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Uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Luís Soares. Luís, vai ser uma subida recorde. O preço do gasóleo pode aumentar mais de €0,20 na próxima semana. O governo faz um desconto de €3,55.
Fontes do mercado estimavam uma subida que podia ser de €0,25, já a contar com o IVA no preço do gasóleo, e de €0,075 no preço da gasolina. No entanto, o primeiro-ministro já tinha anunciado que o governo iria avançar com esse desconto extraordinário e também temporário do ISP. No caso do gasóleo, o Ministério das Finanças acaba de anunciar um desconto extraordinário e temporário do imposto sobre os produtos petrolíferos, sobre o gasóleo rodoviário, no valor de €0,355 por litro, devolvendo aos contribuintes a receita adicional do IVA correspondente ao aumento esperado do preço. É uma medida que a Associação de Revendedores de Combustíveis considera insuficiente. A vice-presidente da ANAREC, Mafalda Trigo, explica que medidas pretende que pudessem ser tomadas.
No entanto, no nosso entender, um aumento de €0,16, que seria os €0,20 menos o apoio do governo, neste momento também é muito prejudicial para nossa economia. Portanto, solicitávamos, desde já, ao governo que fizesse um apoio extraordinário, em que abdicasse de parte das receitas por via da taxa do IVA, para que as pessoas não ficassem tão prejudicadas com este aumento.
Ideias deixadas pela vice-presidente da ANAREC, Mafalda Trigo. A repórter do Observador, Laura Figueiredo, tem estado esta manhã a percorrer algumas bombas de combustível de Lisboa. Laura, se em algumas delas não encontraste grandes filas, o cenário nessa bomba em que te encontras em Alfragide é diferente.
Boa tarde, Luís. É, de facto, um cenário diferente daquele que encontrei noutras bombas pelas quais já passei, embora tenha também visto algumas com bastantes carros. Aqui a fila é consideravelmente maior. Começa já no exterior da bomba, o trânsito está mesmo já condicionado na rotunda que dá acesso a este posto de combustível e parecem ser cada vez mais os carros que chegam até aqui para abastecer. Eu fui já falando com alguns condutores. Enquanto uns estavam admirados com este cenário, porque vinham apenas por combustível por estarem na reserva, outros admitem que vieram tentar abastecer antes do aumento dos preços previsto para segunda-feira. Nestes casos, os condutores parecem não se importar com as filas, com o tempo de espera. Dizem que o que interessa é mesmo pagar menos.
Dure o tempo que durar, pagando menos já é algo de bom, porque nós já pagamos tanto em impostos etc. Não me vou alongar, mas se puder pagar menos, não pago mais.
O testemunho de Maria Roma, uma das condutoras com quem falei enquanto esperava na fila para abastecer. Sobre o anúncio do primeiro-ministro, sobre o desconto extraordinário do ISP, foi então há pouco confirmado pelo governo, como dizias, Luís, mas as reações que tenho ouvido ao longo da manhã iam todas no mesmo sentido. Havia bastantes dúvidas quanto à execução desta medida.
Vamos tentar escutar. Não sei se tens mais algum registo, Laura, para conseguirmos escutar nesta altura.
Sim, vamos ouvir então o registo.
Se cumprirem, será certamente uma boa medida, mas eu duvido muito sempre dessas promessas.
As dúvidas de Assunção Ferreira, semelhantes a várias que recolhi aqui ao longo da manhã, mas está agora confirmado pelo governo que vai mesmo avançar com este desconto. Esta bomba, Luís, ilustra bem a corrida aos postos de combustível. O preço, de facto, vai aumentar, os portugueses vão sentir já a partir de segunda-feira.
Laura Figueiredo, que tem estado a percorrer algumas bombas de combustível da região de Lisboa, com alguns portugueses já a tentar precaver-se desse aumento, nomeadamente o preço do gasóleo, que pode chegar aos €0,20 por litro na próxima semana.
E esta subida do preço dos combustíveis fica a dever-se, Luís, em muito ao aumento do preço do petróleo, que esta manhã chegou a superar os $87 por barril.
Um valor que significa um máximo desde 2024. A dimensão do conflito no Médio Oriente, que se estende agora de Chipre à Arábia Saudita, ameaça provocar perturbações significativas no fornecimento global de petróleo, com os analistas a avisarem que um conflito prolongado poderá levar o preço do petróleo para valores acima dos $100. Já o ministro da Energia do Catar avisa que o conflito no Médio Oriente pode elevar o preço do petróleo até aos $150 por barril e deitar assim abaixo as economias mundiais.
Mais de mil cidadãos da União Europeia já foram repatriados do Médio Oriente em voos organizados pela Comissão Europeia.
Até agora foram 10 voos e há mais previstos nos próximos dias. É o balanço feito por Bruxelas depois de 17 Estados-membros da União Europeia, incluindo Portugal, terem ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Portugal fê-lo ontem à tarde para organizar o repatriamento de cidadãos portugueses no Médio Oriente. Pediu ajuda à Comissão Europeia para organizar esses voos de repatriamento com o Mecanismo Europeu de Proteção Civil ativo. Bruxelas pode pagar parte dos custos financeiros dos voos de repatriamento, mas apenas se 30% dos lugares disponíveis forem oferecidos a cidadãos de outros países da União Europeia.
