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Começa agora o Jornal das Três, edição do jornalista João Gama. João, a terra tremeu em Portugal esta madrugada. Não há feridos ou danos e o primeiro-ministro agradece a prontidão das autoridades.
Reagiu na rede social X, Luís Montenegro. Está de férias, o cargo de primeiro-ministro é desempenhado de forma provisória por Paulo Rangel. Ainda assim, Montenegro agradece a prontidão da Proteção Civil, realça a serenidade do povo português, que reagiu sem alarmismos. Coube a Paulo Rangel estar esta manhã na sede nacional da Proteção Civil e mais tarde no Palácio de Belém.
E no mesmo sentido, Marcelo Rebelo de Sousa elogia a coordenação entre o governo e Proteção Civil. O presidente da República nega quaisquer falhas de comunicação.
Marcelo diz que o mais importante é não ter havido quaisquer danos. Passa, por isso, uma mensagem de tranquilidade.
A muito boa coordenação entre o governo e a Proteção Civil. De facto, o senhor primeiro-ministro em funções comunicou à Presidência da República muito poucos minutos depois de ter sabido e muito poucos minutos depois de ter ocorrido o sismo.
O Presidente da República fala também da necessidade de prevenção para estas situações.
Há sempre novas aprendizagens, quer na prevenção, quer na formação da sociedade. Eu penso saber, também isso preocupa a Proteção Civil, as ações nas escolas, as ações em estabelecimentos públicos, as ações quer de âmbito nacional, quer de âmbito regional ou local. Tem se feito, mas provavelmente haverá que alargar aquilo que se tem feito para sensibilizar a opinião pública.
Marcelo Rebelo de Sousa apela a um debate sobre a construção das obras públicas e dá até um exemplo do Hospital de Lisboa Oriental, que recebeu no Tribunal de Contas uma ordem para incluir no projeto uma solução de isolamento contra sismos.
E Carlos Moedas garante que a cidade de Lisboa está preparada para sismos.
Foi entrevista à Rádio Observador, o autarca fala especificamente das construções anteriores à década de 80. São estes edifícios que inspiram mais preocupação, em especial aqueles que são reabilitados pelos privados.
Mais de 50% dos edifícios em Lisboa são de antes da década de 80, portanto não havia ainda regulação antissísmica e todos esses são edifícios que têm problemas, que têm que ser reforçados também pelos privados, não é só um trabalho da Câmara Municipal. No caso da Câmara, nós avaliamos mais de 1500 edifícios nossos nos bairros, por exemplo, habitacionais, onde vimos que havia 10%, à volta de 10%, que tinham que ser reforçados. Portanto, nós temos estado a fazer essa avaliação e essa monitorização.
Já sobre o apelo do Presidente da República a um debate sobre obras públicas, Carlos Moedas diz que sim. O autarca de Lisboa assegura que as obras são hoje em dia feitas a pensar na eventualidade de um sismo.
Os apelos do senhor Presidente da República são sempre importantes, até porque o apelo do senhor Presidente da República é um apelo também às pessoas, aos cidadãos, e ele, mais do que todos nós, chega às pessoas de todo o país. Mas depois há toda uma parte técnica. Eu estou sobretudo preocupado, no fundo, em que toda esta transmissão técnica, toda esta parte técnica no nosso urbanismo, naquilo que são os nossos técnicos, ela seja efetuada.
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, em entrevista à Rádio Observador.
E a Ordem dos Engenheiros quer ser ouvida no debate proposto por Marcelo Rebelo de Sousa.
Diz que é um debate que não deve ser deixado apenas a atores políticos. Esta tarde, aqui na Rádio Observador, Humberto Varum, membro da Ordem dos Engenheiros, afirma que a classe política tem de tirar uma lição do sismo e aproveitar o momento para começar a preparar um plano nacional sobre segurança.
