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Duas da tarde. Jornal das Duas, com a edição do Luís Soares. Luís, começamos com o novo corte nas taxas de juro. O Banco Central Europeu anunciou uma descida de 25 pontos base.
Uma descida que já era esperada pelos analistas e é a segunda descida de juros nesta fase do ciclo. A taxa de depósitos mais importante para a política monetária nesta altura situa-se nos 3,5%. Os economistas do BCE preveem uma inflação abaixo de 2% em 2026. As novas projeções antecipam ainda uma taxa de inflação média de 2,5% este ano e 2,2% no próximo. Na conferência de imprensa, que ainda decorre, Christine Lagarde explica que este é o momento adequado para dar mais um passo na moderação das restrições, mas avisa que o BCE vai manter as taxas de juro suficientemente restritivas pelo tempo necessário para atingir esse objetivo de garantir que a inflação regresse à meta de médio prazo, a meta dos 2%. Junta-se em direto a este Jornal das Duas, Filipe Garcia, economista da informação de mercado dos financeiros. Boa tarde, Filipe, esta era a decisão que já era esperada.
Sim, boa tarde. O BCE cortou as taxas de referência, como era amplamente esperado, em 25 pontos base e está a dar continuidade ao ciclo de cortes de taxas que iniciou em junho e que está em curso e portanto deverá continuar. Como já foi referido, Christine Lagarde citou que a evolução da inflação está a andar como esperado, no sentido descendente, ainda que tenha destacado a evolução em alta dos salários e que as leituras da inflação deverão subir no final do ano devido a efeitos de base. Tendo em conta o comunicado do BCE, as palavras de Lagarde, que ainda está a falar e há sempre o período de perguntas e respostas, que é sempre importante, o mais provável é que o BCE corte taxas de juro mais uma vez este ano, em dezembro, quando o BCE apresentar as novas projeções econômicas, embora o mercado atribua ainda uma probabilidade de cerca de 40% de um corte já em 17 de outubro, mas que não me parece que seja o mais provável.
Isso poderá depender de quê? Poderá depender, por exemplo, da evolução da economia, essa decisão?
Sim, eu creio que há uma parte importante desta decisão que tem a ver com a evolução da inflação, mas também com os sinais de aceleração que existem a nível global, nas economias e na zona euro também. Mas o BCE tem vindo a dizer que as suas decisões são dependentes dos dados. Ora bem, aquilo que me parece é que até à reunião de outubro não teremos tantos dados quanto isso, que permitam ao BCE tomar já uma decisão. E o BCE tem preferido esperar pelas previsões trimestrais do próprio gabinete de estudos do BCE para fazer esses cortes de juros. Claro que se tivermos uma situação de uma desaceleração muito forte, um choque financeiro, uma queda nos mercados muito pronunciada, isso poderá vir a acontecer. Mas a forma como está feito o comunicado, em que chama a atenção para a evolução dos salários, que ainda é no sentido ascendente. Lagarde estava a dizer há bocadinho que há uma diferença grande entre aquilo que é a evolução da inflação dos serviços e a inflação dos bens, com a inflação a cair e a dos serviços a acelerar, dá a entender que o BCE não quer acelerar já o ritmo de corte de taxas e, portanto, parece-me que o mais normal, tendo em conta tudo aquilo que está a ser dito, é que se espere por dezembro para mais um corte, que seria o terceiro deste ano.
E que impacto é que nesta decisão já está a ter ou ainda poderá vir a ter mais nas taxas Euribor, que de certa forma já estavam a contar com esta descida anunciada hoje?
Exatamente, as taxas Euribor já estavam a descontar totalmente este corte e também o corte de dezembro. Neste momento o mercado está à espera que tenhamos um total de cortes de 175 pontos base até final do ano que vem, ou seja, colocando a taxa de referência em aproximadamente 2%. E o que o mercado está à espera é que o Euribor este ano feche o ano, o Euribor a 12 meses na casa dos 2,60, a taxa a seis meses na casa de 2,70. Mas isso não me parece que vá ser influenciado por aquilo que são as palavras e a decisão de hoje, porque isso realmente já estava perfeitamente descontado.
