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Jornal das duas, na Rádio Observador, com a Vanessa Cruz. Vanessa, três ciclistas atropelados na Marginal, em Oeiras. O responsável pelo acidente está em fuga. Dois dos ciclistas estão em estado grave, um tem ferimentos ligeiros. O condutor seguia a grande velocidade quando se deu o atropelamento, é o que adiantam as autoridades. O adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Oeiras, Vítor Pato, pede que o condutor se entregue às autoridades e adianta o que já se sabe sobre os contornos deste acidente.

À minha chegada ao local e após reconhecimento, detetei que teria sido um veículo ligeiro de passageiros, que circulava no sentido Cascais-Lisboa e ali na zona da Parede da Torre, abalroou três ciclistas. Tivemos logo três feridos, dois graves e um ligeiro, que foram assistidos no local e posteriormente transportados ao hospital. Quem faz estas coisas devia pensar muito bem, cair na consciência e se calhar chegar a uma esquadra, entregar-se, porque acho que não é correto. Apelo a todos os condutores que circulam na Marginal, que tenham alguma atenção a estas situações.

O apelo de Vítor Pato, o adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Oeiras, aqui em declarações à Sic Notícias. O condutor seguiria num Seat Ibiza. Ainda não temos conhecimento de que se tenha entregado às autoridades. Os ciclistas atropelados estão nesta altura a receber assistência hospitalar no São Francisco Xavier e no Hospital de São José, em Lisboa. Em direto nesta edição das 14:00 da Rádio Observador, contamos agora com Mário Alves, da MUBI, a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta. Muito obrigada por estar conosco. Continuamos a assistir a acidentes como este, embora não tenha presenciado, pergunto-lhe se a Marginal de Oeiras tem características que podem tornar os ciclistas ainda mais vulneráveis, ainda mais expostos. Estamos a tentar esse contacto com Mário Alves, da MUBI, a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta. Já vamos tentar estar à conversa com Mário Alves, até porque este é mais um acidente a envolver ciclistas e, neste caso, aquilo que já sabemos é que o condutor seguia a alta velocidade na Marginal, em Oeiras. Foi ao início da manhã, por volta das 08:00, que aconteceu este atropelamento, com os três ciclistas feridos, dois deles em estado de gravidade. Mário Alves, agora sim, creio que é possível. Já está conosco. Obrigada por estar conosco. Perguntava-lhe há pouco se a Marginal de Oeiras tem características que podem tornar os ciclistas ainda mais expostos, mais vulneráveis.

Muito obrigado, antes de mais, e obrigado pelo convite. De facto, na Marginal já houve vários casos dramáticos, inclusivamente um há poucos meses. Mas não sabemos muito sobre este caso. Já sabemos o suficiente para saber que é um flagelo. A questão da fuga começa a ser algo que acontece demasiadas vezes em Portugal. E a questão da Marginal, obviamente, tem a ver com velocidade. A velocidade em Portugal não é um problema só da Marginal, é um problema de todas as zonas urbanas, inclusivamente das estradas municipais. Temos aqui um problema, a questão cultural em relação à velocidade ainda é um ângulo morto para a cultura da sociedade portuguesa. Eu acho que a questão do álcool, de certa forma, já é condenada, já não saímos de um jantar a dizer que vamos com os copos para casa. Eu acho que já houve aqui alguma mudança de mentalidade, apesar de continuar a ser um problema muito grave, mas em relação à velocidade ainda nos continuamos a gabar que chegamos ao Algarve em duas horas e coisas do gênero.

E pese embora os semáforos de controle de velocidade, que também existem ali na Marginal, no caso.

À questão dos semáforos, a Marginal já foi muito pior nos anos 80, principalmente porque havia muitos despistes, mas continua a ser miserável em relação à questão das bicicletas e dos peões, porque a Marginal também tem passeios estreitíssimos e as pessoas precisam da Marginal também pra treinar, pra lazer e pra ir pro emprego. Portanto, não se compreende como é que a Marginal, neste momento, ainda esteja naquelas condições de alta insegurança para ciclistas e peões.

De resto, há mais de 10 anos, até há propostas no orçamento participativo de criação de ciclovias. Há muitos municípios que investem nessas ciclovias. A Marginal de Oeiras não tem, enfim, poderia ter ou tem aqui circunstâncias especiais que impedem essas ciclovias?

