a priori toda a AD, pelo menos é o que defende Inês de Sousa Real.

Qualquer solução governativa que seja possível formar após o dia 18, terá que contar com uma agenda distinta.

Quer seja a agenda de Pedro Nuno Santos, quer seja a de Luís Montenegro, tanto faz.

Para o PAN, e já deixei isto muito claro, é difícil para nós aproximarmos de Luís Montenegro.

Ideias dos partidos com assento parlamentar sobre cenários de governabilidade no debate das rádios.

Ainda em destaque no debate das rádios, à boleia do caso Spinum Viva, a Justiça esteve em cima da mesa neste debate a oito.

A reforma no setor já é por hábito um dos temas debatidos nos confrontos entre os líderes partidários, mas desta vez surge à boleia dos casos que envolvem Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos. Ainda assim, tanto o líder do PS como o líder da AD mostram-se disponíveis para consensos na Justiça. Vamos começar por ouvir Luís Montenegro sobre o tema.

Nós estamos disponíveis para aprofundar tudo aquilo que possa colaborar para o bom funcionamento da Justiça, em particular para a celeridade processual, mesmo na área criminal, porque aquilo que nós temos observado neste momento em Portugal é precisamente, por um lado, na área criminal, o prolongamento das investigações e depois de todos os atos subsequentes

A acusação, a instrução, até que o julgamento propriamente dito se faça, em particular nos grandes casos. Creio que hoje podemos concluir que a opção pelos megaprocessos não foi uma opção feliz.

Também Pedro Nuno Santos disse estar aberto ao diálogo no que diz respeito à Justiça e pretende encurtar os prazos judiciais.

Acho que se devem rever prazos do processo penal e onde é possível encurtar, eles devem ser encurtados. Também acho que os processos não podem durar ad eternum, porque isso não é aceitável. Uma investigação não pode durar 10 anos, não pode estar congelada durante 10 anos, porque obviamente, isso também tem consequências nos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Mas para isso nós temos que dar todos os meios para que a investigação possa ser feita.

Sobre o tema, o presidente do CHEGA defende uma reforma na Justiça, mas sem beneficiar nenhum ator político.

Nós estamos agora com Luís Montenegro, mas isto tudo se gerou por causa disso. E na altura, houve uma tentativa lamentável de vários partidos, alguns deles aqui presentes, de condicionar a atuação do Ministério Público. Essa era uma das reformas que era preciso fazer, porque na verdade, por detrás do "a procuradora não comunica, a procuradora não é muito boa". Alguns disseram que a procuradora se devia demitir. Imaginam ao ponto que se chegou? O presidente devia demitir a procuradora. Isto teve um efeito nocivo na Justiça.

Olhamos também para o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que fala na importância de preservar a autonomia da Justiça.

Todas as esferas das nossas vidas estão associadas a ligadas e interligadas com a política. E na Justiça não é indiferente. E, portanto, nós precisamos preservar a autonomia da Justiça, criar as condições para que a Justiça cumpra o seu papel, desde logo nos casos mais mediáticos, mas em particular naquilo que é a vida das pessoas todos os dias.

Já Mariana Mortágua, coordenadora do Bloco, diz que se pode questionar os tempos dos anúncios do Ministério Público.

A Justiça não devia interferir na política e a política não pode interferir na Justiça. Isso não quer dizer que não existam tentações, às vezes, isso não quer dizer que não possamos questionar os tempos de determinados anúncios, as fugas de informação seletivas acontecem às vezes, mas temos que ter sempre muito cuidado com este tipo de afirmações cabais e conclusivas, precisamente porque respeitamos a separação de poderes.

Já o líder dos liberais, Rui Rocha, não comenta a atuação do Ministério Público e critica os restantes partidos.

Eu espero que a Justiça atue, confio na Justiça e não entro na discussão que é criticar a Justiça quando um dos lados está menos satisfeito, elogiar a Justiça quando está mais satisfeito. Eu espero mesmo que a Justiça esteja a fazer o seu trabalho. Espero que o faça bem, cometerá alguns erros, como todos cometemos, mas eu queria centrar-me, sobretudo nas questões políticas, porque aí temos muito a dizer.

O líder do LIVRE, Rui Tavares, atira ao presidente do PSD e afirma que a Spinon Viva vai continuar a ser um veículo de influência, apesar da ida às urnas.

Vemos como é que este filme continua, continua com cada revelação acerca de cada empresa, cada concurso ganho por cada empresa, cada subsídio, cada mudança na lei a ser escrutinada à luz, não do seu mérito, mas da ligação à Spinon Viva. Quer dizer, eu quero saber como é que Luís Montenegro vai fazer, e o PSD, quando o LIVRE levar ao Parlamento, como vai levar, as restrições à publicidade do jogo online.

Já o PAN critica o Chega, Inês de Sousa Real e André Ventura entraram em confronto com a porta-voz do PAN, a relembrar os casos que envolvem deputados e dirigentes do Chega.

Mas André Ventura começa hoje o dia com Cristina Rodrigues a ser julgada. E no entanto, tem uma bancada ainda que não foi julgada, por exemplo, por alegados crimes de pedofilia, num país em que sabemos que em três anos cresceu mais de 46% o abuso sexual contra menores. E, portanto, nesta dimensão, para o PAN, é absolutamente fundamental que não só haja uma efetiva separação de poderes, mas também que haja uma divulgação e informação que ou toca a todos ou não toca a nenhum.

Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, num confronto com André Ventura durante o debate com oito líderes partidários, o debate das rádios, que além da Justiça e de cenários de governabilidade, olhou para temas como o apagão, o investimento na defesa e a regulação das redes sociais. Após o debate, o líder do PSD, Luís Montenegro, agradeceu a Cavaco Silva, que classifica de lucidez e discernimento a atuação do primeiro-ministro. É a reação de Luís Montenegro ao artigo de Cavaco Silva, aqui na Rádio Observador, no Observador. O antigo presidente da República defende que Luís Montenegro foi alvo de uma campanha de suspeitas e de insinuações. Ora, o líder social-democrata agradece.

Eu queria, antes de mais, agradecer as palavras que me foram dirigidas diretamente pelo professor Cavaco Silva, presidente Cavaco Silva, e sobretudo, mais uma vez, a lucidez e o discernimento da sua análise política na sua partilha de opinião com os portugueses, para ajudá-los também a avaliar e a aprofundar melhor o seu pensamento político para a decisão.

O agradecimento de Luís Montenegro a Cavaco Silva, o antigo líder social-democrata, deverá marcar presença no aniversário do PSD.

Uma hora e 10 minutos. Zé, que outras notícias marcam a atualidade?

A greve de trabalhadores da CP, que está marcada para esta quarta e quinta-feira, não vai ter serviços mínimos. É um cenário conhecido hoje, após decisão do tribunal arbitral. E o BPI emprestou 240 milhões de euros em créditos à habitação a jovens com garantia pública nos primeiros três meses do ano. A informação foi divulgada hoje pelo banco.

José Rafael Lopes e o Jornal da Uma.