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Boa tarde. Miguel, o Ministério da Educação decidiu adiar dois dias o prazo para a inscrição no 10º e no 12º ano.
Sim, o período para fazer a inscrição vai decorrer entre amanhã e 24 de julho, sexta-feira da próxima semana. O novo calendário foi publicado hoje em Diário da República e decorre do adiamento do prazo para a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Os resultados devem ser conhecidos no final da semana, sexta-feira. Terminou hoje o prazo para a correção dos exames. Ontem, ao final da manhã, o ministro da Educação dava conta que já estavam corrigidos 92% dos exames.
A Iniciativa Liberal admite sujeitar a votação do plenário na Assembleia da República a proposta de adiamento do debate do Estado da Nação, depois do presidente do Parlamento ter rejeitado esse pedido da bancada dos liberais.
O pedido de adiamento do debate agendado para depois de amanhã é justificado pela Iniciativa Liberal com a necessidade de ouvir antes as explicações do ministro da Educação sobre os problemas em torno da avaliação dos exames nacionais. O presidente da Assembleia, Aguiar Branco, rejeitou o pedido. Justifica com o facto de a data do debate ser fixada por acordo entre o próprio presidente do Parlamento e o Governo, ao contrário de outros debates pedidos pelos partidos. Para além disso, o plenário deliberou que a última reunião plenária decorre dia 17 de julho, pelo que uma nova decisão tinha que ser tomada pela maioria dos deputados, não pode ser decidida apenas em conferência de líderes. É um caminho admitido pelo líder parlamentar da IL. Maria Muniz Lopes diz que o partido pode sujeitar a votação o adiamento do debate do Estado da Nação, assim seja essa a vontade da maioria dos partidos expressa na reunião da conferência de líderes que está agendada para amanhã.
Nós naturalmente iremos apresentar estes argumentos à conferência de líderes, iremos ouvir também os argumentos dos outros partidos e iremos perceber se há algum acolhimento, porque se não houver acolhimento, não faz sentido estarmos a criar uma bravata para tentarmos forçar uma votação que depois não passa no debate do Estado da Nação e que condiciona o próprio debate do Estado da Nação. Nós não queremos criar mais ruído, nem colocar mais areia na engrenagem. O que nós estamos a pedir é que se faça um debate para discutir a questão dos exames nacionais. E portanto, se não houver um entendimento maioritário, nós não conseguimos forçá-lo. Não é possível forçá-lo.
O deputado da Iniciativa Liberal e líder parlamentar dá conta dos argumentos que amanhã vai invocar na reunião com o presidente da Assembleia e os líderes das restantes bancadas.
Na data que se fixou esse calendário do Estado da Nação, depois seguida as reuniões de comissões, não havia este caos com os exames nacionais que está a preocupar alunos, pais e professores. E portanto, as circunstâncias mudaram. E tendo mudado as circunstâncias, parece-nos prudente e sensato que se promova um debate para sossegar a toda a gente, para se perceber o que é que correu mal, para que o próprio ministro possa dar todas as explicações e para que se possa fazer mais do que o escrutínio, que possamos sossegar os alunos, as famílias e os professores também.
Os argumentos a invocar durante a reunião da conferência de líderes agendada para amanhã de manhã, sendo que o LIVRE, pela líder parlamentar Isabel Mendes Lopes, já fez saber que o partido não concorda com o adiamento do debate do Estado da Nação. PSD, Chega e Partido Socialista remetem uma posição precisamente para esse encontro da conferência de líderes.
"O Bloco de Esquerda acabou." É uma das afirmações que consta de um comunicado que serve para anunciar a saída do partido de 60 militantes, incluindo um dos fundadores, Mário Tomé, e também Pedro Soares, um dos principais rostos da oposição à atual direção dos bloquistas.
É uma decisão conhecida há pouco. É nosso convidado este jornal da 13h, precisamente Mário Tomé. Boa tarde, bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Esta será uma decisão que, porventura, apanhará muito boa gente de surpresa. O que é que o leva a bater com a porta?
Bom dia, muito obrigado. O que me leva a bater com a porta é que a casa já está toda esburacada. Aquilo que foi o grande projeto Bloco, aquilo que foi a grande esperança para tanta gente, que aliás, aqueles que foram os fundadores do Bloco e que aderiram ao Bloco, estavam convencidos e era essa a sua intenção, e para isso se mobilizaram, para transformar radicalmente a situação política do nosso país, isto é, fazer com que a situação política não continuasse como continuou até chegar aqui à situação em que estamos agora. Acharam que as direções sucessivas, aliás, não foram muitas do Bloco, violaram, digamos assim, todo o projeto estratégico do Bloco, que era exatamente isso, era mudar radicalmente a situação política em Portugal. Para isso tudo, as direções, no fundo, foi sempre uma que tinha uns deus ex machina por trás, que era o Louçã, que eu respeito, fazendo aqui o respeito a essas pessoas que eu respeito, mas que era quem dirigia o Bloco, estivesse ou não na direção. Mas enfim, isso acontece. Agora, a questão fundamental é que o Bloco trocou a sua estratégia de transformação da situação política em Portugal do ponto de vista da necessidade de responder fundamentalmente e prioritariamente aos interesses de quem trabalha, aos interesses de quem promove a cultura, etc. Pensaram ou decidiram que o que era preciso era criar um grande partido, não integrarem-se numa perspectiva que terá nascido com a geringonça, que foi necessária taticamente naquela altura, mas depois começou a ser olhada como o caminho. Isto é, o Bloco encostava ao PS e mais do que isso. Aliás, isto está expresso em convenções de 2019, etc., e explicitamente noutros locais, que era preciso ir para o governo ou queria ir para o governo. Para o governo com quem? Com o PS. Portanto, isto foi o caminho para o fim do Bloco.