A lição que era importante retirarmos é que este debate deve ser um debate contínuo. Efetivamente, nós necessitamos de colocar o assunto em discussão séria, como tem sido anunciado, com grande profundidade, com grande rigor, com a serenidade necessária, mas necessitamos efetivamente de um plano nacional para a abordagem da questão da segurança sísmica, do edificado, os nossos edifícios, as nossas pontes, as nossas infraestruturas.
Humberto Varum, em declarações esta tarde à Rádio Observador, vai mais longe, pede ao governo um plano nacional de segurança sísmica, por isso apela à presença da Ordem dos Engenheiros no debate político sobre a prevenção.
E de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, foram sentidas várias réplicas de baixa intensidade.
A última sentiu-se por volta do meio-dia, foi a sexta. É no Instituto Português do Mar e da Atmosfera que se faz o controle, a par e passo, da atividade sísmica. E é lá que está a repórter do Observador, Laura Figueiredo, a acompanhar os procedimentos do IPMA depois deste sismo. Laura, boa tarde. É possível que haja mais réplicas no horizonte?
Boa tarde. Sim, pelo menos é o que me explicou o Jorge Cruz, sismólogo, que está aqui comigo no Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Boa tarde, Jorge. Houve já então seis réplicas depois do sismo. É provável que haja mais?
Sim. Pelo nosso conhecimento, em princípio pode haver mais réplicas. Ou seja, são sempre eventos, réplica é mesmo o que significa aí, quer dizer que vai haver eventos, mas sempre de magnitude inferior. Destas seis réplicas, nenhuma foi sentida pela população
Portanto, foram de uma magnitude baixa.
A magnitude máxima da réplica foi 1,7 e sim, é considerada uma magnitude baixa.
Estas seis que já aconteceram foram logo depois do sismo ou têm sido mais espaçadas?
Foram espaçadas. Houve logo a seguir ao sismo e tem havido ao longo de toda a manhã, até ao meio-dia foi o último. Foi a distribuição mais ou menos regular ao longo destas horas.
Nós estamos aqui numa sala mesmo ao lado do centro operacional de sismologia, no qual não podemos entrar por questões de segurança, mas temos visibilidade para lá através de um vidro e dentro dessa sala de controlo há vários ecrãs que monitorizam as ondas sísmicas. Jorge Cruz, pergunto-lhe, quando o sismo aconteceu às 05h11 estava aqui, como é habitual, um sismólogo a monitorizar as ondas sísmicas, como é que foi o processo? Sentiu-se também aqui o edifício a tremer?
Sim, eu tenho a informação que o meu colega que estava cá a essa hora sentiu e começou a sentir o evento e depois olhou para os ecrãs e viu começar a aparecer as ondas. Preparou-se para tratar do evento, fazer a análise do evento, recolher os dados todos para calcular a magnitude e o epicentro para poder mandar a informação para a Proteção Civil.
E depois de terem determinado a magnitude, comunicam à Proteção Civil e qual é o procedimento?
É comunicado ao governo, à Proteção Civil, aos órgãos de comunicação em geral, por e-mail, por chamada rádio ou por fax. São usados todos os processos para se houver alguma falha, a informação chegar ao destino.
Obrigada. Sabemos então que está sempre aqui de prevenção um sismólogo a monitorizar as ondas sísmicas, que como o Jorge me explicava, há todos os dias, são registadas todos os dias, embora de intensidades insignificantes.
Exatamente. Praticamente todos os dias são registados vários eventos artificiais ou naturais e geralmente não são sentidos pela população, mas são registados na nossa rede sísmica, tal como as réplicas destes eventos foram registados, somente registados na nossa rede, não foram sentidos por ninguém.
São registados através dos aparelhos que me explicava, cerca de 50, que estão espalhados ao longo de todo o país.
Sim, exatamente. Cerca de 50 que estão espalhados ao longo de todo o território continental. E este evento foi registado em todas as estações nossas da rede.
Terá sido sentido em todo o país?
Não foi sentido em todo o país, foi sentido na maioria do país, mas o Nordeste não deve ter sido sentido.
Obrigada ao sismólogo Jorge Cruz, aqui no Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a descrever quais os procedimentos adotados quando um sismo com alguma intensidade se regista aqui em Portugal.
