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CBS, NBC, ABC e Fox suspendem cobertura de Trump em apoio à CNN

A suspensão inclui a ausência de fornecimento de imagens de eventos presidenciais às demais cadeias de televisão e imprensa. CNN, a MS NOW e o Politico processam administração Trump.

epa13249106 US President Donald Trump answers questions from reporters after announcing new 'most favored nation' pricing for certain drugs in the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 18 September 2026. The policy aims to allow state Medicaid programs to access lower drug prices negotiated by foreign nations.  EPA/Samuel Corum / POOL
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"É vital para o grande público receber informações corretas e independentes sobre o Governo", afirmam as quatro cadeias de televisão.

Samuel Corum / POOL/EPA

"É vital para o grande público receber informações corretas e independentes sobre o Governo", afirmam as quatro cadeias de televisão.

Samuel Corum / POOL/EPA

As cadeias de televisão norte-americanas CBS, NBC, ABC e Fox solidarizaram-se esta segunda-feira com a congénere CNN, vetada na sexta-feira de cobrir assuntos na Casa Branca, e vão deixar de cobrir as atividades do Presidente Donald Trump.

“A partir de hoje, a ‘pool’ televisiva não irá cobrir os eventos em que o Presidente participe e que sejam da competência do ‘pool'”, indicou Bryan Boughton, representante da Fox e organizador deste grupo de canais, a quem cabe a responsabilidade de filmar o líder norte-americano ao longo do dia e de distribuir as imagens assim produzidas.

Trata-se de uma iniciativa inédita desde o regresso ao poder do dirigente republicano, e surge na sequência da sua decisão de bloquear o acesso dos jornalistas da CNN, do canal MS NOW e do meio de comunicação ‘online’ Politico.

“É vital para o grande público receber informações corretas e independentes sobre o Governo. Nenhuma administração deveria restringir o acesso de um órgão de comunicação social por este não estar de acordo com a sua cobertura”, indicaram, por seu lado, os cinco canais da “pool” presidencial num comunicado.

A missão da “pool” da Casa Branca é filmar o Presidente norte-americano ao longo do dia e distribuir as imagens assim produzidas, segundo um princípio de rotação entre estes cinco canais, que são também concorrentes.

Existe um sistema comparável para os jornalistas da imprensa escrita, as agências e os fotógrafos. Participar na “pool” garante um acesso privilegiado ao chefe de Estado e os meios de comunicação que dele fazem parte comprometem-se, em contrapartida, a partilhar as imagens, declarações e observações recolhidas.

Trump acusou esta segunda-feira parte da imprensa de representar “uma ameaça à segurança nacional”, três dias depois de ter excluído da Casa Branca não só a CNN, como também o MS NOW e o Politico, que avançaram, de manhã, com processos judiciais.

Numa mensagem na rede Truth Social, de que é proprietário, Trump afirmou estar a levar a cabo uma ofensiva contra as “notícias falsas” ao vetar a entrada na Casa Branca a jornalistas dos três meios de comunicação social.

“A Casa Branca não está a atacar a liberdade de imprensa, algo que valorizo imenso. Está a atacar um problema que se espalhou como um cancro nos nossos queridos Estados Unidos da América”, afirmou Trump, considerando que tal “constitui uma ameaça à segurança nacional e tem de ser travado, agora!”.

Trump afirmou que o fenómeno “é algo corrupto, deliberado, generalizado, totalmente coordenado e que está fora de controlo”.

A CNN, a MS NOW e o Politico anunciaram esta segunda-feira uma ação judicial contra o Executivo de Trump devido a uma medida que consideram “ameaçar a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente, livre de interferências governamentais”.

“De manhã, notificámos o Governo de que vamos apresentar hoje uma ação judicial para proteger os nossos direitos ao abrigo da Primeira Emenda e defender o princípio de que o Governo não decide o que a imprensa noticia ou publica”, afirmaram os três meios de comunicação social numa declaração conjunta.

“Sem aviso ou processo, a Casa Branca revogou as credenciais dos nossos jornalistas porque se opôs à nossa cobertura”, afirmaram os órgãos de comunicação social. “Se não for contestado, isto ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente e livre de interferência governamental”, acrescentaram.

O anúncio representou uma nova escalada na ofensiva do chefe de Estado contra a imprensa, depois de, no início do seu mandato, ter restringido o acesso da agência Associated Press (AP) a alguns atos na Casa Branca por se recusar a usar o nome “golfo da América” utilizado por Trump para se referir ao golfo do México.

O confronto é um dos ataques de maior visibilidade da administração à imprensa até à data, com implicações que vão muito além dos três órgãos de comunicação social proibidos. Trump afirmou na passada sexta-feira, quando anunciou a proibição, que poderia acrescentar outros à lista.

Vários especialistas na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade fundamental de imprensa, entre outras, já classificaram amplamente a proibição como inconstitucional e condenaram-na como “abrupta, discriminatória e prejudicial” à capacidade dos meios de comunicação social para cobrir questões nacionais.

É esperado que a ação judicial dos órgãos de comunicação social se baseie fortemente na justificação vaga apresentada por Trump na sexta-feira para revogar o acesso, dizendo que não gostava de “notícias negativas”.

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