Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Notícias na Rádio Observador com o Miguel Videira. Miguel, terminou há instantes este debate na Assembleia da República. Discutiu-se a proposta de lei de alterações ao Código do Trabalho. A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho insiste na ideia de que a proposta do governo pretende romper com a ideologia do empobrecimento.
Um debate marcado pelas clivagens direita/esquerda. À esquerda, critica-se uma proposta que, segundo os deputados, vem contribuir para a redução de direitos dos trabalhadores. À direita também se escutaram algumas críticas, embora prevaleça a ideia de que é preciso mudar o Código do Trabalho para promover o crescimento econômico do país. Dos argumentos e contra-argumentos, ficou claro, Miguel Viterbo Dias, agora aqui de novo em direto, se o Chega vai votar amanhã ao lado dos partidos que sustentam o governo?
Ficou num limbo, mas a indicar que o Chega estará do lado da vitória, portanto, que irá fazer parte desta alteração da mudança laboral. Quem parece confiante de que isso vai mesmo acontecer é o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que na última intervenção que fez aqui neste debate, acabou por dizer que a proposta vai mesmo ser aprovada.
Por muito que vos custe, amanhã esta proposta vai ser aprovada.
O "por muito que vos custe" era dirigido à bancada do PS e da restante esquerda. O que é certo é que André Ventura, poucos minutos depois, subiu à mesma tribuna para dizer que o Chega ainda não sabe o que vai fazer.
Ainda não sabemos, a esta hora, o que acontecerá com a reforma laboral que o governo aqui apresenta. Mas sabemos uma coisa. Sabemos que há um partido que desde o início disse isto: "Esta reforma não é boa para Portugal". Hoje, o Hemiciclo divide-se em dois hemisférios. Um hemisfério que sabe que não é o ideal, mas quer alcançar alguma coisa para quem trabalha. E o outro hemisfério que quer deixar tudo igual.
André Ventura a dizer que ainda não sabemos o que vai acontecer amanhã, mas pouco depois, nesta mesma intervenção, já na reta final, dizer que esta vitória será do Chega, não será do PS e, portanto, a indiciar que o Chega pode mesmo viabilizar esta reforma laboral. Um debate que se prolongou com diversos incidentes e trocas de palavras, incluindo defesas da honra, e em que Miguel Cabrita, do Partido Socialista, diz que marca aqui também uma nova página nas relações entre o PSD e o partido de André Ventura.
O primeiro-ministro prometeu e jurou "não é não", mas agora governa em cada vez mais áreas com a extrema-direita. Não é só nas bandeiras e nas burcas. Agora também é no ataque aos pobres, aos jovens, às famílias, aos trabalhadores. Vai fazê-lo com a cumplicidade da extrema-direita e do seu líder, que já disse tudo e o seu contrário. As linhas vermelhas do Chega são, afinal, linhas muito laranja e vão ser cúmplices do governo a prejudicar jovens, famílias, classe média, trabalhadores.
Miguel Cabrita a atirar ao partido Chega por esta reviravolta no apoio à reforma laboral. Também Eurico Brilhante Dias a dizer que o Chega acabou por escolher o lado dos seus financiadores e que está a trair o eleitorado, até falando nas promessas de André Ventura durante a campanha das presidenciais. Já a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho diz que o Partido Socialista e a restante esquerda estão ambos infectados por uma saudade de alguns anos atrás.
O PS pede ao governo que deite a sua reforma fora e comece de novo. O PCP, por seu turno, pede que a rasgue. É um dueto nostálgico, senhoras e senhores deputados, que tem consigo, evidentemente, o histórico da geringonça, logo do neomarxismo e, dizê-lo mesmo, do marxismo-leninismo.
Maria do Rosário Palma Ramalho a atirar à esquerda por pedir que deite esta reforma laboral fora. Ao que tudo indica, será mesmo votada, não vai descer à especialidade sem votação. E Hugo Soares confiante de que conseguirá ser viabilizada na generalidade, seguindo-se depois um longo período de debate na Comissão de Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Será mesmo essa votação, que acompanharemos seguramente com interesse amanhã, sessão em que vai ser votada esta proposta de lei do governo. Acompanhamos este debate e escutamos também a síntese desse mesmo debate com a ajuda do coordenador de política do Observador, Miguel Viterbo Dias.
