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Está a começar o Jornal da Uma, com edição do Miguel Vilar. Miguel, subiu para quatro o número de militares dos Estados Unidos mortos desde o início da intervenção militar no Irão.
É isso que revela o Pentágono. A quarta vítima mortal é um dos feridos do ataque do Irão a uma base militar dos Estados Unidos no Kuwait. Foi, de resto, neste ataque que morreram os primeiros soldados norte-americanos.
Também há pouco ficou a saber-se o que esteve na origem da queda de três F-15 dos Estados Unidos, precisamente no Kuwait.
Aqui conosco em estúdio já está o João Gama, que ao longo das próximas horas e de hora a hora nos vai dando conta de alguns dos factos mais relevantes relacionados com esta guerra no Médio Oriente. E começamos por aí, João, já sabemos a razão para a queda desses três F-15 norte-americanos.
Enquanto combatiam ataques iranianos, estes aviões, estes caças militares foram abatidos pelos sistemas de defesa aéreos do Kuwait, por isso é descrito o incidente como fogo amigo. Os pilotos foram resgatados com vida, mas o Irão reclama para si esse feito. O porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana diz que foram as armas do Irão que atingiram estes caças norte-americanos. Há imagens que mostram o momento em que os jatos militares caíram no Kuwait com a tripulação a ejetar-se de uma aeronave em chamas. São ataques que acontecem em vários pontos da região e não apenas no Irão, em Israel, também em solo europeu. Foi evacuada uma base britânica na ilha do Chipre depois de voltarem a soar sirenes. Cerca de 70 carros foram vistos a sair da base aérea, a maioria deles, Miguel, com placas de veículos civis. A decisão é tomada depois de terem sido interceptados dois drones perto da base militar.
Israel voltou, entretanto, a responder aos ataques iranianos e fez saber que durante a noite, João, matou mais um comandante dos serviços de informação do Hezbollah.
O Hussein Makled, que atuava como o novo chefe do quartel-general, os militares das Forças de Defesa de Israel dizem que foi morto num ataque preciso na capital do Líbano, em Beirute, o Líbano, que proibiu esta manhã, de forma imediata, todas as atividades militares do grupo Hezbollah, exigindo ao grupo xiita que entregue as armas ao Estado libanês. Israel mandou retirar de casa pessoas em 18 aldeias libanesas. Esta é uma troca de ataques que continua, principalmente entre Israel e o Irão. Do lado israelita, um ataque à zona residencial de Beer Sheba, no sul de Israel, fez 19 feridos. Uma das vítimas, um homem de 35 anos, teve ferimentos mais graves. Os restantes, Miguel, apresentam ferimentos leves.
João, há uma hora davamos aqui conta dessa informação avançada pelo exército iraniano que tinha atingido o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Já há, entretanto, uma resposta a esta alegação.
Os assessores do primeiro-ministro israelita falam de uma notícia falsa. Da Guarda Revolucionária Iraniana dizia que tinha atingido Jerusalém com mísseis e que o destino do primeiro-ministro israelita era, até este momento, incerto. Mas agora, de acordo com o que podemos ler no "Times of Israel", ficamos a saber que não houve impactos dos mísseis lançados em Jerusalém, apenas essa sirene de alerta e que, pelo menos para já, o gabinete de Benjamin Netanyahu está intacto.
Algumas das últimas informações mais relevantes deste conflito no Médio Oriente, aqui trazidos estes desenvolvimentos pelo jornalista João Gama.
E os portugueses retidos num navio cruzeiro no Dubai estão tranquilos, aguardam indicação para agendarem o voo de regresso a Portugal.
É esse o relato feito por um dos passageiros há instantes, à jornalista Nadine Soares. São 30 os passageiros portugueses retidos na embarcação. É esse o número avançado pelo secretário de Estado das Comunidades. Ora, este passageiro, Fernando Abrantes, explica que há um ambiente de aparente tranquilidade.
Não ouvimos explosões, víamos ao longe o fumo, creio que foi do hotel que foi atingido e a partir daí estamos aqui confinados no barco com a recomendação de não sair e já fomos informados pelo comandante que assim que o espaço aéreo fosse aberto, iriam ser remarcados os voos de regresso. O aeroporto Abu Dhabi estaria a permitir um número limitado de voos, mas no Dubai ainda não se sabe nada. Pelo menos aqui a vida no barco vai tranquila, não é? Não há grandes alaricismos, as pessoas estão calmas, um bocadinho na expectativa.
O relato de Fernando Abrantes à Rádio Observador. Estão perto de 30 portugueses retidos neste cruzeiro ao largo do Dubai, um navio que está a ser protegido por embarcações de guerra. Os passageiros esperam que estejam reunidas condições de segurança para poderem regressar a casa.
E o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas diz que a maioria dos portugueses a residir no Médio Oriente não demonstrou intenção de sair.
Entrevistado há pouco aqui na antena da Rádio Observador, Emídio Sousa sublinha que os portugueses que vivem no Qatar, Emirados Árabes Unidos e restantes países vizinhos estão tranquilos. Há, no entanto, uma exceção que confirma a regra.
Com exceção de Israel, que temos alguns pedidos de repatriamento de cerca de 39 pessoas. Este número são de ontem à noite, ainda não os atualizei, mas julgo que se mantém. Relativamente aos outros residentes, temos vários nos Emirados, no Qatar, etc, temos recomendado para que se mantenham em casa, só saiam o absolutamente necessário e que respeitem as indicações das autoridades locais.
