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Observador. Jornal das três da tarde da Rádio Observador, com edição de Miguel Cordeiro. Tranquilo. É desta forma que se apresenta Rui Cristina perante a acusação do Ministério Público de discriminação e incitamento ao ódio.

O presidente da Câmara Municipal de Albufeira, eleito pelo Chega, diz que recebeu com tranquilidade a acusação do Ministério Público e garante que mantém as convicções sobre o acesso à habitação municipal. O autarca foi acusado num caso que remonta a novembro do ano passado. Numa reunião da Assembleia Municipal, Rui Cristina garantiu que, por opção dele, o município não iria gastar dinheiro com um determinado grupo de cidadãos locais pertencentes a determinada etnia minoritária. De acordo com a acusação do Ministério Público, estas declarações colocam a comunidade cigana em posição secundária perante os restantes cidadãos residentes no Conselho. E é dito que Rui Cristina agiu com o intuito de ofender a honra e consideração das pessoas pertencentes a esta comunidade étnica. O Ministério Público considera que o autarca pretendeu inferiorizar e discriminar esta comunidade no acesso à habitação. Agora, em resposta à acusação, Rui Cristina diz, em declarações à Agência Lusa, que as declarações foram políticas, não foram contra ninguém e foram num órgão político, que é a Assembleia Municipal.

As minhas declarações foram políticas, não foram contra ninguém e foram num órgão político, que é a Assembleia Municipal. Recebi esta acusação com tranquilidade, mas também com a convicção de que estou a ser perseguido por defender uma coisa muito simples, que é a igualdade de tratamento e de oportunidade para todos os que residem no Conselho de Albufeira. E aquilo que eu disse naquela assembleia, eu mantenho. Enquanto eu for presidente da Câmara, eu não vou construir habitação destinada exclusivamente a uma determinada etnia ou grupo.

Rui Cristina fala em perseguição e diz que não retira essas declarações, rejeita a atribuição de privilégios a determinados grupos, defendendo antes a aplicação de critérios que sejam comuns a todos os munícipes. Rui Cristina diz que respeita a Justiça e garante que vai enfrentar o processo de cabeça erguida e sem abdicar das convicções. O autarca adianta que tem uma equipa jurídica a analisar a acusação e que depois das férias judiciais vai ser tomada uma decisão sobre um eventual pedido de abertura de instrução do processo. Se isso não acontecer, Rui Cristina terá de ir a julgamento num tribunal coletivo. A pena a que está sujeito pode ultrapassar os cinco anos de prisão.

E perante as temperaturas elevadas neste arranque de semana, a Proteção Civil apela à adoção de medidas preventivas devido ao risco agravado de incêndio rural.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera aponta para temperaturas elevadas, sobretudo nas regiões Norte e Centro de Portugal continental. E agora, em comunicado, a Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil alerta para um agravamento do perigo de incêndio e recorda que nestes dias de risco muito elevado, é proibido o uso de fogo em espaço rural para fazer queimadas, mas também para cozinhar. Reforça ainda a proibição de uso de máquinas agrícolas. A Proteção Civil relembra também as recomendações da Direção-Geral de Saúde para proteção do calor. Recorda que deve aumentar a ingestão de água e também a utilização de protetor solar, utilizar chapéu e roupas largas e leves e também optar por refeições leves e frescas, entre outras recomendações. São apelos da Proteção Civil.

E precisamente o IPMA colocou nove distritos em aviso laranja por causa do calor.

Viana do Castelo, Porto, Braga, Bragança, Aveiro, Vila Real, Viseu, Guarda e Coimbra. Aviso laranja que está em vigor até às 18h de amanhã.

E o incêndio em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, mantém-se com duas frentes ativas. Ainda assim, a Proteção Civil diz que durante o dia de hoje o fogo vai estando algo dominado.

Este incêndio começou no sábado, continua ativo, já avançou para o conselho vizinho, neste caso, Carrazeda de Ansiães, e neste momento é o incêndio que mobiliza mais operacionais. Tem 370 operacionais apoiados por 120 veículos e cinco meios aéreos. Miguel Fonseca, é comandante sub-regional do Douro, explica para onde segue este incêndio.

Consideramos ter duas frentes ativas, uma no Conselho de Torre de Moncorvo, virado à aldeia da Lousa, e quando dizemos virados é apenas como referência, para poder ser mais fácil a identificação, e outra no Conselho de Carrazeda de Ansiães, virada, neste momento, à aldeia de Seixo de Ansiães.

Não há populações em risco, é o que diz Miguel Fonseca, que confirma que está a ser possível controlar o fogo e acredita que durante esta tarde as chamas não devem representar grande perigo.