O primeiro-ministro não acompanhou a discussão. Estava a viajar para Bruxelas para a reunião do Conselho Europeu. Luís Montenegro insiste que o governo tem disponibilidade para aprofundar a reforma laboral na especialidade.
Nomeadamente junto dos partidos que amanhã viabilizem a proposta, como tem acontecido em vários processos legislativos, diz Luís Montenegro.
Uma disponibilidade absoluta para podermos aprofundar os termos desta reforma com os contributos dos partidos políticos, nomeadamente daqueles que estiverem disponíveis para viabilizar a nossa proposta na Assembleia da República. As negociações do PSD com os restantes partidos da oposição têm estado sempre abertas e, portanto, não é exclusivo deste processo legislativo. Tem acontecido noutros processos legislativos, como de resto também tem havido disponibilidade para o Chega negociar com o Partido Socialista. Também já tem acontecido.
Luís Montenegro, em resposta aos jornalistas à chegada a Bruxelas, vai participar na reunião do Conselho Europeu.
O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira um decreto que permite às Forças Armadas recrutar até 31 mil militares.
A decisão já foi tomada e anunciada pelo ministro da Presidência. A revelação foi feita horas antes pelo ministro da Defesa em Bruxelas, à margem da Cimeira da NATO.
Tratamos de um decreto-lei de efetivos que aumentará para números próximos de 31 mil O número de militares que poderão ser recrutados para as Forças Armadas.
Um anúncio acompanhado de críticas ao PS pela redução do número de efetivos durante os últimos governos do Partido Socialista. Nestas declarações, Nuno Melo admitiu também que Portugal pode vir a juntar-se às operações de desminagem no Estreito de Ormuz, uma questão que ainda está a ser ponderada e que vai ser levada ao Conselho Superior de Defesa Nacional.
O ministro da Administração Interna sugere que pode avançar com decisões drásticas para responder ao elevado risco de incêndio.
Luís Neves fala em proibições sem detalhar. Foi durante uma conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide. Para já, o governo está à espera de mais informações sobre as previsões meteorológicas para os próximos dias para decidir então o que vai fazer.
Estamos a aguardar a informação mais fina para termos, através do ICNF, a aplicação do PIR que aqui está, o perigo de incêndio rural, para podermos tomar decisões. Eu quero dizer que se a informação que viermos a ter relativamente a este PIR for grave, tomaremos decisões drásticas do ponto de vista de um alerta e tomada de uma medida interministerial. Essas medidas são proibições relativamente a comportamentos e a induções.
Luís Neves faz ainda um apelo, pede que se evitem comportamentos de risco. Dá o exemplo das queimadas e a utilização de maquinaria na agricultura. Portugal pode mergulhar já este fim de semana numa onda de calor. No interior do país, os termômetros podem bater os 40 graus.
Seguimos com o caso da morte de uma criança natural de Valpaços. A madrasta desta menina de oito anos foi detida.
Está fortemente indiciada pela prática dos crimes de homicídio e profanação de cadáver. Em comunicado, a Polícia Judiciária explica que, na sequência de um alerta para o desaparecimento da criança, um alerta do pai, foram recolhidos indícios que apontam para uma agressão violenta de que resultou a morte da menina, ao que tudo indica, por asfixia mecânica. O corpo foi encontrado numa zona florestal na serra de Padrela, no Conselho de Vila Pouca de Aguiar. A criança vivia com o pai e com a madrasta, em Celeirós, é uma aldeia do Conselho de Valpaços, onde está a esta hora o jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, imagino que a notícia da morte e os contornos deste caso sejam motivo de sobressalto para quem aí vive.