E por que a saída agora e não na altura em que foi formado e que a geringonça produzia resultados bons ou maus? Por que agora, no momento em que não existe geringonça, em que o Partido Socialista não está-
Não, vamos lá ver. A geringonça teve o seu papel. Quando foi olhada e dita como o caminho, é que se perdeu a perspectiva. A geringonça foi uma resposta tática necessária para travar o Passos Coelho e a sua malta. Agora, isso depois perdeu a validade. O Bloco tinha que se afirmar enquanto alternativa. O Bloco então, em vez disso, decidiu encostar-se ao Partido Socialista, como ainda está, não de uma forma tão explícita, que a situação política não está exatamente para isso, tem que mostrar um certo distanciamento, mas aquilo que se transformou a perspectiva do Bloco, estratégica, é da esquerda grande. Esquerda grande com quem? Porque o Bloco é muito grande? Se fazia tudo para ser muito grande? Não, porque o Bloco sempre estava ao Partido Socialista e outros, se calhar o LIVRE. E aí ia venindo uma esquerda muito grande à brava.
É um caminho criticado por Mário Tomé e pelos outros militantes que agora deixam o Bloco de Esquerda. Há também uma crítica que é manifestada neste comunicado, o facto de a direção ter dificuldade em ouvir as vozes mais críticas no seio do partido, até de caluniar e perseguir as vozes opositoras à atual direção. É de facto assim?
Claro! Houve quase atitudes persecutórias e camaradas que foram sujeitos a situações muito más, de perseguição. Mas do ponto de vista até da própria organização do Bloco. Quando Francisco Louçã, já não me lembro bem quando, disse que o centro da atividade do Bloco é o Parlamento, estava claro. Nós vimos isso, eu vi, mas pensei que isso pode evoluir, pode-se transformar. Se não, não. Quando se põe essa questão, está-se imediatamente a dar a entender que o Bloco se vai desligar das lutas fundamentais dos trabalhadores, não vai estar atento a elas e não vai lutar por dar resposta adequada a isso. Portanto, essa questão pra mim é fundamental. Aliás, de militantes transformaram-nos em aderentes. Quer dizer, tudo isso são sintomas do caminho que o Bloco iria seguir. Fomos adiantando. A perseguição aos que não estavam de acordo com a direção foi dura, foi grave. O sectarismo. Depois teve-se aquela ideia que é preciso defender o partido, o Bloco. Isto é conversa. Quando havia crítica exposta e pública, e eu não estou a ver outro tipo de crítica, senão voltamos aos partidos fechados, para fazer aquilo que as direções querem fazer. A crítica tem que ser pública, tem que ser clara para as pessoas, para o povo, para a sociedade.
Há pouco invocou aqui o nome de outros dois fundadores do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda e Francisco Louçã. Conversou com eles antes de tomar esta decisão?
Não, porque eles também nunca conversaram comigo para as decisões atreviliárias e sectárias que tomaram. Para que eu ia falar com ele?
Claríssimo.
Era para eles que me louçam, a gente dá-se bem. Mas isso é uma coisa. Eles perseguiram-nos, eles caluniaram-nos, eles fizeram tudo. Enquanto entidade burocrática instalada, fizeram isso tudo. Para que eu ia falar com ele para quê? "Olha, vou-me embora, peço desculpa". Também pensar. Não estou em revanchismo, mas é uma atitude de coerência.
Tem recebido mensagens de militantes do Bloco de Esquerda confrontados, como nós, com esta informação de que vai deixar o partido?
Como?
Se tem recebido mensagens nas últimas horas, depois de conhecida esta sua decisão de abandonar o Bloco de Esquerda?
Não, não tenho recebido nada. Nem espero receber, porque é que hei de receber mensagens? Cada um é responsável pelos seus atos. Como?
Sendo um dos fundadores do partido, imagino que seja uma decisão que tenha impacto, que faça mossa no partido.
Não sei se tem impacto, espero bem que sim. Ou por outra, os que permanecem no Bloco assumem essa responsabilidade e estão de acordo com o que a direção burocrática impõe. Não estou à espera de nenhum: "Olha, malta" e tal. Não.
Mário Tomé, obrigado pela sua presença e pelos esclarecimentos que aqui prestou sobre as razões que o levam, juntamente com mais militantes, cerca de 60 militantes do Bloco de Esquerda, a desfiliarem-se do partido em rota de colisão com o caminho seguido pela direção do Bloco.
Ok, tudo bem.