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Continental. Jornal das Quatro, edição com o Luís Soares. Luís, com uma previsão de que a inflação se mantenha muito acima do objetivo durante um período prolongado, o BCE, o Banco Central Europeu, subiu mesmo as taxas de juro pela segunda vez este ano.

Uma subida de 25 pontos base para os 2,5% e pode mesmo não ficar por aqui. A decisão do Conselho de Governadores foi avançada em comunicado e depois foi confirmada em conferência de imprensa pela presidente do Banco Central Europeu. Tendo em conta que a inflação deve permanecer elevada, podem estar em cima da mesa mais subidas das taxas de referência, mas Christine Lagarde não se compromete para já com decisões futuras.

Com a decisão de hoje, continuamos bem posicionados para lidar com a incerteza causada pelo conflito. Seguiremos uma abordagem baseada nos dados, reunião a reunião, para determinar a orientação adequada da política monetária. Em particular, as nossas decisões em matéria de taxas de juro vão basear-se na nossa avaliação das perspectivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos dados económicos e financeiros que forem surgindo, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária.

Christine Lagarde sublinha ainda a resiliência da economia europeia no segundo trimestre, apesar das dificuldades impostas pelo choque energético, afirma que os governos devem avançar com apoios apenas temporários e de forma cirúrgica e não transversal. Lagarde deixa ainda um aviso: a inflação vai depender da evolução do conflito no Medio Oriente, mas também de fatores ambientais, como por exemplo, os possíveis impactos do novo ciclo do fenômeno meteorológico El Niño. Na análise do jornalista de economia do Observador, Edgar Caetano explica que não estão descartadas novas subidas das taxas de juro e até já há previsões feitas pelos mercados.

As decisões são tomadas reunião a reunião, conforme os dados que vão saindo, mas há uma frase no comunicado que foi lido que é bastante importante, que é quando se diz que a inflação deverá continuar muito acima do objetivo por um período alargado. Isso, embora não comprometa o BCE, deixa claramente a porta aberta a que possam ocorrer mais subidas. E a verdade é que os analistas continuam um pouco divididos, mas os mercados de futuro de taxas de juros estão neste momento a apontar para que possa haver mais três subidas até outubro do próximo ano. Ou seja, a perspectiva é que daqui a cerca de um ano a taxa de juro pode estar em 3,25.

O jornalista de economia do Observador, Edgar Caetano, a analisar as subidas anunciadas pelo BCE, sublinha também que existe uma probabilidade superior a 50% dos juros subirem já na próxima reunião no final de outubro.

O concurso do TGV e a propriedade do apartamento de Paris estiveram esta tarde no centro das declarações de José Sócrates na Operação Marquês.

Neste dia que marca o regresso do antigo primeiro-ministro a tribunal para prestar declarações, a acompanhar esta audiência, que ainda decorre no Campus da Justiça, em Lisboa, tem estado o repórter Ricardo Lopes e, Ricardo, José Sócrates tentou provar que não é o dono do apartamento em Paris.

Terceiro tópico abordado por José Sócrates nesta segunda parte da sessão de hoje. Nesse esclarecimento, José Sócrates é taxativo, garante que não é, nem nunca foi, proprietário de nenhum apartamento na capital francesa. Além disso, diz que só foi informado da existência deste apartamento depois de ter sido comprado pelo seu amigo engenheiro Carlos Santos Silva, que lhe falou do apartamento e que disse que o ex-primeiro-ministro poderia lá ficar. Reitera que não existe qualquer prova que confirme essa propriedade e que, pelo contrário, os documentos e as chamadas telefônicas provam a inocência de José Sócrates, que fundamenta, inclusive, na mesma linha de negação, que não era o dono do apartamento, porque se fosse, teria sido ele a escolher o arquiteto ou a empresa de remodelação, algo que José Sócrates garante não ter sido. A sessão retomou perto das 14h30, Luís, e 20 minutos bastaram para José Sócrates e a juíza Susana Seca concordarem que não iria ser possível terminar hoje, devido às extensas declarações do antigo primeiro-ministro. Esta segunda parte da sessão começou com declarações sobre o TGV. José Sócrates diz que o Ministério Público descreve como alícia o concurso do TGV, onde o arguido é acusado de antecipar o lançamento do concurso para uma linha ferroviária sem dar qualquer explicação. Bem, José Sócrates nega tudo isto e quis ler dois pontos da acusação para se justificar. De seguida, o ex-primeiro-ministro abordou também a concessão do Baixo Tejo para atacar novamente os procuradores do Ministério Público e lamentar que tenha sido feita uma total auditoria moral ao governo que liderou. Com este tema da casa em Paris a estender-se, ainda está em debate neste momento, José Sócrates também já avisou a juíza que está cansado e que não vai conseguir prestar declarações durante muito mais tempo. A juíza também já confirmou que se vai agendar uma nova data, o que significa que será marcada a 11° sessão deste julgamento.

