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Vileira. Miguel Vileira com o Jornal das duas. Miguel, a direção do Bloco de Esquerda lamenta a saída do partido de 60 militantes. Entre os demissionários está um dos fundadores, Mário Tomé.

Acojunta àquele que era até aqui um dos principais rostos da oposição, Pedro Soares. Ora, num comunicado enviado à Agência Lusa, a direção do Bloco, liderada por João Manuel Pureza, lamenta a decisão, sublinha que os membros do grupo Convergência, opositor da atual direção, têm vindo a deixar o partido de forma parcelar, num processo programado e repetidamente anunciado na comunicação social. É também salientado que as divergências há muito se fazem sentir e é dado como exemplo a solidariedade manifestada pela direção do Bloco com o povo ucraniano na sequência da invasão russa.

Há uma hora, aqui na Rádio Observador, esteve Mário Tomé. Explicou o que o leva a sair do partido.

À cabeça, Mário Tomé refere a aproximação ao PS.

Perdeu a validade. O Bloco tinha que se afirmar enquanto alternativa. O Bloco então, em vez disso, decidiu encostar-se ao Partido Socialista, como ainda está, não de uma forma tão explícita, que a situação política não está exatamente para isso, tem que mostrar um certo distanciamento, mas aquilo transformou a perspetiva do Bloco estratégico é da esquerda grande. Esquerda grande com quem? Porque o Bloco é muito grande? Se fazia tudo para ser muito grande? Não, porque o Bloco sempre estava ao Partido Socialista e a outras, se calhar ao LIVRE.

Mário Tomé diz também que a direção do partido convive mal com a crítica.

A crítica aos que não estavam de acordo com a direção foi dura, foi grave. O sectarismo. Depois meteu-se aquela ideia que é preciso defender o partido, o Bloco. Isto é conversa.

Alguns dos motivos que levam Mário Tomé a deixar a militância do Bloco de Esquerda, não sai sozinho, são 60 os militantes bloquistas que anunciam a saída, a desvinculação do partido. Está aqui conosco em estúdio o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Rui, estas são saídas que fazem mossa num partido que sob o ponto de vista eleitoral tem sofrido nos últimos anos?

Sim, na verdade, o Bloco de Esquerda tem vindo a ter uma perda eleitoral e de representatividade bastante considerável. Está reduzido a um deputado no Parlamento e essa quebra tem vindo a ser muito acentuada. As críticas deste grupo que vêm vindo a ser feitas, vêm sempre no sentido de uma grande colagem ao PS, uma tentativa de ser um partido que podia integrar o governo, nomeadamente em algumas convenções, e o Mário Tomé também lembrava isso aqui, em que se dizia que a Mariana Mortágua seria uma excelente ministra das Finanças, com Francisco Louçã também a dizer que o Bloco de Esquerda estava preparado para assumir o governo e, portanto, em algum momento o Bloco quis se transformar num partido de governo e, no entender destes militantes que agora saem, isso foi fatal para o partido e conduziu àquilo que eles já dizem que é o fim. Pelo menos o Bloco com que eles sonharam, até de uma forma assim um bocadinho utópica, já não existe. Eles não queriam ser grandes.

Não queriam que fosse um partido de convocação de poder.

Não queriam ser grandes, queriam fazer a luta, queriam estar acantonados no extremo. Portanto, essas pessoas que saem não são de quem queria, de facto, o Bloco grande. Eles usam essa expressão. Queriam que o Bloco continuasse com as suas causas, que podem ser outras. Por exemplo, a guerra do Irão não era uma causa há um ano, mas agora é. Essas causas vão se mudando, mas eles querem estar sempre do lado da luta. Por que eu acho que esta saída é mais relevante? Porque naturalmente que o Bloco de Esquerda surge essencialmente, não só de outros movimentos, do PSR, do Política 21 e do UDP, e Mário Tomé é um histórico da UDP. Não significa que toda gente que veio da UDP, aliás, uma das irmãs Mortágua veio da UDP, creio que mesmo o Pedro Soares, que agora se desvinculou, mas o Pedro Filipe Soares, que chegou a ser líder parlamentar, também vem da UDP. Há muita gente da UDP que continua no Bloco de Esquerda, naturalmente, mas acaba por ser assim simbolicamente uma saída com mais peso do que as anteriores. A direção tem razão porque muitas destas pessoas da convergência foram algumas delas saindo, mas não se escarceu isso.