Tal e qual, Miguel. Preocupação, sim, tristeza também, mas sobretudo negação. Temos falado com alguns vizinhos e todos repetem que ainda não conseguem acreditar no que aconteceu. Nós estamos aqui em Celeirós, perto da casa onde vivia esta família, onde vivia esta menina com o pai e também com a madrasta, ela que foi detida, sendo ela suspeita da morte desta criança e também de ter escondido o cadáver. Há pouco movimento nesta aldeia e sobretudo junto à casa da família, que fica numa zona mais afastada do centro. E aqui a maioria dos vizinhos também são imigrantes e por isso só regressam no verão, não estão cá, mas alguns, sim, permanecem cá, vivem cá. Fomos falando com alguns que relatam essa negação e a reação tanto ao que aconteceu como a descrição desta família, da vivência desta família, é bastante semelhante. O pai da vítima é um velho conhecido de todos, ele cresceu nesta aldeia e por isso os vizinhos mostram-se bastante solidários, comovidos com o que ele está a passar. Podem dizer menos sobre esta madrasta. Eles dizem que ele vivia aqui há alguns anos, primeiro com os pais e depois veio viver para esta casa com esta madrasta, com esta mulher, depois de se ter divorciado da mãe da menina agora encontrada morta. Os vizinhos falam que viam pouco a família junta. O pai trabalha nas obras e por isso passava muito tempo a trabalhar, viam-no pouco. Viam mais até a criança de nove anos que foi encontrada morta. Ela passeava aqui ou apanhava aqui o autocarro para ir pra escola e por isso era esse o único momento em que a viam. Mas de resto, falam de uma família perfeitamente normal ou aparentemente normal, pelo que a notícia desta morte chocou bastante a aldeia. E se alguns só se aperceberam hoje, quando viram as notícias, outro vizinho contou-nos que ainda ontem à noite viu a avó desta menina, que vive aqui perto, a sair de casa e por ser tarde, ainda lhe perguntou onde é que ela iria e ela explicou que a neta estava desaparecida e só depois de madrugada é que este vizinho ouviu alguns berros vindos da casa destes avós e então apercebeu-se do que tinha acontecido. A notícia, entretanto, confirmada também pela PJ, que fala que o corpo foi encontrado ainda longe, numa serra em Vila Pouca de Aguiar. Os contornos ainda estão por apurar, tirando os factos que já foram referidos pela PJ no comunicado. Mas é um caso que vamos continuar a acompanhar e que naturalmente os vizinhos vão continuar muito atentos. Dizem que vão acontecendo alguns casos destes, mas claro, quando é ao lado deles, uma pessoa que eles conheciam e conheciam bem, que viram a crescer, é sempre mais complicado lidar com estes casos.
De coração apertado, a comunidade desta aldeia de Celeirós, aldeia do Conselho de Valpaços, onde vivia a criança que foi ontem encontrada morta, depois do desaparecimento ter sido comunicado pelo pai. A madrasta desta criança foi detida pelas autoridades. Vai ser presente a primeiro interrogatório judicial. Escutámos aqui a reportagem do jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia.
Vamos a outras notícias também em destaque a esta hora, Miguel.
As sete pessoas detidas na terça-feira por maus-tratos a idosos, na sequência do encerramento de nove residências que funcionavam como lares ilegais em Lousada, no Distrito do Porto, ficaram em prisão preventiva. É uma informação avançada à Agência Lusa por fonte policial. O Tribunal de Instrução Criminal, onde os suspeitos foram ouvidos, determinou ainda que estes homens e mulheres vão ficar proibidos de contactar com as vítimas e familiares e de exercerem funções de cuidadores. Os detidos, seis mulheres e um homem, têm entre os 25 e os 65 anos. Duas mulheres foram encontradas mortas esta manhã na Trofa. Os bombeiros foram chamados pela polícia para abrir a porta de uma habitação e depararam-se com os dois cadáveres que apresentavam sinais de decomposição em estado avançado. As mortes estão a ser investigadas.
Há mais notícias na Rádio Observador, no jornal das 17h, já com a equipa da tarde política.