A reportagem em direto da Laura Figueiredo a partir da sede do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, onde estão a ser registadas novas réplicas do sismo desta madrugada.
A Proteção Civil tem um plano especial para dar resposta a um sismo de grande dimensão em Lisboa, prevê a utilização de barcos e comboios para evacuações e até o aeroporto para acolher feridos e depositar corpos de vítimas mortais.
Este plano serve para definir o que fazer caso haja um grande sismo na capital. É testado a cada dois anos pelas autoridades da Proteção Civil portuguesas. Rui Casanova, o plano prevê medidas muito específicas e uma coordenação próxima entre as várias entidades.
Para que este plano especial seja ativado, é preciso que se verifique uma de duas situações: ou um sismo com epicentro na área metropolitana de Lisboa, com magnitude igual ou superior a 6,1 na escala de Richter, ou um evento sísmico que seja sentido na área metropolitana de Lisboa, independentemente da localização do epicentro, e que tenha intensidade máxima igual ou superior a oito na escala de Mercalli. Se for ativado, o plano prevê a entrada em ação de várias autoridades como bombeiros, PSP, GNR e Forças Armadas, mas também outras entidades como Cruz Vermelha, Instituto de Medicina Legal e até organizações de escuteiros. A evacuação é uma das prioridades do plano. A Lusoponte faz briefings regulares sobre o estado da circulação rodoviária nas Pontes Vasco da Gama e 25 de Abril. A CP e a Fertagus, operadoras de comboios na região de Lisboa, também se responsabilizam pela organização de comboios para a evacuação em massa da população afetada. Destaque também para a ANA Aeroportos. O plano prevê o uso do aeroporto de Lisboa para meios aéreos de socorro, mas também para acolher feridos e até uma estrutura de armazenamento de cadáveres. Em caso de um grande sismo em Lisboa, o centro de operações seria de imediato instalado em Carnaxide ou, caso a sede fosse afetada, na Base Aérea de Sintra.
Rui Casanova com os detalhes do plano especial da Proteção Civil na eventualidade de um grande sismo em Lisboa. O plano só pode ser ativado de duas formas: ou por decisão da Comissão Nacional da Proteção Civil, um órgão que é presidido pelo Secretário de Estado da Administração Interna, ou na sequência da emissão, por parte do Governo, de uma declaração de situação de calamidade.
E ainda a Rádio Observador esteve na rua para tentar perceber como é que o sismo foi sentido pela população.
Prateleiras a abanar, queda de objetos, confusão com o que estava a acontecer. Houve ainda quem tivesse saído à rua com receio do que o pior pudesse acontecer. É o que nos conta o João Costa Campos.
A semana amanheceu tremida. O dia 26 de agosto fica marcado por um sismo. O fenômeno foi registado às 05h11, ao largo de Sines, com uma magnitude de 5.3 na escala de Richter. No país não se sentia um sismo tão forte desde 1969, há 55 anos. Não houve réplicas, pedidos de socorro, nem danos graves a registar. A Rádio Observador foi à rua para perceber como é que os portugueses viveram o tremor de terra. Reações houve de todos os tipos. Há quem tenha ficado muito alarmado.
Eu estava a dormir, mas a minha filha saiu aos gritos, porque sentiu a cama toda a abanar e as mesinhas de cabeceira Ficou em pânico. Veio me acordar a mí, veio acordar os irmãos, acordamos todos.
Fui a correr para a rua e disse ao meu marido ao mesmo tempo: "Vem que está a mexer muito a cama e o guarda-fatos. Vamos que é um sismo." E então ele: "Não tenhas medo!"
Fiquei assustada, porque há muitos anos vi filme que também acontecia isso e era uma coisa horrorosa.
Mas também quem não tenha dado pelo tremor de terra.
Estava assim bem enssonado. Pensei que fosse alguma caminhonete a passar, uma coisa qualquer.
Eu até pensei que fosse o metro, que passa mesmo por baixo, que faz uma tremiderezinha. E nada mais isso.