Acredito que vamos mantê-lo, podemos dizer, de forma algo dominada durante o dia. Retido nos pontos onde ele neste momento está a desenvolver. Conforme disse, uma das frentes está muito partida e muito lentamente e, por isso, queremos acreditar que durante o dia não vai apresentar grande perigosidade.

A última noite foi de combate intenso às chamas. A população da aldeia de Pinhal do Douro teve de deixar as habitações. O comandante sub-regional do Douro explica que a operação correu bem e não há qualquer ferido a registar.

Foi preciso tirar as pessoas das casas e confiná-las no centro da aldeia, num lugar seguro, de forma a permitir que os operacionais garantissem a proteção das habitações, quer em segurança para eles próprios, quer em segurança também para a população. E garantir que não houve qualquer dano, qualquer afetação nas habitações, mas acima de tudo, não houve qualquer ferido.

Esclarecimentos deixados na última hora na RTP Notícias. O incêndio começou no sábado em Torre de Moncorvo. Alastrou-se durante esta manhã para o Conselho vizinho, neste caso, Carrazeda de Ansiães.

E em Ponte de Lima, o fogo também cruzou a fronteira do Conselho e passou esta manhã para Viana do Castelo.

E de acordo com a Proteção Civil, há duas frentes ativas neste momento: na freguesia de Santa Leocádia e também na freguesia de Gerês do Lima. As autoridades indicam que o fogo não está numa zona de difícil acesso. Estão no local 170 operacionais apoiados por cerca de 50 viaturas e dois meios aéreos.

O presidente de Ceuta acusa o governo central de Espanha de passividade quase absoluta em resolver a crise migratória na cidade autónoma.

Juan Vivas considera que o executivo de Pedro Sánchez tem demonstrado falta de vontade para resolver a situação e ameaça recorrer à justiça se não surgir uma resposta de Madri nos próximos 30 dias.

O que pensamos que se passa aqui é que não há vontade. Acreditamos que o governo dispõe de meios e capacidades suficientes para, se assim o desejar, conseguir que Ceuta volte à normalidade num prazo não superior a 30 dias. Dispõe dos meios e das capacidades necessárias para, no respeito pela lei, garantir que todas as pessoas adultas que entraram nos dias 30 e 31 de julho sejam repatriadas para Marrocos. Mas vamos recorrer a outras instâncias do Estado. Temos a obrigação de o fazer, porque não vamos desistir.

As críticas e promessa de Juan Vivas, o presidente da cidade autónoma de Ceuta, ao governo espanhol, que acusa de inação perante esta crise migratória. Este fim de semana temia-se uma nova vaga de entradas em massa em Ceuta, depois de nas redes sociais ter circulado a indicação de que 15 de agosto haveria novas entradas. Os receios acabaram por se concretizar. Centenas de migrantes tentaram chegar ao enclave, tanto por terra como por mar, mas foram detidos pelas autoridades marroquinas e acabaram por ficar ainda em território marroquino antes de conseguirem atravessar para Ceuta.

Agora, Miguel Cordeiro, vamos às notícias locais.

Em Sintra, o fornecimento de água vai ser interrompido amanhã, entre as 9h e a 13h, na Rua dos Junqueiros, em Azóia, na freguesia de Colares. A interrupção deve-se aos trabalhos de ligação à rede pública de abastecimento. Amanhã termina o prazo para as candidaturas ao programa Renda Acessível no Seixal. Ao todo, vão ser sorteadas 12 habitações da tipologia T2 e T3 nas freguesias de Amora e Corroios. O sorteio está marcado para 28 de agosto. Oliveira de Azeméis. A autarquia está a reforçar a distribuição de compostores para incentivar a compostagem de resíduos orgânicos. A iniciativa destina-se a moradores, empresas e outras entidades que tenham jardim ou horta. Em Santarém, os limites do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros vão ser alterados. A proposta vai agora entrar em discussão pública. O parque abrange cinco concelhos do distrito de Santarém, incluindo Rio Maior, e estende-se também a Ourém, Alcobaça e Porto de Mós. A área protegida tem cerca de 38 mil hectares. Leiria. A queda de uma grua provocou dois feridos graves em Regueira de Pontes. Os trabalhadores estavam a manobrar a grua quando sofreram o acidente. A Proteção Civil informa que estiveram no local cinco operacionais e que os bombeiros de Ortigosa levaram os feridos para o hospital de Leiria. Fechamos em Matosinhos. Seis homens foram detidos em flagrante delito ontem por suspeita de caça ilegal numa área de proteção. A GNR apreendeu seis armas de caça, munições, carta de caçador e livretos de manifesto de arma. Os suspeitos, com idades entre os 26 e os 62 anos, foram constituídos arguidos.

E fica por aqui o Jornal das Três da Tarde, edição do jornalista Miguel Cordeiro.