Filipe Garcia, muito obrigado pela análise. Filipe Garcia, economista da informação de mercados financeiros, a ajudar-nos a olhar para esta decisão do BCE, um novo corte nas taxas de juro de 25 pontos base anunciado há instantes pelo Banco Central Europeu.
E Luís, no arranque do ano letivo, o primeiro-ministro garante que o governo está a trabalhar para solucionar a falta de professores e deixa um apelo à estabilidade.
Luís Montenegro, que está em Viseu para assinalar o arranque do ano escolar, juntamente com o Ministro da Educação, também os secretários de Estado e o presidente da Assembleia da República. Marcelo Rebelo de Sousa era para estar presente, mas não está por motivos de saúde. Num discurso na Escola Secundária Alves Martins, Luís Montenegro reconhece que nem tudo está a correr bem na educação, mas culpa o anterior governo pela falta de professores.
Nós não estamos a olhar para trás. Nós do passado apenas podemos retirar ensinamentos, mais nada. Nós estamos a olhar para a frente, nós estamos a olhar para o futuro. E o que é que nós queremos no futuro? Queremos uma escola tranquila, estável, o senhor professor também aqui o disse há pouco. Não foi por acaso que nós investimos grande parte do nosso trabalho inicial na recuperação da confiança do corpo docente, dos professores.
Declarações de Luís Montenegro, que assegura também que o Executivo está a trabalhar para garantir oportunidades iguais para todos os alunos. O primeiro-ministro deixou ainda um apelo, lembra que os portugueses querem estabilidade e também sentido de Estado.
Neste arranque de ano letivo, em que nós quisemos assinalar e queremos assinalar o restabelecimento da estabilidade, o aprofundamento do sentido de colaboração, de Pessoas e entidades que muitas vezes colidem nos seus objetivos, que esta cultura cívica, que esta cultura educativa, possa espalhar-se para todos os desafios que o país enfrenta, possamos evitar mais instabilidade, que possamos acrescentar mais eleições às duas que projetamos no espaço de mais ou menos um ano, ou que possamos ter as terceiras eleições legislativas no espaço de pouco mais de dois anos, quase três anos.
O apelo de Luís Montenegro nestas declarações em Viseu a assinalar o arranque do ano letivo.
E o secretário-geral do PS critica as expectativas criadas pelo governo para este arranque de ano letivo. Pedro Nuno Santos diz que Luís Montenegro criou uma ilusão.
O secretário-geral socialista assinalou o arranque do ano letivo também, mas numa escola em Alcabideche, no dia em que o presidente da República promulgou duas medidas do governo para fazer face à falta de professores, o diploma que cria um regime excecional e também temporário para o recrutamento do pessoal docente a realizar no presente ano letivo, também promulgou o apoio à deslocação para professores. Em declarações aos jornalistas, Pedro Nuno Santos compara as expectativas criadas pelo governo na saúde e educação para acusar o governo de agravar os problemas.
Hoje o primeiro-ministro, finalmente, no exercício das funções, percebeu que levará muito tempo a resolver este problema, coisa que não dizia há um ano, no início do ano letivo, em 2023. Os políticos fazem mal é quando tentam criar ilusões. E foi criada a ilusão, tal como, aliás, este primeiro-ministro e este governo já tinham feito em relação à saúde, de que este verão com um plano de emergência iria ser melhor do que o ano passado, foi pior do que o ano passado. Um plano que tinham apresentado este ano seria melhor do que o ano passado e foi pior, está a ser pior do que o ano passado.
Pedro Nuno Santos a acusar o governo de agravar os problemas, não só na saúde, mas agora também na educação.
E quanto ao orçamento, o secretário-geral do PS quer Luís Montenegro à mesa das negociações e garante que não se quer substituir ao governo.
Também à margem dessa visita a uma escola em Alcabideche, Pedro Nuno Santos sublinha que o PS não quer ser responsável por metade do orçamento de Estado para o próximo ano. Depois da mais recente reunião entre executivo e PS, Pedro Nuno Santos pede a Luís Montenegro para que marque presença numa próxima reunião para garantir apenas o cumprimento das condições mínimas que o PS exige. Miguel Viterbo Dias.
