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Começa agora o jornal das 14h da Rádio Observador, edição de Miguel Cordeiro. E Miguel, em destaque: Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, e outras 11 pessoas foram detidas esta manhã.
Operação policial ao universo dos Super Dragões. Buscas e detenções depois da investigação aos incidentes da Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, que aconteceu a 13 de novembro. Para além do líder da maior claque do Futebol Clube do Porto, foi também detida a mulher do Fernando Madureira e outras 10 pessoas. Detenções que acontecem depois de várias buscas, incluindo na casa do Fernando Madureira. Entre os detidos estão também Fernando Saul, funcionário do Futebol Clube do Porto, é a pessoa responsável pela ligação com os adeptos. Está também detido Vitor Catão, conhecido adepto do Futebol Clube do Porto. O Observador sabe que na investigação não há indícios de que existam dirigentes do Futebol Clube do Porto envolvidos. Os arguidos, na grande parte membros dos Super Dragões, estão indiciados de crimes de ofensa à integridade física, coação agravada, ameaça agravada, instigação pública à prática de crime e atentado à liberdade de informação. Tudo a resultar dos incidentes registados na Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, nesse dia 13 de novembro, uma assembleia que ficou marcada por episódios de violência e que levou o Ministério Público a abrir inquérito. Seguimos neste jornal em direto para a Divisão de Investigação Criminal do Comando Metropolitano do Porto. É onde está a jornalista Inês Cortez. Inês, boa tarde. No comunicado da PSP há detalhes sobre as buscas e apreensões desta manhã. E, entretanto, sabemos também que esta operação policial já tem nome.
É a Operação Pretoriano, Miguel, numa referência às palavras de André Villas-Boas. Na Web Summit, o antigo treinador e atual candidato à presidência do clube mencionou as agressões na Assembleia Geral de 13 de novembro, dizendo que os órgãos sociais do Futebol Clube do Porto assistiram a agressões e intimidações de uma guarda pretoriana a associados do clube. Recordamos que as agressões na Assembleia Geral, como disse, foram a 13 de novembro, o mesmo dia em que começou a Web Summit. Por isso estas declarações de Villas-Boas foram feitas logo depois da Assembleia Geral. Perto da 13h, a PSP lançou o comunicado que fala em 12 detidos e apreensões de droga, carros, dinheiro e mais de uma centena de bilhetes para jogos. Os detidos vão estar presentes amanhã, junto das autoridades judiciais competentes, para um primeiro interrogatório judicial de arguido detido. Recordamos que foi pouco depois das 09h que começaram as buscas à casa do casal Sandra e Fernando Madureira. Fernando Madureira, conhecido como o Macaco e é o líder da claque do clube. Lá foram apreendidos três carros, um Porsche e dois BMW. Fernando Madureira e Vítor Catão, conhecido adepto do clube, estão detidos na Divisão de Investigação Criminal do Porto. A esposa do líder, Sandra Madureira, não está aqui.
Nesta altura, Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, está detido. Outras 11 pessoas também estão detidas. Na análise esta manhã, aqui na Rádio Observador, Luís Rosa, o redator principal do Observador, lembrou que tem havido um cheque de impunidade entregue aos Super Dragões, quer da parte da Justiça, quer das autoridades policiais e por essa razão, Luís Rosa aplaude o trabalho da equipa que lidera agora o DIAP regional do Porto.
As autoridades estão a passar uma mensagem muito forte à cidade do Porto. Em primeiro lugar, está a verificar-se o restabelecimento da paz social. Está a ser restabelecida a paz e a ordem na cidade do Porto. Havia pessoas, concordo inteiramente consigo, nomeadamente Fernando Madureira e muitos Super Dragões, que achavam que estavam acima da lei. E achavam que estavam acima da lei, porque tinham, temos que dizer isto, o respaldo de Jorge Nuno Pinto da Costa, como vimos até recentemente, no âmbito de uma entrevista à SIC, já depois das agressões que aconteceram na Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, o presidente do Futebol Clube do Porto resolveu, como é costume, ignorar aquilo que todos viam e defendeu Fernando Madureira.
A mesma opinião é partilhada pelo advogado e especialista em Direito do Desporto, Lúcio Correia, que foi também ouvido aqui na Rádio Observador. Para o magistrado, está na altura de dizer basta neste universo da claque do Futebol Clube do Porto. Ainda assim, o advogado não acredita que a instituição Futebol Clube do Porto venha a sofrer consequências.
Não, não me parece. Só se provar que o Futebol Clube do Porto teve alguma conivência ou auxiliou o funcionário a praticar o ato ilícito, mas aí teria resultado da própria investigação e teria o próprio clube a ser constituído arguido. Difícil. O que pode fazer o Futebol Clube do Porto, e o mais lógico nisto, é obviamente a instauração do procedimento disciplinar, tendo em vista, eventualmente, a responsabilidade disciplinar deste funcionário, que poderá, em último caso, levar até a um despedimento com justa causa.
Quanto às consequências para o líder dos Super Dragões, o magistrado acredita que a prisão efetiva depende da gravidade dos crimes.
