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Vamos às notícias. Jornal das três, edição com Miguel Vidar. Miguel, está a decorrer nas instalações da Proteção Civil em Coimbra, uma reunião que junta governo, autarquia e Proteção Civil para perspetivar as próximas horas em função também do que são as previsões meteorológicas.

Uma reunião que conta com a presença do primeiro-ministro. Não estava inicialmente prevista a participação de Luís Montenegro neste encontro. Seguimos em imediato até ao comando sub-regional da Proteção Civil de Coimbra, onde está o jornalista do Observador, Luís Soares. Luís, já terminou a reunião? Já sabe se há novas medidas face ao que se perspetiva para as próximas horas?

É uma reunião que dura cerca de meia hora, pouco menos. Luís Montenegro chegou pouco depois das 14h30. Também Maria da Graça Carvalho, a ministra do Ambiente. A primeira a chegar foi mesmo a presidente da Câmara de Coimbra, a Ana Abrunhosa, que acabou por receber depois a restante comitiva. Também está presente o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, assim como alguns outros autarcas da região do Mondego, que acabam por participar nesta reunião, que vai olhar precisamente para aquilo que vão ser as próximas horas na região do Mondego. Esperava-se uma cheia centenária para o dia de hoje. Acabou, pelo menos até agora, não acontecer, mas o alerta mantém-se, até porque continua a chuva, apesar de quando em vez vir o sol, como é o caso agora. Ainda há dois minutos, caiu um aguaceiro grande aqui em Coimbra e por isso o tempo ainda não está totalmente estável, de forma que se possa respirar com algum alívio perante aquilo que é também a possibilidade de descargas da barragem da Aguieira e todo o caudal do Mondego, que continua a correr forte e a galgar as margens em alguns locais, mas para já, dentro daquilo que se passava também nos últimos dias. No dia de hoje manteve-se uma situação calma, identificada aos dias anteriores. Manteve-se também a baixa de Coimbra em prevenção para as possibilidades de cheias, mas efetivamente tudo correu com normalidade, pelo menos melhor do que aquilo que se esperava. Agora vão-se perspetivar as próximas horas, perceber se é ou não preciso retirar mais pessoas de casa. Hoje não aconteceu, apesar de ter sido prevista essa possibilidade. Portanto, nessa reunião vai-se perceber exatamente como é que vão correr as próximas horas e que medidas vai ser preciso tomar. Havia declarações marcadas para esta hora, 15h, mas naturalmente, com o atraso do arranque desta reunião, não está ainda a suceder. Não sabemos ainda a que horas terminará essa reunião. Em seguida, então, haverá essas declarações, nomeadamente por parte do primeiro-ministro Luís Montenegro, que acabou por marcar presença nesta reunião de forma de surpresa, digamos assim, porque não estava inicialmente prevista a presença do primeiro-ministro e também ministro da Administração Interna.

E tu aí estarás, Luís Soares, para nos dares conta dessas declarações do primeiro-ministro, eventualmente também da autarca de Coimbra e responsáveis pela Proteção Civil, que estão reunidos a esta hora, como o Luís aqui sublinhava, para perspetivar as próximas horas.

Em Montemor-o-Velho subsiste a preocupação em relação ao possível rebentamento de diques, com consequências graves, em especial para duas localidades.

Sim, a própria vila de Montemor-o-Velho e também Vila Nova da Barca. De acordo com o autarca José Veríssimo, presidente da Câmara Municipal de Montemor, ouvido aqui na Rádio Observador, ambas as localidades estão em risco.

Neste momento, temos o periférico direito, que está com um caudais muito grande, ou seja, inclusivamente a estrada 111 está cortada. Passa por uns diques aqui junto à vila de Montemor-o-Velho e junto a uma povoação que é Vila Nova da Barca. Ou seja, um desses diques, se colapsa, pode meter em causa todas essas pessoas.

O presidente da Câmara Municipal explica, em jeito de aviso, que nem todos os habitantes destas localidades abandonaram as casas. Diz que apesar de a situação agora estar mais calma, é um facto, tudo pode mudar rapidamente.

Nós tentámos salvaguardar as pessoas. Algumas saíram, outras não saíram, mas estão todas avisadas, estão de pré-aviso. Temos todas as forças de segurança aqui no local. Neste momento as coisas, felizmente, estão a correr dentro da normalidade, mas como os caudais são muito grandes, poderá haver um colapso de um momento para o outro.

É motivo de preocupação para o autarca de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, ouvido esta tarde aqui na antena do Observador.

De Torres Vedras chegam o alerta para o risco de desmoronamento do castelo.

Sim, é o alerta do vice-presidente da autarquia, Diogo Guia, explica à Agência Lusa que já se registaram dois aloimentos de terras por causa do mau tempo e há água na encosta de um dos lados, as árvores já estão a cair. Devido ao perigo de derrocada, foram interditados, por precaução, uma rua de acesso ao Castelo de Torres Vedras e a sala de concertos Bang Venue. Uma equipa de peritos está no local para avaliar o risco.

A Proteção Civil admite que os problemas ligados ao mau tempo são menos gravosos, mas o risco mantém-se.

Sim, há ainda perigo significativo de cheias e deslizamentos de terra nos locais mais afetados pela chuva intensa, o caso de Torres Vedras, de que aqui falava há instantes. Destaque também para Coimbra, é um dos locais que inspira mais preocupações. No briefing diário na sede da Proteção Civil, o comandante nacional, Mário Silvestre, lembra que a chuva ainda não deu tréguas e que os solos estão muito saturados, apesar de uma situação agora mais favorável.