No regresso às aulas, o líder do PS traz a matéria orçamental na ponta da língua e vinca ao governo e ao país que os socialistas não se querem substituir ao PSD.
O meio caminho nunca existirá. O Partido Socialista não vai negociar metade do orçamento, isso não existe. Agora, o que nós queremos é que algumas medidas que foram defendidas pelo PSD não estejam no orçamento. Isso não é metade.
Pedro Nuno Santos pede apenas condições mínimas para viabilizar o orçamento de 2025, a saída do IRC e do IRS Jovem da proposta orçamental. E para chegar a bom porto, contactos privados não chegam, é preciso compromisso público.
Eu não falo sobre contactos que tenho ou deixo ter com o primeiro-ministro. Acho importante que na próxima reunião, tanto eu como o primeiro-ministro, estejamos presentes nessa reunião.
O secretário-geral do PS, que como o Observador contou, foi contactado por Luís Montenegro, quer agora uma reunião com o primeiro-ministro à mesa. Já sobre justiça e depois da audição da Procuradora-Geral da República no Parlamento, Pedro Nuno Santos pede mais autocrítica a Lucília Gago.
Demos apenas justificações. Nós precisamos que haja capacidade crítica também de quem está no Ministério Público. Nós nunca fazemos tudo bem e em cada profissão temos que ter a capacidade não só de criticar os outros, mas também de olhar para nós, ouvir as críticas dos outros a nós. E qualquer procurador ou procuradora tem que ter a capacidade de fazer uma análise crítica.
À margem de uma visita a uma escola em Alcabideche, em Cascais, para assinalar o arranque do ano letivo, reagiu ainda a carta aberta que pede a regulamentação da eutanásia para exigir ao governo que cumpra a lei.
Se não concordam, podem tentar alterar a lei, mas eu tenho a convicção de que a maioria esmagadora do povo português está de bem com a lei que foi aprovada e aquilo agora que compete ao governo é concluir o processo.
Pedro Nuno Santos, entre selfies e coros musicais, no arranque da temporada 2024/2025.
Pedro Nuno Santos no arranque do ano letivo a reagir também a outros assuntos que têm marcado a atualidade nos últimos dias, como é o caso da eutanásia, com o governo a fazer saber, entretanto, que está a aguardar pelas conclusões do Tribunal Constitucional antes de tomar qualquer ação sobre esta lei. É a resposta da presidência do Conselho de Ministros à Agência Lusa, depois da carta aberta de 250 personalidades que pedem a regulamentação da lei da eutanásia.
E Luís, o chefe da diplomacia dos 27 assegura que a União Europeia está a fazer tudo para evitar o escalar da guerra no Médio Oriente. Ainda assim, Josep Borrell avisa que não há uma varinha mágica.
O alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros está em Beirute numa visita oficial ao Líbano. Em declarações ao lado do ministro libanês dos Negócios Estrangeiros, Borrell foi questionado sobre o risco de um conflito entre o Líbano e Israel. Ora o líder da diplomacia dos 27 assegura que tudo está a ser feito para evitar uma escalada das tensões no Médio Oriente, mas lembra que não consegue fazer magia.
A guerra nunca é inevitável, depende da vontade para a evitar. Sim, temos estado a trabalhar e, por agora, uma guerra de larga escala no sul do Líbano, uma invasão, não aconteceu. Mas quem sabe? Estamos a trabalhar em todas as frentes e estamos a pôr todos os nossos esforços diplomáticos para evitar uma escalada na região, em particular no sul do Líbano. Eu não tenho uma varinha mágica. O que temos é a vontade política para usar as ferramentas diplomáticas para instar os atores a travar a guerra, a impedir a escalada e a procurar um acordo que comece com o cessar-fogo em Gaza.
Declarações de Josep Borrell em Beirute a recusar que uma guerra no Médio Oriente seja inevitável, numa altura em que o Hezbollah e Israel têm trocado ataques. O líder da diplomacia europeia assegura que até agora o pior tem sido evitado.
No futebol, o Sporting defronta amanhã o Arouca, no jogo de arranque da quinta jornada da Primeira Liga e Rúben Amorim diz que a equipa tem agora o plantel mais completo.