Há aqui uma crítica implícita, não é? Que as saídas têm acontecido de forma tática, programada.

Mas agora é que saíram quem estava à frente dessa, podemos chamar-lhe assim, fação, que de facto era a única ilha de contestação do Bloco de Esquerda com alguma relevância. Houve tempos em que se permitiram que houvesse moções, mas estava a haver uma ideia utópica. Eu lembro-me de um congresso há uns anos que tinha uma lista R, que era R de radical, que ainda era mais radical do que os da convergência, ainda defendia um maior radicalismo do que a convergência, e foi-se perdendo o espaço para o debate interno em nome desta grande unidade e de defender o partido, quando na verdade havia talvez outras prioridades e a própria ADN do Bloco de Esquerda, que não tem nada a ver com ADN, esse é o tipo de radicalismo, foi de alguma forma colocado em causa. E é isso que eles contestam. Para já é muita gente. Sessenta pessoas era muita gente para muitos partidos. Então para um partido que se vê diminuído e que tem vindo a perder também muitos militantes. Eu também não acho que estes se desloquem para o LIVRE, Miguel.

Foi uma pergunta que não fiz a Mário Tomé, se havia espaço para a criação de uma outra formação partidária ou se de facto alguns dos partidos que hoje já estão formados podem servir de acolhimento a estes militantes agora.

Eu acho é que estes poderiam fazer falta ao Bloco de Esquerda, no sentido que o Bloco tem que voltar a ser, de facto, um partido mais de causas, defesa da minoria, voltar às bases, bater no fundo do poço para ganhar balanço para subir de novo. Porque há espaço se for esse partido de nicho. Não há a hipótese de voltar a tornar grande. Claro, tu dizes-me assim: "Então, as pessoas que defendem ou que estão contra que o Bloco tenha solidariedade com a Ucrânia, na verdade, trazem ganhos eleitorais para o partido". Não, mas esta pulsão, esta pluralidade interna era também a força e a vida do Bloco de Esquerda. Eles andaram sempre a brigar uns com os outros, até antes do Bloco ser criado, todos aqueles grupos andavam a brigar uns com os outros. Toda a gente que acompanhou essa efervescência sabe disso. Agora, que não é bom para o Bloco de Esquerda, não é. Que faz mossa, faz.

Rui Pedro Antunes, obrigado. Foi ao editor de política da Rádio Observador neste jornal das 14h, a pretexto desta decisão, hoje conhecida, de 60 militantes de deixarem o Bloco de Esquerda.

O Ministério da Educação decidiu adiar por dois dias o prazo para a inscrição no décimo ano e também no décimo segundo ano.

Sim, o período para fazer a inscrição vai decorrer entre amanhã e 24 de julho, sexta-feira da próxima semana. O novo calendário foi publicado hoje em Diário da República e decorre do adiamento do prazo para a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Os resultados devem ser conhecidos no final da semana. Terminou hoje o prazo para a correção dos exames. Ontem, ao final da manhã, o ministro da Educação dava conta que já estavam corrigidos 92% dos exames.

A Iniciativa Liberal admite sujeitar a votação no plenário da Assembleia da República a proposta de adiamento do debate do Estado da Nação. Isto depois do presidente do Parlamento ter rejeitado esse pedido dos liberais.

Sim, o pedido de adiamento do debate agendado para depois de amanhã é justificado com a IL, com a necessidade de ouvir antes as explicações do ministro da Educação sobre os problemas em torno da avaliação dos exames nacionais. Ora, o presidente da Assembleia da República rejeitou o pedido. Justifica Guião Branco o facto de a data do debate ser fixada por acordo entre o próprio presidente do Parlamento e o Governo, ao contrário de outros debates pedidos pelos partidos. Para além disso, o plenário deliberou que a última reunião decorre dia 17 de julho, pelo que uma nova decisão tinha que ser tomada pela maioria dos deputados. Não pode ser decidida apenas em conferência de líderes, que amanhã vai reunir de manhã. É um caminho admitido pelo líder parlamentar da IL, sujeitar a votação a proposta de adiamento do debate do Estado da Nação. Mário Moura Lopes diz que o partido pode avançar com esse pedido e com essa exigência de votação, assim seja essa a vontade da maioria dos partidos expressa na reunião da Conferência de Líderes que amanhã vai ter lugar.