Obviamente, poderia ter. Neste momento, qualquer cidade espanhola que tenha uma marginal e mesmo cidades europeias, mediterrânicas. As marginais têm sempre condições excelentes para peões, que já temos o perdão, de certa forma, mas também na marginal deveríamos ter uma ciclovia. Isso é óbvio para todos, deveria já estar integrado na nossa cultura, na nossa política pública e não se admite que neste momento esteja a morrer tanta gente na marginal. Mas quando falo na marginal, falo de um problema geral. Já se tem feito bastante em termos de segurança, mas comparado com Espanha, por exemplo, em que tem uma lei nacional em que 70% das vias urbanas estão a 30 km/h. Já há muitas cidades 30 km/h, inclusivamente o governo português assinou o Protocolo de Estocolmo há cerca de cinco anos, assinado por 143 cidades, a dizer que quando há ciclistas, peões e carros, temos que reduzir a velocidade para 30 km/h. É algo que vamos ter que tomar muito seriamente, e isto é como prevenção. E depois temos a questão de acontecer, que infelizmente as coisas acontecem, temos que ter também a questão da punição. As pessoas têm que sentir que fuga não é algo que se admita, é desumano. Está geralmente envolvida a questão do álcool, porque as pessoas esperam quatro horas para se entregar Portanto, é algo que, em termos de justiça, vamos ter que ter mão pesada, principalmente retirar a carta a alguns condutores.

Ficam aqui esses seus apelos. Muito obrigada, Mário Alves, por ter estado conosco em direto da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, depois do atropelamento esta manhã de três ciclistas na Marginal, em Oeiras. Dois estão em estado grave.

Noutros temas, Vanessa, um quer mudar de tema, o outro insiste. Se para a Iniciativa Liberal a campanha para as legislativas deve esquecer o caso Spin Livra, para o PCP, isso não é possível.

O secretário-geral comunista critica Luís Montenegro por se recandidatar a primeiro-ministro quando nada muda em torno do caso de que falavas, o caso Spin Livra, que fez cair o governo. Para Paulo Raimundo, o líder do PSD tem uma incompatibilidade ética e, por isso, devia ter-se demitido.

Perante aquilo que se conhece, aquilo que o primeiro-ministro devia ter feito era: há uma profunda incompatibilidade com o que fiz, não devia ter feito, com aquilo que é as minhas responsabilidades governativas e perante isto eu demito-me. Demito-me eu e demite-se o meu governo. O senhor primeiro-ministro entendeu que não devia fazer isso, devia passar por cima, devia tentar salvar a sua imagem e salvar os interesses daqueles que defende, que é os grupos económicos. Fez mal. É como lhe digo, há dois problemas. Há um problema de incompatibilidade, não estou a falar de questões criminais, falo de um ponto de vista moral e ético, esse é um problema. E o segundo, do qual muitas vezes só nós é que falamos, que é as consequências das opções políticas do governo na vida das pessoas.

Por isso, este caso, que fez cair o executivo de Luís Montenegro, será tema inevitável de campanha, é o que diz Paulo Raimundo, no Porto. À tarde vai participar em Lisboa na manifestação Dia da Palestina, agendada para daqui a cerca de meia hora no Martim Moniz.

E como dizíamos, Vanessa, quem quer esquecer o caso Spin Livra é a Iniciativa Liberal.

E Rui Rocha falou disso mesmo no discurso de abertura do Conselho Nacional do Partido, em Braga, quer discutir outros temas que não a empresa do primeiro-ministro, nem os cartazes de campanha.

Começando a pré-campanha, já vimos qual é o tom desta pré-campanha. Já vimos que o que se vai discutir são casos, o que se vai discutir são cartazes, o que se vai discutir são as pessoas, o que se vai discutir é tudo, menos a mudança de que o país precisa. Falam dos casos de Luís Montenegro e eu quero falar da vida dos portugueses.

Rui Rocha, em Braga, sendo que a Iniciativa Liberal tem aberto a porta a entendimentos pós-eleitorais com PSD e CDS, já em modo de pré-campanha. Rui Rocha deixa ainda um recado a Luís Montenegro, a contribuição fiscal não desceu nesta legislatura, antes pelo contrário.

E Vanessa, subiu para 18 o número de mortos em Bangkok, na sequência do terremoto que afetou Myanmar na sexta-feira.

Os dados são avançados pelas autoridades tailandesas, citadas aqui pelo britânico Guardian. Onze das vítimas mortais morreram no desabamento do arranha-céus de 30 andares na capital da Tailândia. Debaixo dos escombros permanecem, pelo menos, 80 pessoas.

E a Cruz Vermelha Internacional apela à angariação urgente de quase 100 milhões de euros para ajudar as vítimas do sismo em Myanmar.

E foi em Myanmar o epicentro desse sismo de 7.7 na escala de Richter. A Cruz Vermelha alerta que as comunidades afetadas devem ser estabilizadas rapidamente antes que surjam crises de emergência secundárias, sendo que este terremoto, na última sexta-feira, provocou pelo menos 1700 vítimas mortais.

Está feito o jornal das 14h com a Vanessa Cruz.