Precisamente esta manhã, aterrou em Lisboa mais um avião com cerca de 150 cidadãos repatriados do Médio Oriente. A maioria dos passageiros eram portugueses.
Um avião da TAP que aterrou por volta das 10h15 no aeroporto de Lisboa e que participou nesta operação de repatriamento. O voo foi fretado pelo Estado português e o Secretário de Estado das Comunidades revela que os serviços consulares vão continuar a contactar mais portugueses para voos de repatriamento, sejam eles fretados pelo Estado português ou até partilhados por outros países europeus. Emídio Sousa revela que os serviços estão a proceder a uma nova contagem de quem quer sair, mas também avisa que há quem pretenda continuar no Médio Oriente.
Estamos a fazer novamente uma ronda pelas pessoas que lá estão para vermos quem tem vontade de vir. Porque há duas situações que é importante distinguir. Os residentes, a maioria quer continuar lá, sentem-se seguros, os meios de defesa aéreos dos países onde estão funcionam bem. E há os viajantes que foram apanhados numa situação, muitas vezes, de transbordo de avião, esses querem vir. Portanto, são duas situações diferentes.
O Secretário de Estado das Comunidades afirma que o próximo voo de repatriamento deve sair da Arábia Saudita e, à semelhança deste voo que chegou hoje, Emídio Sousa admite ainda a inclusão de passageiros de outras nacionalidades.
Na altura, só para este avião da TAP, tínhamos 288 pessoas inscritas, o que excedia a capacidade do avião, portanto, não tínhamos vagas. Quando percebemos que algumas pessoas não iriam confirmar essa vinda, aderimos ao mecanismo de solidariedade europeu, de repatriamento, e disponibilizamos algumas vagas. Tivemos, se a memória não me falha, cerca de oito ou nove pessoas de outras nacionalidades que aproveitaram este voo.
Durante a manhã de hoje, quase 200 repatriados chegaram a Lisboa depois do intensificar de bombardeamentos no Dubai e também no Abu Dhabi.
Portugal e Espanha chegaram a acordo para criar um sistema de aviso à população para cheias, uma das decisões da Cimeira Ibérica, que ainda decorre na cidade espanhola de Huelva.
Os dois países vão desenvolver sistemas focados nas zonas transfronteiriças para cenários de risco, como inundações ou rutura de barragens. É o que se pode ler num documento assinado pelos ministros da Administração Interna dos dois países. O memorando prevê ainda a avaliação conjunta de riscos para criar planos de emergência comuns. Nesta cimeira que decorre em Huelva, no sul de Espanha, os governos ibéricos acordaram também na criação do Fórum Estratégico Luso-Espanhol para uma maior competitividade. Os executivos dos dois países vão passar a ter duas reuniões ministeriais por ano. A primeira sessão realiza-se ainda no primeiro semestre deste ano.
E na política interna, o governo pede aos deputados para não caírem na tentação de quererem governar. Em causa, Luís, a aprovação do pagamento do lay-off a 100% para as empresas das zonas afetadas pela tempestade Cristina.
Essa proposta foi aprovada no Parlamento contra a vontade do governo e esta manhã, num debate sobre a forma como o Executivo tem sido fiscalizado pela Assembleia da República, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, pediu aos deputados para não confundirem as funções de cada órgão da soberania.
Que nunca se caia na tentação desequilibradora de confundir fiscalização parlamentar com a parlamentarização da governação, situação reprovável e ofensiva dos rudimentos mínimos do princípio da separação dos poderes constitucionalmente previsto, em que os parlamentos poderão ensaiar intrusões na esfera constitucional do poder executivo, aproveitando ensejos circunstanciais de maiorias parlamentares.
Carlos Abreu Amorim, em resposta aos deputados na Assembleia da República, em que adiantou ainda que os ministros estiveram no Parlamento mais de 500 vezes durante o anterior governo de Luís Montenegro.
13h09, Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade esta sexta-feira?
António José Seguro recebeu esta manhã o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, no Palácio de Queluz. O titular da diplomacia portuguesa foi recebido pelo presidente eleito para acertar os detalhes da agenda internacional de António José Seguro. O ainda chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrou as viagens internacionais com uma visita ao Vaticano e a Madrid. O coordenador do Bloco de Esquerda acusa Paulo Rangel de não ter condições para continuar como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Nas redes sociais, Jamel Pureza cita uma notícia do Expresso que dá conta de que os Estados Unidos fizeram sete voos a partir das Lages para apoiar os ataques ao Irão. Pureza diz que Portugal foi cúmplice de Donald Trump ao violar o direito internacional e acusa Paulo Rangel de ter omitido informação. A UEFA castigou o Real Madrid por racismo durante o jogo contra o Benfica em Espanha. Em causa estão comportamentos racistas ou discriminatórios por parte de adeptos madrilenos. O Real Madrid vai ser multado em 15 mil €, além de uma sanção de um jogo de encerramento de um setor do estádio, que só será cumprido em caso de reincidência.
Luís Soares e o Jornal da Uma.