Nós naturalmente iremos apresentar estes argumentos à Conferência de Líderes, iremos ouvir também os argumentos dos outros partidos e iremos perceber se há aqui algum acolhimento, porque se não houver acolhimento, não faz sentido estarmos aqui a criar uma bravata para tentarmos forçar uma votação que depois, ainda por cima, não passa no debate do Estado da Nação e condiciona o próprio debate do Estado da Nação. Nós não queremos criar mais ruído, nem colocar mais areia na engrenagem. O que nós estamos aqui a pedir é que se faça um debate para discutir a questão dos exames nacionais. Portanto, se não houver um entendimento maioritário, nós não conseguimos forçá-lo. Não é possível forçá-lo.

O deputado da Iniciativa Liberal deu também conta dos argumentos que amanhã vai invocar na reunião com o presidente da Assembleia e líderes das restantes bancadas.

Na data que se fixou esse calendário do Estado da Nação, depois de seguidas reuniões de comissões, não havia este caos com os exames nacionais que está a preocupar alunos, pais e professores. E, portanto, as circunstâncias mudaram. E tendo mudado as circunstâncias, parece-nos prudente e sensato que se promova um debate para sossegar toda gente, para se perceber o que é que correu mal, para que o próprio ministro possa dar todas as explicações e, portanto, para que se possa fazer mais do que o escrutínio, que possamos sossegar os alunos, as famílias e os professores também.

Os argumentos da Iniciativa Liberal amanhã se saberá, se colhem junto das restantes formações partidárias com assento parlamentar. Se assim for, então a Iniciativa Liberal vai mesmo sujeitar a votação a proposta de adiamento do debate do Estado da Nação.

Duas horas, 10 minutos, Miguel, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Três pessoas morreram na sequência dos ataques norte-americanos ao Irão, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars. As três mortes ocorreram na província de Hormozgan. Entretanto, há relatos de explosões em território iraniano. A Fox News dá conta de que o comando central do Exército dos Estados Unidos está a realizar mais ataques em várias regiões do território iraniano. A Al Jazeera dá conta que foram ouvidas, por exemplo, explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, um dos maiores portos de exportação de petróleo iraniano. A circulação ferroviária na Linha do Norte está a ser feita de forma alternada entre Riachos e Mato Miranda, em Santarém, informação de fonte do Comando Sub-regional do Médio Tejo da Proteção Civil à Rádio Observador. A Linha do Norte, a principal linha ferroviária do país que liga Lisboa ao Porto, esteve interrompida a circulação durante o período da manhã devido ao atropelamento de dois cavalos numa zona de campo perto precisamente da estação ferroviária de Riachos. Várias federações da UEFA estão a mobilizar-se para apoiar um candidato que enfrente Gianni Infantino nas próximas eleições da FIFA, daqui a um ano. Isto numa altura em que Infantino procura chegar a um terceiro mandato. O TalkSport avança que existe um movimento no seio da UEFA para apresentar uma candidatura alternativa face ao descontentamento com a atual liderança da FIFA. Sentimento que se intensificou durante o mundial, sobretudo após a revelação de que Gianni Infantino reverteu uma decisão de cartão vermelho a um jogador norte-americano por pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O irmão do primeiro-ministro espanhol foi condenado a nove anos de inibição de desempenho de cargos públicos pela prática do crime de prevaricação. O Executivo liderado por Pedro Sánchez manifesta confiança de que a inocência será aprovada em sede de recurso. Em causa, a contratação de David Sánchez, em 2017, como responsável cultural do Governo Provincial de Badajoz, liderado na altura pelo PSOE, o Partido Socialista Operário Espanhol. De acordo com a decisão, houve irregularidades na criação deste posto de trabalho, que terá sido fabricado com o objetivo de vir a ser ocupado precisamente pelo irmão de Pedro Sánchez. O tribunal condenou ainda outros nove arguidos à mesma pena de nove meses de inibição do desempenho de cargos públicos. Sanção mais pesada apenas para o antigo líder do PSOE na Estremadura, Miguel Ángel Gallardo, que está impedido de desempenhar funções públicas durante 18 anos. Também a notícia: Bulgária decidiu retirar-se da coligação dos Despostos, informação passada pela Bloomberg indica que o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, aproveitou a reunião de ontem para dizer aos parceiros que a Bulgária ia deixar a coligação. Não quer continuar com uma coligação que insiste em manter o financiamento e ajuda militar à Ucrânia, o argumento invocado.