É o que diz Emídio Sousa, relato feito esta manhã aqui na antena do Observador pelo secretário de Estado das Comunidades.
E a eurodeputada Marta Temido considera que o governo português deve explicações sobre a utilização da base das Lajes por parte dos Estados Unidos.
Falta informação sobre o que está a acontecer na base açoriana. É isso que defende a eurodeputada socialista, ouvida no explicador da Rádio Observador. Marta Temido defende que o Executivo liderado por Luís Montenegro tem explicações a dar.
Há duas formas de utilização da base das Lajes. Uma no quadro da NATO, outra sem ser no quadro da NATO. Como esta utilização que tenha sido porventura feita no quadro desta intervenção dos Estados Unidos No Irão, não foi no quadro da NATO, precisava de autorização. Há qualquer déficit de informação que nos falta para compreender o que se está a passar. E sim, nesse aspeto caberia ao governo do país esclarecer. Penso que ao nível do país deverão pedir esclarecimentos.
É o que diz Marta Temido. Também convidado do Explicador, o eurodeputado do PCP, João Oliveira, acusa a União Europeia de hipocrisia na resposta aos vários conflitos no Médio Oriente.
Não há equilíbrio quando não se rejeita em absoluto a guerra e não se condena a guerra. A responsável pelas relações externas da União Europeia, Kaja Kallas, dá-se ao desplante de condenar a resposta de quem é agredido. Não condena a agressão dos Estados Unidos e de Israel ao Irão por este tipo de duplos critérios, que a União Europeia não tem respeito à escala internacional, quer dizer, fecha os olhos aos massacres na Palestina, mas acha que as bases militares norte-americanas já merecem a condenação. É uma duplicidade de critérios, uma hipocrisia que é verdadeiramente insustentável.
O eurodeputado defende ainda que o governo não deve envolver o país num contexto de agressão ao deixar os Estados Unidos utilizarem a base das Lajes. Já o eurodeputado do Chega, Tiago Moreira de Sá, entende que o Executivo deve garantir a segurança do país e alerta para os perigos do programa nuclear iraniano.
O que aqui está em questão é se os interesses de segurança da Europa e de Portugal estão aqui em jogo ou não. A possibilidade do Irão, com o seu histórico e com o tipo de regime que é, ter armas nucleares e a possibilidade de qualquer Estado ter armas nucleares. A não proliferação nuclear deve ser a nossa primeira prioridade em termos de segurança internacional. O que me parece claro é que Portugal deve estar e parece-me que nós temos que parar o jogo dos nossos inimigos, o jogo daqueles que põem em causa a nossa segurança.
É o que sentencia Tiago Moreira de Sá, eurodeputado eleito pelo Chega.
E os mercados financeiros continuam a refletir o clima de incerteza provocado por este conflito.
A esta hora, por exemplo, o mercado de futuros de Brent, que serve de referência para Portugal, está a negociar o barril de petróleo a US$ 78, uma subida de mais de 7% face à última sessão. Subida ainda mais acentuada no mercado de gás. O índice TTF é a referência na Europa, está a subir quase 24%. O analista de mercados da corretora XTB, João Cruz, admite que podemos vir a assistir a uma subida generalizada dos preços, a um aumento da inflação, a reboque da subida do preço da energia. No caso do petróleo, por exemplo, não é de excluir a possibilidade do valor do barril atingir os três dígitos.
Poderemos ver uma escalada de preços até aos US$ 100. Cá vem disso, a energia mais cara tenderá a aumentar os custos para as empresas e também para o consumidor e poderá então voltar a pressionar a inflação. Para já, não estamos a falar da falta real de petróleo, mas se o conflito se mantiver durante uma, duas semanas, também derivado até ao fecho do Estreito de Ormuz, é lá por onde passa cerca de um quinto daquilo que é o petróleo mundial, então aí sim, o mercado já poderá precificar preços mais altos.
É o que prevê o analista de mercados da corretora XTB, João Cruz. Entretanto, a este propósito, há a indicação de que a Qatar Energy, a empresa estatal de energia do Qatar, suspendeu a produção de gás natural liquefeito, uma decisão que surge depois de ataques iranianos a algumas instalações da empresa. Em comunicado, é especificado quais as centrais atingidas. O país do Golfo é um dos maiores produtores de gás natural liquefeito do mundo, a par dos Estados Unidos, Austrália e Rússia.
Uma hora e 10 minutos, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?
Ainda sobre este conflito, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, dá nesta altura uma conferência de imprensa para fazer um ponto de situação sobre a intervenção militar dos Estados Unidos no Médio Oriente e diz que o Irão apontou, num sentido figurado, uma arma à cabeça dos Estados Unidos em jeito de justificação para esta intervenção militar na madrugada de sábado. Vão ser outra vez adiadas as eleições para os órgãos externos eleitos pela Assembleia da República. Desta vez, foi o Chega a pedir o adiamento da data da eleição para o Tribunal Constitucional, Conselho de Estado e a Provedoria de Justiça. A dívida pública aumentou mais de € 6 milhões em janeiro, dados do Banco de Portugal. A dívida situa-se nesta altura nos € 280 bilhões.