Não estamos, de alguma forma, a dizer que não vamos ter problema. Estamos a dizer que neste momento, e com base naquilo que aconteceu durante a noite, temos aqui uma situação um pouco mais estável, menos gravosa, mas o risco de podermos ter que vir a evacuar a zona baixa de Coimbra mantém-se até ao final do dia de hoje. Portanto, estão alerta todas as pessoas que nos ouvem para manterem os seus comportamentos de uma forma segura e anteciparem esses problemas.

O aviso do comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, no ponto de situação sobre os impactos do mau tempo feito a seguir à hora de almoço.

O PS rejeita as acusações de ter interrompido o projeto para a barragem de Girabolhos por questões ideológicas.

Foi essa a acusação feita pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, diz que o PS pôs o projeto na gaveta na sequência do acordo com os partidos mais à esquerda no primeiro governo de António Costa. O projeto da barragem de Girabolhos é visto como preponderante, essencial para conter as cheias na bacia do Mondego. Está projetado há vários anos, só vai avançar agora. E depois das execuções do ministro da Agricultura, Eurico Brilhante Dias responde que este projeto não foi abrangido pelo tal acordo entre PS e, no caso, o Partido Ecologista Os Verdes.

Não era com o Bloco de Esquerda nem com o PCP, era com o Partido Ecologista Os Verdes

Havia questões que se levantavam desde o ponto de vista ambiental, mas o plano de revisão era estritamente quanto a barragens que não tinham começado a sua construção. Girabolhos não se enquadrava nesse conjunto de barragens, porque o processo de construção tinha começado. A Endesa em 2016, como consta do documento que nós distribuímos, que é um documento da APA, da Agência Portuguesa do Ambiente, desistiu da barragem e, aliás, só assim se percebe que não tenha pedido nenhuma indenização ao Estado português.

A barragem não avançou, a culpa é da Endesa. Eurico Brilhante Dias salienta também que o PS não tem nada contra a construção de barragens.

É um pouco irônico que seja o Partido Socialista considerado como um partido antibarragens. Eu recordo que o maior espelho d'água da Europa foi construído, desenvolvido durante um governo do Partido Socialista e que o Plano Nacional de Barragens foi desenvolvido durante um governo do Partido Socialista. Portanto, esse tipo de aproximações, que revelam apenas uma tentativa de criar um fato político, ainda por cima mentiroso, para alijar responsabilidades, não nos parece a forma mais adequada de fazer política.

Eurico Brilhante Dias. Pouco depois, também o PCP falou aos jornalistas para responsabilizar a Endesa pela desistência do projeto. O Partido Comunista Português recusa que tenha sido um acordo à esquerda pôr fim a esta iniciativa.

O PSD não afasta uma comissão técnica independente sobre as catástrofes naturais, mas prefere para já uma outra solução.

Sim, os social-democratas apresentaram hoje no Parlamento uma iniciativa para criar uma comissão eventual de prevenção e combate às catástrofes naturais. A proposta é assinada pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, apresentada pela vice-presidente da bancada, Dulcineia Moro, que diz que o objetivo é envolver todas as entidades com competência na resposta aos danos causados pelo mau tempo.

Porque apela ao envolvimento de todas as forças partidárias da Assembleia da República com assento parlamentar. Apela, naturalmente, à articulação com a sociedade civil e com entidades da proteção civil, das forças de segurança, das autarquias e membros do governo, entre tantas outras, nomeadamente a estrutura de missão que foi recentemente criada pelo atual governo.

Apesar da iniciativa, os social-democratas não colocam de parte a proposta do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para criar uma comissão técnica independente que investigue a resposta às tempestades das últimas semanas.

Temos as notícias de âmbito local.

E começamos por Arrimar, pelo Seixal, onde já foi retomada a ligação fluvial com o Cais do Sodré. As viagens entre as duas margens do Tejo foram interrompidas por causa da forte agitação marítima. A navegação já foi retomada. Em Aveiro, 49 estradas estão cortadas ou com circulação condicionada. É o que revela a Guarda Nacional Republicana, resultado de inundações e desmoronamentos. O Conselho de Águeda é o mais afetado. Na capital, a sessão Zero defende uma zona sem emissões na Baixa de Lisboa. Isto por causa da concentração média de dióxido de azoto, que nos anos de 2022 a 2024 ultrapassou o valor limite na Avenida da Liberdade. A Zero relembra que em relação ao novo limite, que vai ser imposto em 2030, é preciso reduzir para metade os níveis atuais de poluição. Em Leiria, a autarquia comprou 30 casas para famílias afetadas pelo mau tempo, um investimento de €400 mil. O presidente da autarquia, Gonçalo Lopes, diz que se trata de uma solução temporária enquanto decorrem as reparações no Conselho. Mais a norte, a Câmara de Famalicão aprovou mais de €700 mil para as forças de socorro. A verba destina-se a três corporações de bombeiros do Conselho. O presidente do município, Mário Passos, afirma que se trata de um apoio para a atividade diária das corporações e também para fazerem face a outras situações que nos últimos dias têm se tornado particularmente relevantes para a população. Em Santarém, a Ordem dos Engenheiros e a Câmara Municipal assinaram uma parceria técnica, um protocolo que pretende valorizar o papel da engenharia no desenvolvimento do município. O presidente da Câmara, João Teixeira Leite, afirma que esta parceria é decisiva para a recuperação do Conselho depois dos estragos causados pelo mau tempo.

Este foi o Jornal das Três, com o Miguel Videira.