E mesmo os que esperaram pelo pior, acabaram por relativizar rapidamente.
Estava à espera de réplicas, não houve réplicas e nada bem. E espero que não tenha havido danos materiais, nem nada, nem nenhum mini tsunami. E férias boas para toda a gente, quem esteja aí nessa zona mais perto do sismo.
As reações dos portugueses no dia do sismo que se fez sentir por todo o país.
Testemunhos de algumas pessoas sobre o sismo desta madrugada, uma reportagem do jornalista João Costa Campos.
E ainda a marcar o dia de hoje, morreu Sven-Göran Eriksson, antigo treinador do Benfica. É recordado como homem de coragem, responsável por revolucionar o futebol em Portugal.
Muitas reações à morte do treinador sueco, tinha 76 anos, morreu vítima de um cancro terminal. Ainda no final da época passada, foi homenageado no Estádio da Luz. Toni serviu enquanto adjunto de Eriksson, lembra o treinador como um homem de coragem.
E o legado, talvez maior, que ele nos deixou a todos, foi a força e a coragem com que enfrentou a morte, porque há uns meses deixou-nos a todos surpresos quando anunciou que tinha alguns meses de vida. Não só a nós do Benfica, do Porto, do Sport, de todos os portugueses, mas de todo o mundo. Ter essa coragem e essa força de anunciar que tinha alguns meses de vida.
Toni, ex-adjunto de Eriksson na Rádio Observador, recorda a ambição do antigo treinador, campeão pelo Benfica na época de 82, 83. Álvaro Magalhães, antigo jogador aos comandos do treinador sueco, já no Benfica, explica como Eriksson mudou o futebol português.
Este foi o treinador que revolucionou o futebol português na metodologia de treino. Como muitos fazem agora, e mal, ele fazia bem, e muito bem, na década de 80. Portanto, penso que é um treinador que nos vai deixar saudades pela qualidade técnica, pela qualidade tática, pela sua maneira de estar no futebol. Um treinador e como pessoa, é o que nos deixou, e que vai deixar muitas saudades.
Reações à Rádio Observador, a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional também vieram esta tarde lamentar a morte de Sven-Göran Eriksson. O mesmo fez o Benfica e o Futebol Clube do Porto.
E agora com 16 minutos para lá das 15h, João Gama, vamos ao habitual espaço de informação local.
Novo incêndio a atingir os taleiros de Azurara, em Vila do Conde. Duas embarcações de pesca arderam em resultado deste incêndio, uma alerta que foi dado depois da 13h, de acordo com o site da Autoridade Nacional da Proteção Civil. Estão a combater as chamas mais de 20 bombeiros. Nas Caldas da Rainha, as urgências de ginecologia e obstetrícia estão hoje encerradas. O Hospital Distrital das Caldas da Rainha é uma das quatro unidades do país com o serviço encerrado. Em Leiria, o politécnico teve a maior taxa de colocação de sempre na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior. De acordo com os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior, mais de 90% das vagas já se encontram preenchidas. Em Lisboa, a Câmara do Município arrecadou mais de 200 milhões de euros entre janeiro de 2016 e julho deste ano, com uma taxa turística. A receita tem sido investida no reforço da higiene e limpezas urbanas em vários equipamentos da cidade. Neste momento, o valor da taxa turística de dormida é de 2 €. Almada, a ligação fluvial entre a Trafaria e o Porto Brandão está suspensa até dia 22 de outubro. O serviço vai estar interrompido durante dois meses devido a obras de requalificação. E em Espinho, a Câmara Municipal assina o protocolo com a Associação Desportiva Cultural e Social, incluir Espinho, para realizar o Torneio de Futebol de Rua 2024. Um torneio que vai acontecer, Rita, entre os dias 6 e 8 de setembro.
E ficam então as sustões a fechar o Jornal das 3, edição do jornalista João Gama. Está de regresso. Daqui a pouco temos a guerra traduzida com a jornalista Diana Rosa. Até já.
Até já.