É o regresso do campeonato depois da paragem para os compromissos internacionais. Na antevisão do encontro frente ao Arouca, Rúben Amorim abordou o mercado de transferências dos Leões. Diz que não tem razões de queixa e considera que o plantel dos Leões está agora mais completo esta temporada.
"Não nos podemos claramente queixar. Baixámos a idade do plantel, preparamos já o futuro e o presente. Temos jogadores e se olharmos para o conjunto das posições, temos um plantel mais completo, com potencial e preparados para o presente e, como eu disse, para o futuro do Sporting."
Declarações de Rúben Amorim, num registo captado pela Sport TV. O treinador dos Leões revela ainda que Franco Israel vai assumir a titularidade depois da lesão contraída pelo guarda-redes bósnio Kovacevic. No jogo de amanhã, a contar para a jornada cinco da Primeira Liga Portuguesa de Futebol, é frente ao Arouca, jogo marcado para às 20h15.
E o milionário Jared Isaacman já saiu da nave espacial da SpaceX e fez aquela que foi a primeira caminhada espacial privada.
Uma nave que está, nesta altura, na órbita da Terra. A missão privada Polaris Dawn descolou da Flórida na terça-feira. Ao todo, tem quatro tripulantes, mas só dois fizeram essa caminhada espacial. O primeiro a sair da nave foi o milionário Jared Isaacman, que diz que em casa há muito trabalho a fazer, mas que do espaço a Terra parece um mundo perfeito.
"Back at home, we all have a lot of work to do, but from here, Earth sure looks like a perfect world."
A Terra parece um mundo perfeito, vista do espaço, é o que diz este milionário. Um momento que foi aplaudido pela equipa da SpaceX, que está a acompanhar a viagem da missão Polaris Dawn. Também a engenheira Sarah Gillis foi uma das protagonistas desta primeira caminhada espacial privada, enquanto a nave da SpaceX sobrevoava a região da Austrália e da Antártida.
Duas horas e 14 minutos, Luís. Que outras notícias vão marcando a atualidade esta quinta-feira?
Os trabalhadores não docentes vão realizar uma greve nacional nas escolas a 4 de outubro. Exigem melhores condições de trabalho, no seu efeito, pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas. A Central Sindical avisa, no entanto, que esta paralisação ainda pode ser travada pelo ministro da Educação. As farmácias vão receber €3 por cada vacina administrada contra a Covid-19 e a gripe. É uma informação divulgada por uma portaria publicada hoje em Diário da República. Foi assinada pelo ministro das Finanças e também pela secretária de Estado da Saúde. Define os termos para a campanha de vacinação para o outono-inverno deste ano. As equipas da Organização Mundial da Saúde vacinaram mais de 100 mil crianças na Faixa de Gaza contra a poliomielite, campanha lançada no início do mês. Agora, o Ministério da Saúde do enclave controlado pelo Hamas dá conta de 105 mil crianças vacinadas. E trago-te, João, notícias destes senhores.
Isto é o It's My Life, não é, dos Bon Jovi. O que se passou com os Bon Jovi ou com o cantor?
Com o cantor. Jon Bon Jovi ajudou uma mulher que queria saltar de uma ponte. Aconteceu em Nashville, onde o Jon Bon Jovi queria filmar um vídeo e acabou por se deparar com esta situação.
O que aconteceu, Luís?
Através do departamento da polícia da cidade, foi possível perceber e ver o vídeo deste acontecimento, sendo que a polícia acabou até por elogiar o gesto do músico. Esta mulher ia saltar da ponte, mas o músico acabou por ajudá-la e impedir que ela cometesse esse ato. Mas ele, de resto, é já conhecido por gostar de ajudar quem mais precisa.
Bom coração, o Bon Jovi.
Exatamente. Em 2006, criou uma fundação para ajudar pessoas em situação de sem-abrigo, pobreza e carência alimentar e agora mais este ato que foi muito elogiado pelo departamento de polícia da cidade.
Muito bem, já estive aqui à procura nas redes sociais e é um vídeo e está a fazer furor. Foi o Jornal das duas, com edição do Luís Soares.