Ricardo Lopes, em direto do Campus da Justiça, a acompanhar o regresso de José Sócrates a tribunal, com novas declarações esta tarde sobre o concurso do TGV e também o apartamento de Paris.

O CHEGA entregou hoje um novo requerimento para constituir um inquérito parlamentar sobre a ação de Luís Neves na Polícia Judiciária.

Este requerimento surge depois de um despacho de José Pedro Aguiar Branco, ao qual a Lusa teve acesso e no qual o presidente da Assembleia da República avisava que iria rejeitar admitir o requerimento se o CHEGA não alterasse os fundamentos e objeto num requerimento dirigido ao presidente da Assembleia da República, divulgado hoje pelo CHEGA. O partido liderado por André Ventura pede uma célere instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito a partir de 15 de setembro. Uma das preocupações de Aguiar Branco estava relacionada com o objeto do inquérito proposto. O presidente da Assembleia da República queria limitar as competências a escrutinar e não permitir escrutinar toda a atividade funcional de uma pessoa durante o período de cerca de oito anos. Este é um dos pontos que a bancada do CHEGA não altera no novo requerimento, manifestando divergências com a posição do presidente do Parlamento. Para o CHEGA, o limite temporal está definido, bem como os limites materiais da competência investigatória da Comissão Parlamentar de Inquérito.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar admite que pode ser alcançado um acordo amanhã na reunião com a Ministra da Saúde, para assim evitar a greve de dois dias do INEM.

Em último esforço para tentar evitar esse protesto, a Ministra da Saúde convocou uma reunião para amanhã com o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Além do sindicato, vai estar presente também o presidente do INEM, Luís Cabral, numa reunião marcada para às 08h30 da manhã. À Rádio Observador, o presidente do sindicato, Rui Lázaro, diz que é fácil para o governo evitar esta greve e acredita mesmo que pode ser alcançado um acordo no encontro de amanhã.

Esta talvez seja das greves em que o governo, de forma mais fácil, pode fazer com que seja suprimida, uma vez que basta garantir que a resposta aos cidadãos não é diminuída e que, por outro lado, será reforçada. Claro, entendemos que essa é o desejo do governo, não implica aumento de salários nem valorizações de carreiras, é apenas Manter e reforçar a resposta do INEM. Temos fortes expectativas de que possamos chegar a um acordo.

As expectativas de Rui Lázaro, que sublinha também que o sindicato mantém as críticas ao presidente do INEM e, por isso, não esconde que há ainda linhas vermelhas.

Na proposta inicial, rejeitámos que as 56 ambulâncias de emergência médica ficassem afetas às transferências intra-hospitalares. O senhor presidente do INEM, na proposta, ao mesmo tempo que escreve que ficam dedicadas exclusivamente à assistência pré-hospitalar, acrescenta que incluindo as transferências entre hospitais. Pois nenhuma ambulância pode estar a fazer duas coisas ao mesmo tempo. Portanto, nós queremos a garantia de que ficam afetas aos cidadãos, à emergência médica pré-hospitalar.

Declarações do presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, que admite estar pronto para fazer cedências na reunião de amanhã, o que levou o Ministério da Saúde a convocar a reunião, que pode ser decisiva amanhã, às 08h30, entre o sindicato e o presidente do INEM. A reunião que pode evitar dois dias de greve no Instituto de Emergência Médica, o primeiro dos quais está marcado para a próxima segunda-feira.

Vamos a outras notícias em destaque a esta hora.

O sistema Volta recolheu mais de 305 milhões de embalagens nos primeiros cinco meses do ano. São dados divulgados pela entidade gestora, a SDR. Desde o arranque, em 10 de abril, a utilização tem crescido. Atualmente são recolhidos 5 milhões de embalagens por dia, cerca de 3,4 mil por minuto. Os rebeldes xiitas houthis do Iémen tomaram hoje o controle da cidade de Mocha, no mar Vermelho. De acordo com uma fonte iemenita, estavam a avançar em direção ao estreito chave de Bab el-Mandeb. Os avanços rebeldes apoiados pelo Irão seguem-se a bombardeamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo do Iémen. A Federação Francesa de Futebol retirou o apoio a Gianni Infantino para a reeleição como presidente da FIFA por quebra de confiança. O presidente do organismo revela também que a decisão foi tomada por unanimidade e no interesse do futebol. A Federação Francesa junta-se assim a outros países europeus como Itália, Suécia, Bélgica e Escócia. A posição foi tomada após o polémico plano, que entretanto foi retirado, de permitir investidores privados de até 20% das condições da FIFA, ideia que foi rejeitada por falta de transparência.