E para o editor de Desporto do Observador, este caso é uma oportunidade para o Futebol Clube do Porto tomar uma posição em relação à claque.
Bruno Roseiro diz que não espera grandes reações por parte dos azuis e brancos. Ainda assim, recorda que há eleições, estão aí à porta no Futebol Clube do Porto. Bruno Roseiro sublinha a importância de o clube deixar clara qual é a ligação aos Super Dragões.
Nesta altura, existe uma ligação demasiado próxima entre Pinto da Costa e Fernando Madureira. E esta é a oportunidade para, por um lado, o Futebol Clube do Porto tomar uma posição em relação à sua claque, dois, Pinto da Costa tomar uma posição em relação ao Fernando Madureira. E tendo em conta que há algumas semanas, pelo que sei, Pinto da Costa já prepara a sua recandidatura que vai ser anunciada no domingo, tudo isso agora tem este episódio limite, que é o que Pinto da Costa vai dizer em relação a esta detenção de Fernando Madureira.
Análise do editor de desporto do Observador, Bruno Roseira.
E Augusto Inácio, comentador de desporto da Rádio Observador, não se mostra surpreendido com os acontecimentos desta manhã.
O antigo jogador do Futebol Clube do Porto recorda que já havia suspeitas sobre Fernando Madureira e diz também que os acontecimentos da última assembleia-geral foram muito graves.
Não fico surpreendido, porque aquilo que aconteceu no dia 13 de novembro foi demasiadamente grave para as coisas passarem um pano sobre tudo aquilo que se passou e não acontecer nada. Naturalmente, há aqui outras vertentes associadas a essa detenção. Não podemos esquecer também, porque isto depois é uma bola de neve, foi por causa da assembleia-geral, mas depois vai-se à procura de outras coisas em relação às pessoas envolvidas. E, neste caso, as redes sociais funcionam como realmente uma arma que joga às vezes não a favor, mas contra. Tudo aquilo que também é a vida particular do Fernando Madureira, ostentando aquilo que vê nas redes sociais, declarando rendimentos mínimos para aquilo que tem, naturalmente que isso também é o que sou.
Análise de Augusto Inácio na emissão especial da Rádio Observador ao final desta manhã.
Miguel, na origem da detenção de Fernando Madureira estão os zacados registrados na assembleia-geral do Futebol Clube do Porto.
Uma noite que ficou marcada por essas agressões e ameaças e que André Villas-Boas classificou como uma das mais negras na história do clube. O jornalista João Manuel Farinha recorda o que aconteceu.
Peço aos sócios do Futebol Clube do Porto que tenham calma e não tenham agressões com o Paulo Fonseca.
13 de novembro de 2023, nove da noite. Os sócios do Futebol Clube do Porto reuniam-se para votar os novos estatutos do clube, estando em cima da mesa a hipótese de passar as eleições de abril para junho. A reunião magna estava prevista para um auditório no Estádio do Dragão, mas a afluência de milhares de sócios obrigou uma mudança de local para o Dragão Arena, o pavilhão do Futebol Clube do Porto. A assembleia terá começado com muitos sócios ainda no exterior e começaram a surgir as primeiras queixas. No interior do pavilhão, um associado que se manifestou contra a alteração dos estatutos foi agredido quando regressou à bancada. Os ânimos aqueceram e quando outros sócios tentaram intervir, foram interrompidos e impedidos de falar, em alguns casos, por elementos identificados como membros das claques. Algumas das agressões foram filmadas, e embora Fernando Madureira surja nos vídeos, não se viu nenhuma agressão do líder dos Super Dragões. Pinto da Costa estava por perto e na altura foi acusado de nada ter feito para acalmar a situação. Já André Villas-Boas, agora candidato à presidência do clube, fez um apelo.
Não há condições para tomar qualquer decisão nesta assembleia-geral extraordinária, pelo que peço ao presidente da mesa que reconsidere a suspensão desta assembleia-geral extraordinária, que a remarque.
A assembleia foi reagendada para uma semana depois, mas acabou cancelada e não se realizou. Mais tarde, nas redes sociais, Villas-Boas classificou a noite como uma das mais negras da história do clube.
Uma assembleia-geral marcada por violência que não se realizou e que desencadeou a abertura de um inquérito do Ministério Público. Hoje, buscas e detenções. 12 detenções, incluindo Fernando Madureira, o líder dos Super Dragões.
Mudamos de tema, mas ainda na Justiça, em Lisboa, depois de sucessivos adiamentos, está previsto para esta hora o início do interrogatório aos detidos na operação contra a corrupção na Madeira.
Os arguidos deviam ter começado a ser ouvidos no sábado. Houve sucessivos adiamentos. Hoje, a sessão era para ter começado às 9h30. Os trabalhos voltaram a não arrancar a hora prevista. 14h30 é agora a hora indicativa para retomar os trabalhos no Campus da Justiça. Lá que está a jornalista Laura Figueiredo. Laura, depois de tantos atrasos, fica difícil saber se é desta que começa o interrogatório.
Boa tarde. Pois, como disse o advogado Custódio Correia hoje de manhã, prognósticos só no fim. Mas em princípio, o interrogatório deverá começar agora às 14h30. Pelo menos foi essa a informação que nos deu uma funcionária judicial, vamos ver. Mas pelo que apuramos durante a manhã, esteve a ser alterado o despacho de iniciação e, portanto, mais uma vez o início do interrogatório foi adiado. Entretanto, os advogados saíram para almoçar e Pedro Sá e Cunha quis esclarecer alguns factos. Começou por dizer que Pedro Calado nunca fez nenhuma transferência bancária para Miguel Albuquerque e depois quis também tornar claro que o diamante encontrado é apenas uma amostra de uma produção de diamantes sintéticos produzidos na Zona Franca da Madeira, que foi visitada por Pedro Calado e Miguel Albuquerque. E o advogado esclarece que é apenas uma amostra que lhes foi oferecida.
Se trata de um diamante genuíno, trata-se de um diamante sintético, sendo que aquilo que é referido como sendo um diamante é um objeto de valor desprezível.
Declarações de Paulo Sá e Cunha, a esclarecer alguns factos sobre notícias publicadas ontem que o advogado diz não serem verdadeiras. O advogado tinha também já referido esta manhã que não acredita que Pedro Calado seja interrogado ainda hoje. Os trabalhos vão acabar às 17h, faltam cerca de três horas, portanto, dificilmente haverá tempo para interrogar os três detidos. E quanto a medidas de coação, tanto Paulo Sá e Cunha como Raul Soares da Veiga afirmaram, à saída para almoço, que já não devem ser decididas as medidas de coação até ao final da semana. Mas faltam cerca de três horas para as 17h, e para terminarem os trabalhos relativos a este caso, vamos continuar a acompanhar a situação para ver se será mesmo hoje que os interrogatórios começam. Relembro que já passou uma semana e os detidos continuam sem ser ouvidos pelo juiz.
Continua à espera para o início do interrogatório aos detidos na operação contra a corrupção na Madeira.
E a Ordem dos Advogados manifesta preocupação com o prolongamento dos dois dias de detenção dos arguidos do caso de corrupção na Madeira.
Os três arguidos estão detidos desde quarta-feira, ainda não foram submetidos a interrogatório judicial. E à Rádio Observador, Fernanda Almeida Pinheiro, a Bastonária, diz que compreende que, por vezes, tendo em conta a dimensão das operações e o número de arguidos, é difícil cumprir com todos os prazos. Mas a Bastonária da Ordem dos Advogados alerta que estes atrasos não se podem tornar uma regra.
O que estamos a chamar a atenção é que isto não pode ser uma regra. Temos que nos organizar todos melhor, temos que dispor de meios e, naturalmente, que é o Estado que tem que garantir esses meios, através dos seus agentes, o Ministério Público, os próprios tribunais. Temos que ter meios porque estamos a falar de direitos fundamentais das pessoas. Estamos a falar de várias pessoas, aliás, neste caso são vários arguidos, que estão privados da sua liberdade. E isso não pode ser. Nós temos que ter respeito pela liberdade das pessoas que independentemente terem praticado ou não terem praticado os fatos, virem ou não a ser condenados. Portanto, existe sempre sobre estas pessoas uma presunção de inocência e não têm que estar detidas mais do que o estritamente necessário para o efeito dos cumprimentos das normas processuais.
A Bastonária da Ordem dos Advogados, Fernanda Almeida Pinheiro, que reitera que não é a lei que deve mudar, mas que deve ser feito um esforço para cumprir com o limite das 48 horas de detenção.
E são agora 14h14, Miguel Cordeiro, que outras notícias estão a marcar este início de tarde?
A Confederação dos Agricultores chegou a acordo com o governo. Os apoios aos agricultores já não vão sofrer cortes. Esta manhã, a CAP, a Confederação da Agricultura de Portugal, reuniu o Conselho de Presidentes para debater a situação de crise na agricultura. No final desse encontro, o presidente Álvaro Mendonça e Moura anunciou que chegaram a acordo com o governo os cortes de 35% e 25% dos pagamentos dos regimes ecológicos, agricultura biológica e produção integrada no âmbito do Plano Estratégico de Política Agrícola Comum, já não vão acontecer. Entretanto, informação também de que às 15h há uma conferência de imprensa do Ministério da Agricultura e do Ministério das Finanças, precisamente para detalhar este acordo. JS, JSD e Juventude Popular estão unidas contra a manifestação antiislâmica. Os líderes das estruturas de Lisboa, das Jotas do PS, do PSD e do CDS, bem como os presidentes da Federação Académica e da Associação Académica da Universidade de Lisboa repudiam a manifestação antiislâmica que está agendada para sábado, classificando-a como uma iniciativa racista. Em comunicado, os subscritores consideram que este tipo de manifestação constitui uma afronta aos valores da igualdade, da liberdade e do respeito pelas diferenças.
E é assim que fechamos o jornal das 14h, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Ele regressa na síntese de notícias das 14h30. Já a seguir, a história do dia.